segunda-feira, 30 de março de 2015

21 de março - Dia Internacional da Síndrome de Down

O dia 21 de março marca, anualmente, o Dia Internacional da Síndrome de Down. Esta data tem como objetivo mostrar a importância da luta dos portadores de Síndrome de Down e dos seus respectivos pais, amigos e parentes, para que tenham direitos iguais.

A data também lembra a necessidade de inclusão dos portadores da Síndrome de Down na sociedade, respeitando suas limitações.

O nome Síndrome de Down é em lembrança ao médico britânico John Langdon Down, que descreveu o problema em 1862. A causa genética, porém, só foi descoberta em 1958, porJérôme Lejeune, que descobriu a existência da cópia extra no cromossoma 21. A probabilidade de se ter o problema está estimada em 1 caso a cada 1000 nascimentos.

A denominada Síndrome de Down, também chamada de trissomia 21, não é uma doença, e sim uma condição genética causada pelo cromossoma extra que aparece no par 21. Os portadores de Down possuem características físicas semelhantes e são mais propensos a determinadas doenças.

Apresentam deficiências intelectuais que influem no aprendizado, mas também são pessoas que possuem uma personalidade pacífica, estabelecendo boa comunicação, mostrando muita sensibilidade e interesses.

A Síndrome de Down é caracterizada pela presença de 47 cromossomas nas células, enquanto que o normal são 46 cromossomas, ou 23 pares. Assim, o cromossoma extra provoca as diferenças físicas e mentais. O problema é comum a todas as raças humanas e já foi constatado também em mamíferos, como ratos e chimpanzés.

Considerado um acidente genético, a trissomia 21 acontece no instante da concepção, ocorrendo assim em 95% dos casos de Síndrome de Down. Uma das causas pesquisadas pela ciência é a possibilidade de ocorrer em mulheres que concebem em idades mais avançadas, acima dos 35 anos.

Como as células da mãe já estão mais velhas, podem ocorrer erros durante o processo de divisão, causando a presença do cromossoma a mais ou a menos nos óvulos.

Origem do Dia Internacional da Síndrome de Down

Para que ficasse bem marcada a data, foi escolhido o dia 21 de março como o Dia Internacional da Síndrome de Down fazendo referência ao problema dos cromossomas (21/03), aludindo assim ao par 21 que possui 3 cromossomas.

A proposta foi feita pela Down Syndrome International, seguindo ideia de Stylianos E. Antonorakis, geneticista da Universidade de Genebra, estudioso do assunto, e foi referendada pela Organização das Nações Unidas, fazendo parte do seu calendário oficial e comemorada por todos os países-membros.


Fonte: Calendariobr

Abertas as inscrições para o VI Jubra - Simpósio Internacional Sobre a Juventude Brasileira

Em outubro de 2004, por iniciativa do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas (NIPIAC), foi realizado o I Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira (JUBRA), no Campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi uma iniciativa inédita no campo de estudos da juventude no país, que congregou mais de 600 pessoas, dentre pesquisadores – nacionais e internacionais, profissionais, estudantes e jovens. Naquele momento, as questões da juventude ganhavam presença marcante no cenário político com a implantação de políticas direcionadas à juventude em vários estados do país e a criação da Secretaria Nacional da Juventude.

Ao longo desta última década, o JUBRA aconteceu em vários estados: no Rio Grande do Sul, em 2006; em 2008, em Goiás; em 2010, em Minas Gerais e em 2012, em Pernambuco. A realização do JUBRA contou com a generosidade, a coragem e a dedicação de professores e pesquisadores, que, em diferentes universidades do Brasil, se propuseram a organizar e fazer acontecer o evento, cientes do lugar que a universidade deve ocupar na promoção de discussões e intercâmbios em torno desta importante questão.

O debate sobre a juventude, no país e alhures, tem se destacado como parte de uma agenda cada vez mais ampla, aglutinando pesquisadores, professores, profissionais, jovens e gestores públicos. Por outro lado, muitos problemas que atingiam os jovens há dez anos atrás continuam sem perspectiva de solução, e outros novos surgiram. Se as pesquisas e o conhecimento produzido nas universidade sobre os jovens aumentou significativamente, faz-se necessário, cada vez mais, refletir sobre o modo de torna-los efetivos na formulação e encaminhamentos de políticas direcionadas aos jovens. A este propósito, urge pensar as dificuldades, os limites e a potencialidade da relação entre universidade, sociedade e governo.

Os JUBRAs têm cumprido o papel de propiciar um amplo fórum de discussões sobre a temática da juventude. Ao retornar ao seu lugar de fundação, o Campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro, celebrando seus dez anos de existência, se assegura a continuidade da trajetória que se iniciou em 2004. No entanto, faz-se mister refletir sobre o caminho empreendido até aqui e o contexto político atual, suas urgências e demandas sobre o campo da juventude.

A continuidade deste evento também se coloca como uma questão a ser discutida e assumida por todos e todas que desejam garantir que este fórum permaneça. Urge, portanto, abrir espaço neste próximo JUBRA para os debates e as decisões neste sentido. A importância que este evento adquiriu no cenário brasileiro deve levar ao aprofundamento da reflexão sobre como podemos, conjuntamente, superar as dificuldades para garantir um mínimo de institucionalidade a uma rede de pesquisadores da juventude. Essa rede deverá se incumbir da responsabilidade da permanência do evento. Portanto, o VI JUBRA se situa como ponto de inflexão, convocando, principalmente, pesquisadores da área da juventude para este momento de parada e reflexão sobre o que se fez, e o que se poderá fazer daqui para frente.

O VI JUBRA, cuja convocação Os jovens e seus outros aponta para o inescapável deslocamento ao outro de qualquer existência humana, evoca a importância da reflexão crítica no desenho de um projeto coletivo de debate sobre a juventude.

Convidamos a todas e todos, principalmente os que do lugar da universidade têm a juventude como campo de reflexão e pesquisa, a participarem deste momento de troca, discussão e avaliação com vistas a perspectivar os caminhos a serem trilhados.


Fonte: VI JUBRA

Cedeca/DF promove Mobilização contra Redução da Maioridade Penal

No dia 30 de março de 2015, segunda-feira, ocorrerá a sessão extraordinária da CCJC da Câmara dos Deputados com pauta única para votação da PEC 171/93, que reduz a idade de responsabilização penal de 18 anos para 16 anos.

A resistência a esse ataque a uma cláusula pétrea da Constituição Federal (normas que não podem ser alteradas pelo Poder Legislativo) afeta a todos/as nós, pois coloca em cheque a própria organização constitucional brasileira e viola a consolidação e o direito à dignidade humana, em especial de crianças e adolescentes, como bem explica o ex-presidente do STF, Ayres Britto:


Além disso, a Redução da Maioridade Penal é tratar consequencias ao invés das causas da violência no Brasil. Se queremos discutir esse tema precisamos nos deter sobre os números de adolescentes e jovens e mortos todos os dias no Brasil, sobre a grande concentração de renda no país, sobre a falta de políticas públicas que garantam serviços de qualidade como saúde, educação e profissionalização daqueles que, hoje, estão sendo responsabilizados pela vioolência que é gerada por toda a sociedade.

Vamos todos/as resistir a mais esse ataque aos nossos direitos!

Nenhum direito a menos!

Ser adolescente no Brasil não pode ser crime!

Clique aqui para ver o evento no Facebook


Fonte: Facebook

Violência: manifestações e impacto na primeira infância

Tornar visível o impacto da violência na vida de meninas e meninos na primeira infância requer de um olhar complexo que trate diversas leituras sobre os contextos globais atuais marcados pela conflitividade social as respostas de políticas públicas para enfrentar essas questões, bem como conceitos sobre práticas de cuidados e inter-relação dos direitos entre os sexos e as gerações, entre outros aspectos.

Nesse contexto, em Equidade para a Infância, sugerimos a análise destes assuntos a partir de discussões intersetoriais, colocando o foco nas necessidades das instituições, das práticas e dos conhecimentos que garantem os direitos das crianças nas diversas fases do seu ciclo de vida.

Nesta ocasião, apresentamos reflexões que lidam com as diversas manifestações de violência que enfrentam as crianças, mas também, propostas de ação para a prevenção desde os contextos familiares e da comunidade. Nesse contexto apresentamos o Guia de Proteção e Prevenção da Violência na Primeira Infância, como ferramenta de prevenção e proteção da violência em diferentes áreas.

Da mesma forma, continuamos propondo discussões que aprofundem a necessária problematização de aspectos tais como: a percepção das crianças e suas famílias sobre a violência, o papel da mídia na construção do imaginário sobre a cidadania das crianças pequenas e seus cuidadores, e sobre a criminalização da pobreza e a discriminação. Por isso entrevistamos a Márcia Oliveira, coordenadora da Rede “Não bata, Eduque”; Renato Alves, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP); e Murilo Cavalcanti, Secretário de Segurança Urbana da Cidade de Recife (Pernambuco, Brasil).

Finalmente, com as reflexões do Colóquio A violência e seus impactos no desenvolvimento infantil: reflexões históricas e contextuais, fatores de proteção e políticas públicas, ressaltamos a promoção de intervenções baseadas em perspectivas de direitos e cidadania, como quadro chave para a proteção das crianças, suas famílias e as comunidades onde elas moram.


Fonte: Equidade para a infância América Latina

Fórum Mundial debate liberdade de expressão e mídia livre e democrática

O Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML) segue até este sábado, 28 de março, na Universidade El Manar, em Túnis, capital da Tunísia, dentro da programação do Fórum Social Mundial. Em sua 4ª edição, o encontro reúne cerca de 300 comunicadores, blogueiros, jornalistas, organizações da sociedade civil e representantes de movimentos sociais de todo o mundo para discutir a construção de uma mídia mais democrática.

Para Renata Mieli, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o FMML é um "espaço de trocas de experiências e organização da luta em defesa de uma nova narrativa contra hegemônica”.

Um dos principais objetivos do FMML é aprovar a Carta Mundial da Mídia Livre, documento que prevê a existência de marcos regulatórios para promoverem a diversidade e a pluralidade nos meios de comunicação, a universalização da Internet e o incentivo às rádios comunitárias. A Carta, elaborada pelas entidades participantes, será sistematizada e lançada na Assembleia de Convergência pelo Direito à Comunicação, ao final do Fórum.

A mídia livre e alternativa tem sido um tema cada vez mais discutido pelos comunicadores. Blogs e sites estão se tornando plataformas importantes de divulgação de informações, muitas vezes, não transmitidas pela mídia hegemônica. Segundo a Carta Mundial de Mídia Livre, os meios comerciais reproduzem um sistema que favorece quem está no poder, excluindo e estigmatizando grupos marginalizados na sociedade. Para fazer frente a um sistema hegemônico de comunicação, a sociedade civil tem recorrido cada vez mais a meio alternativos em sua luta pela democracia, justiça social, igualdade e pluralismo.

A abertura do Fórum contou com mesas de debates sobre garantias e violações da liberdade de expressão e do direito à comunicação no mundo e nos países árabes. No debate de abertura, Roberto Savio, presidente da agência italiana Inter Press Service, disse que a existência de poucas organizações da mídia reduz cada vez mais as diferenças entre as coberturas jornalísticas. "Essa visão unilateral do mundo, em geral estadunidense, é estrangeira à cultura dos demais países”, declarou.

A delegação brasileira representa a metade dos comunicadores que participam do Fórum e é integrada por 170 ativistas, com representantes da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Centro Barão de Itararé, Ciranda, CoMulher, Conectas, FNDC, Ibase, Intervozes, Inversion Latina, Mídia Ninja, Rebrip [Rede Brasileira pela Integração dos Povos] e UBM [União Brasileira de Mulheres].

Para o compartilhamento das informações nas redes sociais, os comunicadores estão utilizando as hashtags: #WSF2015 e #FMML. Acompanhe a página do evento no Facebook e no perfil do Twitter.

Confira a programação do FMML.

Fórum Social Mundial 2015

Também está acontecendo na capital tunisiana o Fórum Mundial Social 2015 (FSM), na Universidade El Manar, de 24 a 28 de março. Criado em 2001, o FSM espera reunir na edição de 2015 cerca de 60 mil pessoas, mais de 4 mil organizações de todo o mundo e 118 países.

Com o lema "Dignidade e direitos”, o evento discute temas como migração, meio ambiente, direitos humanos e economia solidária. Estão programadas mais de 1 mil atividades, realizadas em eventos variados, tanto em Túnis como em outros países.

O FSM teve início, nesta terça-feira, 24, com a tradicional marcha de abertura, que reuniu cerca de 3 mil ativistas e militantes. Sob o tema "Os povos unidos pela liberdade, igualdade, justiça social e pela paz”, o ponto final da caminhada foi em frente ao Museu do Bardo, local alvo de um atentado terrorista do Estado Islâmico, no último dia 18 deste mês, matando 22 pessoas. A marcha foi um protesto contra a violência e uma mensagem e solidariedade às famílias das vítimas do ataque.

Para o diretor executivo da Abong, Damien Hazard, "não há nenhuma articulação internacional que tenha essa capacidade de mobilizar tantas organizações. O Fórum continua sendo o maior encontro planetário da sociedade civil. Resta saber se vai ser capaz de articular esses movimentos, que têm convergência nas suas pautas e reivindicações para conseguir ter uma maior incidência política em âmbito mundial, inclusive com maior visibilidade. Um desafio do Fórum é ter maior visibilidade, que não está sendo alcançada por meio da mídia comercial”.

Devido às mudanças econômicas desde o cenário de 2001, época do primeiro FSM, os movimentos sociais, no entanto, acreditam que o Fórum necessita ser repensado para dialogar com as novas forças políticas. Os ativistas questionam a incidência política do evento, já que mesmo os governos alinhados à agenda não adotaram, até hoje, várias propostas que nasceram nos encontros do Fórum. Será preciso, então, tornar o FSM mais propositivo.

Segundo o site FSM 2015, o Fórum é "um espaço de debate democrático de ideias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo”.

Confira aqui a programação do FSM 2015.


Fonte: Adital

Fórum Social Mundial 2015, mais necessário do que nunca

A contagem regressiva para o início do Fórum Social Mundial (FSM) 2015 está chegando ao fim. Nesta terça-feira, 24 de março, milhares de representantes da sociedade civil planetária se encontrarão na capital Túnis [Tunísia] para protagonizar uma nova edição desde processo em favor de "Outro mundo possível”, que adquire, agora, um significado político ainda mais importante.

Os acontecimentos sangrentos — ataque terrorista ao Museu Bardo, com vários mortos e feridos — na capital tunisiana, no último dia 18 de março, reforçou a convicção dos organizadores. Em um comunicado de imprensa, poucas horas depois dos eventos, destacam que: "o FSM e o conjunto de suas atividades estão confirmados”.

"Mais do que nunca, a ampla participação no FSM 2015 será a resposta apropriada de todas as forças de paz e democracia que militam no seio do movimento altermundialista por um mundo melhor, de justiça, liberdade e coexistência pacífica”.

O êxito deste FSM será a "vitória da luta civil e pacífica contra o terrorismo e o fanatismo religioso, que ameaçam a democracia, a liberdade, a tolerância e o viver juntos”, ressalta Abderrahmane Hedhili, em nome da equipe de coordenação.

15 anos de construção cidadã

Será o décimo "conclave centralizado” desde o seu nascimento, em 2001, em Porto Alegre [Brasil], cidade do orçamento participativo. Desde então, foram realizadas cinco edições no Brasil: 2001, 2002, 2003, 2005, em Porto Alegre, e, em 2009, em Belém do Pará; uma na Índia, em 2004; e três na África (Quênia, em 2007, Senegal, em 2011, e Tunísia, em 2013).

Somente três quinquênios, nos quais centenas de fóruns descentralizados, regionais, continentais, nacionais e temáticos, multiplicaram esse esforço de busca por alternativas ao modelo dominante. E que vem aportando seus frutos na consolidação de redes e movimentos sociais globais. Assim como na prática dos movimentos e atores sociais na disputa do poder político: governos progressistas latino-americanos e novas forças políticas europeias como o Podemos, nascido do "Movimento dos Indignados” [Espanha].

Túnis 2015

Uma manifestação popular, como é costume na história do Fórum, dará o sinal de largada desta nova edição, na tarde do dia 24, percorrendo desde o Teatro Municipal até a Praça dos Direitos Humanos, em pleno centro da capital tunisiana. Quatro dias mais tarde, na tarde do dia 28 de março, outra manifestação cidadã marcará o encerramento. No marco de um clima mais geral de manifestações populares contra a violência, desatado a partir dos acontecimentos do Museu Bardo.

Ainda que os organizadores prefiram não quantificarem, antecipadamente, os possíveis participantes, mais de 4.300 organizações do mundo inteiro haviam comunicado sua participação a seis dias da inauguração. O programa integral do FSM, disponibilizado ao público uma semana antes do arranque, registra mais de 1 mil atividades autogestionadas, que se completarão, em paralelo, com eventos muito variados, tanto em Túnis quanto em outros países.

Somente há dois anos atrás, quase na mesma data, dia por dia, Túnis havia reunido já milhares de representantes da sociedade civil internacional. A qualidade do conteúdo e da organização levou os movimentos sociais tunisianos e do Magreb a proporem, novamente, a realização de um novo encontro cidadão no mesmo recinto central (da capital, a Universidad El Manar). E motivou o Conselho Internacional do Fórum - a instância facilitadora do mesmo — a aceitar esta proposta de repetir o cenário.

A complexa dinâmica em que vive o mundo árabe — em geral — e as vicissitudes dos processos nascidos quatro anos antes com a "primavera árabe” conferem à capital tunisiana, em pleno Magreb, uma importância significativa para a reflexão sobre o presente e futuro. Os acontecimentos sangrentos de quarta-feira, 18, não são mais que outro exemplo demonstrativo.

2015: inovar na metodologia

Nesta ocasião, a comissão Metodologia do FSM 2015 definiu seis espaços de luta, onde se integrarão as atividades do Fórum. Esta nova proposta significa uma inovação com relação aos tradicionais "eixos temáticos” que marcaram o ritmo dos fóruns anteriores. Esses espaços são: o bairro El planeta; o cruzamento Para além da fronteira; a praça da Justiça social; o bairro da Igualdade, a Dignidade e os Direitos; a praça da Economia e das Alternativas; e o cruzamento da Cidadania. A localização geográfica desses espaços, em distintos pontos da Universidad El Manar, garantirá a proximidade geográfica das atividades com temas afins.

Segundo os organizadores: "esses espaços (denominados Espaços de luta) estão desenhados de maneira a permitir uma transversalidade ainda maior no método de planejamento das questões e facilitar os encontros entre os diferentes participantes, indivíduos e grupos de trabalho nos diversos temas”. São, perante a tudo, lugares de reuniões, de debates e de passagens. Concretizam-se, por um lado, no programa do FSM e, por outro, no Campus Farhar Hached El Manar, afirmam.

FSM 2015, organizado em bairros, praças e cruzamentos

No bairro El planeta, estarão as atividades relacionadas ao meio ambiente, a exploração dos recursos naturais e a mudança climática. No cruzamentoPara além da fronteira, serão tratados temas relacionados ao território, ao colonialismo, aos movimentos de libertação, às guerras e aos conflitos armados, além da liberdade de circulação, das migrações e do tema dos refugiados.

O bairro da Igualdade, da Dignidade e dos Direitos acolherá as atividades relacionadas à luta contra as discriminações, a igualdade de gênero e os direitos das mulheres, os direitos das minorias, as lutas de povos indígenas.

A praça da Justiça social reunirá as atividades relacionadas com o reforço da defesa do trabalho, os direitos sociais, a proteção social, a saúde, a educação, as lutas sindicais, o trabalho ilegal e lugar de expressão dos novos movimentos sociais.

A praça da Economia e das Alternativas está aberta às atividades que tratam dos procedimentos financeiros das multinacionais, o protesto contra a dívida, a luta contra a corrupção, mas também às alternativas ao sistema econômico dominante, como os setores reunidos...

O cruzamento da Cidadania reunirá atividades relacionadas com a mobilização cidadã na transição democrática, nos modos alternativos da organização política, no futuro do processo dos fóruns...


Fonte: Adital

Olimpíadas se aproximam juntamente com medidas abusivas por parte do poder público

"Em 2003, uma semana depois de passar por um parto cesariano, fui agredida e presa em uma ação violenta da Guarda Municipal contra os camelôs. Fiquei muito machucada e tive que ser internada novamente no hospital. Mas foi ali também que a gente resolveu se organizar e criar o Muca [Movimento Unido dos Camelôs]”.

O depoimento foi dado por Maria de Lurdes do Carmo Santos, mais conhecida como Maria dos Camelôs, uma das principais lideranças do Muca, durante o lançamento recente do Dossiê ‘Violações ao Direito ao Trabalho e à Cidade dos Camelôs do Rio de Janeiro’. Ela conta ainda que, em 2009, começou um cadastramento de camelôs que trabalhavam nas ruas do Centro. O processo, organizado pela Prefeitura comandada por Eduardo Paes (Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB) e pelo então secretário de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, foi cheio de problemas. Um deles é que camelôs que trabalhavam há anos por ali não conseguiram provar seu tempo de trabalho. Muitos ficaram sem cadastro e foram obrigados a trabalharem de forma irregular. "Porque, obviamente, ninguém vai deixar de trabalhar, todos têm família, estão todos na batalha, correndo pra venderem suas mercadorias e ainda fugirem da repressão e da porrada”.

"Eu? Eu consegui meu cadastro por sorte e, hoje, tenho uma barraca na rua Miguel Couto [Centro do Rio]. Sabem como consegui provar que trabalhava? Graças ao registro de minha prisão em 2003! Não fosse pelas porradas que tomei naquele dia e eu tava sem licença zanzando por aí!”, assinala Maria.

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas alerta que, com a proximidade das Olimpíadas de 2016, a Prefeitura do Rio de Janeiro tem investido em medidas arbitrárias que prejudicam, principalmente, os/as cidadãos/ãs de baixo poder aquisitivo. A violação de direito estaria presente desde o processo de remoção forçada de comunidades da zona oeste, até a dificuldade de regularização dos trabalhadores ambulantes.

No Dossiê ‘Violações ao Direito ao Trabalho e à Cidade dos Camelôs do Rio de Janeiro, com cerca de 30 páginas, há denúncias da violência cometida pela Guarda Municipal, das multas abusivas, da falta de investimento da Prefeitura em depósitos adequados para os vendedores guardarem suas mercadorias e também das distorções cometidas durante o processo de cadastramento dos camelôs que tentam se legalizar.

Os ambulantes acreditam que com o Dossiê terão mais voz para dialogar com o poder público, que será obrigado a ouvir as reivindicações da categoria. De acordo com Maria dos Camelôs, o documento será entregue ao Ministério Público do Estado do Rio, ao atual secretário de Ordem Pública, Leandro Matieli Gonçalves, e ao prefeito Eduardo Paes.

O Dossiê foi elaborado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro em conjunto com a Plataforma Dhesca Brasil e integra uma série de denúncias de violações de direitos ocasionadas pelos megaeventos esportivos.

De acordo com coordenadora do Movimento Unidos dos Camelôs, Maria de Lourdes, a esperança é que a prefeitura agilize a liberação de vagas regulamentadas, legalizando a situação dos profissionais. Entre as principais reivindicações estão o uso de guardas para fiscalizar os camelôs, considerado abusivo e irregular, a falta de documento no ato de apreensão de mercadorias, problema com depósito para os produtos e multas abusivas.

Veja a íntegra do documento com as violações dos direitos dos camelôs.


Fonte: Adital

Manifestações de 15 de março representam enfrentamento de classes

Após as manifestações do último dia 15 de março, que ocorreram em cerca de 160 cidades do Brasil, reivindicando pautas diversas e polêmicas – "fim da corrupção”, "Fora Dilma” [presidente do Brasil, Dilma Rousseff], "Intervenção militar já” – movimentos sociais e de diretos humanos pedem uma reflexão maior sobre a cobertura midiática das mobilizações e a intensificação do que seria uma luta de classes sociais no país.

Em entrevista à Adital, o diretor do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf) e membro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, José Nilson Fernandes, que integra a Coalizão pela Reforma Política e Eleições Limpas no Brasil, analisa as manifestações do dia 15 de março e comenta sobre a articulação da democracia participativa nos movimentos sociais.

O que está em jogo no país?

Fernandes destaca que o que é que está em jogo não é só o governo, é uma contraposição de classes, baseada numa estrutura de comunicação midiática, que realiza uma cobertura tendenciosa. "Esse momento é muito semelhante ao segundo governo de Getúlio [Getúlio Vargas, presidente do Brasil, entre 1951 e 1954], quando se começou a realizar reformas trabalhistas, insinuar uma reforma agrária, levando a mídia a fazer algo muito parecido ao que faz hoje: condenar, antecipadamente, criar sensação de completo descaminho das coisas. Não é isso que acontece, tem que se apurar os fatos.”, declara.

O país precisa crescer institucionalmente

Para Fernandes, é importante saber que todos têm o direito de ir às ruas, assim como é fundamental observar a raiva alimentada pela grande mídia. Por conta da abordagem midiática, existiria um ódio criado com relação a alguns países de esquerda. As generalizações de determinada cor são extremamente perigosas. "Um país não evolui com radicalismo, evolui com ideias. Essa marcha do dia 15, trazendo cartazes em favor da ditadura [militar], mostra uma ignorância quanto à página obscura da nossa história. Foi um período muito difícil para o país, nos direitos, na liberdade de expressão”.

A grande vantagem do atual governo, segundo Fernandes, é a investigação de tudo o que está sendo relatado. Porém, há uma abordagem midiática errada. Haveria certo nível de organização porque há um incentivo da grande mídia para que as pessoas estejam nas ruas. "Muitas daquelas pessoas não têm a profundidade da consciência do que está acontecendo no país, porque nunca foram convidadas a fazerem uma análise histórica, uma reflexão mais rica”, destaca.

Em relação à democracia participativa, Fernandes esclarece que há um convite para as pessoas entenderem o país e, a partir daí, descobrirem qual caminho devem adotar. "Muitas daquelas pessoas que estavam na Praça Portugal (manifestação em Fortaleza-Ceará) poderiam estar somente numa onda, canalizada pela mídia. O que a gente precisa é entender que as pessoas não devem ser odiadas, mas convidadas à reflexão”.

Movimento pela Democracia Participativa

A partir de um debate organizado com a participação do teólogo da Libertação e estudioso Leonardo Boff, em setembro de 2014, em Fortaleza, surgiu a ideia de reunir entidades, intelectuais, políticos das mais diversas áreas para voltar a fazer uma discussão teórica, aprofundada, sobre o país. O objetivo é sair um pouco do pragmatismo político apenas.

De acordo com o sindicalista, houve certa acomodação quando a esquerda ocupou o governo. "Nessa visão fragmentada, superficial, aparente, onde valores mais sutis não são apreciados, temos que resgatar o debate, convidando a sociedade para que reflita melhor sobre sua vida. É preciso criar movimentos que resgatem as profundidades dos valores”.

O objetivo do Movimento pela Democracia Participativa é fazer uma análise da conjuntura nacional, da América do Sul, da América Latina, pensar perspectivas e trazer alternativas não só ideológicas, mas também de posturas com relação à sociedade. Dessa maneira, entidades estão se reunindo para ampliar o debate. "Atualmente, nós temos a CUT, o Sintaf, o Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Comerciários, a Adital (Agência de Informação Frei Tito para a América Latina), a Apeoc (Associação dos Professores de Estabelecimentos Oficiais do Ceará), entre outras. Estamos numa fase de ampliação desse leque. A ideia é atrair mais entidades, mais intelectuais, mais pessoas que desejam voltar a debater o país como antigamente se fazia.”, ressalta.

Fernandes informa que haverá nova reunião do Movimento pela Democracia Participativa, no próximo dia 24 de março, na sede da CUT/Ceará, para a troca de ideias e a ampliação das reflexões. Existe também uma fanpage no Facebook sobre a democracia participativa. No dia 21 de maio deste ano, está previsto ainda um evento sobre o tema.

Grito dos Excluídos

Em manifesto, a Coordenação do Grito dos Excluídos Continental, rede de movimentos populares presente na América Latina e Caribe, declara seu apoio ao povo brasileiro diante da atual crise política e institucional que enfrenta o Brasil. O documento afirma que é indispensável ao Brasil preservar sua democracia diante de qualquer tentativa de golpe. A crise política não pode recair, unicamente, sobre os trabalhadores. O manifesto denuncia ainda a manipulação midiática, que pretende converter os protestos das ruas em uma base para derrubar o governo legítimo.


Fonte: Adital

Redução do número de filhos é maior entre os mais pobres do Brasil

Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10%. Entre os mais pobres queda de 20% no mesmo período foi de 15%.

Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e com base nas edições da entrega Pesquisa Nacional por Amostra de 2003 e de 2013, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A pesquisa sugere que, em 2003, o número médio de filhos por família no Brasil foi de 1,78. Em 2013, o número aumentou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, o número médio de filhos em 2003 foi de 2,55; e, em 2013, foi de 2,15.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, os dados rejeitam a teoria de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família incentiva as famílias mais pobres do país para aumentar o número de crianças para receber mais benefícios. Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda federal para famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

O ministro disse que "enquanto a redução do número de filhos por família já é um fenômeno bem estabelecido no Brasil, as pessoas continuam a dizer que o número de filhos dos pobres é muito grande." Ela disse que "é puro preconceito".

As exigências do Programa Bolsa Família estão entre os argumentos usados ​​pelo ministério para explicar a queda. Tereza Campello explicou que "a frequência de atendimento leva a um melhor acesso à informação sobre controle de natalidade e contracepção".


Fonte: Portal Voces del Sur (clique aqui para ler a notícia em espanhol) / Agência Brasil

Secretaria de Direitos Humanos promove seminário “Democracia e Ditadura: memória e verdade contra autoritarismos do presente”

Com o objetivo de discutir a importância da memória e verdade sobre as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante o período da ditadura civil-militar, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) promove o seminário “Democracia e Ditadura: memória e verdade contra autoritarismo do presente”. O evento, aberto ao público, ocorrerá na próxima terça-feira (31), data em que se completa 51 anos do golpe de 1964.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti e o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Marques de Toledo Camargo, participarão das mesas de debate, juntamente com representantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, da Rede de Comissões da Verdade Universitárias e da Comissão da Verdade “Anísio Teixeira” da Universidade de Brasília, que apoiam o seminário.

A constituição de uma memória coletiva sobre o passado, torturas e desaparecimento de pessoas, análises das manifestações do dia 15 de março, o encerramento da Comissão Nacional da Verdade e de outras Comissões da Verdade estaduais, municipais ou setoriais, além do significado da Justiça de Transição no Brasil estão entre os temas que serão debatidos pelos participantes.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Segundo especialista, redução da maioridade penal é um erro e não reduz violência (Parte I)

Para entender melhor as questões relacionadas à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, a Pulsar Brasil conversou com a advogada do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) do Rio de Janeiro, Vera Cristina de Souza. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171 é de 1993, mas, agora, é considerada prioridade pela "bancada da bala”, formada por parlamentares ligados a forças de segurança pública e que cresceu muito na última eleição.

Durante a campanha eleitoral de 2014, a redução da maioridade penal já era defendida por 13 dos 27 senadores eleitos. Entre eles, não estão somente parlamentares ligados a atividades policiais, mas também à candidatura presidencial do PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], derrotada no ano passado, os senadores Aécio Neves (Minas Gerais) e Aloysio Nunes Ferreira (São Paulo). A "bancada da bala ainda” conta com o apoio declarado de parlamentares evangélicos, como o deputado Marcos Feliciano (Partido Social Cristão – PSC – São Paulo).

Caso seja aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a PEC segue para a Comissão de Segurança Pública, dominada também pela mesma bancada, e depois é votada em dois turnos no plenário da Câmara, onde precisa de três quintos dos votos, ou seja, 308 votos deputados. Depois, o texto segue para o Senado, onde passa pelo mesmo rito processual.

Nesta primeira parte da entrevista, a advogada do Cedeca fala sobre como a redução da maioridade penal é equivocadamente vista como a solução para reduzir a violência, quando os dados apontam que os adolescentes aparecem muito mais como vítimas do que como autores de infrações. Vera Souza ainda explica como funcionam as medidas socioeducativas aplicadas atualmente e desmistifica a questão da não punição dos adolescentes. Além disso é abordada a questão dos adolescentes no tráfico. De acordo com Souza, é um erro encarcerar menores de idade quando o principal seria o combate ao tráfico.

Ouça o áudio da entrevista.


Fonte: Agência Pulsar / Adital

Redução da maioridade penal afeta, sobretudo, jovens negros e marginalizados

A redução da maioridade penal no Brasil, de 18 para 16 anos, que entrou na pauta da Câmara dos Deputados na última semana, segue mobilizando entidades sociais e de direitos humanos contrárias à referida Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93.

A Cáritas brasileira, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulga um manifesto no qual reafirma seu posicionamento contrário às propostas que tramitam no Congresso Nacional e que versam também sobre o aumento do tempo de internação para menores infratores. "Compreendemos que crianças e adolescentes respeitados em seus direitos dificilmente serão violadores/as dos Direitos Humanos", diz um trecho do manifesto.

"Ressaltamos o nosso compromisso de exigir a obrigação e responsabilização do Estado em garantir os direitos constitucionais fundamentais para todas as crianças e adolescentes, assegurando-lhes condições igualitárias para o desenvolvimento pleno de suas potencialidades, assim como assegurar que as famílias, a comunidade e a sociedade tenham condições para assumir as suas responsabilidades na proteção de seus filhos/as", diz o texto.

O manifesto da Cáritas destaca que as medidas de redução de direitos, principalmente no que se refere à redução da maioridade penal e do aumento do período de internação, atinge principalmente os e as jovens marginalizados e marginalizadas, negros e negras, aqueles que moram na periferia, que já tiveram todos os seus direitos de sobrevivência negados previamente. Para a entidade, é preciso constatar que a violência tem causas complexas que envolvem: desigualdades e injustiças sociais; aspectos culturais que corroboram para a construção de um imaginário de intolerâncias e discriminações, especialmente contra a população negra, pobre e jovem.

Além disso, "a realidade de políticas públicas ineficazes ou inexistentes; falta de oportunidades para o ingresso de jovens no mercado de trabalho; e a grande mídia que atribui valores diferentes a pessoas diferentes conforme classe, raça/etnia, gênero e idade”. A medida de redução da maioridade penal, para a Cáritas, é remediar o efeito e não mexer nas suas causas estruturais. Pesquisas no mundo todo comprovam que a diminuição da maioridade penal não reduz o índice de envolvimento de adolescentes em atos infracionais.

Presos têm cor

Já a Pastoral da Juventude (PJ), organização da Igreja Católica também ligada à CNBB, em nota de repúdio à PEC 171/93 afirma que à característica massiva do encarceramento no Brasil soma-se o caráter seletivo do sistema penal: "mesmo com a diversidade étnica e social da população brasileira, as pessoas submetidas ao sistema prisional têm quase sempre a mesma cor e provêm da mesma classe social e territórios geográficos historicamente deixados às margens do processo do desenvolvimento brasileiro: são pessoas jovens, pobres, periféricas e negras”.

Trancar jovens com 16 anos em um sistema penitenciário falido que não tem cumprido com a sua função social e tem demonstrado ser uma escola do crime, não assegura a reinserção e reeducação dessas pessoas, muito menos a diminuição da violência. A proposta de redução da maioridade penal fortalece a política criminal e afronta a proteção integral do/a adolescente”, assinala a PJ.

Pressupostos equivocados

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirma que a redução da maioridade penal está em desacordo com o que foi estabelecido na Convenção sobre os Direitos da Criança, da ONU, na Constituição Federal brasileira e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Esta seria uma decisão que, além de não resolver o problema da violência, penalizará uma população de adolescentes a partir de pressupostos equivocados.

No Brasil, os adolescentes são hoje mais vítimas do que autores de atos de violência. Dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida. Na verdade, são eles, os adolescentes, que estão sendo assassinados sistematicamente. O Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes, atrás da Nigéria. Hoje, os homicídios já representam 36,5% das causas de morte, por fatores externos, de adolescentes no País, enquanto para a população total correspondem a 4,8%.

Mais de 33 mil brasileiros entre 12 e 18 anos foram assassinadosentre 2006 e 2012. Se as condições atuais prevaleceram, outros 42 mil adolescentes poderão ser vítimas de homicídio entre 2013 e 2019. "As vítimas têm cor, classe social e endereço. Em sua grande maioria, são meninos negros, pobres, que vivem nas periferias das grandes cidades”, assinala o Unicef.

Face mais cruel

A Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente – ANCED/Seção DCI Brasil, organização da sociedade civil de âmbito nacional que atua na defesa dos direitos humanos da infância e adolescência brasileira, e a Rede Nacional de Defesa do Adolescente em Conflito com a Lei (Renade) também divulgam uma nota pública denunciando que a redução da maioridade penal trata-se de medida inconstitucional e que submete adolescentes ao sistema penal dos adultos, contrariando tratados internacionais firmados pelo Brasil e as orientações do Comitê Internacional sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas.

"O modelo penitenciário brasileiro é a face mais cruel de uma política pública ineficaz e violadora de direitos humanos, não se configurando como espaço adequado para receber adolescentes, pessoas em fase especial de desenvolvimento. A redução das práticas infracionais na adolescência passa necessariamente pelo enfrentamento das desigualdades sociais e, especialmente, pela implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo [Sinase]”, observam a Anced e a Renade.

Alternativas ineficientes

O Núcleo Especializado de Infância e Juventude da Defensoria Pública de São Paulo encaminhou uma nota técnica a todos os deputados federais manifestando-se contrariamente à PEC 171/93, uma vez que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados irá promover uma audiência pública para discutir a admissibilidade da proposta e outras a ela vinculadas.

O texto da nota destaca que as medidas de endurecimento do sistema penal adotadas ao longo dos anos, se mostraram alternativas ineficientes para reduzir a criminalidade e garantir segurança à população. Segundo pesquisa do Ministério da Justiça, após a promulgação da Lei dos Crimes Hediondos (Lei n.º 8.072/1990), a população carcerária no Brasil saltou de 148 mil para 361 mil presos entre 1995 e 2005, mesmo período em que houve o crescimento de 143,91% nos índices de criminalidade.

Ainda segundo o Ministério da Justiça, entre dezembro de 2005 e dezembro de 2009, a população carcerária aumentou de 361 mil para 473 mil detentos – crescimento de 31,05%, período que coincidiu com a entrada em vigor da Lei que recrudesceu as penas dos crimes relacionados ao tráfico de drogas (Lei n.º 11.343/2006).

A nota técnica lembra, ainda, que nos 54 países que reduziram a maioridade penal não se observou diminuição da criminalidade, sendo que Alemanha e Espanha voltaram atrás na decisão após verificada a ineficácia da medida.

A Comissão Especializada de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Colégio Nacional de Defensores Públicos-Gerais (Condege) também divulgou uma nota pública manifestando repúdio às Propostas de Emenda Constitucional que pretendem a redução da maioridade penal.


Fonte: Adital

Mais de 200 cidades brasileiras aderem à Hora do Planeta, informa WWF

A organização não governamental (ONG) WWF informou neste domingo (29) que as 27 capitais brasileiras, mais de 180 municípios e mais de 600 monumentos apagaram as luzes ontem (28), como parte da mobilização Hora do Planeta. No mundo, houve adesão de mais de 10 mil cidades em 172 países. Trata-se de um movimento simbólico para alertar a população para as alterações climáticas. A manifestação ocorre uma vez por ano, no fim de março. Vários pontos do mundo apagam as luzes das 20h30 às 21h30, em seus horários locais, assumindo compromisso com a sustentabilidade.

De acordo com a WWF, no Brasil houve participação de órgãos públicos, empresas e pessoas físicas. A ONG explica que faz contato prévio com os órgãos públicos, convidando-os a aderir. São contabilizados entre os participantes somente aqueles que preenchem e enviam um termo de adesão. No caso das empresas e pessoas físicas, a participação é livre e não há como contabilizar.

No país, pontos famosos como o Congresso Nacional e a Catedral Metropolitana, em Brasília, participaram do movimento. No exterior, a Torre Eiffel, em Paris, permaneceu no escuro durante cinco minutos. O monumento não desligou as luzes por mais tempo por razões de segurança. Cerca de 300 outros monumentos em Paris participaram da Hora do Planeta. A ponte de Sidney, na Austrália, a Times Square, em Nova York, o Big Ben, em Londres, e a Torre Taipei (um dos edifícios mais altos do mundo), em Taiwan, também apagaram as luzes.


Fonte: Agência Brasil / Agência Lusa

Mulher que fingiu ser homem por 40 anos ganha prêmio de melhor mãe no Egito

A história de Sisa Gaber Abu Douh, de 65 anos, teve repercussão global nos últimos dias.

Ela se viu viúva aos 21 anos, quando estava grávida da filha, e não tinha nenhuma fonte de renda.

Sisa vem de uma camada menos favorecida da sociedade egípcia, que não aprova que mulheres trabalhem. E, há 40 anos, a situação era ainda pior.

Ela também enfrentou forte pressão da família, que queria que ela se casasse novamente.

"O tempo todo meus irmãos me traziam novos 'noivos'", disse ela ao jornal britânico The Guardian.

Mas Sisa recusou os candidatos e resolveu se disfarçar de homem para conseguir emprego.

Ela raspou a cabeça e passou a usar um turbante - e roupas largas para disfarçar suas formas. Vestida de homem, ela encarou trabalhos pesados, carregando tijolos e sacos de cimento.

"Eu preferi fazer trabalho pesado como levantar tijolos e sacos de cimento e engraxar sapatos do que pedir esmolas nas ruas - para ganhar um sustento para mim e para minha filha e os filhos dela", disse ela à rede de TV Al-Arabiya.

"Então, para me proteger dos homens, de seus olhares e (evitar) ser um alvo deles por causa das tradições, decidi ser um homem... e vesti as roupas deles e trabalhei junto com eles em outros vilarejos, onde ninguém me conhecia", afirmou.

"Quando uma mulher desiste da feminilidade é difícil. Mas eu faria qualquer coisa pela minha filha. Era a única forma de ganhar dinheiro. O que mais eu poderia fazer? Não sei ler nem escrever, minha família não me mandou para a escola, então este era único jeito", disse Sisa ao The Guardian.

No entanto, algumas pessoas perceberam que Sisa era uma mulher.

"Nunca escondi. Não estava tentando manter um segredo", disse ela.

Depois de receber o prêmio do presidente, Sisa afirmou que vai continuar se vestindo como homem.

"Decidi morrer nestas roupas. Me acostumei. É a minha vida inteira e não posso mudar agora."


Fonte: BBC Brasil

Exposição no metrô homenageia Machado de Assis e os 450 anos do Rio

Nascido há 176 anos, o escritor José Maria Machado de Assis é parte integrante da história da cidade do Rio de Janeiro, retratada por ele em romances, contos, crônicas e peças teatrais. A obra do “bruxo do Cosme Velho”, como o escritor ficou conhecido, em uma alusão ao bairro da zona sul da cidade onde morava, é uma referência para qualquer pesquisa sobre a vida cotidiana na segunda metade do século 19 na então capital do Império, e a partir de 1889, da nascente República.

Em dupla homenagem – aos 450 anos do Rio de Janeiro e ao grande escritor, um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras –, a concessionária MetrôRio, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o Instituto Oldemburg, exibe, no mezanino da Estação Central do metrô, a exposição O Rio de Machado de Assis e seus Melhores Poemas. Ilustrada com imagens do acervo iconográfico da Biblioteca Nacional, a mostra apresenta uma seleção de textos da faceta menos conhecida do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e outros clássicos da literatura brasileira: a de poeta.

“Além de maior nome da literatura nacional, Machado de Assis é uma ilustre figura carioca. Assim, reverenciá-lo é também reverenciar o Rio nos seus 450 anos”, ressalta Cristina Oldemburg, diretora do Instituto Oldemburg, idealizador da mostra. A beleza feminina é declamada nos poemas selecionados, em um paralelo com a paisagem carioca. “A presença da mulher é tão constante em sua obra quanto as ruas da cidade que o abrigou até os 69 anos, quando veio a falecer”, diz no texto de apresentação da mostra a professora Aline Reis, mestre em literatura brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A exposição é a primeira das três mostras do projeto Vivências Lúdico-Literárias, que homenageará também Rubens Braga e José Lins do Rego. O objetivo do projeto é promover a integração entre artes visuais e literatura para atrair novos leitores para a Biblioteca Estação Leitura, que funciona no mezanino da Estação Central do metrô e empresta livros a leitores cadastrados.

As cerca de 80 mil pessoas que diariamente passam pela estação, em grande parte fazendo a conexão para os trens da SuperVia e ônibus para a região metropolitana do Rio, podem apreciar, ao longo dos próximos dois meses, a exposição. O Rio de Machado de Assis e seus Melhores Poemas fica em cartaz até 30 de maio e o horário de visitação é o mesmo do funcionamento do metrô: de segunda-feira a sábado, das 5h à meia-noite; domingos e feriados, das 7h às 23h.


Fonte: Agência Brasil

População LGBT ganha centro de referência na capital paulista

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Ideli Salvatti, inaugurou nesta sexta-feira (27), em parceria com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o primeiro Centro de Referência LGBT da capital paulista. O Centro funcionará no 4º andar da Rua Arouche, número 23, no Bairro República, e terá como objetivo a promoção de ações afirmativas da cidadaniaLGBT, o atendimento de vítimas e o encaminhamento de denúncias de violações de direitos humanos desse segmento da população, oferecendo atendimento jurídico e psicossocial às vítimas e seus familiares.

“Este atendimento exclusivo é, na prática, dar providências dentro da governabilidade do executivo a este segmento da população de alta vulnerabilidade. A SDH tem essa preocupação, porque na sociedade ainda temos que enfrentar cotidianamente o preconceito, a violência, a discriminação, e essa assistência, orientação e acolhimento só pode ser feita com estruturas físicas e trabalho permanente de mudança de cultura”, afirmou a ministra durante o evento que reuniu cerca de 100 representantes de entidades LGBT e agentes de Direitos Humanos.

A ministra Ideli Salvatti citou a portaria assinada no Dia da Visibilidade Trans, em janeiro, que permite o registro nos boletins do Sistema Único de Saúde nos atendimentos a vítimas de violência, e ressaltou os avanços sociais promovidos pelo governo ao longo do último período: “Só quem sempre teve todos os direitos garantidos não quer reconhecer a importância dos avanços que o país tem conquistado no último período. Só quem sempre teve a panela cheia não reconhece a importância de o Brasil ter saído, pela primeira vez em sua história, do Mapa da Fome das Nações Unidas”, disse ela, que complementou: “portanto, este é um momento de afirmação dos direitos da população LGBT. Contra o preconceito, o ódio, a violência, nós respondemos com mais direitos. E com amor, muito amor”, complementou.

A população LGBT encontrará no Centro de Referência em Direitos Humanos informações sobre direitos e serviços; atendimento jurídico, social e psicológico: compreendendo desde uma simples orientação até a propositura de ação judicial, cursos de capacitação em direitos humanos e orientações sobre programas e políticas públicas específicas para a população LGBT.

Para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a garantia de direitos de segmentos historicamente marginalizados é tarefa fundamental de seu governo. “Pela forma com que o poder público municipal sempre tratou a população LGBT, é compreensível que haja, inicialmente, uma desconfiança. Portanto, temos o dever de promover uma resignificação histórica. O poder público não é algo que paira sobre a sociedade, e sim algo que deve estar irmanado com ela”, afirmou Haddad.

O secretário municipal de Direitos Humanos de São Paulo em exercício, Rogério Sottili, indicou que a promoção dos direitos da população LGBT tem sido prioridade. “Vocês merecem todo o cuidado do poder público. Essa gestão tem compromisso com a cidadania e está cada vez mais baseada nos valores dos Direitos Humanos”, afirmou.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Conheça a história de mulheres que decidiram recusar o rótulo de coitadas

Aos 2 anos e meio, um acidente mudou para sempre a vida de Ananda Martins. No interior do Maranhão, onde morava, não havia energia. Ela estava deitada em uma rede quando a irmã, dois anos mais velha, quis iluminar o ambiente com um lampião. A rede pegou fogo e Ananda sofreu queimaduras gravíssimas. Ganhou marcas irreversíveis, perdeu um braço. No ano seguinte, a família se mudou para Brasília à procura de reabilitação. Ao longo de 26 anos, ela sobreviveu às dores, ao tratamento, às sequelas físicas e emocionais. Vive uma vida normal. Por que não viveria?

A estudante de 26 anos teria, sim, motivos para se incomodar. Mora num país onde as pessoas retocam o corpo como se mudassem de roupa. Recordista em cirurgias plásticas, a mulher brasileira normalmente não gosta do que vê no espelho. É insatisfeita e põe defeito em tudo: da unha do pé à cor do cabelo. Obviamente, também aponta o dedo e julga os demais pela imagem. Ter crescido numa sociedade que sobrevaloriza a aparência física e impõe um modelo quase único de beleza, no entanto, não afeta Ananda. Ela não se lembra de ter tido outra imagem. Desde muito pequena, precisou lidar com o olhar curioso do outro. Aceitou sua condição.

Ter marcas na pele chama a atenção. Provocadas por doenças crônicas, acidentes ou disfunções, que por vezes exigem tratamento constante e difícil, as cicatrizes físicas são a parte visível de uma história normalmente dolorosa, que pode ser associada a trauma e depressão. Quem é obrigado a conviver com uma condição irreversível precisa de força, autoconfiança, apoio. Muitos preferem se esconder. Outros vão à luta e encontram uma definição de si mesmo que não passe apenas pela aparência física. Enxergam além.

Hoje, a Revista conta histórias de mulheres como Ananda. Gente que aprendeu a viver do jeito que é. Que acredita que as marcas no corpo são, na verdade, algo único, lembranças da própria história. Que aprendeu a filtrar o olhar dos outros e a tirar dele também admiração. Que ignora o preconceito. Que transforma a expressão de piedade alheia em motivação para vencer na vida e recusa, com muita veemência, o papel de coitada e sofrida.

Tomada pelo estresse

A professora Zilei Cintra, 42 anos, já teve quase 100% do corpo tomado pelas marcas da psoríase. O couro cabeludo, a testa, o pescoço, as pernas, os braços, a barriga. Tudo cheio de feridas vermelhas que coçam, descascam. "Começou aos 12 anos e nem sabia o que era. Os médicos disseram tratar-se de dermatite seborreica, era só uma manchinha pequena no couro cabeludo. Mas, somente aos 20, ao entrar na faculdade, as marcas se espalharam e recebi o diagnóstico de psoríase. Eu morava a 55 quilômetros de onde estudava, tinha uma rotina muito corrida, estressante", conta a professora.

A psoríase é uma doença genética, não contagiosa, e que tem tratamento — há vários remédios para cada tipo de paciente e, em alguns casos, as lesões praticamente desaparecem. Mas é muito ligada ao emocional. Se o paciente vive uma rotina estressante ou um período emocionalmente difícil, as marcas se multiplicam. Por isso, é complicado lidar com a imagem. "Há uma discriminação muito grande, as pessoas acham que não pode chegar perto, que é mulheres. Os maridos evitam as esposas, os pacientes se escondem, não vão à praia, não usam shorts. É um impacto muito grande na qualidade de vida", explica a médica Letícia Galvão, especialista na patologia.

Zilei manteve a rotina apesar da doença. Não deixou de se maquiar ou ir à praia, continuou fazendo as unhas, arrumando os cabelos. Não parou de frequentar o clube de Inhumas, sua cidade natal. Foi lá que passou por uma das piores experiências de intolerância e falta de conhecimento sobre o problema. Certa vez, os associados fizeram questão de pedir à direção que vetasse o acesso dela às piscinas. "A sorte é que minha prima era a diretora e fez questão de explicar para todos que a psoríase não é contagiosa, que ninguém corria risco. O preconceito pode vir de qualquer lado, até do próprio portador. Mas nunca me deixei abalar", afirma.

Às claras

A socialite americana também tem psoríase. O caso de Kim Kardashian foi diagnosticado em 2011 e é controlado mas, volta e meia, aparecem novas lesões. A socialite não esconde a doença, fala abertamente sobre o assunto e sempre dá dicas de maquiagem ou produtos que ajudam a disfarçar as marcas vermelhas.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

HUB abriga estudo inovador sobre o câncer

Melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer de cabeça e pescoço e escolher a melhor opção de tratamento para cada caso por meio de evidência científica. Esses são os principais objetivos do projeto HN43 Brasil, pesquisa multicêntrica inédita no país, desenvolvida por iniciativa de pesquisadores do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

O estudo consiste em uma coleta de dados para avaliar as variáveis que envolvem a qualidade de vida do paciente com tumor de cabeça e pescoço. Para isso, aplica-se periodicamente um questionário aos pacientes, de forma online, por meio de uma ferramenta criada pelo médico Ricardo de Alencar Vilela, residente do segundo ano de radioterapia, e pelo físico médico Luís Felipe de Oliveira e Silva. “O importante é que seguimos o paciente por pelo menos dois anos para avaliar a mudança que ocorre durante o tratamento, se a qualidade de vida melhora ou piora, observando as variáveis, como o tabagismo, por exemplo”, diz Ricardo.

A expectativa é que em dois ou três anos pelo menos mil pacientes em todo o país tenham sido pesquisados. “Até lá, teremos dados absolutamente inéditos na literatura mundial, com número de pacientes e de técnicas diferentes de tratamento, possibilitando a comparação entre eles”, conta o radioterapeuta e chefe do Cacon, Marcos Santos.

A proposta é comparar as técnicas de radioterapia usadas, as situações em que houve cirurgia e as estratégias de quimioterapia empregadas para poder ter evidência de quais são as melhores opções que garantam ao paciente viver com mais qualidade. “Hoje não sabemos o que fazer, pois não há dados na literatura. Esperamos esclarecer de forma mais sólida e científica essa situação, o que pode significar inclusive economia financeira, garantindo melhor aplicabilidade de recursos em tratamento”, relata Marcos.

Embora a coleta de dados tenha iniciado em fevereiro, após aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética, o estudo vem sendo realizado desde o ano passado, quando o artigo do radioterapeuta Marcos sobre o assunto foi divulgado, o que atraiu o interesse de mais centros de atendimento oncológico em todo o país. O HN43 Brasil já conta com a participação de mais de 30 instituições públicas e privadas do Brasil, com pelo menos 70 pesquisadores envolvidos, o que possibilita maior coleta de dados de pacientes e resultados mais expressivos.

Outro diferencial da pesquisa é o perfil dos pacientes avaliados. “Os protocolos de pesquisa geralmente exigem pacientes altamente selecionados, cujos dados não são reprodutíveis na prática. Nossa pesquisa terá dados de mundo real”, afirma Marcos.

Segundo o radioterapeuta, o estudo é o primeiro do país com o tema. “Temos um potencial para conseguir informação científica que ninguém no mundo tem, com a importância de definir tratamentos que, para o Brasil, é especialmente relevante, dada a enorme prevalência dessa patologia”, afirma.

Para os pesquisadores, o momento representa uma nova fase de produção científica relacionada ao assunto no Brasil. “Queremos tornar o HUB referência em pesquisa, não apenas em tumor de cabeça e pescoço. Já temos iniciativa para abranger outras áreas da radioterapia”, afirma o residente Ricardo. “Nosso objetivo é produzir conhecimento de forma sistemática na área, o que é raro no Brasil”, fala o físico médico Luís Felipe.

Aproximadamente 30% dos pacientes em tratamento no Centro de Alta Complexidade em Oncologia do HUB têm tumor de cabeça e pescoço, o que representa em média 150 pessoas por ano. “A doença é devastadora. O paciente não consegue comer, respirar, falar, sentir gosto e cheiro. Há perda de vários prazeres da vida, com tratamento altamente tóxico”, afirma Marcos.

INSPIRAÇÃO

A ideia do projeto surgiu há dois anos, quando o radioterapeuta Marcos Santos voltou ao Brasil, após uma temporada de trabalho e estudo na França. Lá, ele teve contato com o trabalho realizado por um grupo especializado em desenvolver questionários de qualidade de vida, integrante da organização científica EORTC (sigla em inglês para Organização Europeia para Pesquisa e Tratamento de Câncer). “A EORTC é conhecida por fazer pesquisa de ponta. Muitas das terapêuticas que usamos no dia a dia, em radioterapia e em oncologia, vêm de pesquisas desse instituto”, diz Marcos.

De volta ao Brasil, a iniciativa de aplicar a mesma pesquisa realizada na Europa surgiu naturalmente, com a diferença de que aqui seria possível coletar mais dados e por um sistema informatizado, criado pelos próprios pesquisadores. “Ao chegar ao Brasil, me surpreendi com a quantidade de casos de pacientes que apresentam tumor de cabeça e pescoço e percebi que poderia aplicar os questionários em muito mais pessoas”, afirma Marcos.

No futuro, a esperança é poder oferecer uma vida melhor aos pacientes. “Cada vez mais estudos na área identificam resultados parecidos com relação à quantidade de tempo que o paciente vive com a droga A ou com a droga B ou com a técnica A ou B. O que muda não é o tempo, mas como o paciente vive o tempo de vida que ele tem”, conclui.

HN43 BRASIL

O questionário aplicado aos pacientes tem 43 perguntas, número que dá nome ao projeto, além das siglas H e N, que significam head (cabeça, em inglês) e neck (pescoço, em inglês), fazendo referência às partes do corpo onde são encontrados os tumores dos pacientes avaliados.

Mais informações e contato com os pesquisadores podem ser obtidos pelo site www.hn43brasil.com.


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

segunda-feira, 23 de março de 2015

CEAM/DPP/UnB convida comunidade para Aula Magna "América Latina, Democracia, Direitos Humanos e Justiça de Transição - Diálogo Crítico entre Filosofia, Política e Direito"

A Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania e a Pós-Graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional, do Centro de Estudos Multidisciplinares da Universidade de Brasília convidam toda a a comunidade para a Aula Magna América Latina, Democracia, Direitos Humanos e Justiça de Transição - Diálogo Crítico entre Filosofia, Política e Direito, que será ministrada pelo Prof. Alberto Filippi.

Dia: 23 de março
Horário: 18h30
Local: Memorial Darcy Ribeiro, UnB


O prof. Alberto Filippi é professor aposentado da Università di Camerino - Itália e professor na Escuela de Serviço Judicial na Argentina. Doutor em Filosofia na Universidade de Roma "La Sapienza". Doutor Honoris Causa em Ciência Política pela Universidad Ricardo Palma, em Lima (Peru). O estudo da configuração histórica das instituições, com particular referência às recíprocas influências do pensamento político entre a Europa e as Américas é uma constante em suas pesquisas e nos cursos e conferências. Nesses estudos, o pensamento de Darcy Ribeiro, seu amigo, tendo sido seu tradutor para o italiano de vários escritos, tem lugar de destaque.


Fonte: CEAM/UnB

PPG-MADER/FUP convida comunidade acadêmica para Aula Magna "A importância da biodiversidade e de quem a produz"

O Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (PPG-MADER/FUP) convida a comunidade acadêmica para sua Aula Magna A importância da biodiversidade e de quem a produz, a ser ministrada pela Profa. Dra. Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha.

Local: Faculdade UnB Planaltina – Auditório da UAC
Data: 24/03/2015
Horário: 14:30

Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha é antropóloga e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas. Foi professora da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Chicago. Atua em campos como etnologia, história e direitos dos índios, escravidão negra, etnicidade, conhecimentos tradicionais e teoria antropológica. Entre suas publicações destacam-se: "Cultura com aspas"; "Negros, estrangeiros"; "Os mortos e os outros”; organizou, entre outras obras, "História dos índios no Brasil" e "Enciclopédia da floresta".


Fonte: ADUnB

Dia Mundial da Água - Relator da ONU sobre água defende tarifa em que “os mais ricos paguem mais"

Defensor da água como um direito humano, o pesquisador Léo Heller – relator especial das Nações Unidas (ONU) sobre água e esgotamento sanitário – é a favor do subsídio cruzado na cobrança da tarifa de água. “Que os mais ricos paguem mais e os mais pobres paguem menos, uma transferência interna no sistema de cobrança”, declarou à Agência Brasil.

Ele avalia que são temerárias as políticas que aumentem o custo da água para estimular a economia do recurso hídrico, pois isso pode levar a injustiças. A prática de aumentar o preço da água foi utilizada em países como a Dinamarca. “É preciso ter muito cuidado com modelos de cobrança para que isso não implique um ônus desproporcional para as populações mais pobres”, avaliou.

De acordo com Heller, a maioria dos prestadores do serviço de água no Brasil adota um modelo tarifário que parte do pressuposto de que a população mais pobre gasta menos água. O valor do metro cúbico (m3) consumido, portanto, aumenta na medida em que o consumo mensal é maior. “Isso não é necessariamente verdade. Muitas vezes as populações mais pobres têm famílias mais numerosas, têm menos equipamentos domiciliares economizadores de água. Como resultante [desse modelo de cobrança], isso pode levar a consumos muito baixos, desconexões, sacrificando a saúde dessas pessoas”, apontou.

Parte do modelo tarifário da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), por exemplo, tem gerado questionamentos em meio à crise hídrica, especialmente as tarifas aplicadas a pessoas jurídicas. Os Contratos de Demanda Firme buscam fidelizar grandes consumidores, como shoppings, hotéis e indústrias, por meio de descontos, ou seja, quem consome mais paga menos. Por esse modelo, de acordo com a tabela tarifária, quem consome de 500 a 1.000 m3 por mês paga R$ 11,67 por metro cúbico. Acima de 40 mil m3, o valor é R$ 7,72. Para clientes comuns, a tarifa industrial e comercial para a maior faixa de consumo (acima de 50 mil m3) é R$ 13,97, sendo maior que nos dois casos anteriores.

Com a escassez de água, clientes comuns tiveram que economizar para ter descontos. Enquanto isso, os 537 consumidores que firmaram esses contratos continuaram a pagar menos pelo metro cúbico.

Uma lista divulgada pelo jornal El País, conseguida por meio da Lei de Acesso à Informação, mostra o volume consumido e o valor pago por alguns deles. A Viscofan, que produz tripas de celulose para embutidos, é a campeã no consumo, com um gasto mensal de 60 mil m3. De acordo com o jornal, a empresa paga, com o desconto fornecido pela Sabesp, R$ 3,41 por m3. Esse montante equivale à média mensal de mais de 2,7 mil famílias, considerando um gasto médio de 22 m3, segundo dados da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).

A reportagem da Agência Brasil tentou entrar em contato com a Viscofan para comentar os dados, mas não obteve retorno.

A Sabesp informou, por meio de nota, que visitou os clientes beneficiados pelos Contratos de Demanda Firme e pediu que eles economizassem. Para tanto, a companhia adotou duas medidas: a eliminação da exigência de consumo mínimo e a liberação do uso de fontes alternativas. Na prática, ao estipular um consumo mínimo, a empresa dispensava os clientes de adotaram medidas de economia, pois cobrava um valor cheio para um determinado volume de água a ser consumido. A empresa destacou ainda que, agora, esses consumidores têm direito ao bônus se reduzirem o consumo, mas estão sujeitos a multa se aumentarem o gasto de água.

De acordo com a companhia, os condomínios comerciais (edifícios de escritórios e shopping centers) reduziram o consumo em 15%. O comércio varejista, como supermercados, teve queda de 18% no gasto de água. No setor automotivo, o consumo dos clientes demanda firme caiu 64%.

Na última sexta-feira (20), a organização não governamental Greenpeace lançou uma campanha contra os descontos da Sabesp a grandes empresas.

O relator da ONU avalia que a crise hídrica no Sudeste decorre do descumprimento de dois princípios que fundam o direito humano à água. “Um deles é planejamento e o outro é [que o Estado deve] usar o máximo dos recursos disponíveis para garantir o acesso à água. Se esses dois princípios tivessem sido observados de forma contínua, sem interrupções, de forma planejada, a crise não estaria ocorrendo”, declarou.

Para ele, as obras anunciadas pelo governo paulista para o enfrentamento do desabastecimento de água, por exemplo, deveriam ter sido feitas com antecedência. “Não é plausível começar a pensar em soluções com a crise já instalada”, apontou.

O direito humano à água é baseado no princípio de que todos os seres humanos devem ter água suficiente, segura, aceitável, fisicamente acessível e a preços razoáveis para usos pessoais e domésticos.

O pesquisador explica que planejamentos adequados devem considerar as variações do volume de água nos recursos hídricos. “Um equilíbrio que leve em conta que não se deve consumir toda a água, que deve haver um excedente, que leve em conta a proteção da biodiversidade. Isso é elementar”, apontou.

Ele avalia que, embora este momento de seca não seja típico, ele poderia ter sido previsto. “Estávamos avisados que poderíamos sofrer escassez. Há correntes mais modernas de planejamento de água que falam de planos mais inteligentes, estratégicos, mais adaptativos. Essa situação que o Sudeste passa deve entrar com uma variável fundamental no planejamento futuro”, projetou.


Fonte: Agência Brasil

CNA e Senar querem proteger mil nascentes em áreas rurais até o fim do ano

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançaram hoje (22) o Programa Especial Proteção de Nascentes. A ideia é proteger, inicialmente, mil nascentes localizadas em áreas rurais do país até o fim deste ano.

O evento ocorreu no Parque Olhos D’água, usado por moradores da Asa Norte para caminhadas, corridas e ciclismo, e localizado a poucos quilômetros da Esplanada dos Ministérios. Os técnicos aproveitaram para mostrar às pessoas a importância da conservação das nascentes.

De acordo com o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, a primeira nascente do projeto foi protegida neste domingo – Dia Mundial da Água –, em uma região rural do Distrito Federal. Segundo ele, o processo é simples e inclui cinco passos: identificar a nascente, já que elas podem ser perenes ou temporárias, para que seja definido o melhor caminho para a sua proteção; cercar a nascente para impedir danos causados por animais, homens ou veículos; limpar a área, retirando materiais que possam contaminar ou obstruir o curso natural da água, como plástico, garrafas, restos de comida e plantas invasoras; controlar a erosão, impedindo que enxurradas soterrem a nascente ou que a exagerada compactação do solo impeça a infiltração da água; e replantar espécies nativas para garantir o sucesso da recuperação da área da nascente.

“A água é um insumo básico na produção de alimentos e, portanto, o projeto tem como foco os produtores”, explicou. “Mas a responsabilidade de proteger nascentes é de todos, não só dos produtores”, destacou Bruno Lucchi.

Para o assessor técnico da CNA, Nelson Ananias Filho, a iniciativa resgata a obrigação de toda a população de conservar o berço das águas de forma orientada. Ele lembrou que as nascentes são protegidas por lei e são necessárias para garantir a sustentabilidade da atividade rural no Brasil.

“As nascentes têm um peso especial dentro das propriedades rurais, mas é preciso conscientizar e mostrar para as pessoas que elas não existem apenas na zona rural. Existem nascentes nas cidades, nas áreas urbanas, que também precisam ser protegidas”, destacou Nelson Ananias.

O Dia Mundial da Água foi marcado por uma série de eventos no Distrito Federal neste fim de semana, como coletas de lixo jogados em área pública e um abraço simbólico no Lago Paranoá.


Fonte: Agência Brasil

Começa Semana Nacional de Mobilização pela Reforma Política Democrática

Entidades da sociedade civil e movimentos sociais fazem, em todo o Brasil, de 20 a 29 de março, a Semana Nacional de Mobilização pela Reforma Política Democrática. Em Fortaleza, Estado do Ceará, as atividades começam na próxima segunda-feira, 23, a partir das 15h, na Praça do Ferreira [Centro da cidade] e prosseguem até o sábado, 28.

Na Praça do Ferreira haverá, durante toda a semana, um posto fixo de coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa popular que busca afastar das eleições o financiamento de empresas, além de melhorar o sistema eleitoral, promover a inclusão de mulheres, dos grupos sub-representados e, também, aperfeiçoar a democracia direta. O objetivo é arrecadar 1,5 milhão de assinaturas, que representam 1% do eleitorado brasileiro.

Em 2014, quase 8 milhões de pessoas disseram sim à Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político, no plebiscito popular realizado pelos movimentos sociais, na Semana da Independência do Brasil, em setembro. Em outubro do ano passado, como desdobramento da campanha popular, um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), propondo um plebiscito oficial, foi assinado por 181 parlamentares e entregue ao Congresso Nacional.

A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas é formada por mais de 100 entidades representativas da sociedade civil, entre elas a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE – autores do Ficha Limpa), Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, União Nacional dos Estudantes (UNE), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Agência de Informação Frei Tito para a América Latina e Caribe (Adital).

Mais informações: www.reformapoliticademocratica.org.br / www.plebiscitoconstituinte.org.brwww.facebook.com/democraciaparticipativace?fref=ts.


Fonte: Adital

Aplicativo mede impacto dos hábitos no consumo da água

No Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22), o Programa Água Brasil lançou a campanha "Sustentabilidade: mergulhe nesta causa", que tem como objetivo conscientizar a população sobre hábitos de consumo. A iniciativa pode ser acessada por meio do endereço http://www.diadaaguabb.com.br/.

Por um aplicativo de celular, o usuário seleciona uma foto de rosto e responde a cinco perguntas referentes aos seus hábitos de consumo de água. Ao final, é calculada a porcentagem de água que ele desperdiça e, automaticamente, a foto é modificada para mostrar como a aparência dele ficaria sem essa quantidade de água no organismo.

A proposta do aplicativo é fazer uma alusão ao impacto causado ao planeta pelos maus hábitos de consumo de água e, dessa forma, conscientizar a sociedade a economizar o recurso.

O Programa Água Brasil é uma parceria entre o Banco do Brasil, a WWF-Brasil, a Fundação Banco do Brasil e a Agência Nacional de Águas. A iniciativa dissemina práticas sustentáveis no meio rural e urbano em todo país e promove a conscientização e a mudança de atitude da sociedade com relação à conservação dos rios e das águas.


Fonte: Agência Brasil

Artigo - Como desmontar o ódio social

Por: Leonardo Boff*

Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos possa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.

O nosso mal-estar é singular e se deriva das várias vitórias do PT com suas políticas de inclusão social que beneficiaram 36 milhões de pessoas e elevaram 44 milhões à classe média. Os privilegiados históricos, a classe alta e também a classe média se assustaram com um pouco de igualdade conseguida pelos do andar de baixo. O fato é que, por um lado vigora uma concentração espantosa de renda e, por outro, uma desigualdade social que se conta entre as maiores do mundo. Essa desigualdade, segundo Marcio Pochmann no segundo volume de seu Atlas da Exclusão social no Brasil (Cortez 2014) diminuiu significativamente nos últimos dez anos mas é ainda muito profunda, fator permanente de desestabilização social.

Como notou bem o economista e bom analista social, do partido do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, o que foi assumido em sua coluna dominical (8/3) por Verissimo, tal fato fez surgir um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos a um partido e a um presidente; não é preocupação ou medo; é ódio; a luta de classes voltou com força; não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.

Estimo correta esta interpretação que corrobora o que escrevi neste espaço com dois artigos "O que se esconde atrás do ódio ao PT". É a emergência de milhões que eram os zeros econômicos e que começaram ganhar dignidade e espaços de participação social, ocupando os lugares antes exclusivos das classes beneficiadas. Isso provocou raiva e ódio aos pobres, aos nordestinos, aos negros e aos membros da nova classe média.

O problema agora é: como desmontar este ódio? Uma sociedade que deixa esse espírito se alastrar, destrói os laços mínimos de convivência sem os quais ela não se sustenta. Corre o risco de romper o ritmo democrático e instaurar a violência social. Depois das amargas experiências que tivemos de autoritarismo e da penosa conquista da democracia, devemos, por todos os modos, evitar as condições que tornem o caminho da violência, incontrolável ou até irreversível.

Em primeiro lugar, na linha sábia de Bresser Pereira, faz-se urgente um novo pacto social que vá além daquele criado pela constituição de 1988, pacto que reuna empresários, trabalhadores, movimentos sociais, meios de comunicação, partidos e intelectuais que distribua melhor os ônus da superação da atual crise nacional (que é global) e que, claramente convoque os rentistas e os grandes ricos, geralmente articulados com os capitais transnacionais a darem a sua contribuição.

Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra. Em outras palavras, importa pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos. Estes devem dar centralidade ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios fundamentais, buscando convergências na diversidade, em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a desigualdade, outro nome, para a injustiça social.

Estimo que amadurecemos para esta estratégia do ganha-ganha coletivo e que seremos capazes de evitar o pior e assim não gastar tempo histórico que nos faria ainda mais retardatários face ao processo global de desenvolvimento social e humano na fase planetária da humanidade.

Em segundo lugar, creio na força transformadora do amor como vem expresso na Oração de São Francisco: onde houver ódio que eu leve o amor. O amor aqui é mais que um afeto entre duas pessoas; ele ganha uma feição coletiva e social: o amor a uma causa comum, amor ao povo como um todo, especialmente, àqueles mais penalizados pela vida, amor à nação (precisamos de um sadio nacionalismo), amor como capacidade de escutar as razões do outro, como abertura ao diálogo e à troca.

Se não encontrarmos nem escutarmos o outro, como vamos saber o que pensa e pretende fazer? Ai começamos a imaginar e a projetar visões distorciadas, alimentar preconceitos e destruimos as pontes possíveis que ligam as margens diferentes.

Precisamos dar mais espaço à nossa cordialidade positiva (pois há também a negativa) que nos permite sermos mais generosos, capazes de olhar para frente e para cima e deixar para trás o que ficou para trás e não deixar que o ressentimento alimente a raiva, a raiva o ódio e o ódio, a violência que destrói a convivência e sacrifica vidas.

As igrejas, os caminhos espirituais, os grupos de reflexão e ação, especialmente a midia e todas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa. E contamos para isso com a força integradora dos contrários que é o Espírito Criador que perpassa a história e a vida pessoal de cada um.


* Leonardo Boff escreveu: A oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual, Vozes 2013 e Doutorou-se em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistemática e ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Conta-se entre um dos iniciadores da teologia da libertação. É assessor de movimentos populares. Conhecido como professor e conferencista no país e no estrangeiro nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. Em 1985 foi condenado a um ano de silêncio obsequioso pelo ex-Santo Ofício, por suas teses no livro Igreja: carisma e poder (Record).

A partir dos anos 80 começou a aprofundar a questão ecológica como prolongamento da teologia da libertação, pois não somente se deve ouvir o grito do oprimido, mas também o grito da Terra porque ambos devem ser libertados. Em razão deste compromisso participou da redação da Carta da Terra junto com M. Gorbachev, S. Rockfeller e outros. Escreveu vários livros e foi agraciado com vários prêmios.



Fonte: Carta Maior / Adital

Pequenas corrupções do dia a dia têm sido tema recorrente nos debates

O combate à corrupção tem aparecido como uma das principais bandeiras nesta novíssima história da República que os brasileiros começam a escrever. Se, por um lado, o pedido por honestidade toma as ruas desde a pressão pela aprovação da Lei da Ficha Limpa, em 2010, e, mais intensamente, a partir dos protestos de junho de 2013, por outro, cidadãos ainda encontram dificuldade em superar os próprios vícios. É raro encontrar alguém que nunca tenha cometido pequenos desvios de conduta no cotidiano, como os listados ao lado. Esses comportamentos não deslegitimam o grito contra a corrupção e estão longe de ser a origem dos roubos aos cofres públicos, mas também atropelam o interesse público e mostram que o problema vai além dos Três Poderes.


“A corrupção tem dois significados: algo que se quebra e se degrada. Ela quebra o princípio da confiança, que permite a cada um de nós nos associar para podermos viver em sociedade. Também degrada o que é público”, explica a historiadora Heloísa Starling, coautora do livro Corrupção — ensaios e críticas. “Quando você para em fila dupla, está degradando o sentido do público. Esses desvios de conduta são uma reiteração desse fenômeno complexo da corrupção”, completa.

“São pequenas corrupções em que o privado se sobrepõe ao público. A corrupção não se dá só na relação com o Estado, mas também com a sociedade”, acrescenta o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP) Renato Janine Ribeiro. O filósofo, entretanto, faz uma ressalva: “A pequena corrupção não é a causa da grande corrupção. Não é porque a pessoa não aprendeu a ser honesta que ela rouba a Petrobras. É porque é bandida mesmo”.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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