quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogo da 'Baleia Azul' e seus desafios: cinco dicas para a prevenção de pais e alunos

Foto: Arnaldo Sobrinho (PMPB / Whatsapp)

Mensagens trocadas por alunos de escola da zona sul de João Pessoa no WhatsApp explicam como funciona o jogo


O jogo da 'Baleia Azul', que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. Há pelo menos dois casos de morte sob investigação policial, em Mato Grosso e na Paraíba, além de uma tentativa de suicídio, no Rio de Janeiro, que supostamente podem ter relação com o jogo.

O que atualmente está sendo conhecido como "jogo" na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente.

Segundo o presidente da Safernet, Thiago Tavares, o jogo foi um “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia que se espalhou a partir de 2015. “Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que, sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. O jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.”

Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. - Thiago Tavares, Safernet

Tavares lembra que o "efeito contágio" tem suas consequências reais, e não virtuais. “O efeito contágio é um fenômeno muito anterior à internet, e particularmente comum entre adolescentes e jovens.”

O G1 ouviu especialistas que dão dicas de como lidar com o tema:


1. Fique atento à mudança de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.

“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, diz.


2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”.

“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.


3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”, afirma Elizabeth.

Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”

Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”


4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, diz Elizabeth.


5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.

Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidade da vida. No Colégio Fecap, que fica na Região Central de São Paulo, essa ideia virou projeto escolar: a turma de alunos do ensino médio técnico de programação de jogos digitais começou a criar uma espécie de “contra-jogo” da Baleia Azul.

“O jogo ainda está sendo produzido pelos alunos. Eles estão se reunindo e debatendo a questão. Serão 15 desafios de como desfrutar melhor da vida e celebrá-la”, conta o professor Marcelo Krokoscz, diretor do colégio.

Durante o curso, os estudantes aprender a aplicar linguagens de programação para criar jogos para computadores, videogame, internet e celulares, trabalhando desde a formação de personagens, roteiros e cenários até a programação do jogo em si. Segundo Krokoscz, a ideia é que o jogo, ainda sem prazo de lançamento, esteja disponível on-line para o público em geral.

Ele afirma que o objetivo é a ajudar os jovens a verem o lado bom da vida. “Impacta mais fortemente nossos alunos a partir do momento que eles mesmos criam um jogo a favor da vida.”


Fonte: Portal G1 

ONU e UE lançam na quarta-feira (19) iniciativa para combater tráfico de pessoas e contrabando de migrantes

Foto: Martine Perret (ONU)
Vítimas de tráfico humano


Na próxima quarta-feira (19), será lançada no Brasil a Ação Global para Prevenir e Combater o Tráfico de Pessoas e o Contrabando de Migrantes (GLO.ACT). Evento acontece às 10h30, na Casa da ONU, em Brasília. A GLO.ACT é uma iniciativa conjunta de quatro anos (2015-2019) da União Europeia (UE) e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

O projeto, implementado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), reafirma que a luta contra o tráfico de seres humanos e o contrabando de migrantes é da maior importância para a UE e para as Nações Unidas no seu conjunto.

A GLO.ACT é uma resposta coordenada ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes e visa reforçar a resposta da justiça penal em 13 países estrategicamente selecionados na África, Ásia, Leste europeu e América Latina. São eles Bielorrússia, Brasil, Colômbia, Egito, Quirguistão, Mali, Marrocos, Nepal, Nigéria, Paquistão, Laos e Ucrânia.

O representante do UNODC na Bolívia, Antonio De Leo, lembra que “o Relatório Global do UNODC sobre o Tráfico de Pessoas, de 2016, mostrou que os traficantes continuam a se beneficiar das fraquezas em nossa resposta coletiva de justiça criminal”.

“A natureza globalizada desses crimes tem impactos devastadores em nossas comunidades compartilhadas”, acrescenta.

O embaixador João Gómes Cravinho da Delegação da União Europeia no Brasil destaca que “o mundo mudou e a cooperação transfronteiriça na luta contra os crimes transnacionais é mais importante que nunca”. O Brasil, a UE e o UNODC “somos antigos parceiros que há décadas trabalham pelos interesses conjuntos”, ressalta o dirigente.

Segundo Cravinho, a GLO.ACT “visa programar respostas nacionais efetivas nas áreas e instituições que trabalham contra o tráfico e o contrabando de pessoas”.

A GLO.ACT trabalhará com os países selecionados, incluindo o Brasil, no desenvolvimento e implementação de respostas nacionais abrangentes de combate ao tráfico e contrabando de pessoas, garantindo a adoção de uma abordagem dupla de prevenção e proteção.

Além da assistência dada às autoridades governamentais, a iniciativa também beneficiará diretamente as organizações da sociedade civil, bem como atenderá vítimas de tráfico e contrabando de migrantes. Existem seis respostas-chave aplicadas ao projeto que se relacionam com:
  • Estratégia e desenvolvimento de políticas públicas
  • Assistência legislativa
  • Fortalecimento de capacidades
  • Cooperação regional e inter-regional
  • Proteção e assistência às vítimas de tráfico de pessoas e migrantes contrabandeados
  • Assistência e apoio às crianças vítimas de tráfico de pessoas e migrantes contrabandeados
A cerimônia de lançamento terá a presença do secretário nacional de Justiça e Cidadania, Astério Pereira dos Santos; do embaixador da Delegação da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho; do coordenador de projeto da OIM, Marcelo Torelly; do representante do UNODC na Bolívia, Antonio De Leo; da oficial de projeto da GLO.ACT do UNODC Brasil, Fernanda Fuentes; e do oficial de programa do UNODC Brasil, Nívio Nascimento.

Para mais informações ou solicitações da mídia, por favor, contate:

Fernanda Patricia Fuentes Munoz
Oficial Nacional de Projetos
GLO.ACT Brasil
www.unodc.org.br
fernanda.fuentes@unodc.org

Acesse um documento informativo sobre a GLO.ACT clicando aqui (em português).


Fonte: Portal da ONU

Tráfico humano: Resgate de milhares de mulheres mostra o auge da exploração na Espanha

Foto: Paco Puentes (El País)
Uma mulher que chegou à Europa, vítima do tráfico de seres humanos.


Em apenas cinco anos, a polícia resgatou 5.675 vítimas de tráfico de pessoas que estavam sendo submetidas à exploração sexual ou de trabalho pela força. A grande maioria eram mulheres que tinham sido arrancadas de seu país de origem com enganos ou violência e, quando chegavam à Espanha, eram forçadas à prostituição em condições de cruel escravidão. O relatório da polícia que mostra esses números revela que estão começando a dar fruto as políticas de perseguição do tráfico de seres humanos, mas também mostra a magnitude de uma atividade criminosa multinacional que já atinge quase o mesmo volume, em termos do dinheiro que move, que o tráfico de drogas ou de armas.

Se as 4.500 mulheres resgatadas e as 3.000 prisões realizadas neste período são apenas a ponta do iceberg, como dizem os especialistas, podemos inferir a magnitude do desafio se quisermos erradicar esse tipo de escravidão e as máfias que lucram com ela. O Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado, dependente do Ministério do Interior, estimava no ano passado em 23.000 as mulheres em risco de escravidão sexual. Esses dados revelam a necessidade de revisar tanto os meios destinados à perseguição das máfias como o marco legislativo em que a prostituição ocorre. Os limitados meios disponíveis para proteger tanto as vítimas quanto os denunciantes são um fator de impunidade. Levando em conta a brutalidade com que essas máfias agem, apenas a garantia de proteção pode encorajar denúncias.

Não é por acaso que a Espanha ocupa o primeiro lugar na Europa e o terceiro no mundo, depois de Tailândia e Puerto Rico, de acordo com as Nações Unidas, na demanda relativa de prostituição. A existência de uma demanda em ascensão estimula a atividade das máfias em nosso país e se torna um fator de criminalidade com um grande poder de corrupção ligado à lavagem de dinheiro.

Diferentes estudos demonstraram a crescente banalização da prostituição na Espanha. É surpreendente que muitos jovens recorram com frequência a ela como mais um elemento de diversão. Alguns países penalizam os clientes da prostituição. Desde que a Suécia tomou essa decisão, pela primeira vez, há 18 anos, sete outros países da Europa, sendo os últimos a França e a Irlanda, adotaram diferentes fórmulas de penalidade. Isso é especialmente importante no caso da prostituição forçada. Aqueles que pagaram para fazer sexo com uma mulher que trabalha como escrava sexual também são responsáveis, porque sem clientes não haveria negócio. É necessário abrir um debate sobre essa questão. Na recente reforma do artigo 187 do Código Penal, o Partido Popular introduziu no Senado uma emenda que favorece o lenocínio. Além de lucrar através da exploração da prostituição de outra pessoa, para que haja crime é exigido agora que seja em “condições vexatórias, desproporcionais ou abusivas” ou “uma situação de vulnerabilidade pessoal ou econômica”, condições difíceis de provar.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Artigo - 'As pessoas fingem que se importam com fetos. Quando temos aborto espontâneo vemos que não'

"Pessoas que sabem que eu perdi meus filhos me perguntam quando serei mãe"


Por: Kiwi Bertola


As pessoas fingem que se importam com fetos. Isso é uma grande mentira, ninguém dá a mínima pra eles. A questão é que obrigar a mulher a ser mãe é uma forma de controle, e ter controle sobre as pessoas é bom. Ou você tem dinheiro (outra forma de controle) pra abortar seguramente ou morre, pois a morte também é... controle. É só isso. Eu perdi dois filhos: o Tomás, com quase sete meses de gestação, e a Amora, com três meses de gestação. Ninguém da minha família (fora eu e meu marido) conta essas crianças. Nossos amigos não contam essas crianças.

Pessoas que sabem que eu perdi meus filhos me perguntam quando serei mãe, porque, pra elas, ter engravidado e parido bebês mortos não me torna mãe. Só vale bebê vivo, aí você tem o aval, o carimbinho da maternidade.

Quantas mulheres que vocês conhecem sofreram abortos e perdas gestacionais? Quantas deram nomes a esses bebês? Cadê os túmulos desses fetos? Não existem. E nos atestados de óbitos estão lá aos montes: natimorto. Sem nome nem sobrenome. E quando tem atestado de óbito, porque uma gestação de três meses não te dá o direito de ter um documento desses.

Que sociedade cruel é essa que acredita que fetos são tão seres humanos quanto eu ou você e ao mesmo tempo não oferece um túmulo, um nome, um atestado de óbito? É porque de fato, lá no íntimo, ninguém acredita nisso.

Quando eu falo que sou mãe de dois filhos as pessoas acham que sou biruta. Estranham que dei nome pra Amora. 'Mas você não perdeu com três meses? Por que deu nome?'

Perguntem às mulheres que perderam bebês quem se importou com eles. No hospital não queriam me deixar ver meu filho, pois ele era um feto (sim, foi isso que disseram).

A médica disse que não tinha problema se meu filho caísse na privada (onde me colocaram pra parir) porque ele já estava morto. É esse o respeito que um ser humano merece?

Quando fiz ultrassom pra ver se tinha de fato sofrido um aborto na gestação da Amora a médica me disse: 'Que bom seu útero tá limpinho. Aquilo tudo já saiu, nem vai precisar de curetagem'. AQUILO.

Perguntem às mulheres que sofreram abortos espontâneos o tratamento VIP que tiveram no hospital. Nem consigo contar quantas vezes ouvi 'Logo nasce outro' (como se fosse fácil substituir pessoas) ou 'Fica triste não, perder assim é normal'. Você fala assim de uma pessoa que perdeu um filho de 18 anos? Não. De um filho de 1 ano? Não. Mas de feto? Feto pode. Posso dar um milhão de exemplos de como a sociedade não considera fetos pessoas, tenham eles alguns dias ou 38 semanas.

Se ter filhos fosse absolutamente tão incrível e maravilhoso quanto a sociedade quer que a gente acredite, não tinha tanta criança abandonada no mundo! Só deve ser mãe quem quer. Homens já escolhem não ser pais por meio do abandono. Deixem as mães escolherem também, mas de uma forma mais digna que simplesmente virar as costas. Não sejam hipócritas.


Fonte: Revista AzMina / Jornal HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

Artigo - 10 coisas que você precisa aprender, se o seu crush é HIV positivo



Por: Matheus Emílio


1. Para começar, você sabe a diferença entre HIV e Aids? É sempre bom lembrar que HIV é o vírus e a AIDS é a doença causada pelo vírus, sendo assim ter HIV não é a mesma coisa que ter Aids.

2. Você ainda pensa que a Aids é uma “doença gay”? Se for o caso, esta na hora de você se atualizar. Diferentemente do estigma criado no início da década de 80, quando a Aids surgiu, já esta mais que comprovado que independente da orientação sexual, todos podem contrair o vírus HIV.

3. Se você se afastar do seu crush, apenas por ele ter a sorologia positiva para o HIV, significa que o que você sente é menor que o tamanho de um vírus.

4. O fato dele ter HIV não significa que ele irá te transmitir o vírus! Já ouviu falar sobre CARGA VIRA INDETECTÁVEL? Estudos comprovam que se nenhum dos parceiros tiverem outra IST (infecção sexualmente transmissível) e a pessoa HIV positiva estiver há mais de 6 meses com a carga viral (quantidade de vírus no sangue) indetectável, tendo um tratamento eficaz, as chances de transmissão são próximas de 0. Até hoje, cientificamente, nunca foi comprovado nenhum caso de transmissão, por alguém que esteja com a carga viral indetectável. Casais sorodiscordantes (quando um tem HIV e o outro não), podem e devem ter uma vida sexual normal.

5. Não é porque o crush tem HIV e está em tratamento, que vocês deixarão de se prevenir não é mesmo? Se vocês quiserem, a camisinha ainda pode fazer parte do relacionamento.

6. Pesquisas apontam que a expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV e fazem tratamento é quase a mesma das pessoas que não tem HIV. Então nem tente argumentar que “você fica inseguro pois tem medo dele morrer logo”.

7. Não pense que você estará sendo a pessoa mais incrível do mundo, apenas por se relacionar com alguém que é HIV positivo. Você estará apenas fazendo a sua parte, afinal um vírus não deve ser o ponto de decisão para uma pessoa gostar ou não da outra.

8. Se a pessoa não te falou que tem HIV antes, isso não significa que ela não confia em você. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa e ninguém quer sair por aí com uma plaquinha escrito “EU TENHO HIV”, se vangloriando por isso. Respeite e compreenda o momento que cada um tem para falar sobre esse assunto, até mesmo porque o sigilo é um direito das pessoas que vivem com HIV/Aids.

9. Dialogue com seu crush, seja sincero, tire suas dúvidas. Se preferir, procure também um especialista em algum centro de atendimento especializado em HIV/Aids. Não são apenas as pessoas HIV positivo que tem direito a conhecer sobre o vírus. Você também pode se informar!

10. Não julgue a vida sexual do seu crush. Ter HIV não é sinônimo de promiscuidade. Apague essa ideia.


Fonte: Portal Gay1

terça-feira, 18 de abril de 2017

Mudança nas leis revela 5.600 casos de escravidão na Espanha

Código de barras e preço tatuados no pulso de uma vítima romena, em 2012.


As autoridades espanholas libertaram 5.695 pessoas da condição de escravidão, como vítimas de tráfico e principalmente por exploração sexual ou trabalhista, entre 2012 a 2016, segundo o Ministério do Interior do país europeu. Após as mudanças legais de 2010 e 2015, que deram impulso à luta contra esse grave problema, este é o primeiro retrato fiel de um fenômeno muito ignorado. Um negócio que já quase supera o tráfico de drogas e o de armas, segundo o Relator Nacional para o Tráfico de Seres Humanos. Só em 2016, estima-se que havia 23.846 pessoas em situação de risco, e no caso da exploração sexual a maioria estava em casas de prostituição. Os especialistas concordam que a situação não mudará se não houver um debate sério sobre a exploração sexual na Espanha.

Em 2000, observa o Ministério Público, não houve um só caso registrado de violência de gênero em Madri, mas isso não significa que o problema não existisse. Simplesmente não havia vontade de vê-lo, nem os instrumentos adequados. Uma lei de 2004 alterou de repente essa realidade, porque trouxe a questão à tona. Com o tráfico de seres humanos e a escravidão pura – na forma principalmente de escravidão sexual ou trabalhista – está ocorrendo o mesmo. Empurrada pela UE (o convênio de Varsóvia é de 2005) e pela preocupação mundial, a Espanha introduziu pela primeira vez esse delito no seu código penal em 2010. Outra reforma, em 2015, afinou o olhar com novas premissas. O resultado dessa lenta manobra de sensibilização, que aglutina forças de segurança, promotores, juízes e ONGs, reflete-se em um relatório do Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado (CITCO) do Ministério do Interior, ao qual o EL PAÍS teve acesso. Pela primeira vez, fotografa o fenômeno com uma perspectiva de cinco anos e revela como ele esteve invisível aos nossos olhos. E é brutal: 4.430 vítimas de tráfico e exploração sexual, ou só deste segundo delito, entre 2012 e 2016. Se forem somadas as de exploração trabalhista, perseguida com mais afinco desde 2015, sobem para 5.675 pessoas. E 20 casos adicionais são de outros tipos de tráfico. Só em 2016, o dado mais recente, o total de vítimas chega a 1.046.

Cada caso é uma história de terror, e há algumas sentenças impactantes. Além da exigência da dívida contraída com a viagem, que frequentemente nunca termina de ser paga, sempre há um componente de violência e ameaça que aprisiona as vítimas e as impede de pedir ajuda. Estão isoladas e frequentemente não falam espanhol. Em Figueres (Catalunha), a irmã do traficante custodiava o bebê de uma mulher romena, obrigada a se prostituir numa rotatória de La Jonquera. Em outro caso, o delinquente mandou o filho da vítima, de 3 anos, para a ilha de Ibiza, e só a deixava vê-lo pelo Skype se mandasse o dinheiro. No drama das nigerianas, a viagem pelo deserto pode durar mais de um ano, são estupradas pelo caminho, ficam grávidas e depois perdem seus bebês. Em outros casos, a chantagem é com ameaças à família que fica no país de origem. Chegam a queimar suas casas, a dar surras e inclusive a matar.

São especialmente graves os casos de menores achadas em boates e apartamentos usados para prostituição. “Cada vez acolhemos mais menores, ou muito jovens que eram menores quando foram captadas”, observa Marta González, diretora do Projeto Esperança, uma das principais ONGs que ajudam a resgatar vítimas. A proteção aos menores vítimas do tráfico é outro ponto frágil do sistema. Não há centros de acolhida específicos para eles, e o fato de ser competência dos governos regionais gera disfunções. Igualmente assustadores são os casos de vítimas com deficiências: há alguns meses, a Polícia resgatou num apartamento de Madri uma garota com deficiência mental, após saber da sua existência pelos comentários jocosos de um fórum de usuários de prostituição na Internet. Em 2012, uma vítima romena que conseguiu escapar e foi de novo capturada acabou amarrada a um aquecedor, teve o cabelo raspado e seu preço tatuado no pulso, com um código de barras. Mostravam-na às suas colegas de apartamento para que vissem o que podia lhes acontecer.

O tráfico humano, que em nível internacional surge oficialmente na Convenção de Palermo da ONU, em 2000, implica uma captação a partir de uma mentira, a transferência a outro país ou lugar e uma finalidade de exploração final com supressão de liberdade. Inclui formas menos conhecidas, como a exploração trabalhista, ainda subestimada. A luta contra ela na Espanha mal começou, enfrenta lacunas legais e já está revelando cenários inesperados. Neste caso, as vítimas costumam ser homens, de origem rural, destinados a oficinas têxteis, restaurantes, bares de kebab ou wok, e no caso das mulheres a bares e serviço doméstico. Só nestes dois anos foram presas 534 pessoas, mas os especialistas detectam problemas de definição legal: “A lei precisa de uma reforma profunda que esclareça conceitos, porque é muito difícil determinar o que é exploração trabalhista pura e o que são condições abaixo das normas. Age-se e há sentenças, mas é preciso maior clareza legislativa. É uma finalidade do tráfico sem definir”, afirma Enrique López Villanueva, do gabinete do Relator Nacional contra o Tráfico, figura criada em 2014. As outras formas de tráfico introduzidas em 2015, mais raras, porém também muito difíceis de combater, são para a realização de delitos, como furtos ou narcotráfico, a mendicância, os casamentos forçados e tráfico de órgãos.

No entanto, o tráfico com fins de exploração sexual compõe a esmagadora maioria, e suas vítimas são mulheres em 96% dos casos. Romenas, chinesas, brasileiras e nigerianas são as nacionalidades mais frequentes das vítimas, ludibriadas de diversas maneiras. O lover boy no caso romeno, um rapaz que seduz a vítima com a promessa de uma vida melhor, ou o vodu nas nigerianas, por incrível que pareça. Sempre se repete o mesmo relato: os traficantes fecham o acordo no povoado da vítima com um ritual mágico, no qual eles ficam com um pacotinho que leva o seu nome. Contém restos de pelo púbico, de unhas ou de sangue menstrual, e sela que é de sua propriedade. Esse mecanismo é suficiente para aterrorizar as vítimas e impedi-las de denunciar. Entram em cena grandes diferenças culturais. E as próprias vítimas não têm consciência da sua condição. Mas os estereótipos ocultam um dado a mais: há muitas vítimas espanholas de tráfico, que em alguns anos ocupam as primeiras posições por nacionalidade, e é cada vez mais frequente o tráfico interno, dentro do país.

Por que isso não acaba? Segundo uma dúzia de especialistas consultados, porque é um negócio, e porque não interessa aos políticos. Na Espanha há 1.700 casas de prostituição que movimentam 5 milhões de euros (16,5 milhões de reais) por dia, segundo dados policiais, além do dinheiro de publicidade, incluindo jornais. “O tráfico não pode se desvincular da exploração final. Por isso depende de como se regule o delito final: se a cafetinagem for livre, é um paraíso para os traficantes. Não se pode perseguir com eficácia o tráfico sem proibir a exploração sexual comercial”, diz Joaquín Sánchez Covisa, procurador da sala de estrangeiros e um dos magistrados de referência neste campo.

Chefes de combate ao tráfico humano do Corpo Nacional de Polícia e da Guarda Civil, promotores e juízes especializados e as ONGs que trabalham com as vítimas concordam que é preciso proibir a cafetinagem, que ninguém deveria poder lucrar com a prostituição de um terceiro. Na Espanha, qualquer pessoa pode viver da prostituição alheia, e só se castiga quando há violência, coação ou uma situação abusiva, mas isso é quase impossível de provar se a vítima não denunciar. E é muito raro que denunciem. As investigações são complexas, exigem cooperação internacional e se baseiam em escutas.

É absurdo pensar que é livre uma mulher que trabalha 24 horas e, ao final de um ano, não tem conta, nem dinheiro, nem propriedades, nem paga o aluguel do apartamento onde mora, nem pode rejeitar um cliente”, afirma Beatriz Sánchez, a procuradora que em 2012 conseguiu condenar o chefe romeno Ioan Clamparu, vulgo Cabeça de Porco, o maior cafetão do tráfico na Europa. Pegou 30 anos de cadeia. Ela opina que o sistema está muito atrás dos traficantes em termos de meios e orçamento, e que os recursos de proteção às vítimas e testemunhas são muito deficientes. Também em alguns casos são problemáticos os intérpretes linguísticos, quando vítimas ou suspeitos falam em dialetos de seus países de origem.

O fato é que, diante de alguns casos flagrantes, basta o bom senso e uma sensibilidade mediana: “Você acredita que uma paraguaia que não fala castelhano, só guarani, vai vir até aqui porque quer um apartamento de Bilbao onde vive presa as 24 horas?”, argumenta outro promotor. Os corpos policiais realizaram em 2016 mais de 2.500 inspeções em locais de prostituição, 73% deles em clubes. Entre 2012 e 2016, prenderam 3.000 pessoas por tráfico e exploração sexual, e desarticularam 277 quadrilhas.

A última reforma do código penal, em 2015, esteve a ponto de punir totalmente a cafetinagem, o que significaria o fechamento de clubes e inclusive a proibição da publicidade erótica. O texto passou no Congresso (câmara de deputados), mas no Senado uma mão, a do Partido Popular, retocou o projeto e associou a cafetinagem ao conceito de exploração, o que abre uma margem de interpretação e continua dificultando a prova. Introduziu-se a “vulnerabilidade” da vítima como um critério adicional de limitação, mas continua sendo muito vago, embora as forças de segurança estejam usando esse caminho em suas operações, à espera de que o Tribunal Supremo se manifeste.

“Em grande medida é um problema de demanda. Enquanto não a resolvermos, não acabaremos com o problema. Não digo proibir ou legalizar, é preciso regular, legislar. Os cafetões se aproveitam do vazio legal”, observa Enrique López Villanueva, do gabinete do Relator Nacional contra o Tráfico. “Você fecha um clube por tráfico, ele reabre dois dias depois e volta a ter clientes”, confirma María Gavilán, juíza substituta da Comunidade de Madri, especializada neste tema e ligada à Associação de Mulheres Juízas Espanholas (AMJE). Uma ordem da UE de 2011 indica expressamente aos países membros que eles devem estudar a possibilidade de medidas para criminalizar o uso de serviços de vítimas de tráfico. Muitos especialistas propõem que o tráfico humano precisaria de uma lei integral, como a de violência de gênero, para que o problema fosse enfrentado com eficácia, embora esse seja um ponto de discussão.

Villanueva toca em outro tema tabu: a Espanha é um destino de turismo sexual, “embora não seja algo que se reconheça nem seja fácil de abordar”. Por exemplo, os clubes de La Jonquera, na fronteira com a França, constituem o maior prostíbulo da Europa. “Avançou-se muitíssimo em nível normativo, mas na prática há dificuldades, falta avançar muito na sensibilização, e seria importante que também chegasse ao Poder Judiciário”, observa Marta González, do Projeto Esperança. A cooperação entre forças policiais e ONGs que fazem trabalho de campo deu um salto enorme, com uma instrução específica de junho de 2016, e os promotores também estão muito bem formados. A especialização de profissionais e a conscientização coletiva são decisivas, porque o grande passo é saber identificar os casos de tráfico quando se tem um pela frente.

É difícil solicitar a opinião das casas de prostituição. No passado, existiu uma associação de empresários destes locais, chamada ANELA, que não está mais ativa, e atualmente não há uma organização como tal que represente o setor. Um deles, no entanto, aceitou falar, e ele mesmo esclarece que sua opinião não é absolutamente representativa. “Você pode estranhar, mas sou a favor de abolir a cafetinagem e a prostituição. Entretanto, sendo realista, não acredito que eles vão acabar, e enquanto isso acho que se deve regularizar, e que não exista um vazio jurídico do qual as máfias se aproveitem”, diz Alberto Martínez, que tem três boates em Barcelona, vai abrir uma em Madri e está há 20 anos neste negócio. Na Catalunha, a prostituição é parcialmente regularizada, os clubes devem ter licença e estão cadastrados. Esse empresário é a favor de conduzir uma atividade “limpa e transparente”, mas admite que neste negócio há máfias e más práticas. “A imagem do setor é muito negativa, é assim, compreendo que coloquem todos no mesmo saco”, aceita.

“A Espanha é o terceiro país em demanda por prostituição, segundo a ONU, atrás da Tailândia e de Porto Rico, e a chave é a demanda”, aponta Rocío Mora, diretora da Apramp, outra ONG de referência. Para ela, é uma obviedade que “são muito poucas as mulheres que se prostituem, que estão aí porque querem, a imensa maioria é de vítimas de tráfico ou exploração sexual”. Ela enumera indícios de que por trás dessas garotas há uma organização: elas vivem trancadas em apartamentos ou clubes onde almoçam e jantam, e inclusive as que estão na rua recebem comida e lenha para as fogueiras. “Há mulheres que logo depois de chegarem ao aeroporto já aparecem na rua Montera de Madri e não sabem nem em que cidade estão”, denuncia. A Apramp tem equipes, formadas por sobreviventes do tráfico, que percorrem as ruas em busca de vítimas: em 2016 resgataram 1.259, que entraram em seus programas para refazer suas vidas.

Katy, nome fictício de uma brasileira sobrevivente do tráfico, que agora trabalha para a Apramp, diz: “Você acha que um dia terminará [de pagar], mas a dívida não diminui, só cresce. Eu gerei dinheiro suficiente para ter uma vida acomodada, mas roubam isso da gente. E você está sozinha, neste ofício não existem amigos. É estranho que um cliente tenha sensibilidade. Dizem: ‘Não quero escutar problemas, para isso fico com a minha mulher’. É muito raro que uma mulher esteja nisto porque quer. A profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, é olhar para o outro lado”.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Empresa brasileira cria embalagem sustentável que não agride o meio ambiente e é comestível


Imagina se as embalagens dos produtos que nós compramos fossem benéficas para o meio ambiente e para nós também, a ponto de poderem ser comestíveis? Parece impossível, mas elas existem, sendo que algumas empresas no Brasil já investem nesse tipo de material. Uma delas é a Oka Bioembalagens.

A empresa de Botucatu, interior de São Paulo, produz essas embalagens, que podem ser ingeridas ou compostadas graças à sua composição: fécula de mandioca e água. A combinação desses dois ingredientes com algumas fibras resulta em embalagens sustentáveis que suportam temperaturas de até 200ºC e também são isolantes térmicas.

Basicamente, são embalagens naturais, sem aditivos químicos e biodegradáveis. Se forem para a terra, serão transformadas em composto; na água, alimentarão os peixes. E também podem ser usadas como ração animal.

Os produtos da Oka podem ser considerados uma revolução porque se preocupam com uma questão que não recebe a devida atenção; o lixo. Além de questionarmos a procedência daquilo que compramos – alimentos, cosméticos, roupas e produtos – é importante nos preocuparmos com o destino do que consumimos, afinal, tudo está ligado em um ciclo.

As bioembalagens também são uma alternativa para o nosso país, em um cenário de falta de incentivo da reciclagem e da logística reversa por parte das empresas. É uma maneira de incentivar uma produção e consumo lixo zero.

Há embalagem para ovos, bandejas, velas, copos, potes e estojos. A média de tempo que uma embalagem plástica leva para se decompor no meio ambiente varia entre 100 a 400 anos, enquanto as bioembalagens fazem o mesmo processo entre 100 e 400 horas.

A Oka está aos poucos entrando no mercado alimentício, sendo que já fez parceria com empresas como a Fazenda da Toca, que distribui produtos orgânicos, e restaurantes como o Le Manjue em São Paulo, contribuindo para um consumo sustentável.

A empresa já ganhou diversos prêmios, entre eles o Ecodesign Fiesp, em 2002 e 2004 e o Idhea Brasil 2010 – Bioembalagens. Incrível, não?


Fonte: Portal Follow the Colours

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