quarta-feira, 17 de maio de 2017

Você conhece a origem do Dia das Mães?


Como você sabe, no domingo passado foi celebrado o Dia das Mães aqui no Brasil. A data foi criada por decreto em 1932, estabelecendo que ela deveria ser comemorada todo segundo domingo de maio, e acabou se tornando uma tradição. Mas a verdade é que essa celebração surgiu muito, muito antes desse decreto e nem tinha uma conotação tão comercial como a de hoje em dia.

O costume de homenagear as mães remonta da Antiguidade, e existem registros de que os gregos homenageavam a mãe dos deuses — Reia —, enquanto os romanos prestavam suas homenagens à sua mãe divina correspondente, Cibele. Já no século XVI, os ingleses costumavam presentear as suas mães durante um serviço religioso — celebrado no quarto domingo da Quaresma —, mas o costume acabou sendo transferido para o mês de maio.


Dia de uma única mãe

No entanto, o Dia das Mães como é celebrado atualmente teve origem nos EUA, graças a uma mulher que lutou com todas as forças para que ele fosse criado e, depois, abolido. Antes de se tornar um dia para dar presentes, ramos de flores e cartões, essa data era reservada para que as mulheres chorassem os soldados caídos e lutassem pela paz.

Tudo começou com uma mulher chamada Ann Reeves Jarvis, que organizava grupos de mulheres que trabalhavam para melhorar as condições sanitárias da época e, assim, reduzir a mortalidade infantil, além de cuidar de soldados feridos durante a Guerra Civil norte-americana. Depois da guerra, Jarvis passou a organizar reuniões e piqueniques pacifistas — ou Dia das Mães —, incentivando as mulheres a adotar um papel mais politicamente ativo.


Filha dedicada

Mas foi Anna, filha de Ann, quem transformou essa data no que ela é hoje. Anna ficou extremamente tocada pelo falecimento de sua própria mãe, passando a organizar homenagens que, pouco a pouco, acabaram se espalhando para outras cidades e estados norte-americanos. E os eventos foram se tornando tão populares que, em 1914, a data comemorativa foi oficializada.

Contudo, para Anna, esse era o dia para que todos fossem às suas casas passar o dia com as suas mães para agradecê-las por tudo o que elas significavam. Essa não era uma data para homenagear todas as mães, mas cada mãe, e Anna ficou profundamente perturbada quando percebeu que a festividade estava se transformando em uma mina de ouro e em uma comemoração de cunho comercial.


Comercialização da data

Anna, então, passou a organizar boicotes, participar de protestos e a ameaçar iniciar processos, e inclusive foi presa por perturbar a ordem. Ela acabou gastando toda a sua herança e energia para abolir a celebração que ela havia criado anos antes, e apesar de ter podido lucrar absurdamente com a “comercialização” do Dia das Mães, Anna acabou morrendo sozinha e sem um tostão em um hospital psiquiátrico aos 84 anos.

No Brasil, o Dia das Mães é a segunda data comemorativa mais lucrativa do ano, vindo depois apenas do Natal. Nos EUA, terra natal de Anna Jarvis, as vendas do ano passado foram estimadas em US$ 18,6 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões), ou seja, indo totalmente contra o que a criadora da data realmente desejava.


Curiosidades sobre o Dia das Mães:
  • Assim como no Brasil, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de maio em muitos outros países, como Japão, Turquia, Itália e EUA.
  • Em outras partes do mundo, essa data é comemorada no primeiro domingo de maio, como é o caso de Portugal, Moçambique, Espanha, Hungria e Lituânia.
  • Em várias localidades, essa celebração ocorre em uma data fixa, como é o caso de México, Guatemala, El Salvador e Belize, que homenageiam as mães no dia 10 de maio, embora ocorram festejos durante todo o ano.
  • Alguns países não celebram o Dia das Mães propriamente dito, como é o caso da Tailândia, que comemora o aniversário da Rainha Sirikit, considerada por muitos a “mãe de todos os tailandeses”, e de Israel, que comemora um dia da família.

Fonte: Revista Megacurioso

Prof. Nair Bicalho ministra palestra "Educação em Direitos Humanos na Universidade Brasileira" na UFRN


Dia: 22 de Maio de 2017
Local: Auditório D do CCHLA (UFRN)
Horário: 9:00h
Haverá emissão de certificado

Artigo - A experiência de uma mãe no Tinder



Por: Fernanda Teixeira


"Fernanda, 27 anos
Mãe
Professora
Militante
Feminista
Amor à culinária, literatura e aos amigos
Ódio ao capital e aos de coração raso."

Essa é a minha descrição num experimento social, no meu perfil do Tinder.

Depois de conversar mais uma vez com uma amiga sobre a relativização afetiva que as mulheres sofrem e como é isso pós maternidade, ela lembrou de um post que fiz um tempo atras, contando dos perfis no Tinder. Homens com fotos dos filhos, mulheres, nunca. Esconder a maternidade é necessidade. Ela, socióloga, propôs que reativássemos meu perfil e fizemos essas alterações. Foi uma semana forte. não fez bem pro meu ego, mesmo.

83 matchs masculinos. Homens entre 24 e 34 anos. Alguns (re)machs - praticamente os únicos que não me fizeram mal ao ler as mensagens recebidas (nem todos, também). todos homens que eu realmente me interessaria pela aparência física e/ou descrição e interesses em comum.


TOP 10 das bostejadas:

1
*Raul - 27 anos:
-Oi gata
-Oi. tudo bem?
-Melhor agora.
- ><
-Que bom que você avisa que tem filho.
-É? Por que?
-Assim facilita e a gente não tem surpresa.
-Como assim?
-ah gata
não se apaixona nem se desiludi
- como assim?
- vc é mãe
já sei q n rola nd sério

2
*Felipe - 31 anos:
-Tu é mãe?
ainda amamenta? <3
- Oi. Tudo bem? Não mais, por que?
- Nada não.
(combinação desfeita, por ele)

3
*Lucas - 28 anos:
-...
-então o seu filho está onde agora?
- Em casa, comigo. por que?
-Nossa.
Você é bem feminazi esquerdista mesmo.
coitada da criança com uma mãe puta dessas que fica procurando macho.

4
*Lucas - 24 anos:
- ...
- Sou mais novo que vc
-Sim. 3 anos. Isso é um problema grande?
-n, n. é q vc é mãe, e eu procuro uma namorada
-E?...
-E que daí n dá, né
-Por que? Sua mãe nunca namorou?
-N fala da minha mãe
vadia
(combinação desfeita, por ele)

5
*Markus - 25 anos
-vc tem com quem deixar a criança? n sou chegado, mas achei vc gata.
-oi? tu n é chegado em que?
- Filho dos outros kkk
- Tu tem a foto com uma criança!!!!
- É meu afilhado.
-Pra chamar mulher?
- Siiim. da certo. Com vcs tbm?
(combinação desfeita por mim, porque não tive mais estomago)

6
*Marcos - 27 anos
-...
-Mas priorizei outras coisas na minha vida
-Como assim? temos a mesma idade e tu tbm é pai
-sou pq minha ex quis. acho q ela e vc n são iguais
-Como assim?
- Vim morar no sul pra fugir dela
- E do teu filho?
-tbm. ela engravidou de gosto
-hmmm. Quantos anos vcs tinham?
-Ela 17 e eu 26
- Tu recém foi pai então?
- ahan
- meu, tu é quase 10 anos mais velho que ela. Acho q ela n queria engravidar e ter um filho sozinha em SP
- mas ela n se cuidou
n tenho muito a ver com isso
(combinação desfeita por mim, por motivos óbvios)

7
*Ivan - 34 anos
-Divorciada?
-Oi. Tudo bem contigo? Sim, sou separada. Por que?
-É que mulher com filho a gente pergunta né
- Por que?
-Se n casou é que n vale muito
- Como assim? tu vai vender a mulher? Quanto é que ta o @ da mulher no século XXI?
- Li teu perfil até o final agora
vc é feminista
raça ruim eim
o corno que deve ter te dado um pe na bunda pq tu n se depila

8
*Renan - 26 anos
-...
- mas vc foi irresponsável
- Fomos um pouco, mas levo uma vida normal.
- e vc cria seu filho sem pai?
-Não. meu filho tem um pai, que ama muito ele.
Nao entendi a colocação.
- alem de mãe e bura kkkkkkk
- Burra? Além de mãe? Por que? Tu tem problemas?
- Problema tem tu q tem filho e fica no tinder catando outra barriga
feminista suja
professor ainda kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

9
*Tarciso - 31 anos
-...
- Sou marinheiro e busco apenas aventuras.
- hmmm
- Você ser mãe facilita as coisas
- Por que?
- Porque não precisamos fingir engenuidade e podemos pular os cortejos.
-INgenuidade, querido.
- Vá se fuder
sozinha kkkk

10
*Elton - 29 anos
-... eu concordo com esses caras na verdade
- tu concorda com os absurdos que disse que já ouvi por ser mãe?
- ué, vc ficou solteira pq quis e parece esperta
- e???
- e que todo mundo sabe q ngm leva a sério mulher com filho
- Por que?
-p q se ja teve filho e ta solteira boa coisa n é
- Então todas mulheres divorciadas são péssimas pessoas e péssimas mães? e as que são mães solo porque o cara fugiu?
- N. minha mãe tbm se divorciou quando eu era criança pq meu pai batia nela
- ela foi uma mãe ruim?
- N né
minha cora é minha vida
- Quantos anos ela tinha quando isso aconteceu?
- Ela tinha 26 e eu 5
- Eu e sua mãe fomos mães com a mesma idade e nos separamos também com quase a mesma idade hehehe
(match desfeito, por ele)

Quando se fala em irresponsabilidade social e abuso afetivo sobre as mulheres, negligenciar essa cultura da misoginia acerca da maternidade é ser canalha. A solidão da mãe é vista como obstaculo para tornar aquela mulher forte. Nós não queremos esses obstáculos. Ninguém quer. Essa cultura coloca todos os dias milhões de mulheres numa posição que facilita a exposição aos abusos.
Logo depois que me separei, passei por vários "relacionamentos" que tinham um traço forte em comum: Todos homens que me relacionei me esconderam socialmente. O primeiro homem que me assumiu socialmente, no entanto, era mais um dos abusadores emocionais que estão por aí. E eu caí, como uma presa, em mais um relacionamento abusivo porque estava recebendo atenção. Fingia estar bem, feliz, que tudo era flor amor e gratidão, mas a gente aprende a disfarçar bem e evitar perguntas. Enlouqueci, literalmente.

Hoje sigo no limbo social e emocional que nos colocam, fingindo que sou forte e que está tudo bem.
Não está.

Esses diálogos nojentos aí em cima provam que nada está bem.

O meu estado "civil" no momento não importa pra ninguém porque essa não é a questão desse experimento e do futuro artigo. Meu estado emocional e o estado emocional de todas as mães que escondem sua maternidade no primeiro momento para evitar fetichização e conseguir atenção afetiva, sim.

Ser mãe não é amar incondicionalmente e abrir mão da vida social/sexual/amorosa; nem desfazer planos, nem se privar da carreira, nem se privar de todos os sonhos e planos traçados. Isso é ser submissa à alguém. Ser mãe é ser responsável pela vida de um terceiro, eternamente ligado a ti. Nutrir o crescimento desse ser da melhor maneira que conseguires e se esforçar muito pra que tudo de certo pra ele, em primeiro lugar.

Sempre que se fala da mãe, se fala dela como algo terceirizado, como uma entidade atrelada ao filho de uma maneira submissa. Isso é desumanizador.

Espero que esse experimento e esse textinho facebookiano ajude a elucidar a posição que todos vocês acabam nos colocando dentro dessa estrutura patriarcal e misógina.

Ser mulher não é fácil.

Ser mulher e mãe, menos ainda.

Ser mulher, mãe e reivindicar uma vida social fora dos padrões patriarcais, é enlouquecedor.

Na luta da mulher mãe, a resposta é essa mesmo: Não há ninguém perto de você, só seu filho.
Feliz dia das mães. Comprem um presente pras suas, aliviem a culpa e reflitam o quanto de abuso emocional elas já sofreram por serem mães de vocês.

Pai, marido, irmão, cunhado, chefe, amigo, namorado, colega... todos já foram abusivos e/ou negligentes de alguma forma.

Pensem em quantas mulheres permanecem em relações falidas e criminosas com medo da solidão.
Mãe de bicho lê/ouve coisas como essas todos os dias? Alguém já deixou de te assumir porque vocês tem um gato e dois cachorros em casa? Você sofre abuso emocional em todas os meios que vive e circula, inclusive o familiar, por ter bichos e ama-los muito?

Eu queria ter escrito mais, muito mais mesmo; mas não deu. Prefiro manter minha saúde emocional minimamente estável no dia de hoje porque sei que tem muita mulher que aguenta firme coisas muito piores. Reconheço meus privilégios.

* os prints das conversas não foram postados porque a intenção não é transformar isso aqui num álbum de nojeiras. As conversas foram transcritas, mantidas abreviaturas e corrigidas falhas de digitação. Os nomes e idades também foram mantidos.
* não foram vinculadas fotos do meu filho nem seu nome foi exposto em nenhum momento. foi apenas informada a maternidade.
* as mulheres na mesma condição que eu sabem identificar cada frase e contexto, porque certamente passam por isso diariamente.
* não somos menos mães por nada disso.
* não amo menos meu filho por entender que ele não é minha propriedade e eu não sou propriedade dele.
* também vivo em processo de enfrentamento familiar constante por negar o padrão. A luta também acontece no âmbito familiar, por mais massa que seja minha familia.

PS.: a transcrição não é minha, é da pagina "já falou para seu menino hoje?"


Fonte: Facebook

Artigo - Acabem com o tormento das festas de dia das mães da escola



Por: Rita Lisaukas


Eu sei que muitas mães gostam dessa festinha, porque se lembram das celebrações de dia das mães da própria infância. As crianças ensaiavam músicas e grandes apresentações e, nessas cerimônias, entregavam os presentes às mães, que iam sempre às lágrimas. A sua adorava a homenagem e você ficava super orgulhosa em “desfilar” com ela por aí.

Mas eu preciso te contar uma coisa: enquanto eu, você e nossas mães nos sentíamos radiantes durante essa comemoração, muitas outras crianças se sentiam miseráveis. Eu não me esqueço como uma amiguinha, a Daniela, ficava sempre tensa quando chegava esse dia. A mãe dela quase nunca conseguia comparecer a essas celebrações. Era “desquitada”, como se dizia naquela época, ex-marido não queria saber da família e, por isso, trabalhava dobrado para sustentar os filhos. No dia da tal festa, o chefe não queria nem saber de liberá-la por algumas horinhas. Lembro da gente pequena, flores na mão, esperando as mães entrarem na sala de aula para uma dessas festinhas. A Daniela dizia, baixinho “se ela não vier, eu não vou perdoar, se ela não vier, não vou perdoar”. A mãe só apareceu lá pelo meio da apresentação, muito atrasada e com cara de ‘desculpa, filha’. Minha amiga já estava magoadíssima, inchada depois de verter lágrimas silenciosas para não atrapalhar a música que os colegas, alheios ao seu sofrimento, cantavam a plenos pulmões. Havia uma menina órfã de pai na mesma sala. Os pais tinham mais dificuldade em aparecer nas tais festas, e isso era considerado, mas sempre que a data chegava ela sofria ao explicar para todo mundo que o pai tinha morrido quando ela ainda era um bebê e, por isso, aquele homem tão velhinho fazendo o papel de pai nas festas era, na verdade, o avô.

Confesso que quando meu filho entrou na escolinha estranhei que, com a chegada do mês de maio, não tivesse nenhuma convocação para a festinha do dia das mães. Na sexta-feira anterior à data até recebi um presentinho na mochila – acho que algum desenho de uma mão gorducha que se imprimiu à folha de sulfite depois de mergulhada na tinta, uma coisa muito fofa. Mas festa? Nenhuma. Perguntei a razão à professora e ela me lembrou o óbvio. Nem todos os alunos têm mães, nem todos os alunos têm pais, outros têm duas mães, nenhum pai, ou dois pais, nenhuma mãe. Lembrou-me que há crianças que são cuidadas pelos avós, pelos tios, pelos padrinhos. Eu olhava ao meu redor e via que todas as crianças da classe do meu filho tinham mães e pais, mas a vida não era assim, estávamos numa bolha que, a qualquer momento, podia estourar.

E estourou, claro, a bolha sempre estoura.

Anos depois, essa mesma professora querida do meu filho morreu em um acidente de carro. A filha dela sobreviveu. Estuda na escola onde a mãe lecionava (e onde meu filho ainda estuda), lida com as lembranças doloridas de quem só perdeu pai e mãe na infância sabe quais são mas, ainda bem, não tem que lidar com o tormento da festa do dia das mães. Um menino da mesma série do meu filho perdeu o pai para uma dessas doenças que aparecem sem pedir licença. Duro? Duríssimo! Ainda bem que essa criança não tem que lidar, também, com o tormento que poderia ser a tal festa do dia dos pais. Além das mães (e dos pais) que morreram, têm que os que sumiram, os que são negligentes, os violentos. Seria justo fazer uma criança passar semanas e mais semanas na expectativa de comemorar algo que, para ela, não merece ser comemorado só para que eu, mãe da “bolha” possa ter alguns minutos de felicidade? Não, né?

Por isso muitas escolas acabaram com as tais festas do dia das mães e dos pais e instituíram o dia da família, comemorado em uma data aleatória. Nessa festa, o foco é celebrar quem cuida, acolhe e educa essa criança: são avós, tios, padrinhos, uma mãe-solo, um pai-solo, dois pais, duas mães e até, olha só, um pai e uma mãe. Em tese, toda criança tem alguém, ou várias pessoas e elas merecem ser celebradas.

Se eu fico triste por não ter festinha de dia das mães na escola do meu filho? Ora, ora, eu já sou adulta, sei lidar com as minhas frustrações.


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (Estadão)

Estudos mostram que maioria dos homofóbicos sentem desejo mal-resolvido por pessoas do mesmo sexo


O Departamento de Psicologia da Universidade da Georgia (EUA) conclui o que muita gente desconfia: homofóbicos se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo. Na maioria dos casos, há um conflito tão grande quanto à própria sexualidade que o tormento se transforma em raiva e agressividade.

Os pesquisadores recrutaram homens, declaradamente heterossexuais. Eles enfrentaram uma bateria de perguntas que os dividiu em dois grupos: os que se sentiam mais e o que se sentiam menos desconfortáveis com o assunto homossexualidade.

Em seguida todos foram equipados com um pletismógrafo peniano, aparelho que mede o grau de excitação do pênis em resposta a imagens. Os participantes assistiram a cenas de sexo heterossexual, entre duas mulheres e depois entre dois homens.

O surpreendente das reações nessa última situação é que cobaias do grupo com mais tendências homofóbicas tiveram quatro vezes mais aumento de volume peniano do que os do grupo formado por quem não se incomodava com homossexuais. Mais da metade dos "homofóbicos" teve ereção, enquanto menos de um quarto do outro grupo mostrou algum tipo de excitação ao ver as imagens de dois homens transando. Bastante revelador: depois do teste, quando confrontados, todos os homofóbicos negaram o que sentiram minutos antes.

O estudo tem 20 anos. De lá para cá, outras instituições realizaram testes parecidos e o resultado é sempre o mesmo: a atitude negativa, a agressividade, a intolerância e a fobia se manifestam em pessoas que tentam reprimir o desejo sexual que sentem por outros do mesmo gênero.

Essas pesquisas não raramente citam casos de pessoas públicas, homofóbicos engajados, flagrados em relações homossexuais. Podem também ser uma boa explicação para tanto preconceito em ambientes predominantemente masculinos e homofóbicos, como o do futebol.

A sexualidade de um jogador voltou a ser tema de polêmica com a volta de Richarlyson ao futebol brasileiro, depois de uma temporada na Índia e de uma participação no "Dancing Brasil", na TV Record. Toda a história remete à Idade da Pedra.

O Guarani tentou fazer toda a negociação sem que a imprensa e os torcedores soubessem porque dirigentes temiam rejeição. Depois começou a polêmica nas redes sociais. O clima era mais ou menos assim: "O problema de ter o Richarlyson em campo é que sempre o Guarani vai jogar com um homem a menos." "Está certo o Richarlyson, em Campinas só tem veadão, voltou pro seu habitat."

Segunda, dia da apresentação do jogador, o Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Guarani, foi alvo de duas bombas atiradas por torcedores. Tanto o clube quanto Richarlyson falam da polêmica em torno de sua contratação sem apontar o real motivo: homofobia.

Richarlyson jamais se declarou gay. Mesmo que seja, parece imprudente sair do armário diante do nível de intolerância que podemos observar. O futebol tem quase 30 mil jogadores profissionais. Alguém acredita que nesse universo não haja homossexuais?

Imagine, então, entre os milhões de torcedores, principalmente entre esses que acham que "bicha" é xingamento, que futebol é coisa de "homem", expulsam e ameaçam membros da torcida descobertos em relações gays, explodem bombas e fazem piadinhas imbecis na internet. Segundo os estudos: sentem atração mal-resolvida por pessoas do mesmo sexo.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Conar suspende propaganda de móveis com mulheres peladas: 'Equivocada, desrespeitosa e agressiva'


Uma das campanhas mais polêmicas da internet dos últimos tempos foi sustada pelo Conar. As reações negativas e as críticas à marca de móveis Alezzia, com sede na Barra, resultaram em mais de uma centena de denúncias contra a série de anúncios nas redes sociais em que mulheres — peladas ou de biquíni — interagiam com mesas, pias e móveis de inox. Uma das muitas fotos mostrava uma mulher nua, de pernas cruzadas, cobrindo os seios com os braços. Embaixo, a legenda: “Beleza interior são os nossos móveis na sua casa”.


Segue a história

No relatório em que defende a sustação da campanha, a relatora do Conar ressalta a falta de ligação entre as imagens e os atributos do produto, e se mostra indignada: “Fiquei chocada com a total falta de tato da anunciante ao lidar com os consumidores e com o público em geral. A divulgação da marca e dos produtos me parece seguir uma estratégia de comunicação equivocada e desrespeitosa. É difícil entender qual o objetivo mercadológico de tamanha agressividade”.


E mais

Para ela, “a objetivação da mulher é desrespeitosa e seu incentivo demonstra total falta de responsabilidade do anunciante, que desconsidera valores culturais importantes. Além disso, os anúncios são ofensivos e ferem a dignidade feminina”. Seu voto pela sustação foi aceito por unanimidade.


Fonte: Jornal O Globo

O que mais mata os jovens no Brasil e no mundo, segundo a OMS


Na região das Américas, 43% dos óbitos de adolescentes e jovens são atribuídos à violência


A violência interpessoal é a principal razão pela qual jovens de 10 a 19 anos perdem a vida precocemente no Brasil, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS) à BBC Brasil.

A informação vem de um estudo global sobre óbito de adolescentes, publicado nesta terça-feira. A OMS estima que 1,2 milhão de adolescentes morrem por ano no mundo - três mil por dia.

De acordo com a entidade, as principais causas de mortes entre adolescentes brasileiros de 10 a 15 anos são, nesta ordem: violência interpessoal, acidentes de trânsito, afogamento, leucemia e infecções respiratórias.

Já jovens na faixa de 15 a 19 anos morrem em decorrência de violência interpessoal, acidentes de trânsito, suicídio, afogamento e infecções respiratórias.

A OMS repassou esse ranking estimado com exclusividade à BBC Brasil, mas não ofereceu números absolutos para ilustrar a lista, pois o estudo foi organizado por regiões.

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Mortalidade de jovens no mundo
O que mostra o levantamento da OMS

1,2 milhão 
de óbitos precoces por ano

3 mil mortes por dia no ano de 2015

43% de mortes em países de baixa-média renda nas Américas (incluindo Brasil) são atribuídas à violência

Fonte: OMS
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O Global Acceleration Action for the Health of Adolescents (Ação Global Acelerada para a Saúde de Adolescentes, em tradução livre) não avalia países individualmente, mas áreas econômicas do planeta. O Brasil está inserido na categoria "países de renda baixa-média das Américas".

A tendência observada dentro desse grupo também aponta a violência interpessoal como principal causa da morte, representando 43% dos óbitos.

"O Brasil se insere exatamente no perfil da região", disse à BBC Brasil, por email, Kate Strong, especialista da OMS para o monitoramento de crianças e jovens.


Violência interpessoal

O conceito de violência interpessoal explorado no documento é bastante amplo, pois engloba desde a preponderante agressão relacionada às gangues e ao narcotráfico até o feminicídio.

"Inclui assassinatos, agressão, brigas, bullying, violência entre parceiros sexuais e abuso emocional", descreve o documento.

De acordo com números da edição de 2016 do relatório, publicado pela iniciativa Mapadaviolência.org.br, a situação é preocupante. "A principal vítima da violência homicida no Brasil é a juventude", afirma o documento nacional.

Nesse levantamento, que compilou dados de 2014, foi observado que jovens de 15 a 29 anos de idade representavam aproximadamente 26% da população do país, mas a participação deles no total de homicídios por armas de fogo era desproporcionalmente superior. O peso demográfico dos jovens nos casos de mortes com armas correspondem a quase 60% dos crimes.

No resto do mundo, as cinco principais causas de morte entre jovens de ambos os sexos, de 10 e 19 anos são: acidentes de trânsito, infecções respiratórias (pneumonia), suicídio, infecções intestinais (diarreia) e afogamentos.

Mais de dois terços dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento, revelam os dados de 2015 da OMS.

Dividindo por sexo, a estimativa aponta que, no mundo todo, meninos de 10 a 19 anos morrem principalmente por acidentes de trânsito, violência interpessoal, afogamento, infecção do sistema respiratório e suicídio.

As meninas da mesma faixa-etária têm mortes atribuídas a infecções do sistema respiratório, suicídio, infecções intestinais, problemas relacionados à maternidade e acidentes de trânsito.


Essas tragédias poderiam ser evitadas se os países investissem mais em educação, serviços de saúde e apoio social, diz a OMS.

"O período da adolescência é um momento particularmente importante para a saúde, porque definirá hábitos que terão impacto na qualidade de vida pelas próximas décadas. É nessa época que a inatividade física, a má dieta e o comportamento sexual de risco têm início", disse a OMS.

A organização critica a falta de atenção dada a essa faixa-etária da população nas políticas públicas. "Adolescentes estiveram completamente ausentes dos planejamentos de saúde nacional por décadas", lamentou Flávia Bustreo, Diretora-Geral assistente da OMS.


Soluções

O documento aponta ainda soluções que podem ajudar a evitar essas mortes precoces. São sugestões de políticas públicas que podem ter grande impacto nas estatísticas. Um exemplo é a recomendações da implementação de leis e campanhas de conscientização pelo uso do cinto de segurança. Em 2015, acidentes de trânsito mataram 115 mil jovens de 10 a 19 anos no mundo todo.

O Brasil é citado no documento como caso bem sucedido no combate a mortes no trânsito. "Entre 1991 e 1997 o Ministério da Saúde do Brasil registrou aumento dramático na mortalidade de jovens em acidentes de trânsito", afirma o documento.

"Em resposta, legisladores introduziram um novo código de trânsito em 1998 que tornava mais severa as punições aos infratores". O novo código de trânsito teria ajudado a salvar 5 mil vidas no período entre 1998 e 2001 segundo a OMS.


Apesar de o trânsito ser um problema universal, há marcantes diferenças entre as regiões quanto às causas de óbito. Nos países de renda baixa-média da África, doenças transmissíveis como HIV-AIDS, infecções do sistema respiratório, meningite e diarréia são os principais vilões.

A anemia, doença causada pela deficiência de ferro no sangue, também é um mal muito comum, que atinge milhares de jovens no mundo todo em países pobres e ricos.

O suicídio, ou a morte acidental causada por atitudes auto-destrutivas, foi a terceira causa de mortalidade de adolescentes em 2015, totalizando 67 mil mortes. Em sua maioria, as vítimas são adolescentes mais velhos.

Em regiões com boas condições econômicas como a Europa, o suicídio também aparece entre as principais causas. Cortar a si mesmo é o tipo de auto-violência mais comum observado no continente.

A estimativa global da OMS é de que até 10% da população adolescente mundial cometa algum ato de violência contra si.

O documento recomenda fazer mais investimentos e dar atenção especial às pessoas nessa fase da vida, onde grandes frustrações e incertezas despontam: "jovens normalmente tomam responsabilidades de adultos como cuidar de irmãos menores, trabalhar, ter de abandonar os estudos, casar cedo, praticar sexo por dinheiro, simplesmente porque precisam dar conta das necessidades básicas de sobrevivência.

Como resultado, eles sofrem de desnutrição, acidentes, gravidez indesejada, violência sexual, doenças sexualmente transmissíveis e transtornos mentais", resume o documento.

"Melhorar a forma como o sistema de saúde atende aos adolescentes é apenas uma parte da melhora da saúde deles", diz Anthony Costello, médico da OMS.

"Uma família e uma comunidade que apoia os seus jovens são extremamente importantes", completa.

Entre as políticas básicas que os países devem tentar implementar para diminuir o risco de mortes precoces estão: programas de orientação sexual na escola, aumento da idade mínima para consumo de álcool, obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos automóveis e de capacetes para ciclistas e motociclistas; redução do acesso a armas de fogo, aumento da qualidade da água e melhoria da infra-estrutura sanitária.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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