domingo, 30 de agosto de 2015

Divulgado o Edital para Seleção para Mestrado e Doutorado em Política Social 2016 UnB


O Programa de Pós-graduação em Política Social do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (PPGPS/SER/UnB) torna público o Edital 01/2015, referente à Seleção para Mestrado e Doutorado em Política Social para o ano de 2016. 

O Edital está disponível na página do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação (DPP) no link http://www.unb.br/posgraduacao/stricto_sensu/editais/12016/edital1_politica_social.pdf

As inscrições ocorrerão no período de 01/09/2015 a 02/10/2015, em horário e local estabelecidos no Edital.

Atenciosamente,

Profa. Dra. Ivanete Boschetti
Coordenadora do PPGPS/SER/UnB


Fonte: Universidade de Brasília - UnB

OAB promove audiência pública sobre tráfico de pessoas e de órgãos


O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil realiza na próxima quarta-feira (2/9) uma audiência pública sobre o tráfico de pessoas e de órgãos. Dividido em três etapas, o evento contará com a apresentação de denúncias de casos de tráfico de pessoas e de órgãos e métodos de enfrentamento possíveis, além de uma análise das atuais políticas públicas adotadas.

Dentre os temas abordados estarão o tráfico de mulheres e meninas no Brasil, o tráfico de travestis, o tráfico no meio rural e o tráfico para o trabalho.

A programação completa pode ser conferida aqui. A entrada é franca. A audiência começa às 14 e será realizada na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília (Quadra 5, Lote 1, Bloco M). Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.


Fonte: ConJur

Atitudes e percepções sobre a violência contra as crianças e adolescentes


Uma nova pesquisa de opinião com mais de 11.000 pessoas, de 28 países, conduzida pela Visão Mundial e Ipsos Reid, revela que as pessoas ao redor do mundo pensam que a violência contra as crianças e adolescentes é um problema comum e crescente. 

Conheça o relatório elaborado pela Visão Mundial, para ajudar na compreensão e interpretação dos resultados da pesquisa sobre a visão global da violência contra as crianças e adolescentes Detalhes dos resultados, da metodologia, do tamanho da amostra e das datas da pesquisa estão nos links abaixo:

Pesquina Nacional

Pesquina Internacional


Clique aqui para conhecer outras pesquisas da nossa Biblioteca Virtual


Fonte: Visão Mundial

MPF reúne no Rio assinaturas para projeto de iniciativa popular contra corrupção


Representantes do Ministério Público Federal (MPF) recolhem hoje (30), assinaturas para apresentação, ao Congresso Nacional, de projeto de lei de iniciativa popular com medidas contra a corrupção. O objetivo é levar a proposta ao Legislativo no dia 9 de dezembro, quando se comemora o Dia Mundial Anticorrupção. A iniciativa faz parte da campanha “10 medidas contra a corrupção”, promovida pelo MPF em todo o país.

“São medidas para aumentar as penas para a corrupção, tornar a corrupção crime hediondo e tentar diminuir a impunidade no país, além de criminalizar o enriquecimento ilícito e o caixa 2 dos partidos políticos e responsabilizar os dirigentes partidários”, disse a procuradora da República Mônica Campos de Ré. Segundo ela, a campanha visa a coletar 1,5 milhão de assinaturas. Mônica destacou que as dez medidas propostas são um resumo de 20 anteprojetos de lei levados em bloco ao Congresso como projetos de iniciativa popular.

O advogado Guilherme Silva é um dos que assinaram a petição na tenda montada pelo MPF na Praia de Ipanema, na altura do Posto 9. “A gente precisa fazer alguma mudança. É importante para o Brasil. A corrupção está chegando a níveis horrorosos e eu acho, efetivamente, que essas mudanças podem ajudar a melhorar a situação”. O jornalista Alexandre Matos tem a mesma opinião. "[A campanha] é muito válida, porque a gente está vivendo uma crise de valores. E ter pessoas que tomam iniciativas como essa é fundamental até para chamar a população para uma discussão mais complexa, porque a corrupção está hoje como uma doença no seio da sociedade.”

O comerciante Nelson Marques e a professora universitária Adriana Leite também manifestaram apoio à campanha. Marques destacou que o país está precisando de um movimento como o do MPF. “O povo tem que ir para a rua e cobrar porque, se esperar deles [parlamentares], não acontece nada. Essa mobilização é muito boa”. Para Adriana, a participação popular é importante. “O mínimo que a gente precisa é um país mais justo e sem corrupção."

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, o aposentado Paulo Costa, voluntário da campanha, coletou ontem 100 assinaturas. Segundo Costa, apesar de acharem que a campanha é boa, muitas pessoas não acreditam muito que a iniciativa possa alterar a situação. “Acham que vai continuar tudo igual. A situação de corrupção no país torna as pessoas descrentes, apesar das transformações lideradas pelo juiz Sérgio Moro [na Operação Lava Jato], pela Polícia Federal e pelos procuradores da República.”

A campanha foi iniciada há cerca de dois meses. A contagem das assinaturas começará a ser feita no dia 4 de setembro, na Semana da Pátria, informou a procuradora Mônica Campos de Ré. A iniciativa do Ministério Público Federal conta com apoio de várias empresas e entidades fluminenses, como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a organização não governamental (ONG) Ação Jovem Brasil, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), a mineradora Vale, a Associação do Comércio Farmacêutico do Estado (Ascoferj) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ).


Fonte: Agência Brasil

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é comemorado neste sábado, 29 de agosto


Diversas ações serão realizadas no país para marcar o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, comemorado no dia 29 de agosto – data em que foi realizado o primeiro encontro do movimento, em 2006, no Rio de Janeiro. O objetivo é registrar a luta das mulheres contra a violação de direitos em decorrência de sua orientação sexual.

As ações ocorrem majoritariamente no Paraná, Bahia, Tocantins, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, e são coordenados pelas seguintes entidades: ABGLT, Liga Brasileira de Lésbicas, Rede Afro LGBT, Rede de Lésbica Negras (Candace), Sapatá, Núcleo de Gênero e Sexualidade da Universidade Estadual da Bahia, Núcleo de Pesquisas em Sexualidade da Universidade Federal do Tocantins e Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

De acordo com Roselaine Dias, articuladora nacional da Liga Brasileira de Lésbicas e integrante do Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT, trata-se de um marco histórico. “A data resulta de uma luta necessária em razão do processo de exclusão contra a maioria das mulheres”, avalia. “Essa exclusão pode ser observada tanto no mercado de trabalho, quanto nas relações sociais, nas agressões verbais, na violência psicológica, e também contribuir para a perpetuação de crimes hediondos, como o ‘estupro corretivo’”, complementou a conselheira.

A coordenadora-geral de Promoção dos Direitos da População LGBT, Symmy Larrat, ressaltou ações do governo federal para este segmento da população. “Temos, por exemplo, uma parceria com Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e o Ministério da Saúde para o atendimento de mulheres lésbicas, de modo que vamos qualificar o serviço público”, afirmou.

Marco Histórico

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é comemorado no dia 29 de agosto. A data, criada no 1º Seminário Nacional de Lésbicas em 1996, no Rio de Janeiro, é um marco fundamental para o registro da luta de mulheres que têm seus direitos violados por sua orientação sexual no Brasil.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Artigo - Tire o Racismo do Seu Vocabulário: 13 Palavras e Expressões para Parar de Falar Já!

Ilustração: Ana Maria Sena

Por: Stephanie Ribeiro*
Nota da Editora: A autora do texto reuniu a opinião de colegas e amigos negros, que relataram as expressões que os incomodavam antes de desenvolver esse texto. Vale ressaltar também que, conforme uma leitora bem observou, é imprescindível ter em mente ao ler o texto que “por séculos, brancos subordinaram negros e durante todo esse período diversas palavras e frases foram usadas para enfatizar e perpetuar a ideia de submissão e inferioridade negra”.

Vire e mexe me perguntam como não ser racista. E, sinceramente, eu acho a resposta tão complicada, afinal somos educados para o inverso: o racismo é imposto e naturalizado, e, mesmo não querendo (existem casos que ele é sim intencional), muitosacabam reproduzindo o discurso opressivo para com negros.

Desconstruir esse discurso, até em expressões simples e que aparentemente não parecem ser ofensivas, mas no fundo são, é necessário e urgente. Pensando em quebrar esse ciclo, te mostro 13 exemplos de racismo cotidiano presente em expressões e palavras que ouvimos com freqüência, mas que devem ser eliminadas do vocabulário já.

1- “Amanhã é dia de branco”

Qualquer pesquisa rápida no Google mostrará mais de uma origem para essa expressão, e a maioria negando que ela tem algum cunho racista. Porém, vivemos em um país onde a escravidão do povo negro durou mais de 300 anos, e os escravos, mesmo sendo forçados a trabalhar, geralmente eram vistos como “vagabundos”.

As conseqüências disso duram até hoje, o negro é sempre visto como a pessoa que faz “corpo mole”, aquele “malandro” que não faz nada. Inclusive, entre as opiniões que mais afloram quando o assunto é cotas sociais para negros, a de que não existe esforço da nossa parte é a mais frequente. Tanto que podemos fazer um paralelo entre essa e a expressão seguinte.

2- “Serviço de preto”

Comum no nosso dia-a-dia, essa expressão é usada para desqualificar determinado esforço e/ou trabalho, ou seja, fazer “serviço de preto” é igual a ser desleixado. O negro sempre é associado a algo ruim, o “bom” trabalho seria o do branco. Não dá para ser ingênuo e achar que não existe o teor racista, ainda mais quando associamos a outras dessas expressões que colocam o negro como o oposto de positivo, como:

3- “A coisa tá preta”

A expressão “a coisa tá preta” fala por si só: se a coisa está preta, é porque ela não está agradável, ou seja, uma situação desconfortável é o mesmo que uma situação negra? Isso é racismo.

4- “Mercado negro”

O mercado negro é aquele que promove ações ilegais, e mais uma vez é a palavra negro sendo usada com conotação desfavorável. O negro, na expressão, significa ilícito.

5- “Denegrir”

Já a palavra “denegrir” é recorrente quando acreditamos que estamos sendo difamados, é uma palavra vista como pejorativa, porém seu real significado é “tornar negro”. Se tornar algo negro é maldoso, temos mais um caso de racismo.

6- “Inveja branca”

Finalizando a leva de palavras e expressões que associam negro e preto à comportamentos negativos, o exemplo 6, que mostra a “inveja branca” como sendo a inveja boa, “positiva”.

7- “Da cor do pecado”

Outra expressão que faz a mesma associação de que negro = negativo, só que de forma mais subliminar, não recorrendo a termos como negro ou preto. Geralmente essa expressão é usada como elogio, porém vivemos em uma sociedade pautada na religião, onde pecar não é nada positivo, ser pecador é errado, e ter a sua pele associada ao pecado significa que ela é ruim. Não é uma expressão que remete a um adjetivo positivo, é simplesmente uma ofensa racista mascarada de exaltação à estética e, quase sempre, direcionada a mulheres negras.

8- “Morena”, “mulata” ( por vim seguidos de tipo exportação).

Usado para mulheres e homens, mas mais comum serem usadas para descrever as mulheres, principalmente quando seguidas pelo termo “tipo exportação”. Aqui o objetivo é amenizar o que somos, “clareando” o negro. Não existe justificativa para negar que alguém é negro, possivelmente você pode estar incomodado em dizer “negro”, e se está é porque acredita que chamar alguém de negro é ofensivo, sendo assim embranquece a pessoa – transformando-a em “morena” ou “mulata”, e isso é racismo.

9- Negra “de beleza exótica” ou com “traços finos”

O 8 e 9 são próximos, quando se imagina que ser uma mulher negra bonita é ser “tipo exportação”, ter “traços finos” e assim poder ser a dona de uma “beleza exótica”. Ser negro e poder ser considerado bonito está relacionado a não ter traços negros, mas sim aqueles próximos ao que a branquitude pauta como belo, que é o padrão de beleza europeu. Sim, isso é racismo, e dos mais comuns que a gente vê por ai, estão nos hipersexualizando e exotificando quando usam essas expressões.

10- “Não sou tuas negas”

Facilmente explicável se lembrarmos de que quando se tratava do comportamento para com as mulheres negras escravizadas, assédios e estupros eram recorrentes. A frase deixa explícita que com as negras pode tudo, e com as demais não se pode fazer o mesmo, e no tudo está incluso desfazer, assediar, mal tratar, etc, etc.

11- “Cabelo ruim”, “Cabelo de Bombril”, “Cabelo duro” e, a mais desnecessária, “Quando não está preso está armado”

A questão da negação da nossa estética é sempre comum quando vão se referir aos nosso cabelo Afro. São falas racistas usadas, principalmente na fase da infância, pelos colegas, porém que se perpetuam em universidades, ambientes de trabalho e até em programas de televisão, com a presença negra aumentando na mídia. Falar mal das características dos cabelos dos negros também é racismo.

12- “Nasceu com um pé na cozinha”

Expressão que faz associação com as origens, “ter o pé na cozinha” é literalmente ter origens negras. A mulher negra é sempre associada aos serviços domésticos, já que as escravas podiam ficar dentro das casas grandes na parte da cozinha, onde, inclusive, dormiam no chão (sua presença dentro da casa grande facilitava o assédio e estupro por parte dos senhores). Pós-abolição, continuamos sendo estereotipadas como as mulheres da cozinha, já que somos maioria nos serviços domésticos, visto todas as políticas que tentaram e tentam barrar a ascensão negra.

13- “Barriga suja”

Outro termo que faz relação à origem é usado quando a mulher tem um filho negro. Se ela teve um filho negro, algo impuro – como uma “barriga suja” – explica esse fato. É uma das que mais me causa desconforto.

É claro que existem inúmeras outras expressões que apontam claramente o racismo no cotidiano, e, infelizmente, inúmeras pessoas, mesmo sabendo dos fatos e tendo acesso às explicações, vão dizer que tudo é pura banalidade e, provavelmente, continuar usando essas palavras e expressões.

Quando apontamos racismo, a tendência é ouvirmos algo como “não sou racista, tenho amigos e/ou parentes negros”, ou ainda “eu conheço um negro e ele não liga”. O mais irônico é que, quando um negro reproduz conceitos racistas, que vão desde achar que não existe racismo a não se incomodar de ser chamado de moreno, ou achar desnecessárias todas essas explicações aqui dadas, ele logo é taxado como sendo “um negro de alma branca”. Traduzindo: usam uma fala racista para “louvar” seu comportamento não questionador.

É necessário empatia e consciência para que essas palavras e expressões sejam abandonadas de vez. O objetivo desse texto é simples: ENEGRECER ideias.


* Stephanie Ribeiro é militante feminista interseccional, apaixonada pela natureza e acredita na troca de energia com ela, principalmente quando está na água e pisando na terra. Adora escrever, por isso colabora com vários portais e mantém um caderninho preto de bolinhas, que combina com seu vestido preferido, onde escreve e desenha para se sentir feliz, que nem era quando criança. Você pode acompanhá-la por aqui.


Fonte: Blogosfêmea

No Brasil, mortes por depressão crescem 705% em 16 anos


Em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

Foi a depressão, somada à dependência química, o que provavelmente levou o ator americano Robin Williams, de 63 anos, a se matar, na segunda-feira passada, dia 11. Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão. Em 2012, último dado disponível, foram 467.

O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.

No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.

Causas

Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas à depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno. "Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros", disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.

Jorge explica que, além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença.

No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. "Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão", diz o especialista.


Fonte: UOL Notícias

Médicos comemoram fim do ebola com dança

Médicos em Serra Leoa comemoraram com dança a alta dada ao último paciente de ebola que estava em tratamento no país.

Se nenhum caso for confirmado em 42 dias, o país poderá ser classificado como livre da doença.

Desde 2013, a epidemia matou 3,5 mil pessoas em Serra Leoa e se alastrou por outros países da África Ocidental, como Libéria e Guiné.



Fonte: BBC Brasil

Comitê dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 prorroga inscrições para voluntários


O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralípicos Rio 2016 prorrogou as inscrições para as pessoas com ou sem deficiência participarem, como voluntários, das cerimônias de abertura e encerramento dos jogos. O prazo segue até 30 de setembro. Os interessados devem acessar o portal do comitê, clicando aqui (https://cerimonias.rio2016.com/webCasting/Login/setIdioma?idioma=pt-br), e preencher o cadastro.

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 será realizada no Maracanã, no dia 5 de agosto de 2016. O espetáculo reunirá atletas, artistas e voluntários dirigidos por alguns dos mais talentosos diretores do mundo. A expectativa é que a festa seja assistida por bilhões de pessoas em todo o planeta. O encerramento ocorrerá no dia 21 de agosto de 2016.

Pessoas com Deficiência

De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil 23,9% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Trata-se de um universo de aproximadamente 45,6 milhões de pessoas, sendo que a maioria delas possui deficiência visual, seguido de deficiência motora.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

CDH aprova 'botão do pânico' para proteger mulheres de violência


Um dispositivo que aciona a polícia automaticamente em caso de ameaça de violência contra mulheres pode ser oferecido em todo o país. Projeto que trata do assunto (PLS 119/2015) foi aprovado nesta quarta-feira (26) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

O Dispositivo de Segurança Preventiva, mais conhecido como "botão do pânico", funciona desde 2013 em algumas cidades. A primeira experiência foi em Vitória, capital do Espírito Santo, estado em que uma mulher é agredida a cada cinco horas, um dos maiores índices do país.

Além de permitir o acionamento da polícia, o equipamento também grava áudios que podem ser utilizados como provas contra o agressor. O simples acionamento do botão pela vítima, ao ser abordada ou ameaçada, permite que a polícia saiba de onde o chamado foi feito e envie proteção. Em algumas cidades, as ocorrências registradas são atendidas em 7 minutos.A proposta aprovada na CDH estende a oferta do dispositivo pela polícia a todo o país.

De acordo com a autora do projeto, Maria do Carmo Alves (DEM-SE), a intenção é garantir a efetiva segurança da mulher, que mesmo com as garantias judiciais de proteção ainda corre riscos de violência.

— Às vezes são os próprios maridos, os companheiros, que fazem as coisas terríveis com as mulheres. [O projeto] Foi inspirado nesse quadro que vivemos de insegurança pública. Vai melhorar porque é preciso que a Justiça realmente cumpra a sua função — disse Maria do Carmo.

A relatora do projeto, Regina Sousa (PT-PI), explicou que o dispositivo não é de uso obrigatório.

— A obrigatoriedade é de que o estado disponha desse dispositivo eletrônico no seu sistema de segurança — explicou Regina.

A proposta aprovada na Comissão de Direitos Humanos segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em decisão terminativa.

Campanha

A CDH também aprovou apoio à campanha Eles por Elas, lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que tem como meta obter 100 mil assinaturas de homens no combate à violência e à discriminação contra as mulheres no Brasil.

— O protagonismo das lutas feministas segue sendo delas, mas a nós homens cabe construir um mundo onde o respeito, a não discriminação e a dignidade da vida de nossas mulheres deem fim a todo tipo de violência — afirmou o presidente da CDH, Paulo Paim (PT-RS).

A comissão também aprovou voto de censura à prática de "estupros corretivos" contra homossexuais. Os senadores reagiram aos relatos apresentados por Paim de casos sob investigação da polícia paulista e que já eram denunciados por movimentos LGBT.


Fonte: Senado Federal

Juíza defende a criação de banco de dados de homicídios de mulheres


O II Seminário Internacional Violência de Gênero e Feminicídio, realizado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) nos dias 20 e 21 de agosto, deixou uma importante herança: uma Carta Compromisso em combate à violência contra a mulher, que contém denúncias e resoluções propostas pelos participantes do seminário. A juíza auxiliar da presidência do TJRJ e titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Adriana Ramos de Mello, foi uma das signatárias da carta, divulgada no último dia 27.

No documento, a juíza assegura o compromisso do esforço para mudança de conceitos básicos na educação e do controle e acompanhamento rigoroso dos casos de violência de gênero, para que os crimes não saiam impunes e nem sejam esquecidos. “Esforço conjunto para criação de um banco de dados de homicídios de mulheres em razão do gênero; campanhas de combate ao Feminicídio, como a campanha “Ni Una Menos” (Argentina); melhorar a educação para inclusão de disciplinas sobre igualdade de gênero e direitos humanos nas escolas e universidades; criação de protocolos de investigação dos homicídios/tentativas de mulheres por região; criação de centros de apoio às vitimas e familiares de feminicídio; capacitação permanente dos operadores do Direito e da Justiça em igualdade de gênero e direitos humanos”, diz o item de compromisso assinado pela magistrada.

Quanto à denúncia, Adriana Ramos de Mello problematiza a cultura patriarcal ainda presente na sociedade e também a grande quantidade de ocorrências dos crimes de agressão e feminicídio. Ela cita que a cada cinco minutos uma mulher sofre com violência no Brasil. “A cultura do machismo e do patriarcado predomina no Brasil a olhos vistos, ceifando a vida de milhares de vítimas. Será necessária uma verdadeira revolução na sociedade para que haja uma mudança cultural de respeito à igualdade de gênero e à vida humana”, afirma.

Além da juíza Adriana, assinaram a carta o presidente do TJRJ, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho; a vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia; além de outras autoridades do Brasil, da Espanha, da Argentina e da Itália.

O II Seminário Internacional Violência de Gênero e Feminicídio foi promovido pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), e fez parte do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero, presidido pela juíza Adriana Ramos de Mello.


Fonte: Jornal do Brasil

Ato em Natal marca "Dia Estadual de Combate à Violência Contra as Mulheres"


Uma caminhada realizada na tarde desta quinta-feira (27) marcou o "Dia Estadual de Combate à Violência Contra as Mulheres" em Natal. O ato reuniu homens e mulheres para cobrar mais investimento dos governos municipal, estadual e federal nas políticas de combate à violência contra a mulher - os recentes casos de estupro ocorridos na capital potiguar foram bastante lembrados durante a manifestação -, além de protestar contra o machismo e o patriarcalismo na sociedade.

O grupo se concentrou na avenida Rio Branco, no bairro de Cidade Alta, nas proximidades do viaduto do Baldo, e seguiu em caminhada até o Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura de Natal. O trânsito no local foi interrompido por determinado tempo, mas já liberado.

Dentre as reivindicações das mulheres que protestavam, estão Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM’s) abertas 24 horas e com plantonistas mulheres preparadas, inclusive nos finais de semana; e iluminação imediata dos trechos escuros nos bairros de Natal e no Campus Universitário da UFRN.

Antes da caminhada, as mulheres foram até a DEAM, no bairro da Ribeira, e deixaram uma carta em solidariedade às vítimas dos recentes casos de estupro. A delegada Michelle Alcântara, titular da DEAM Zona Sul, se comprometeu a repassar às garotas.

A Frente Feminista de Natal, que organizou o ato, pretende se reunir com o prefeito Carlos Eduardo e com o governador Robinson Faria em breve.


Fonte: Tribuna do Norte

Comissão Nacional de População e Desenvolvimento se manifesta sobre redução da maioridade penal


A Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) publicou uma nota sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/1993, que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, no caso de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. A Comissão se manifestou contrária a proposta que altera o texto do art. 228 da Constituição Federal.

Leia a íntegra da nota aqui: http://www.cnpd.gov.br/wp-content/uploads/CNPD-Posicionamento-PEC-171.pdf

A Comissão é um fórum colegiado que agrega tanto órgãos de governo quanto membros da sociedade civil organizada. Possui em sua essência institucional a preocupação de debater temáticas de interesse da sociedade brasileira em um fórum de alto nível, promovendo articulação institucional, coordenação intragovernamental e facilitando a democratização de acesso a informação de qualidade, bem como a participação social.

Tem, ainda, a finalidade de contribuir para a formulação de políticas e a implementação de ações integradas relativas à população e ao desenvolvimento, conforme recomendações do Programa de Ação da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994, no Cairo, capital do Egito.


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Artigo - “Vagabunda, aqui não é Amsterdã”, grita motorista para ciclista em São Paulo

Motorista de Hilux ameaça ciclista em São Paulo: “Vagabunda, aqui não é Amsterdã. Vai lamber as bolas do prefeito”. Giovanna Dias, que pedalava rumo ao trabalho, publicou uma carta aberta sobre o episódio lamentável

Por: Giovanna Franceschi Dias*, via Facebook


Carta aberta para o senhor motorista de uma Hilux branca que passava pelos entornos da Faria Lima na manhã desta segunda-feira.

Este senhor achou prudente me dar uma lição quase me atropelando de propósito só para me assustar, já que eu estava bloqueando a via dos carros com a minha – ENORME – bicicleta parada ao lado direito da via enquanto o sinal estava fechado. Esta carta vai para ele que, ao me ver quase caindo no asfalto, abriu a janela e gritou “vai lamber as bolas do prefeito, vagabunda! Aqui não é Amsterdam”.

Caro, muito obrigada por me lembrar que aqui não é Amsterdam. Infelizmente eu tive essa percepção um pouco antes de você gritar esta informação porque o grau de educação das pessoas de lá não permitiria que agissem da forma como o senhor agiu. Aliás, se o senhor pesquisar um pouco, bem pouco, saberá que hoje em dia, a população de Amsterdam aderiu o uso da bicicleta como meio de transporte para diminuir o número de acidentes de carro que, só em 1971, somou mais de 3300 mortes sendo 400 delas de crianças. Como o senhor pode notar, a preocupação com a vida das pessoas lá em Amsterdam já era bem mais consciente do que a nossa, aqui no Brasil, em 2015.

Em relação ao termo “vagabunda” utilizado pelo senhor para se dirigir a mim, afirmo que foi empregado da maneira errada. O senhor pode consultar em qualquer dicionário o significado desta palavra que, para homens significa “quem vive no ócio” e para mulheres “quem tem muitos homens”. Veja bem, como eu utilizo a bicicleta para chegar no meu trabalho de forma mais rápida e saudável, logo eu não vivo no ócio. E não vejo relação nenhuma entre andar de bicicleta e ter muitos homens (o que, realmente, não diz respeito ao senhor).

Visto estes dois pontos, gostaria de fazer mais uma observação sobre “lamber as bolas do prefeito”. Em primeiro lugar, o fato de eu optar por ter uma qualidade de vida mais saudável não tem absolutamente nada a ver com a minha posição política. Em segundo lugar, se em uma pesquisa eu constatei que da minha casa para o meu trabalho eu levo uma hora de carro, 40 minutos de ônibus, 30 minutos caminhando e 15 de bicicleta, não vejo razão nenhuma para escolher o mais demorado e que prejudica ainda mais o trânsito de outras pessoas que não têm a mesma facilidade de trabalhar perto de casa e utilizam o carro (o que pode ser o caso do senhor).

E por fim, quero dizer que é por culpa de indivíduos como o senhor que, muitas outras pessoas têm medo de optar pela bicicleta como meio de transporte. Essa conscientização não tem a ver com política, mas com qualidade de vida. Pessoas estão escolhendo ir de bicicleta porque já notaram benefícios físicos e emocionais que este exercício promove. A sua atitude diminui a minha esperança de ver o Brasil como um país melhor para as pessoas, um lugar com menos “umbiguismo” e mais colaboração coletiva, um país mais consciente sobre qualidade de vida e do impacto disso para nosso bem estar, um lugar que, poderia ser MUITO MELHOR que Amsterdam, mas que ainda tá lá atrás por culpa de pessoas com a mentalidade igual ao do senhor.

Espero que o senhor tenha chegado bem ao seu destino.

Passar bem!


Fonte: Pragmatismo Político / Facebook

Pesquisa traça perfil de vítimas de violência doméstica


Baixa escolaridade, emprego indefinido e idade de 31 a 40 anos. Esse é o perfil das mulheres que sofrem violência doméstica no Recife e também o dos agressores. Os dados são da pesquisa A Lei Maria da Penha e a expansão da criminalização da violência doméstica e familiar no Brasil, fruto de estudo de alunos de direito da Universidade Católica de Pernambuco. Os dados foram coletados entre agosto de 2014 e julho de 2015, a partir de 168 processos criminais sentenciados de junho de 2013 a maio de 2014, na 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Recife. O estudo foi apresentado ontem, no seminário Avanços e desafios: Centro de Referência Clarice lispector no enfrentamento da violência contra as mulheres, na Unicap

Só 10% das mulheres envolvidas têm ensino superior. O índice é ainda mais baixo entre os homens - 6,5%. Ao todo, 24,4% tinha ensino médio completo. Grande parte dos acusados é formada por ex-companheiros - 34,5%. Os relacionamentos tinham entre três e sete anos e o tempo de separação variava de um a três meses.

“As mulheres têm profissões sem reconhecimento ou que estão sendo reconhecidas agora, como a de empregada doméstica. Essa falta de possibilidades as deixa mais frágeis”, afirmou a professora Marília Montenegro, coordenadora do curso de direito da Unicap, que orientou o estudo.

Segundo ela, o acolhimento é fundamental para quebrar esse ciclo. Centros de referência como o Clarice Lispector, coordenado pela Secretaria de Mulher do Recife, contribuem para mudar a realidade.

Do início de 2013 até julho deste ano, o centro recebeu 3.718 mulheres em situação de violência doméstica, familiar ou sexual. Mais de seis mil acompanhamentos jurídicos, sociais e psicológicos foram realizados. De acordo com a secretária da Mulher do Recife, Elizabeth Godinho, o perfil das mulheres que procuram atendimento encaixa nos dados da pesquisa. “A fragilidade da relação com companheiros e ex-companheiros é marcante. As condições de vulnerabilidade social se associam à falta de educação e à cultura do machismo.”

Ontem, na Unicap, a representante comercial Maria Izabel de Assis, 45, compartilhou sua experiência. “Estava muito fragilizada. O centro tem me abraçado e orientado no psicológico e no jurídico. Posso dizer que é como o colo da minha mãe.


Fonte: Diário de Pernambuco

DF registra 6,9 mil casos de violência contra a mulher no primeiro semestre


A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal registrou 6.938 ocorrências de violência doméstica na capital no primeiro semestre de 2015 – uma média de 38 casos por dia. Segundo a pasta, a maior parte dos agressores é formada pelos próprios namorados, maridos ou companheiros das vítimas.

Os dados apontam que 69% dos crimes se concentram em dez regiões. As áreas com mais denúncias são Ceilândia, com 17%; Planaltina, 9,3%; Gama, 6,7%; Samambaia, 6,4% e Recanto das Emas, com índice de 6,4%.

Os crimes mais comuns são ameaça (30,58%); injúria (27,5%), confronto físico (9,10%); lesão corporal (8,26%) e lesão corporal dolosa (6,83%). A pesquisa também mostra que a situação piora aos finais de semana. A violência ocorre principalmente aos sábados e domingos, entre 18h e 21h. Aos sábados, o índice é de 20,1% e aos domingos, 18%.

"Isso demonstra que a violência doméstica ainda é um problema que precisa ser priorizado pelos governos, incorporado pela sociedade como um todo, como uma violação de direitos humanos", diz a secretária de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal, Marise Nogueira.

O DF tem quatro centros especializados de atendimento às mulheres que oferecem apoio psciológico e jurídico para as vítimas. Eles ficam na estação do Metrô da 102 Sul, na 601 Norte, em Ceilândia e em Planaltina.

Xingamentos, ameaças e gritos também podem ser enquadrados na lei Maria da Penha. Durante dez anos, uma auxiliar de enfermagem de 47 anos, que não quis se identificar, diz ter vivido sob pressão psicológica do companheiro. Ela afirma que denunciou o homem e que não se arrepende.

"Antigamente eu era boba, hoje eu não sou mais boba. Se ele fala uma coisa, eu não vou para o quarto chorar, não. Eu converso cara a cara, olhando olho no olho. Se ele pode, eu também posso."

Uma auxiliar de serviços gerais, que também pediu para não ser identificada, afirma que sofreu com a violência do marido durante oito anos. Ela denunciou o caso e ele ficou preso por quatro anos. Na saída, eles reataram, voltaram a morar juntos e hoje ela diz ter uma visão diferente sobre o relacionamento.

"Eu coloquei uma coisa na minha cabeça. A gente não tem que viver apanhando, nem com medo. A gente tem que ter coragem, força, garra para a gente prosseguir, ir em frente, e não para trás", diz ela.

Para denunciar violência doméstica no DF o telefone é 156, opção 6, ou no telefone 180, da Secetaria de Políticas para Mulheres do governo federal.


Fonte: G1

Lei de cotas garantiu mais de 111 mil vagas para estudantes negros


Criada com o objetivo de ampliar o acesso da população negra, indígena e a de baixa renda ao ensino superior, a Lei de Cotas, que completa três anos hoje (29), garantiu mais de 111 mil vagas para estudantes negros em cursos superiores de universidades e institutos federais. Os dados são da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), divulgados esta semana. Até o fim de 2015, o número deve chegar a 150 mil.

A lei reserva no mínimo 50% das vagas das instituições federais de ensino superior e técnico para estudantes de escolas públicas, devendo ser preenchidas por candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas, levando em consideração a proporção desses grupos na população total do estado onde fica a instituição. A legislação também garante que, das vagas reservadas a escolas públicas, metade será destinada a estudantes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo.

Levantamento realizado pela Seppir mostra que, em 2013, 50.937 vagas das instituições federais de ensino superior e técnico foram ocupadas por estudantes negros. No ano passado, o número subiu para 60.731. A estimativa da secretaria é que até o fim 2015, 40 mil vagas sejam ocupadas por negros, totalizando 150 mil vagas. Os números definitivos deste ano só serão conhecidos em 2016.

Reparação

Para a ex-reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e ex–ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, a legislação visa corrigir uma distorção histórica na sociedade brasileira que remonta à escravidão, que fez com que estes grupos ficassem praticamente relegados, quase sem acesso ao ensino superior.

“Eu diria que estamos pagando, de certa forma, a dívida com os nossos ancestrais que padeceram na escravidão. Até hoje podemos ver resquícios desse processo. Basta olhar, nas universidades, o conflito que houve para implantar o sistema de cotas. E se você olha para determinadas categorias, como as trabalhadoras domésticas, só agora, depois de tantos anos é que elas começam a conquistar o seu status de trabalhadoras como as demais”, disse Nilcéa em entrevista ao programa de rádio Viva Maria, transmitido pelas Rádio Nacional da Amazônia, Rádio Nacional de Brasília, Rádio Nacional do Rio de Janeiro e Rádio Nacional do Alto Solimões, veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A Uerj foi a primeira instituição de ensino superior no país a adotar o sistema de cotas, em 2001. Na época, Nilcéa era a reitora da instituição, onde se formou em Medicina. Ela destaca que um dos efeitos mais positivos da legislação foi ter possibilitado que negros e negras de escolas públicas, jovens da periferia e das favelas tenham chance de sonhar com uma carreira. “Quando eu vejo na minha universidade de origem a foto da formatura da primeira turma de médicos que prestou vestibular já no regime de cotas eu fico muito feliz. É uma turma colorida que tem a diversidade do povo brasileiro”, disse.

Ela lembra que o debate sobre a legislação gerou muita polêmica e resistência por parte de alguns segmentos. Nilcéa comparou a resistência ao que chamou de “lógica do ônibus cheio”.

“Depois que você entra, você não quer mais que ele pare em nenhum ponto e essa lógica permanece na sociedade brasileira. Nós ainda temos um caminho longo a trilhar na construção de uma sociedade mais solidária. Porque, na verdade, trata-se de ampliar os laços de solidariedade para que a sociedade toda possa avançar junto e não somente parte da sociedade”, afirmou.

Críticas

Alguns críticos da política de cotas argumentavam que as ações afirmativas feriam o princípio da igualdade previsto na Constituição. A polêmica sobre as ações afirmativas levou o caso até o Supremo Tribunal Federal, que em julgamento histórico, em 2012, considerou, por unanimidade, a iniciativa constitucional.

Na época, o relator, ministro Ricardo Lewandowski, lembrou que em 2012 apenas 2% dos negros conquistavam um diploma universitário no Brasil e afirmou que aqueles que hoje são discriminados têm um potencial enorme para contribuir para uma sociedade mais avançada.

“Para possibilitar que a igualdade material entre as pessoas seja levada a efeito, o Estado pode lançar mão, seja de políticas de cunho universalista – que abrangem um número indeterminado de indivíduos, mediante ações de natureza estrutural – seja de ações afirmativas, que atingem grupos sociais determinados, de maneira pontual, atribuindo a estes certas vantagens, por um tempo limitado, de modo a permitir-lhes a superação de desigualdades decorrentes de situações históricas particulares”, afirmou Lewandowski em seu voto.


Fonte: Correio Braziliense

Todos os estados possuem políticas de direitos humanos, aponta IBGE


Nos últimos anos, a preocupação com a implantação de políticas públicas de direitos humanos nos estados e municípios do país tem aumentado. É o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quarta-feira (26) com o perfil dos estados e municípios do país. O estudo registrou o crescimento na estrutura de gestão de direitos humanos desde 2009.

Os programas ou ações mais recorrentes nos municípios foram direcionados a crianças e adolescentes (37,6%), idosos (35,2%) e mulheres (31,8%). Entre as políticas de direitos humanos implementadas por estados e municípios, a proteção às mulheres vítimas de violência doméstica predominou: estava presente em 45,2% dos municípios e em 24 das 27 unidades da federação.

Quanto às crianças e adolescentes, destacam-se as políticas de enfrentamento à violência sexual (72,6% dos municípios e 25 UFs) e a erradicação do trabalho infantil (26 UFs e 65,3% dos municípios).

No estudo, foram analisadas também questões que envolvem recursos humanos, comunicação e informática, educação, saúde, direitos humanos e segurança. A pesquisa contém dados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic).

Direitos Humanos

Em 2014, pelo menos 2.457 municípios apresentaram estrutura específica de gestão de direitos humanos (44,1% do total), um crescimento significativo desde 2009, quando 1.408 municípios tinha tal estrutura (25,3% do total). Há outro indicativo de institucionalização dos direitos humanos: nos municípios com estrutura, aumenta a proporção de secretarias exclusivas (de 1,1% para 6,4%) e secretarias em conjunto com outras políticas (de 4,2% para 17,5%), enquanto decrescem as estruturas subordinadas diretamente à chefia do executivo e setor subordinado a outra secretaria.

Programas e ações

Os programas ou ações mais recorrentes nos municípios foram direcionados a crianças e adolescentes (37,6%), idosos (35,2%) e mulheres (31,8%). Nas Unidades da Federação, os órgãos de direitos humanos desenvolveram políticas de forma mais abrangentes, e também, direcionadas a públicos específicos, o que indica uma condição organizacional e financeira mais consolidada.

No contexto das Unidades da Federação, as maiores incidências de políticas específicas foram para lésbicas,gays, sexuais, travestis e transexuais (25); indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros povos e comunidades tradicionais (24); e crianças e adolescentes (23). A política menos presente era a voltada para ciganos (12), também no nível municipal, em que apenas 196 municípios (3,5%) declararam ter políticas direcionadas a esse grupo.

Conselhos

Em 2014, havia 323 municípios com conselhos municipais e estaduais de direitos humanos (5,8%), com aumento em relação à investigação de 2009, quando apenas 79 municípios tinham conselhos desse tipo (1,4%). Dos 323 conselhos identificados, a maioria era paritária (304), mas nem todos eram ativos, pois apenas 266 (82,4%) se reuniram nos últimos 12 meses.

Além dos conselhos de direitos humanos, cabe destacar conselhos direcionados a grupos específicos, com a finalidade de influenciar as políticas e ações em direitos humanos. Foram investigadas a existência e características de Conselhos Municipais e Estaduais de Direitos da Criança e do Adolescente; Igualdade Racial; Direitos do Idoso; Direitos da Pessoa com Deficiência; Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais; e Direitos da Juventude. Houve aumento da presença desse instrumento democrático nos municípios brasileiros nos últimos cinco anos, crescendo tanto a existência quanto a proporção de conselhos que se reuniram nos últimos 12 meses à pesquisa.

À exceção dos conselhos de direitos da criança e do adolescente, já presentes em mais de 90% dos municípios em 2009, os outros tipos de conselho praticamente dobraram de incidência ou mais. Destaca-se, também, os conselhos de direitos do idoso, que existiam em 35,5% dos municípios em 2009 e passaram a 61,9% dos municípios em 2014, sendo que havia conselhos ativos (que se reuniram nos 12 meses anteriores à pesquisa) em 50,9% dos municípios.

Erradicação do trabalho infantil

A Munic e a Estadic investigaram a existência de políticas de promoção e proteção de direitos para crianças e adolescentes. Em 2014, as políticas de promoção mais recorrentes foram, para municípios e UFs, respectivamente, lazer para crianças e adolescentes (4.199 municípios ou 75,4% do total) e acolhimento institucional (23 UFs).

Quanto às políticas de proteção de direitos, destaca-se o enfrentamento à violência sexual em 4.044 municípios (72,6% do total) e 25 UFs (exclusive Rio Grande do Norte e Espírito Santo), e a erradicação do trabalho infantil, em 26 UFs (exceto Rio Grande do Norte) e 3.637 municípios (65,3% do total). Nos estados, destaca-se também o atendimento ao adolescente em conflito com a lei, em 24 UFs (exceto Pará, no Rio Grande do Norte e Alagoas).

Pesquisa 

A Estadic investigou as 27 Unidades da Federação e a Munic, as 5.570 municipalidades existentes no País. Foram levantados, durante o ano de 2014, dados relativos à gestão e à estrutura dos municípios e dos estados, a partir da coleta de informações sobre nove temas, contemplando questões relacionadas a recursos humanos, comunicação e informática, educação, saúde, direitos humanos, segurança pública, segurança alimentar, inclusão produtiva e vigilância sanitária.


Fonte: Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Desmatamento na Amazônia aumenta 53%, alerta Imazon


O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), publicou o boletim do desmatamento da Amazônia Legal ocorrido em julho deste ano.

O sistema de alerta detectou 542 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, com uma cobertura de nuvens de 13% do território.

Os dados representam um aumento de 53% em relação a julho de 2014, quando 355 quilômetros quadrados foram desmatados e a cobertura de nuvens foi de 10%.

O desmatamento acumulado no período que vai de agosto de 2014 a julho deste ano, totalizou 3 mil 322 quilômetros quadrados.

Nesse mês de julho, a maioria dos desmatamentos ocorreu no Amazonas, seguido por Rondônia, Mato Grosso, Pará, Acre e Roraima.

O diretor de proteção ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, declarou que o órgão não concorda com o levantamento do Imazon e ressaltou as ações de combate ao desmatamento no Pará.

Sonora: “As ações que o Ibama está desenvolvendo na BR-163, com desarticulação das quadrilhas de grileiros; o trabalho com a desarticulação das quadrilhas de crédito fictício, que nós estamos fazendo e está sendo amplamente divulgado pela mídia, estão realmente colocando um bom freio principalmente nos grandes desmatadores e nos grandes grileiros”.

De acordo com o diretor, a tecnologia usada pelo Imazon é de qualidade inferior a usada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


Fonte: Agência Brasil

Escravos sexuais eram obrigados a trabalhar 17 horas por dia no DF


Após um mês e meio de investigação, a polícia prendeu, ontem, em caráter preventivo, quatro integrantes de uma quadrilha que traficava pessoas de outras unidades da Federação e as obrigava a se prostituir no Distrito Federal. Homens e mulheres com idades entre 18 e 25 anos eram atraídos pela promessa de bons empregos e melhores condições de vida. Mas, ao chegarem à capital federal, deparavam-se com uma realidade bem diferente: trabalhavam cerca de 17h, diariamente, sem intervalo, não ganhavam nada com os programas e viviam trancados. O Correio não teve acesso aos criminosos.

Segundo o delegado-chefe da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), Alexandre Dias Nogueira, os envolvidos devem responder por rufianismo (ato de tirar proveito da prostituição alheia), tráfico de drogas e associação criminosa. “Eles ofereciam empregos como secretária, babá e coletor de material reciclável. Logo depois, as vítimas eram colocadas em cárcere. Os criminosos obrigavam os jovens a usar drogas, para criar uma dependência, e as ameaçavam de morte”, esclareceu. Três garotas e um rapaz foram libertados.

Durante a apuração, oito mandados de busca foram expedidos e sete vítimas, resgatadas de cativeiros. Os bandidos agiam na cidade desde 2012. Segundo a polícia, Márcio de Melo Miranda, 27 anos, casado com Helena de Freitas Carvalho, 31, comandavam o grupo. Muitas vítimas eram trancafiadas em quartos estreitos, no último andar da casa da mãe de Márcio, Maria Facundo, 77, que informou à reportagem desconhecer a situação — o imóvel na Colônia Agrícola Arniqueiras.

A idosa, que alugava quartos com frequência, nunca houve desconfiança. “Eu recebia dinheiro das mãos de mulheres, mas tudo aqui era informal, tanto que algumas delas foram embora de repente, deixando, inclusive, seus pertences”, disse. Maria afirmou não saber da prisão do filho e da nora, embora tenha recebido os policiais quando duas vítimas foram resgatadas dentro da residência da família. Durante a operação de ontem, três mulheres e um homem foram liberados após a verificação de seis supostos cativeiros.

Proteção

A Polícia Civil não informou a origem dos jovens explorados nem o total de vítimas submetidas à violência sexual. Mas o Correio apurou que elas era aliciadas na Região Nordeste, principalmente na Bahia. A reportagem levantou também que cada programa saía por até R$ 100. A maioria delas mantinha ponto nos arredores de uma fábrica de refrigerantes, em Taguatinga Sul. Antes da operação, três pessoas conseguiram fugir do cárcere. Elas estão sob a proteção do Ministério da Justiça. Acusados de serem olheiros e aliciadores, Daniel Macêdo Magalhães, 27 anos, e Luis Carlos da Silva Januário, 34, também foram detidos e serão colocados à disposição da Justiça.

Ceilândia
Em 19 de junho, a 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) deflagrou a Operação Luz Vermelha, para coibir casas de prostituição, tráfico de drogas e outros crimes na área central da cidade. Sete bares foram autuados após a comprovação de que os proprietários mantinham espaços para exploração sexual. Segundo a Polícia Civil, filmagens foram feitas nos locais em datas diferentes para evidenciar a frequência da prática. Dez adultos acabaram presos e um adolescente, detido. Em um dos estabelecimentos, havia câmeras que filmavam o local onde acontecia as relações sexuais com as prostitutas.


Fonte: Correio Braziliense

Feminismo Muçulmano. O que o Islã Realmente Diz sobre as Mulheres


Alaa Murabit é ativista em vários processos para a implementação da paz e para a mediação de conflitos. Sua família foi do Canadá para a Líbia quando ela tinha 15 anos. Nascida e criada num ambiente familiar muçulmano no qual ela era igual a seus irmãos, para ela foi uma experiência chocante perceber a maneira como as mulheres eram consideradas e tratadas na sua nova terra. Alaa se inscreveu numa faculdade de medicina, mas logo se sentiu frustrada devido a discriminação de gênero que experimentou.

Quando ela cursava o quinto ano da faculdade, aconteceu a revolução na Líbia. Alaa se sentiu revigorada ao perceber que as mulheres logo passaram a tomar decisões e a exercerem funções de comando no interior do movimento. Ela fundou então o grupo The Voice of Libyan Women (VLW) focado na discussão dos desafios das normas culturais e sociais vigentes. Muitos programas desenvolvidos pela VLW – como a Noor Campaign, que usa ensinamentos islâmicos para combater a violência contra as mulheres – foram replicados internacionalmente.

Alaa Murabit é agora conselheira de várias organizações, inclusive da Women Global Civil Society Advisory Group, da ONU, e da Harvard’s Everywoman Everywhere Coalition.

Vídeo:


Tradução integral da palestra de Alaa Murabit no TED Mulher:

No meu caminho até aqui, o passageiro ao meu lado e eu tivemos uma conversa interessante durante o voo. Ele me disse: "Parece que os EUA estão ficando sem empregos, porque estão inventando alguns: psicólogo de gatos, encantador de cães, caçador de tornados."

Alguns momentos depois, ele me perguntou: "E o que você faz?"

E eu pensei: "Pacificadora?"

Eu trabalho todos os dias para amplificar as vozes das mulheres e ressaltar suas experiências e participação em processos de paz e resolução de conflitos. E devido ao meu trabalho, entendi que a única maneira de assegurar a participação de mulheres, globalmente, é envolvendo a religião.

Essa questão é vitalmente importante para mim. Como uma jovem mulher muçulmana, tenho muito orgulho da minha fé. Ela me dá a força e convicção para trabalhar todos os dias. É o motivo de eu estar aqui na frente de vocês. Mas não posso negligenciar todo o estrago que foi feito em nome da religião, não só da minha, mas de todas as maiores religiões do mundo. A deturpação, uso indevido e manipulação das escrituras religiosas influenciou nossas normas sociais e culturais, nossas leis, nosso dia a dia, até um ponto em que nós mesmos deixamos de reconhecê-las.

Meu pais se mudaram da Líbia, na África do Norte, para o Canadá no início dos anos 1980. E eu sou a filha do meio de 11 irmãos. Sim, 11! Durante meu crescimento, vi meus pais, ambos devotos da religião e pessoas espirituais, rezarem e agradecerem à Deus por suas bênçãos, obviamente eu, mas também outras. Eles eram bondosos, engraçados e pacientes, com uma paciência ilimitada, do tipo que ter 11 filhos te força a ter. E eles eram justos. Eu nunca fui submetida à religião sob qualquer lente cultural. Eu era tratada como todos, e o mesmo era esperado de mim. Nunca me ensinaram que Deus julga as pessoas de acordo com o gênero. E o entendimento de meus pais sobre Deus, como um amigo misericordioso e benéfico e pai, moldou a maneira pela qual eu via o mundo.

E, é claro, minha educação teve outros benefícios adicionais. Ser uma de 11 irmãos é como a Diplomacia 101. Até hoje, me perguntam em qual escola eu estudei como: "Você estudou na Escola Kennedy?" e respondo: "Não, estudei na Escola de Assuntos Internacionais Murabit." É extremamente exclusiva. Você precisaria conversar com minha mãe para entrar. Sorte a sua que ela está aqui. Mas ser uma de 11 filhos e ter 10 irmãos te ensina muito sobre estruturas de poder e alianças. Te ensina a ter foco: a falar mais rápido ou menos porque você sempre será cortado. Te ensina a importância de passar a mensagem, a fazer perguntas da maneira correta para conseguir as respostas que deseja, e você precisa dizer não da maneira correta para manter a paz.

Mas a lição mais importante que aprendi durante meu crescimento foi a importância de estar à mesa. Quando a luminária favorita da minha mãe quebrou, precisei estar lá quando ela tentou descobrir como e quem foi, porque eu tinha que me defender. Se você não estiver lá, o dedo será apontado para você. E antes que você saiba, já estará de castigo. Não estou falando por experiência própria, claro.

Quando eu tinha 15 anos, em 2005, completei o ensino médio e me mudei do Canadá - Saskatoon - para Zawiya, a cidade natal de meus pais na Líbia, uma cidade muito tradicional. Eu só havia ido para a Líbia antes em minhas férias, e, para uma menina de 7 anos, era mágico! Sorvete, viagens para a praia e parentes muito entusiasmados.

Então descobri que não era o mesmo para uma jovem de 15 anos. Muito rapidamente fui apresentada ao aspecto cultural da religião. As palavras "haram" - que significa proibido pela religião - e "aib" - que significa culturalmente inapropriado - eram trocadas sem nenhum cuidado, como se elas significassem a mesma coisa, e tivessem as mesmas consequências. E me encontrei em debates com vários colegas de turma, professores, amigos e até mesmo parentes, que começaram a questionar o meu papel e minhas próprias aspirações. E mesmo com a base que meus pais me deram, acabei questionando o papel da mulher em minha religião.

Na Escola de Assuntos Internacionais Murabit, nós fazemos debates intensos, e a primeira regra é fazer sua pesquisa. Então foi o que eu fiz, e me surpreendeu como foi fácil encontrar mulheres da minha religião que foram líderes, que foram inovadoras, que foram fortes na política, na economia e até mesmo nas forças armadas. Kadija financiou o movimento islâmico durante o seu crescimento. Nós não estaríamos aqui, se não fosse por ela. Então por que não estávamos escutando sobre ela? Por que não ouvimos nada sobre essas mulheres? Por que as mulheres estão sendo relegadas a posições anteriores aos ensinamentos de nossa fé? E por que, se somos iguais aos olhos de Deus, não somos iguais aos olhos dos homens?

Para mim, tudo se resume às lições que aprendi quando criança. A pessoa que toma as decisões, aquela que deve passar a mensagem, está sentada à mesa, e infelizmente, em cada uma das religiões do mundo, elas não são mulheres. Instituições religiosas são dominadas por homens, e lideradas por homens, e eles criam políticas à sua semelhança. E até que possamos mudar o sistema totalmente, não podemos ter esperanças reais de ter plena participação econômica e política das mulheres. Nossa base está falida. Minha mãe diz que não se pode construir uma casa reta se a base está torta.

Em 2011, a Revolução Líbia eclodiu, e minha família estava na linha de frente. E uma coisa incrível acontece durante os combates, quase uma mudança cultural, muito temporária. E foi a primeira vez que senti que meu envolvimento não era apenas aceito, mas encorajado. Era exigido. Eu e outras mulheres tínhamos um lugar à mesa. Não estávamos de mãos dadas, nem éramos intermediárias. Nós éramos parte da tomada de decisão. Compartilhávamos informações. Éramos cruciais. E eu queria e necessitava que essa mudança fosse permanente.

Acontece que isso não é tão fácil. Em poucas semanas, as mulheres que trabalharam comigo estavam voltando a seus papéis habituais, e a maioria delas era guiada por palavras de encorajamento de líderes religiosos e políticos, a maioria dos quais citava as escrituras religiosas em sua defesa. É assim que conseguem apoio popular sobre suas opiniões.

Inicialmente, foquei o empoderamento político e econômico de mulheres. Eu achei que isso levaria a uma mudança cultural e social. Acontece que isso gera uma pequena mudança, mas não grande. Eu decidi usar a defesa deles como minha ofensiva, e comecei a também citar e destacar as escrituras Islâmicas.

Em 2012 e 2013, minha organização liderou a maior e mais difundida campanha na Líbia. Nós fomos a casas, a escolas, a universidades e até a mesquitas. Nós conversamos diretamente com 50 mil pessoas, e centenas de milhares mais através de letreiros e comerciais na TV, comerciais na rádio e cartazes.

Vocês devem estar se questionando como uma ONG de direitos da mulher conseguiu isso em comunidades que anteriormente se opuseram à nossa simples existência. Eu usei as escrituras religiosas. Usei versos do Alcorão e falas do Profeta, "Hadiths" - falas que são, por exemplo, "O melhor de você é o melhor para a sua família". "Não deixe seus irmãos oprimirem uns aos outros." Pela primeira vez, os sermões de sexta, feitos pelos imãs das comunidades, promoveram os direitos das mulheres. Eles discutiram assuntos tabu, como a violência doméstica. Políticas foram alteradas. Em algumas comunidades, tivemos que chegar ao ponto de dizer que os princípios da Declaração Internacional dos Direitos Humanos, aos quais se opunham por não terem sido escritos por estudiosos da religião, estão no nosso livro. Então, a ONU apenas nos copiou.

Mudando a mensagem, pudemos criar uma nova narrativa que promovia o direito das mulheres na Líbia, e que agora já foi replicada internacionalmente, E não estou dizendo que é fácil, podem acreditar, não é. Liberais vão dizer que você está usando religião e vão te chamar de conservador. Conservadores vão te chamar de várias coisas coloridas. Eu já ouvi de tudo, desde: "Seus pais devem estar envergonhados de você", errado, eles são meus maiores fãs, até: "Você não viverá até o seu próximo aniversário", errado novamente, porque eu vivi. E eu continuo crendo que direitos das mulheres e religião não são mutualmente excludentes. Mas nós precisamos estar à mesa. Temos que parar de desistir da nossa posição, porque continuando em silêncio nós permitimos que a perseguição e o abuso de mulheres no mundo todo continue. Quando dizemos que vamos lutar pelos direitos das mulheres e lutamos contra o extremismo com bombas e guerras, nós incapacitamos as comunidades locais, que precisam abordar estas questões, para que elas sejam sustentáveis.

Não é fácil lutar contra as distorções das mensagens religiosas. Você terá uma boa dose de insultos, ridicularizações e ameaças. Mas nós precisamos fazê-lo. Não temos outra opção a não ser evocar a mensagem dos direitos humanos, os princípios da nossa fé, não por nós, nem pelas mulheres de nossas famílias, nem pelas mulheres dessa sala, nem mesmo pelas mulheres lá fora, mas pelas sociedades que seriam transformadas com a participação das mulheres. E a única maneira de fazermos isso, nossa única opção, é estando e permanecendo à mesa.

Obrigada.


Fonte: Brasil 247

Biodiversidade: lei é instrumento contra preconceito para povos tradicionais


A Lei da Biodiversidade, apesar de tratar especificamente do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado a esse patrimônio, está servindo de instrumento de luta contra a discriminação para alguns povos e comunidades tradicionais. É o caso dos ciganos e dos povos de terreiro e de matriz africana.

A representante da Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu) de Manaus, Katy Mayara Marques, disse que os povos de terreiro sempre sofreram discriminação, que tem se agravado nos últimos tempos, inclusive com violência física. “Se eu for retirar uma planta de um terreno vazio, identificada como povo de terreiro, e um vizinho ver, ele vai tentar me impedir. Já aconteceu comigo, uma pessoa me xingou, colocou um cachorro para correr atrás de mim só porque eu era povo de terreiro. Se eu fosse sem identificação [sem as roupas tradicionais], não teria problema. Em Manaus, recentemente, um pai de santo foi assassinado só porque era povo de terreiro”, contou.

Segundo Katy, os povos de terreiro têm um conhecimento tradicional associado às ervas, o que prevê a sua proteção na Lei da Biodiversidade. Ela disse que espera a valorização cultural de forma geral, por meio dessa e de outras legislações. “Com elas [as ervas], fazemos banho, processos de purificação e medicinais, nós temos a nossa forma de utilizar cada erva. Mas batemos na tecla da discriminação porque é isso que nos ronda. Os índios, por exemplo, têm todo um apoio e nós, povo de terreiro, ainda não estamos nesse nível. Esperamos que esses espaços sejam um meio de defesa, porque estamos sendo agredidos de todas as formas, agora pior, fisicamente”.

Para o gerente de projetos do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Henry Novion, como a lei diz que o conhecimento tradicional fica protegido e é um patrimônio imaterial do povo brasileiro, ela abre a possibilidade para uma política de valorização da cultura dos povos em geral. “O caminho de entrada é o conhecimento tradicional associado, mas legitima outras ações que podem ter outras consequências. Pode haver novas legislações que tratem desse aspecto cultural, é um processo que vai se somando”, disse.

Katy e diversos representantes de povos e comunidades tradicionais e povos indígenas estiveram reunidos em uma oficina de capacitação para a regulamentação da Lei da Biodiversidade, sancionada em maio deste ano. O evento, que terminou na semana passada em Rio Branco, no Acre, é o primeiro de seis encontros regionais e um nacional que estão sendo organizados por um grupo de trabalho da Comissão Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais e conduzidos pelo Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo Maura Piemonte, cigana do segmento dos kalons, a lei vai trazer muitos benefícios para vários povos e comunidades tradicionais. Ela disse, no entanto, que não vê o povo cigano representado na nova legislação. Vamos aproveitar todas as brechas para que possamos ter um pouco de visibilidade, mas garanto que é bem difícil”.

Maura lembra que são elementos da cultura do povo cigano as benzedeiras, as raizeiras, o modo de vestir, as músicas e danças, a produção de tachos de cobre. Para ela, a legislação deveria proteger esses aspectos. “É um desafio porque a última coisa que nos sobrou, a nossa identidade, está sendo levada, a nossa cultura está pedindo socorro, ela pode se extinguir”.

De acordo com o diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Rafael Marques, quando a lei reconhece alguém como sujeito de direito, dá um mínimo de legitimidade, não só para que o sujeito exerça seus direitos, mas para defender a sua cultura. “Se o Estado ou o Congresso não faz nenhuma referência, você começa a virar um ser invisível. Eles estão deixando de ser invisíveis e isso é um primeiro passo”.

Segundo Marques, o governo tinha uma expectativa mais técnica em relação à Lei da Biodiversidade, relacionada ao patrimônio genético, um aspecto físico, e esses outros impactos sociais estão surpreendendo. “Os ciganos não foram citados [diretamente], nem os quilombolas, ribeirinhos, as quebradeiras de coco e todos eles estão na condição de povos e comunidades tradicionais. Existe ainda essa questão da identificação, de querer ver seu nome lá, mas a lei não contemplou isso. O que não quer dizer que os direitos não estão garantidos. Todos os conhecimentos tradicionais do povo cigano serão protegidos na mesma medida” disse Rafael. Na sua opinião, todos eles têm expectativas muito amplas do ponto de vista social. “Eles querem muito mais coisas do que a lei trata”, completou.

O senador Jorge Viana (PT-AC), relator do projeto no Senado, esteve presente no encerramento da oficina e disse que a discussão com a comunidade é a melhor ferramenta para que a regulamentação possa fazer um ajuste mais fino na própria lei. “Agora, temos uma lei que é referência para o mundo,. Ela tem defeitos, tem problemas, as comunidades, com razão, querem mais aperfeiçoamento. Mas acho que estamos no caminho certo”.

Segundo Viana, é uma lei complexa, que lida com interesses poderosos, como os da indústria farmacêutica, de cosméticos, química fina e de alimentos. “Mas o melhor de tudo é que estamos apontando um caminho para a biodiversidade. Todo esse patrimônio é solução para o país, pode estar na base de uma atividade industrial sustentável, da inclusão social de setores e de movimentos tradicionais que ainda se sintam excluídos. A lei é esse instrumento”.


Fonte: Agência Brasil

O que há de real por trás do mito dos Illuminati?

O homem realmente chegou à Lua? Quem assassinou o presidente americano John F. Kennedy? Como começou a pandemia global de HIV? O verdadeiro poder mundial está nas mãos de uma sociedade secreta fundada no século 18?

Alguns acreditam que as respostas para estas perguntas não estão nos livros de história e dão crédito a teorias conspiratórias que surgiram nas últimas décadas ligadas a estes e outros eventos importantes.

Com a entrada do novo século e a popularização da internet, uma destas teorias ganhou muita popularidade: a suposta existência da Ordem dos Illuminati, cuja origem remonta a uma sociedade secreta de mesmo nome criada na Alemanha no fim do século 18 e que estaria integrada aos poderes políticos e econômicos, cujo objetivo final seria estabelecer uma nova ordem mundial através de um governo global.

Em fóruns de discussão na web é comum ver internautas citarem os Illuminati para explicar muitos dos problemas atuais do planeta.

Políticos como George W. Bush ou Barack Obama, ou magnatas como George Soros, foram acusados de fazer parte desta organização. Até o papa Francisco e a rainha Elizabeth 2ª já foram apontados como membros da ordem.

Outros acreditam ser possível ver a simbologia ligada aos Illuminati em vídeos de artistas como Beyoncé, Jay-Z, Lady Gaga e Katy Perry: pentagramas, pirâmides e o famoso "olho que tudo vê" que aparece nas cédulas de dólar.

Mas, de onde veio este mito dos Illuminati e por que ainda existem pessoas que acreditam na existência de um grupo que desapareceu há mais de dois séculos?

A ordem real

A Ordem dos Illuminati foi fundada em 1776 na Baviera, Alemanha, pelo jurista Adam Weishaupt.

O objetivo desta sociedade secreta inspirada nos ideais do iluminismo e na estrutura da maçonaria, era acabar com o obscurantismo e com a forte influência que, na época, a igreja exercia sobre a esfera política.

Depois que o príncipe Karl Theodor chegou ao poder, a Ordem dos Iluminati, assim como outras sociedades secretas, foi declarada ilegal e dissolvida, em 1785.

Mas, alguns acreditam que ela continua operando na clandestinidade.

Autores como o francês Agustín Barruel (1741-1820), a britânica Nesta Helen Webster (1876-1960) ou o canadense William Guy Carr (1895-1959) vincularam a ordem com eventos como a Revolução Francesa de 1789, as Revoluções em vários países europeus de 1848, a Primeira Guerra Mundial ou a Revolução Bolchevique, de 1917.

Há até quem diga que os fundadores dos Estados Unidos eram membros da ordem e que o Federal Reserve, o banco central americano, foi criado para ajudar a cumprir os objetivos de dominação global da organização.

Nas últimas décadas, apareceram referências aos Illuminati em obras como a trilogia satírica de ficção científica The Illuminatus (1975), de Robert Shea e Robert Anton Wilson, ou Anjos e Demônios (2000), de Dan Brown, assim como nas letras de alguns artistas da cena hip hop.

Tudo isso fez com que os Illuminati se transformassem em protagonistas de várias teorias conspiratórias que se alastraram pela internet, onde é possível encontrar milhares de páginas dedicadas à ordem.

'Loucura'

"É uma loucura que hoje em dia existam pessoas que acreditem na existências dos Illuminati", disse o escritor e historiador americano Mitch Horowitz.

"Os cidadãos têm preocupações legítimas sobre como funcionam os poderes políticos e econômicos, mas, em vez de canalizar estas preocupações de forma eficaz para que haja mais transparência, alguns preferem acreditar em histórias de fantasia sobre uma organização que deixou de existir há mais de 200 anos", disse ele à BBC Mundo.

De acordo com Horowitz, "há escritores e jornalistas que contribuem com a paranoia em torno dos Illuminati e as pessoas se deixam convencer porque é interessante pensar que existe um grupo secreto que domina o mundo".

"Se estudarem o que realmente eram os Illuminati, perceberiam que se tratava de uma organização política cujos ideais estavam baseados em uma sociedade mais justa e que gostavam da iconografia relacionada com o mundo do oculto", afirmou.

Para Horowitz, devido ao mistério que tem para o público, muitos artistas gostam de usar um pouco desta iconografia em seus clipes.

"Os músicos entendem a atração e usam símbolos como o pentagrama, o obelisco ou o olho que tudo vê, mas isto não os converte em membros de uma sociedade secreta."

'Sociedades interconectadas'

Entre os que acreditam na existência dos Illuminati está o escritor americano Mark Dice, autor de um livro sobre a suposta ordem.

"Com certeza os Illuminati estão cercados de fantasias, mas quando se separa a realidade da ficção, acredito que há provas que demonstram que é um grupo real que continua existindo hoje em dia", disse o escritor à BBC Mundo.

Dice disse que, depois da dissolução em 1785, "os Illuminati continuaram operando através de várias sociedades secretas interconectadas como o Grupo de Bilderberg (conferência anual privada que reúne cerca de cem líderes políticos dos EUA e Europa) ou o Conselho de Relações Exteriores (centro de estudos baseado nos Estados Unidos)".

"Estas organizações compartilham os objetivos dos Illuminati, seus métodos de funcionamento, seus símbolos e terminologia", afirmou.

Segundo Dice eles não precisam usar o nome Illuminati pois "eles sabem quem são e o que estão fazendo".

"Nos últimos anos, o Grupo de Bilderberg foi exposto, já que com a internet não é fácil ser um grupo secreto."

Para Dice, os meios de comunicação podem ser culpados por este segredo ter ficado tanto tempo escondido.

"Como não é de interesse público que a cada ano cem das pessoas mais poderosas do planeta se reúnam em um hotel, cercados de guardas armados, para conversar sem microfones sobre como querem influir no futuro do planeta?"

O escritor garante que os Illuminati querem "criar um governo global de inspiração socialista" e "usam artistas de fama global para promover sua causa".

Dice tem centenas de milhares de seguidores no Facebook e YouTube.

Culpa da internet?

Jesse Walker, autor do livro The United States of Paranoia ("Os Estados Unidos da Paranoia", em tradução livre), afirma que a "internet foi fundamental para potencializar e propagar o fenômeno dos Illuminati".

"Hoje são vinculados com todo tipo de teorias, tanto por grupos de extrema-direita como de extrema-esquerda, que os usam segundo a própria conveniência", explicou Walker em entrevista à BBC Mundo.

O escritor disse ainda que, nos últimos anos, alguns artistas como o rapper Jay-Z incluíram pequenas referências aos Illuminati em suas aparições públicas para se divertir, alimentando ainda mais as teorias de conspiração que vinculam a ordem também à industria do entretenimento.

"Teorias de conspiração são uma parte intrínseca da psique humana. Somos criaturas que buscam padrões para dar um sentido ao mundo que nos cerca. Se há lacunas em uma história, temos que buscar explicações."

Walker lembra que há "motivos reais para medo ou ansiedade, já que, algumas vezes, algumas teorias conspiratórias se mostram certas, como no caso do escândalo das escutas da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), ou quando é revelado que algum político está recebendo subornos".

"Mas quando se combina o medo com a busca de padrões, surgem teorias como a dos Illuminati".

Mas, para o escritor, o problema é que "muitos não têm conhecimento suficiente para diferenciar o que é real do que não é".


Fonte: BBC Brasil

Ludotecas tratam crianças vítimas de violência sexual


Sara, uma garotinha de 4 anos, entra assustada e retraída na ludoteca do Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual (Viver), órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). No pequeno espaço, há brinquedos diversos, fantoches, uma casa em miniatura com os respectivos cômodos e uma família de bonecos.

Aos poucos, a menina vai relaxando e interagindo com os brinquedos e, também, com o psicólogo do serviço. Ela fixa o olhar em um dos bonecos - que no núcleo familiar ali representado exerce o papel de avô - e deixa-o no canto, separado dos demais familiares.

O psicólogo pergunta a razão de ela não querer brincar com o avô. "Ele fez maldade comigo", responde. A revelação é um dos sinais que indicam o abuso sexual sofrido.

A história de Sara é fictícia, mas situações semelhantes passaram a ser cada vez mais comuns no Viver, após a implantação da Ludoteca, inaugurada há 17 dias. Desde então, 33 crianças vítimas de violência, uma média de duas por dia, já foram atendidas no local.

"Diferentemente dos adultos, as crianças, normalmente, não verbalizam o abuso sexual sofrido. Muitas vezes, nem se dão conta de que foi uma violência. Todos estes recursos lúdicos e pedagógicos existentes na ludoteca ajudam as vítimas a se expressar e a interpretar o que lhes teria acontecido", explica o psicólogo do serviço, Wilker França.

Meninas

De acordo com a coordenadora do Viver, Dayse Dantas, 300 pessoas foram atendidas no Serviço entre janeiro e o dia 26 de agosto deste ano. Destas, 252 eram crianças ou adolescentes. A maioria das crianças atendidas tem entre 3 e 9 anos e é do sexo feminino. Já os meninos, entre 5 e 7 anos. O Viver foi criado em 2001.

"Cerca de 70% dos casos encaminhados ao Serviço são relacionados a menores de idade e, pelo menos 90% das ocorrências de violência contra a criança e a mulher, acontecem dentro da própria residência", ressalta Dayse.

Talvez isso explique, em parte, o fato de os responsáveis pelas crianças que sofreram violência resistirem em conceder entrevista ou serem identificadas nessa reportagem.

Doação

A ludoteca do Viver foi doada pelo Instituto Sabin, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), vinculada aos Laboratórios Sabin.

O Instituto criou o Projeto Ludoteca e, desde 2008, financia a implantação desses espaços em diversos estados do país, com o apoio das prefeituras e do governo estadual. O custo médio do Sabin é de R$ 10 mil.

"O nosso objetivo é o de promover uma melhoria nos atendimentos realizados na rede pública voltados a crianças e adolescentes em situação de violência, maus tratos ou negligência", explica o gerente executivo da instituição, Fábio Deboni.

Além do Viver, outros quatro equipamentos do gênero foram implantados em órgãos públicos da Bahia. Um no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), em Barreiras; e três em Salvador, no Hospital Martagão Gesteira, no Tororó; na 2ª Vara da Violência Doméstica e Familiar do Fórum Regional do Imbuí; e no Serviço de Apoio e Orientação Familiar, ambos vinculado ao Tribunal de Justiça da Bahia.

A previsão é de que, em setembro, uma outra unidade seja inaugurada na capital baiana. A ludoteca funcionará na sede da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), órgão ligado ao Tribunal de Justiça.

Disque 100 recebe denúncias de crimes ocorridos no país 
O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. 
Por meio da discagem telefônica para o número 100, o usuário pode denunciar diversas formas de violência perpetrada contra crianças e adolescentes. 
O serviço também permite colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – nesse caso independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os conselhos tutelares. 
O serviço federal funciona diariamente, das 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. 
Todas as denúncias recebidas pelos atendentes são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, em um prazo de 24 horas. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo. 
A quem recorrer 
Em caso de suspeita de violência sexual contra crianças e adolescentes, o cidadão pode recorrer ao conselho tutelar, órgão criado para zelar pelo cumprimento dos direitos infanto-juvenis.
A ele cabe receber a notificação e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for confirmado o fato, o conselho deve levar a situação ao conhecimento do Ministério Público.
Em município onde não há conselhos tutelares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias.
Outros órgãos que também estão preparados para ajudar são as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e as Delegacias da Mulher.
Romper o silêncio
Na página que mantém na internet, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil registra que “é preciso romper com o pacto de silêncio que encobre as situações de abuso e exploração contra crianças e adolescentes. Não se pode ter medo de denunciar. Essa é a única forma de ajudar esses meninos e meninas”.

Fonte: A Tarde

Stephen Hawking diz que buracos negros podem levar a universo paralelo


Supõe-se que seria uma viagem só de ida, mas em uma nova reviravolta nas explicações sobre o que ocorreria quando se "cai" em um buraco negro, o físico britânico Stephen Hawking afirmou que viajantes espaciais poderiam terminar em outro universo.

"Se cair em um buraco negro, não se renda", disse Hawking em uma entrevista coletiva em Estocolmo, na Suécia. "Há uma saída."

Hawking afirmou ainda que se o buraco fosse suficiente grande e estivesse girando, poderia ter uma passagem a um universo alternativo.

O famoso cientista considera que os objetos podem acabar armazenados sobre os limites de um buraco negro, região conhecida como horizonte de eventos. São as fronteiras do espaço a partir das quais supostamente nenhuma partícula pode sair, incluindo a luz.

Assegurando que essas estruturas não seriam um poço tão escuro como se pensa, Hawkins indicou que os humanos não desapareceriam ao cair em um buraco negro, mas permaneceriam como um "holograma" na margem ou "cairiam em outro lugar".

Mistério prolongado

Os buracos negros são fenômenos cósmicos que se originam quando uma estrela colapsa. O restante de sua matéria fica limitado a uma pequena região, que logo dá lugar a um imenso campo gravitacional.

Por muito tempo se pensou que nada poderia escapar de sua gravidade, nem sequer a luz.

Em 1974, Hawking descreveu como os buracos negros emitiriam radiação, algo que com o tempo passou a ser conhecido como "radiação de Hawking", ideia com a qual muitos físicos concordam hoje em dia.

Ele, contudo, também apontou inicialmente que a radiação emitida por um buraco negro acabaria evaporando e todas as informações sobre cada partícula despareceriam para sempre.

Em 2004, Hawking surpreendeu o mundo com um novo estudo, denominado O Paradoxo da Informação em Buracos Negros, em que mudava sua própria versão: em vez de absorver tudo, os buracos negros permitem que certas radiações escapem.

Deste modo, um buraco negro deixaria de ser o poço infinito que destrói tudo o que cai nele, e sua fronteira não estaria tão definida como se pensava.

Viagem 'sem volta'

En 2012, enquanto buscavam esclarecer se a informação desaparece para sempre dentro de um buraco negro, John Polchinski e outros físicos já haviam descoberto que outro destino é possível.

Mas acrescentaram que o horizonte de eventos se converte em uma barreira antifogo gigante que incinera o que passar por ele.

À medida que você se aproximasse do buraco, a diferença de gravidade entre seus pés e a sua cabeça aumentaria cada vez mais, e em algum momento você se partiria em dois. E logo a força de maré, como se denomina essa atração, desgarraria cada célula, molécula e átomo de seu corpo.

Muitos físicos não gostaram dessa ideia. Segundo um dos princípios da relatividade de Einstein, uma pessoa que cruzasse o horizonte de eventos não deveria sentir nada diferente, apenas flutuaria no espaço.

A barreira antifogo, portanto, deixaria vulnerável o "princípio de equivalência", uma regra muito respeitada, daí a resistência dos físicos a descartá-la.

De toda maneira, para verificar o que ocorre em um buraco negro você provavelmente teria que viajar ao interior de um deles.

E o próprio Hawking não é candidato a essa jornada.

"(Após entrar em um buraco negro) Não poderia voltar ao nosso universo, de modo que, ainda que esteja interessado em viajar ao espaço, não vou tentar."


Fonte: BBC Brasil

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