quinta-feira, 17 de maio de 2012

Semana Antimanicomial cobra promessas de campanha de Agnelo Queiroz

 Foto: Edu Lauton/UnB Agência
Durante a campanha para governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz estabeleceu um compromisso com a saúde mental. A promessa era ampliar a rede de serviços substitutivos, dentre eles a criação de residências terapêuticas, aumentar o número de Centros de Atenção Psicossocial (de trasntorno mental, álcool e outras drogas e, em especial, para crianças e adoelscentes), centros de convivência e a criação de leitos de internação psiquiátrica em hospitais gerais.

No entanto, o que se presencia, segundo o Prof. Ileno Costa, é a criação precária de alguns Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em especial álcool e outras drogas, nenhuma residência terapeutica foi criada. "Alguns hospitais gerais têm se recusando a dar apoio para internação de pacientes psiquiátricos. Isto sem falar que a articulação da rede, pela baixa cobertura de seviços, é absolutamente deificitária", disse Ileno Costa.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o DF tem a menor média de centros para cada 100 mil habitantes. De acordo com Ileno Costa, vice-diretor do Instituto de Psicologia, esse tipo de tratamento é “excludente, total e só piora as condições do paciente”.

Para cobrar mais ações do GDF, a UnB realiza até sexta-feira a Semana da Luta Antimanicomial. O evento é realizado desde 2007, em comemoração ao Dia Nacional da Luta contra os Manicômios, comemorado em 18 de maio. “Queremos fazer uma cobrança política no sentido participativo e construtivo”, disse Ileno. Ao longo dos cinco dias do encontro serão debatidos, além da questão antimanicomial, a violência, a criminalidade, direitos humanos e o abuso sexual, entre outros. “Na primeira edição do evento, trouxemos para a Universidade alguns pacientes psiquiátricos. Algumas pessoas se assustaram, mas é preciso se acostumar para derrubar preconceitos”, afirmou o professor.

O vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, participa do movimento e diz que a situação da saúde mental no DF precisa de mais atenção. “Ela não foi tratada como prioridade. A Semana traduz o esforço de um diálogo com os protagonistas do assunto de várias áreas e em todas as esferas”, disse, durante a abertura do evento. A solução, de acordo com João Batista, está no investimento em pesquisa, capacitação e ensino.

FILME – Para debater as recentes ameaças aos estudantes da UnB, na manhã desta terça-feira (15). os organizadores da Semana escolheram a exibição do filme “Precisamos Falar sobre Kevin”. Ele trata da relação entre um garoto que comete um assassinato em massa e sua mãe, que se sente culpada pelos atos do seu filho. “Ela é uma bela e dolorosa metáfora da vida que nos mostra quem realmente somos”, disse Karen Domingues, doutoranda em Educação pela UnB e palestrante da sessão de discussões sobre o filme.

“Será que nós aceitaríamos um Kevin entre nós? Num momento em que as instituições falam de ressocialização, isso seria possível em nossa sociedade?”, provocou Elisa da Costa, doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura também pela UnB e participante do debate. Ela acredita que é possível reinserir pessoas que cometem assassinatos em massa, mas é preciso que haja uma mudança social.

“No caso das ameaças aos estudantes da UnB, vi diversas manifestações incitando a violência contra os acusados. Elas se legitimam somente porque as pessoas se sentiram ameaçadas, mas é o mesmo princípio”, disse Elisa. “É como tentar apagar um incêndio com cinco litros de gasolina. Violência só gera mais violência”, complementou.

PRECONCEITOS – A Semana está sendo organizada e realizada pelo Instituto de Psicologia (IP), o Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos (CAEP) e o Laboratório de Psiquiatria da Faculdade de Medicina. A luta antimanicomial teve início nos anos 70 e trouxe benefícios para os pacientes como a reforma psiquiátrica, que resultou na Lei 10.216 de 2001, que protege e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

Nesta quarta-feira (16), às 10h, haverá uma mesa sobre o modelo teórico-conceitual de funcionamento de uma enfermaria em saúde mental em hospitais gerais. Na quinta-feira (17), Augusto Cesar, diretor de Saúde Mental do GDF participará, às 10h, do debate “Como anda a saúde mental no DF?”. A Semana se encerra na sexta-feira com o I Ciclo de Palestras sobre Abuso Sexual. Veja a programação completa da Semana.


Fonte: Portal da UnB

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