domingo, 25 de outubro de 2015

Governo lança edital para projetos de inclusão social de pessoas com deficiência e idosos


O governo federal, por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia, lançou o edital Viver Sem Limite, voltado a projetos para inclusão social de pessoas com deficiência, idosas e com mobilidade reduzida. A chamada, que conta com recursos no valor de R$ 25 milhões, atende às diretrizes do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite, que reúne ações de 15 ministérios sob coordenação da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Leia aqui o edital

O objetivo do edital é apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação que promovam independência, autonomia, inclusão social e melhoria da qualidade de vida para pessoas com deficiência, idosas e com mobilidade reduzida.

A chamada é voltada para Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs), com possibilidade de parceria com empresas. Os valores dos projetos podem variar de R$ 500 mil a R$ 4 milhões. As inscrições podem ser feitas até o dia 9/11 por meio do site da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

As propostas ao edital deverão priorizar o desenvolvimento de dispositivos, equipamentos, recursos, produtos, processos, estratégias, práticas, métodos, técnicas, metodologias e serviços enquadrados nos seguintes temas:

- Tecnologia Assistiva: recursos de acessibilidade ao computador, órteses e próteses, auxílios de mobilidade, adaptações em veículos e em ambientes de acesso ao veículo, esporte e lazer, entre outros;
- Acessibilidade;
- Educação inclusiva, incluindo o transporte escolar;
- Capacitação e qualificação profissional, bem como adequação dos postos de trabalho;
- Atenção à saúde, em especial aos serviços de habilitação e reabilitação;
- Prevenção das causas das deficiências;
- Turismo e cultura.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Semana Universitária UnB 2015 - O desafio da formação cidadã


Um período para aprender e compartilhar experiências, contemplando todas as áreas de conhecimento nos quatro campi da Universidade de Brasília. De 27 a 31 de outubro, estudantes, servidores e comunidade podem conferir as 291 atividades que compõem a Semana Universitária.

Os interessados precisam se inscrever para participar das exposições, palestras, mesas-redondas, seminários, congressos e oficinas. As vagas são limitadas, e os eventos gratuitos e abertos ao público.



A iniciativa tem por objetivo divulgar a produção acadêmica, cultural, tecnológica e artística da Universidade e promover a troca de conhecimento e saberes com a comunidade externa.

O tema da Semana Universitária deste ano, O desafio da formação cidadã, reforça a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As ações contemplam as áreas de comunicação, cultura, educação, meio ambiente, saúde, direitos humanos e justiça, trabalho, tecnologia e produção.

Serviço

Semana Universitária UnB 2015 - O desafio da formação cidadã
Informações - 3107-0315/ 0316/ 0317/ 0318/ 0319/ 0326 e 0330
Email: semanaunb@unb.br
Decanato de Extensão, no prédio da Reitoria


Fonte: Universidade de Brasília - UnB

10 escolas brasileiras que se propõem a formar sujeitos transformadores


O mundo está mudando mais rápido do que nunca. Os problemas estão cada vez mais complexos e, para lidar com eles, precisamos de pessoas empáticas e protagonistas. O que a escola tem a ver com isso?

Algumas escolas têm respondido e essa pergunta com ideias inovadoras e soluções criativas. Além de transmitir conhecimentos acadêmicos, elas se preocupam em formar sujeitos ativos, capazes de atuar no mundo de maneira criativa e sensível e oferecem aos seus educandos uma formação que valoriza o desenvolvimento de habilidades e competências transformadoras.

A Ashoka e o Instituto Alana aceitaram o desafio de buscar, apoiar e conectar escolas de todo o país que estão criando esse caminho rumo a uma educação verdadeiramente transformadora. Juntas, as instituições percorreram o Brasil e reconheceram as primeiras dez escolas para fazerem parte da rede Escolas Transformadoras.

Na última quarta-feira (16) um encontro em São Paulo apresentou as escolas reconhecidas. Além disso, recebeu a criadora do projeto Design for Change, a indiana Kiran Bir Sethi, como convidada especial e palestrante. “Idade não tem nada a ver com competência”, afirmou em uma de suas falas.

Conheça as escolas brasileiras reconhecidas até agora

Escola Municipal Anne Frank - Belo Horizonte (MG)


A Escola Municipal Anne Frank está localizada no bairro Confisco, comunidade de alta vulnerabilidade social no região da Pampulha em Belo Horizonte (MG). O terreno foi doado pelo médico pediatra Marx Golgher que, por sua origem judaica, deu à escola o nome de Anne Frank. A curiosidade dos alunos sobre a origem do nome culminou na criação, em 2008, do Projeto Anne Frank Viva, que contempla pesquisa ativa sobre a história da família Golgher e estudo sistematizado sobre o holocausto. A partir destas pesquisas, as crianças são apresentadas às questões de justiça, igualdade, respeito, diversidade étnica e cultural e direitos humanos.

Por meio do projeto, os alunos aproximam-se da história de vida de Anne Frank, inspirando-se e transpondo muitas das vivências da pequena menina judia para as particularidades de seus cotidianos, muitas vezes marcados por relações de conflito e violência. A escola posiciona-se claramente como um polo de construção de uma cultura de paz, que engloba relações além-muros. A comunidade escolar construiu, na praça em frente à escola, o Bosque da Paz, onde acontecem, mensalmente, eventos e festas da escola, como a Festa Junina. Esta ocupação do espaço público é entendida como fundamental dentro do programa político-pedagógico da escola, pois amplia o repertório e as vivências dos alunos, além de contribuir para que o lazer e o conhecimento tomem conta do espaço, combatendo a violência local.

Escola Municipal Professor Paulo Freire - Belo Horizonte (MG)

A Escola Municipal Professor Paulo Freire nasceu em 2001, no bairro Ribeiro de Abreu, na periferia de Belo Horizonte (MG). Pela carência de oportunidades, muitas crianças da comunidade viam-se excluídas da educação básica e vulneráveis à violência. O sonho de ver um espaço de formação às crianças e jovens mobilizou lideranças locais e, após empenho de diferentes atores, nasceu a escola, assumindo como identidade o nome do mestre homenageado e a visão de Educação Popular. O poder de articulação, que possibilitou a criação da escola, se tornou uma marca expressiva no programa político-pedagógico adotado.

Há uma aposta permanente no acolhimento e respeito ao outro e na valorização da escola como ambiente democrático, produzido e cuidado por todos. O prédio conta com sala audiovisual, biblioteca, informática, laboratório, quadra poliesportiva e horta e todos são responsáveis por sua manutenção. Desde a fundação, a escola é aberta à comunidade. Nos finais de semana funciona como um espaço social e cultural para receber as famílias, estreitando laços e favorecendo a apropriação e o empoderamento da escola pelas crianças e jovens.

Escola Comunitária Luíza Mahin - Salvador (BA)

A Escola Comunitária Luíza Mahin nasceu em 1990 a partir de uma iniciativa da Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia (BA) e tem em seu nome forte representação e valorização da cultura afro-brasileira. Luiza Mahin se tornou símbolo de luta e resistência negra, configurando um mito para a população afrodescendente. Sem documentos ou quaisquer registros materiais que atestem sua existência, ela entrou para a História pela escrita do filho, o poeta e precursor do abolicionismo no Brasil, Luiz Gama. Mas não é apenas o nome da escola que valoriza a cultura negra. Frente às desigualdades raciais, a equipe trabalha para diminuir as diferenças de oportunidades e conectar os alunos, majoritariamente afrodescendentes, às suas raízes e histórias, colocando-os como centro do processo de aprendizagem. Por sua natureza comunitária, a escola é permeada por relações colaborativas, tanto nas dinâmicas cotidianas, como na própria sustentabilidade financeira da instituição. Durante seus dois primeiros anos de existência, a escola se manteve com recursos próprios, muitas vezes oriundos da arrecadação direta da própria comunidade. A partir de 1992, passou a contar com o recurso financeiro fruto de parcerias e doações.

Pautada na metodologia de alfabetização de Paulo Freire e Emilia Ferreiro, a escola trabalha para aumentar os níveis de alfabetização de jovens e adultos da Península de Itapagipe, para diversificar as oportunidades de formação profissional continuada, e para aumentar o acesso de mais crianças dessa região ao Ensino Fundamental e a Educação Infantil.

Escola Vila - Fortaleza (CE)

A Escola Vila tem como seu principal objetivo trabalhar os valores humanos, a consciência ecológica e a cidadania, para que seus alunos possam, com suas atitudes, assumir a responsabilidade e o compromisso com a busca de alternativas para a melhoria da qualidade da vida no planeta Terra. A escola se preocupa em trabalhar as emoções e os sentimentos das crianças, especialmente com atividades expressivas e artísticas, como aulas de música, teatro, artesanato e artes plásticas e também por meio de trabalhos de consciência corporal e meditação.

A consciência ecológica também é desenvolvida, por meio de vivências na Farmácia Viva, Horta, Fauna, Pomar, Jardim, e estudos sobre saúde e alimentação, tecnologias alternativas e manutenção. Essas atividades acontecem como aplicação dos conteúdos curriculares e sempre integradas a eles. A escola oportuniza ainda a vivência de hábitos de vida mais saudáveis por meio de refeições com alimentos in natura, refeições não industrializadas, preparações de fabricação própria, e (das) dinâmicas nutritivas e avaliação nutricional.

Escola Rural Dendê da Serra - Serra Grande (BA)

Fundada em 2011 por um grupo de pais e professores, a Associação Pedagógica Dendê da Serra concretizou o sonho de uma escola Waldorf adaptada à realidade local. Atualmente, a escola atende, em sua maioria, alunos provindos de baixa renda da vila e da zona rural, no Município de Serra Grande, em Uruçuça, na Bahia. A escola está mergulhada em valores como cooperação e empatia e traduz-se por uma pedagogia holística, que se debruça em bases antroposóficas, tendo em vista a evolução física, emocional e espiritual do ser humano. Privilegiam e promovem o trabalho em equipe, para que os alunos exercitem o respeito frente à diversidade, valorizem as potencialidades de cada um e troquem experiências, favorecendo um ambiente enriquecedor. O trabalho conjunto é evidenciado desde a organização dos funcionários da escola, corpo docente, pais e membros da comunidade para garantir o funcionamento da associação até as atividades desenvolvidas em sala de aula.

A escola Dendê da Serra integra crianças de classes sociais diferentes. Cerca de metade dos alunos são da comunidade e recebem uma bolsa integral. A associação, desta forma, a fim de garantir o ensino a todos e promover a integração social, recebe parte do investimento de agentes financiadores (doação de empresas) e parte de um sistema de apadrinhamento de crianças, no qual membros da sociedade civil podem custear parcial ou integralmente a formação de determinados alunos.

EMEF Desembargador Amorim Lima - São Paulo (SP)

A escola tem um longo histórico de lutas e transformações na pedagogia e na sua estrutura física desde a entrada da diretora Ana Elisa Siqueira em 1996, com participação ativa da comunidade de pais e a colaboração de pesquisadores voluntários. Em 2003 iniciaram o processo de maior transformação na pedagogia da escola, derrubando as paredes das salas de aula e formando grandes salões de aprendizagem. O principal diferencial da escola segundo os alunos é a grande liberdade e autonomia que possuem para aprender no seu ritmo e de acordo com seus interesses. Uma vez que não há salas de aulas com um professor e alunos em carteiras enfileiradas, professores e alunos estão a todo tempo convivendo e trabalhando em equipe.

Os conflitos na escola não são velados, todos tem bastante espaço para colocar suas opiniões e fazer críticas, apesar disso a empatia é a base das relações entre todos na escola e há bastante afetividade e respeito presentes nas relações. O surgimento de líderes democráticos entre alunos, pais e professores na escola é bastante natural, e eles tem abertura para liderar iniciativas com apoio da gestão da escola. Os alunos demonstram protagonismo, conduzindo seu processo de aprendizagem e avaliação, participando da gestão da escola, fazendo críticas com liberdade e propondo iniciativas. Toda gestão da escola acontece com a participação efetiva de pais e alunos que participam em diferentes instâncias no cotidiano da escola.

Escolas Amigos do Verde - Porto Alegre (RS)

Um recanto verde em meio à vida agitada de Porto Alegre. Ao adentrar a Escola Amigos do Verde, podemos ver crianças brincando em meio à natureza, em diversos espaços abertos, numa área de proteção ambiental de 3000m2. A Escola tem como missão proporcionar a aprendizagem integral do indivíduo dentro de uma visão ecológica de sustentabilidade. Busca acolher a diversidade, respeitando as particularidades e a riqueza inerentes a cada um. Todas as atividades curriculares são desenvolvidas e integradas às atividades de auto(eco)conhecimento (expansão da consciência) como massagens, relaxamentos, danças circulares e rodas de harmonização.

Plantar, alimentar animais, colher frutas, produzir papel reciclado, separar o lixo e reutilizar materiais são exemplos de atividades agroecológicas vivenciadas diariamente, proporcionando qualidade de vida e aprendizagens significativas, sempre por meio da experiência. O currículo é transdisciplinar: por meio de projetos de estudos definidos por consenso, se fortalece o desejo de aprender, com significado para a vida, não objetivando somente provas e avaliações específicas. Ao invés do protecionismo, a escola trabalha a autonomia e respeita a forma de organização de cada criança.

EMEF Acliméa Nascimento - Teresópolis (RJ)

Atualmente a escola atende a 250 crianças oriundas predominantemente de famílias das classes D e E. Em função do contexto social, a escola tem como foco a educação integral das crianças e famílias e um olhar intersetorial, envolvendo profissionais e parceiros da área da saúde, assistência social, entre outros. A escola é de Ensino Fundamental I, ciclo I (1º ao 4º ano) e funciona em período integral. É a primeira escola do município a implantar o Programa Mais Educação, promovendo um diálogo entre as oficinas de múltiplas linguagens do e o currículo oficial, criando assim um modelo estratégico para integrar os currículos e propostas, de modo a atender as necessidades dos alunos e da comunidade.

A proposta pedagógica da escola é pautada nos Projetos de Trabalho que também define sua missão: “garantir a aprendizagem de qualidade para todos os alunos, por meio de uma metodologia que promova a formação reflexiva, crítica e autônoma do aluno”. O fato de o currículo ser aberto exige criatividade, curiosidade e pesquisa por parte dos alunos e professores, potencializando a escola como um espaço de aprendizagem para todos.

Colégio Equipe - São Paulo (SP)

A escola define sua maneira de trabalhar como Metodologia Problematizadora de Ensino, muito inovadora no momento em que apareceu como alternativa de ensino democrático nos final dos anos 60, no momento mais duro da ditadura militar. Ela foi um verdadeiro pólo de resistência cultural, aberta a shows e exposições de artistas que eram proibidos na época. Até hoje essa tradição se mantém e o Colégio Equipe é referência em formação política e intelectual. Todo o enfoque da escola é para criar experiências de espaço público na comunidade escolar, deixando que a escola seja o espaço da criança e do adolescente. Ela preconiza a empatia e o trabalho em equipe de modo transversal.

Os atuais “equipanos” podem fazer trabalho voluntário às segundas e terças-feiras, com projetos como leituras e atividades lúdicas para pacientes infantis. Também participam de viagens de estudo do meio que incluem visitas a usinas na poluída Cubatão e a plantios em Ribeirão Preto, no interior paulista, onde entrevistam cortadores de cana. No último ano do Ensino Médio, podem escolher como aulas extracurriculares cursos como “História e Cinema” e “Religião e Ideologia”, além de terem de produzir uma monografia. Não por acaso, existe uma tendência de seus ex-alunos trabalharem em áreas sociais, educacionais e estarem envolvidos em movimentos de transformação social.

Colégio Viver

A escola está localizada em uma grande área verde, afastada da cidade, o que garante a diversidade e riqueza de sua proposta. Situada em Cotia, na Granja Caiapiá, o Colégio entende que sua participação no desenvolvimento dos alunos consiste em mediar a relação da criança com o conhecimento, permitindo o desenvolvimento pessoal de processos lógicos, de habilidades (cognitivas, sociais e afetivas), de valores e de atitudes. Os alunos contam com ambiente intelectualmente desafiador e emocionalmente seguro, com atenção individualizada e espaço para participação nas decisões. A escola trabalha por projeto desde 1998, quando apostaram na capacidade das crianças se apropriarem da ação e do conhecimento através da escolha, participando da elaboração do planejamento de seus projetos desde os seis anos. Nestas assembléias, os alunos discutem juntamente com os gestores uma pauta comum, acordada coletivamente. Nesses momentos, exercitam o reconhecimento e o respeito às diferenças e a capacidade de discurso e escuta de acordo com as opiniões diversas. A escolha do tema/assunto/objeto/projeto é absolutamente livre, para que o aluno se dedique àquilo que realmente deseja, quer, gosta, se interessa e/ou faça sentido em seu processo de aprendizagem. Assim como o currículo tem participação direta dos estudantes, a escola entende o processo de avaliação de forma compartilhada e processual. Cada aluno mantém um portfólio e realiza sua própria auto-avaliação. Paralelamente, cada estudante elege um professor–tutor, que irá acompanhá-lo na condução da sua aprendizagem, dificuldades acadêmicas e projetos de vida.


Fonte: Catraca Livre

MasterChef Brasil Júnior e a sexualização de crianças e adolescentes


Com emissoras apostando cada vez mais em programas de baixa qualidade, focados no sensacionalismo na luta acirrada por audiência, a Band mandou muito bem em seu mais novo reality show: MasterChef Brasil Júnior. Sim, atrações com criança tendem a não ser lá muito legal, então temos ai uma exceção à regra. Pelo que foi possível conferir no primeiro episódio, lançado na terça-feira (20), todos os concorrentes estão confortáveis em integrar o programa, suas manobras entre facas e fogão são supervisionadas, seus pais acompanham as provas e a equipe de jurados, composta por Paola Carosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, tem pegado leve nas avaliações dos pequenos cozinheiros.

Já na estreia, com quase duas horas de transmissão, o público certamente se emocionou com o desempenho dos pequenos na execução das provas, surpreendeu-se com a apresentação dos pratos muito bem preparados e conferiu momentos impagáveis, muita ternura (de todos os envolvidos) e boas lições de generosidade – no tratamento do júri com os concorrentes e dos participantes entre si. Eis um bom programa para se assistir em família, por assim dizer.

Em sua abertura, MasterChef Brasil Júnior atingiu pico de 7 pontos de audiência, rendendo à Band o segundo lugar no IBOPE por alguns minutos. Apesar do sucesso, nem tudo são flores. Assim como as duas edições anteriores, voltada aos adultos, a versão infantil do reality também liderou os trending topics do Twitter. Alguns comentários, porém, de extremo mau gosto. Como abominamos essas atitudes e não queremos expor as crianças envolvidas, explicaremos os fatos sem identificar seus nomes.

Alguns concorrentes meninos, que sequer iniciaram a vida sexual, Oganharam rótulos sexualizados, sendo apontados como homossexuaispelos internautas, em infelizes comentários como ‘Aloka’, ‘Criança Viada’ e ‘É de Humanas’ taggeados às suas contas no Twitter.

Outra participante, ao invés de ser vítima de bullying, foi atingida por comentários que insinuam pedofilia, endossando que ‘dependia da criança’, ‘que naquela idade já aprontava’ e afins. A menina de apenas 12 anos teve uma fanpage criada por um ‘admirador’, conquistou mais de 150 likes e graças às denúncias dos internautas já saiu do ar.

Em seu about, o administrador declarava que ‘todos nós sonhamos em casar com uma mulher desse tipo’. A página ainda expôs fotos da menina e criticou esquerdistas, feministas e gays, além de se isentar das acusações dos ‘moralistas’ que se opuseram ao conteúdo publicado.

O blog ‘Foco Cristão’ também saiu em defesa dos agressores, justificando as insinuações da seguinte maneira: ‘Ela é uma mulher de 12 anos de idade. Os moralistas odiadores do sexo nada sabem sobre biologia. Ela deve ser considerada adulta a partir do momento da menstruação. Já está na idade até de ter filhos, claro que vai atiçar o desejo dos homens. Logo, ela tem que ser ‘gostosa’ para atrair os machos e assim ser fecundada para gerar a prole”.

O site deixa ainda um recado aos pais da garota: “Relaxem! Vocês já foram adolescentes, sabem que a sexualidade aflorar é normal. Não deixem que medos, inseguranças e a histeria dos moralistas abalem vocês e atrapalhem a vida da jovem”.

Em depoimento à imprensa, o pai da menina declarou que já previa o assédio e por isso havia chamado uma pessoa especialmente para cuidar da conta do Twitter de sua filha. O que ele não imaginava, todavia, eram os tarados sem noção, que chegaram até a pedir que a menina enviasse fotos nuas. O genitor garantiu, porém, que a jovem está blindada contra esses pedidos e que, por ora, não irá acional judicialmente ninguém.

A Band também se pronunciou, advertindo que a atração conta com psicólogos à disposição para orientações aos participantes e demonstrou repúdio aos comentários sexuais em relação aos concorrentes: “O foco do programa é o talento das crianças, e nem de longe há qualquer provocação a esse tipo de estímulo”.

Assunto encerrado, então? De forma alguma. Talvez não fosse nem de longe a intenção, mas o MasterChef Brasil Júnior está ai para mostrar – finalmente – um papel muito importante que a televisão tem na comunicação e informações fornecidas aos expectadores. Tendo como segunda tela a internet, que aumenta a visibilidade do programa, abrindo espaço para debater temas polêmicos, considerados tabus, e que não são abordados de maneira consolidada na telinha.

Este reality show é uma grande oportunidade para realizarmos uma série de mudanças em nossas vidas e, por consequência, na sociedade. Aos pais, um bom argumento para conversar com seus filhos sobre a pedofilia. É comum que muitos pais não toquem no assunto querendo ‘proteger’ a prole de algo tão cruel, mas, curiosamente, é na infância que esses abusos acontecem e se os pequenos são alertados sobre tal possibilidade, provavelmente terão mais facilidade em compreender situações de risco e poderem conversa abertamente com seus pais caso sejam vítimas de pedófilos.

Ainda falando sobre pais e filhos, o bullying também pode ser conversado. Afinal de contas, não são apenas os participantes do programa que sofrem com acusações do gênero. Todas as crianças são suscetíveis e geralmente têm de lidar sozinhas com os assédios – especialmente os virtuais. As crianças de hoje são internautas e estão presentes nas redes sociais. E o que elas precisam não é serem banidas e monitoradas apenas. Elas precisam ser instruídas por seus pais sobre o domínio de seus corpos e seus limites. Elas precisam saber que têm o apoio de seus familiares para passar por essas situações desconfortáveis e mostrarem que, apesar de pouca idade, têm voz.

Se o pai da pequena futura chef opta por não recorrer à Justiça, isso não significa que você não possa fazer o mesmo. Muito pelo contrário, quanto mais pessoas se unirem nas denúncias desses comentários, maior a chance de tirá-los do anonimato proporcionado pela internet e fazer com que seresponsabilizem pelos seus feitos.

Primeiramente, vale ressaltar que pedofilia (atração sexual por crianças) é considerada uma doença e não um crime. O Código Penal brasileiro, porém, tipifica toda relação com menores de 14 anos como estupro, como está expresso no artigo 217-A – e a pena prevista é de oito a quinze anos de detenção.

Ou seja, neste caso, os autores dessas publicações não podem ser considerados como criminosos, mas podem ser investigados e denunciados, tendo de responder por apologia ao crime, estímulo à pedofilia e injúria.

O que você pode fazer para ajudar? Printar cada comentário, relacionar seu link e anotar o horário da publicação para levar os dados coletados aoDepartamento de Polícia mais próximo. As denúncias também podem ser feitas online, através deste site ou do site do SaferNet.

Caso se depare com outra fanpage do gênero, clique em reticências e depois em ‘denunciar página’ para que os administradores do Facebookpossam avaliar o conteúdo e tomar as devidas providências.

O artigo 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente informa que aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso dá pena de um a três anos de reclusão mais multa. Sendo assim, os donos dos perfis@andreemuniiz, @Kemper_guedes, @luantipatico e @victorHrentschlpodem – e devem – ser responsabilizados por suas publicações.

Além disso, qualquer criança e adolescente ofendido com esses comentários ou com outros que se destinem a sua pessoa podem procurar a Delegacia de Proteção à Criança Vítima de Violência, representados por seus pais, ou levar o caso ao conhecimento do Ministério Público.


Fonte: Portal A Coisa Toda

Relatório da ONU mostra que mulheres vivem mais e têm mais acesso à educação nos últimos 20 anos


Segundo relatório Mulheres do Mundo 2015 publicado pela Divisão de Estatística do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas na terça-feira (20), os impactos da desigualdade entre homens e mulheres diminuíram nos últimos 20 anos, mas dados apontaram para a violência e discriminação de gênero.

De acordo com estudo, a expectativa de vida das mulheres aumentou, alcançando a média mundial de 72 anos, enquanto a dos homens é de 68. O número de mortes durante o parto reduziu 45% entre 1990 e 2013. A quantidade de meninas que se casam precocemente também apresentou queda, refletindo o maior acesso à educação por parte das mulheres.

No entanto, o relatório mostra que mais de uma em cada três mulheres foi vítima de violência física ou sexual. Mais mulheres têm prestado queixa contra casos de violência, mas 60% das vítimas não registram os crimes.

Mulheres se concentram em trabalhos que pagam menos e ganham em média 70% a 90% do valor do salário dos homens. Devido às divisões de trabalho pago e não pago, em muitos países, mulheres não alcançaram a independência financeira.

Lançado após a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o documento ressalta a necessidade de alcançar a igualdade de gênero proposta no objetivo 5 da Agenda 2030.

Veja o relatório na íntegra aqui.


Fonte: ONU

O dramático testemunho da mulher que gravou aborto espontâneo para estimular debate


"Estou farta. Não quero mais ficar grávida", diz, entre lágrimas, Lisa Francesca Nand, pouco depois de saber que havia sofrido outro aborto espontâneo. Seu quinto.

"Estou grávida, mas não estou. Somente quero voltar a ser normal", acrescenta, olhando para a câmera.

Nand decidiu registrar em vídeo, como parte de um documentário, First Heartbeat (Primeiro Batimento Cardíaco, em inglês), sua reação durante o processo do aborto espontâneo. Segundo ela, para questionar o que chama de "clima de segredo" em torno de um problema que afeta mais famílias do que se imagina.

Tabu

Falar sobre a perda de um bebê segue sendo um tabu cultural em muitas sociedades.

"Comecei a gravar o documentário porque ninguém quer falar sobre isso. Quero que as pessoas saibam que não são as únicas a passar por essa dor, que não estão sozinhas".

Segundo a ONG Associação Britânica de Abortos Espontâneos, um em cada quatro casos de gravidez termina em aborto espontâneo.

"Um dia estava grávida e fazia planos para o futuro, pensando em me tornar uma mãe. De repente, em uma questão de horas, isso já não iria acontecer mais. É desesperador", explica Nand.

A mulher conta que, em um dos abortos que sofreu, voltou para casa com o feto ainda em seu ventre.

"Tive que viver uma semana com o bebê morto dentro de mim até que saísse. Depois, sangrei por pelo menos mais seis semanas".

Para muitas mulheres que passam pela condição, um outro trauma é a visão do feto fora do corpo, seja em casa ou no hospital.

Além disso, o organismo feminino pode seguir "pensando" estar grávido por várias semanas depois de um aborto espontâneo.

Sintomas de gravidez, como a barriga inchada, podem persistir mesmo depois de o feto ter saído do corpo da mãe.

Em um das cenas de First Heartbeat, o marido de Nand, David fala emocionado de sua espera do lado de fora da sala de cirurgia em um dos abortos sofridos pela mulher. Admite que não teve coragem de acompanhá-la.

Mas qual é a razão de tanto segredo em torno dos abortos espontâneos? Segundo Ruth Bender Atik, diretora da Associação Britânica de Aborto Espontâneo, o motivo é a prática vigente em muitos países de não anunciar a gravidez antes do terceiro mês de gestação.

A possibilidade de um aborto espontâneo diminui notavelmente depois do período de 12 semanas.

"A maioria deles ocorre nos primeiros três meses. Se as pessoas não revelam que estão grávidas, elas lamentavelmente não vão receber apoio se sofrerem um aborto espontâneo", diz Bender.

As razões pelas quais os abortos ocorrem ainda não são totalmente conhecidas, o que faz com que muitas mulheres se culpem pelo ocorrido.

Charlie Jones, jornalista da BBC, sofreu um aborto espontâneo que manteve em segredo durante meses.

"Voltei a trabalhar imediatamente, pois meus colegas de trabalho não sabiam que estava grávida. Passei por um processo de culpa: achei que poderia ser resultado de minhas jornadas de trabalho, ou do copo de rum que tomei durante as férias, quando não sabia da gravidez", conta Jones.

Mas Lisa Francesca Nand teve uma reviravolta feliz: em 2012, ela deu à luz a Sebastian. Dois anos mais tarde, depois de novo aborto espontâneo, nasceu Elliot.


Fonte: BBC Brasil

Artigo - Homens: leiamos e reflitamos sobre #primeiroassedio


Por: Zuni - Plínio

Aconselho todos os homens a pararem de fazer qualquer coisa que estejam fazendo e lerem os depoimentos da hashtag #primeiroassedio. Não comentem as postagens, não tentem demostrar o quanto são diferentes dos estupradores e pedófilos, apenas leiam, reflitam e leiam outra vez.

Não importa se você tem certeza de que nunca assediou uma mulher, pare, leia, respire e pense nos pontos que te aproximam de estupradores e pedófilos. Leia os depoimentos dessas dezenas de milhares de mulheres e, se você se sentir mal, se o estômago doer, se a garganta apertar e você sentir um impulso gigantesco de justificar que você não é um desses caras, entanda, parte disso pode ser empatia, mas boa parte também é culpa, porque mesmo que você nunca tenha sido um estuprador, todos nós aprendemos o passo a passo pra agredir, dominar e silenciar mulheres. Todos nós, homens, temos responsabilidade pelas violências relatadas por essas mulheres, porque todos nós reproduzimos, em alguma instância, comportamentos abusivos. Alguns tipos de abuso são mais sutis e dificeis de perceber do que outros, mas acredite em mim, eles estão lá, e só dando ouvidos às vozes que aprendemos a ignorar será possível perceber quem somos e o que fazemos.

Quando você, colega homem, ler depoimentos sobre meninas que disseram "não" e foram forçadas a algo, lembrem de todas as vezes que nós repetimos que "dizer não é charminho" numa conversa de bar. Quando lerem depoimentos sobre homens que seguem mulheres nas ruas, lambem os lábios e assobiam, lembrem-se de todas as histórias que nos ensinaram a sermos "homens de verdade" imitando lobos. Cada vez que ler um depoimento sobre uma mulher que é chamada de vadia, vaca e vagabunda desde a infância, lembre-se de toda vez que riu de um amgo chamando uma mulher de vaca, vadia e vagabunda. Leia, e sinta culpa pelo que você fez, e sinta responsabilidade pelo que seus amigos, colegas, parentes, políticos, líderes religiosos e ídolos fazem com mulheres. Todos nós somos responsáveis.

Pense nas conversas de vestiário, em todos os porres que você tomou com "os caras" pra falar mal de ex, naquelas vezes em que seu grupo de amigos gritou "gostosa" pra uma mulher passando na rua, e pense que ela foi sua vítima. Pense nos adjetivos que você ouve e repete quando assiste um video pornô. Leia todos os depoimentos sobre violência e lembre de todas as vezes que você levantou a voz, ou quando terminou uma discussão batendo uma porta, chamando ela de louca, e pense em quão fina é a linha que separa você, eu e todos nós dos mosntros dos depoimentos dessas mulheres. Pense em quantas vezes você pediu desculpas por perder o controle, e emendou com "mas é que também...". Isso também é abuso.

Se você sentir raiva, impotência e vergonha ao ler depoimentos de mulheres que falam sobre a raiva, a impotência e a vergonha que sentiram e ainda sentem, respire e leia outro depoimento, outro texto, outra notícia, até encontrar, aceitar e entender as raízes da violência que você pratica, pra poder desconstruí-las. Porque, o melhor que nós, homens, podemos fazer, não é criar novas leis sobre úteros que não nos pertencem, "proteger nossas mulheres" como um homem das cavernas ou discutir com elas sobre o que nós não entendemos. O primeiro passo pra fazer alguma coisa é encontrar e combater o monstro machista que existe em nós. Demora, é um caminho cheio de tropeços, vergonha e pedidos de desculpas, mas é muito melhor do que deixar o monstro dentro de você crescer. E, acredite, ele está aí dentro.


Fonte: Blog DescolonizAções

O que precisamos saber para não silenciar o estupro


Alice foi estuprada três vezes. Na primeira vez, ainda criança, não sabia direito o que estava acontecendo. Foi um amigo da família que abusou dela - e ameaçou machucá-la caso ela contasse para alguém. Na segunda, aos 20 anos, a violência sexual veio de um ex-namorado. Ele a dopou com um remédio e a moça só acordou no meio do ato. A terceira vez aconteceu com um desconhecido, que a pegou com uma arma no meio da rua, e a estuprou em um terreno baldio.

A história de Alice ilustra perfeitamente a triste realidade do abuso sexual no Brasil - a violência pode vir de dentro de casa, do parceiro íntimo e do estranho na rua. Estima-se que meio milhão de pessoas são estupradas todos os anos no país - e a maior parte desses crimes termina impune, apoiados na vergonha, na culpa e no silêncio que caem sobre as vítimas.

Desde que a SUPER publicou uma capa sobre o assunto, centenas de mulheres corajosas escreveram contando suas histórias. Quase todas ouviram que haviam sido responsáveis pelo crime que sofreram, e muitas tiveram dificuldades em encontrar ajuda depois da violência. Por isso, produzimos essa série de vídeos. A ideia é ajudar as vítimas de estupro e mostrar que a melhor maneira de lutar contra a violência sexual é quebrando o silêncio que a cerca.

No primeiro vídeo, Alice conta sua história:



Se na infância o maior risco de estupro está dentro de casa, na vida adulta o problema maior está na rua. Segundo o IPEA, 60,5% dos crimes são cometidos por desconhecidos. E o problema é que pouquíssimas vítimas procuram ajuda. Na América Latina, o número varia entre 10% e 15%. No caso de Roberta, hoje com 32 anos, o auxílio foi fundamental para que ela retomasse a vida.

Em 2001, Roberta se dirigia ao ponto de ônibus acompanhada de cinco amigas e um amigo quando o grupo foi surpreendido por um homem armado. Após amarrar o amigo de Roberta com corda de varal, o homem estuprou todas as mulheres do grupo simultaneamente. Depois do ocorrido, elas foi em busca de auxílio no hospital Pérola Byington, um Centro de Referência da Saúde da Mulher que fica em São Paulo. Lá, o exame, as medicações e os encaminhamentos psicológicos foram feitos.

Roberta sentiu as consequências do estupro quando descobriu que uma das amigas estava grávida do namorado, mas o tratamento cancelou a gravidez. Veja o relato dela no terceiro vídeo e entenda como e onde a vítima pode buscar ajuda:




Fonte: Revista SuperInteressante

"As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis", afirma bioquímico vencedor do Nobel


Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

A investigação pode ser planeada?

Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.

Parece uma boa política.

Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada...

E não é assim?

Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.

Como nasceu?

A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.

Uma aventura.

Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.

Foi cientificamente produtivo?

Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.

O que descobriu?

Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing(manipulação genética).

Para que serviu?

Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?

É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde... Eu tenho as minhas reservas.

Entendo.

A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

Explique.

A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais...

Como qualquer outra indústria.

É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.

Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.

Por exemplo...

Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença ...

E por que pararam de investigar?

Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.

É uma acusação grave.

Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.

Há dividendos que matam.

É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.

Um exemplo de tais abusos?

Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.

Não fala sobre o Terceiro Mundo?

Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.

Os políticos não intervêm?

Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.

Há de tudo.

Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…


Fonte: Jornal Esquerda.net (Portugal)

Artigo - Aborto: por que mudar a lei?


Por: Sandra Franco*

Com a justificativa de que “a legalização do aborto vem sendo imposta a todo o mundo por organizações internacionais inspiradas por uma ideologia neomalthusiano de controle populacional”, o projeto de lei que prevê alteração no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual foi apresentado à Câmara dos Deputados.

Na verdade, o enfoque do projeto é antes ideológico e não uma preocupação verdadeira com a saúde pública. Tanto assim, que o fundamento central do autor do projeto foi uma suposta necessidade de o país reagir contra uma política de controle populacional imposta pelos Estados Unidos e outros aos países subdesenvolvidos. E sobre a saúde da mulher, qual o argumento utilizado? Nenhum.

Inconteste que qualquer debate que envolva a regulamentação do aborto será sinônimo de polêmica. Assim, o sinal amarelo de alerta acendeu no último dia 21, após a aprovação na Câmara dos Deputados do texto do Projeto de Lei 5069 de 2013 que propõe também a alteração da redação do inciso IV, do art. 3º, da Lei nº 12.845/13 adotando uma nova terminologia em substituição ao termo “profilaxia” bem como a definição do que vem a ser “violência sexual”.

Além de modificar a lei atual sobre o tema, a proposta também torna crime uma prática que hoje é uma contravenção – o anúncio de meios ou métodos abortivos – e pune como crime quem induz, instiga ou auxilia num aborto, com agravamento de pena para profissionais de saúde, que podem chegar a ser detidos por 1 a 3 anos.

Sem dúvida, a comercialização ilegal de substâncias abortivas deve ser combatida. Mas, há um mercado de outros produtos e medicamentos traficados e vendidos ilegalmente que deveriam estar na mira dos parlamentares, se a finalidade fosse cuidar da saúde da população.

Vale ressaltar que, em 2013, as mulheres passaram a ter a garantia de que o atendimento seria “imediato e obrigatório” para questões de aborto em todos os hospitais do SUS, com a aprovação da lei 12.845. Essa norma assegura atendimento médico a mulheres vítimas de violência sexual. A lei remete a uma profilaxia da gravidez – o que sequer corresponderia a um aborto tecnicamente, se for considerado o fenômeno da nidação como o início de uma vida.

Sob o aspecto da saúde e políticas públicas, não se poderá abandonar o conceito da prevenção e educação, quando possível. Na maioria das vezes, a opção pelo aborto decorre da falta de planejamento da gravidez associada a fatores sociais como ignorância, planejamento familiar, escassez de recursos e grande número de filhos. Não informar à mulher seu direito ao aborto legal, em caso de violência sexual, seria um atentado a todas as normas que dispõe sobre o direito legal à informação e fere a autonomia do paciente.

A controvérsia quanto ao aborto reside no fato de que o direito à vida não é absoluto. Para alguns, o Direito Constitucional (e natural) à vida do feto precisa ser respeitado. Para outra corrente, a mulher ou a menina faria jus ao direito à dignidade humana, ao direito de escolha.

Ocorre que não houve qualquer parlamentar que apresentasse dados estatísticos para uma discussão fundamentada do tema. Sequer foram apresentados números que justifiquem o entendimento da bancada evangélica e católica no sentido de que houve aumento de abortos (ou da profilaxia da gravidez) em razão da facilitação oferecida pela Lei 12.845/2013. Ora, a redução de danos, enquanto política pública, não pode ser atacada com a desculpa de que seja um aborto “disfarçado” ou uma tática de controle populacional. Tampouco o aborto legal precisa de mais entraves, tais como o boletim de ocorrência ou o exame de corpo de delito.

Ausentes esses dados, poderia ter sido citado pelos parlamentares, por exemplo, que em abril de 2005, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que o número de casos de gravidez não intencional ou indesejada foi estimado em 87 milhões por ano em todo o planeta. Mais da metade dessas mulheres (46 milhões por ano) recorreu ao aborto induzido, sendo que 18 milhões o fizeram sem condições de segurança. Anualmente, por volta de 68 mil mulheres morrem no mundo em consequência desses abortos desassistidos. Quantas dessas mulheres são brasileiras?

Seria desejável que algum dos parlamentares apresentasse a experiência de outros países que conseguiram reduzir o número de abortos e de morte de mulheres com políticas públicas de assistência à mulher antes e após o aborto. No entanto, tais constatações que serviram de base para a aprovação da Leo 12.845 parecem não ter mais importância para aqueles que, em 2013, aprovaram por unanimidade o então Projeto de Lei da Câmara (PLC) 3/2013.

É imediato e importante que o tema seja encarado de forma a garantir o respeito à saúde da mulher, independentemente da situação, pois sua dignidade está comprovadamente afetada pelos fartos casos de abortos clandestinos, esterilidade pela perda do útero, traumas psicológicos irreversíveis por condições degradantes dos locais e a morte de muitas mulheres.

A regulamentação do aborto deve ser discutida fora de qualquer âmbito religioso ou de interesses meramente partidários de alguns grupos. Trata-se, sem dúvida, de uma questão de saúde pública.

O tema precisa ser enfrentado em conjunto com os profissionais da saúde, a sociedade organizada e os legisladores. O auxílio do Estado é fundamental para reduzir as mortes, as lesões físicas e morais resultantes do aborto desassistido. Salvem a dignidade das mulheres!


* Sandra Franco é consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, presidente da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico-Hospitalar da OAB de São José dos Campos (SP), presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde, membro do Comitê de Ética da UNESP para pesquisa em seres humanos e Doutoranda em Saúde Pública –drasandra@sfranconsultoria.com.br


Fonte: Jornal Dia Dia

Brasil é número um em mau comportamento na sala de aula, indica pesquisa


Os estudantes brasileiros lideram o ranking de indisciplina na sala de aula. É o que sinaliza relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa internacional sobre ensino e aprendizagem, conhecida pela sigla Talis, aponta que o mau comportamento prejudica as instruções dos professores e absorção de conteúdo.

Entre os 34 países que participaram do Talis em 2008 e 2013, são os docentes brasileiros que dizem gastar mais tempo para manter a ordem em sala de aula. Em 2008, eram 18%. Já em 2013, essa porcentagem subiu para 20%, quando a média internacional foi de 13% nos dois períodos.

Mais de 60% dos professores no país relataram ter mais de 10% de alunos com problemas de mau comportamento. Situação parecida acontece com o Chile e o México. Nos dois países, os professores também afirmaram enfrentar essas questões em sala de aula. Por outro lado, no Japão, pouco mais de 10% dos professores indicaram lidar com interrupções dos estudantes.

Todavia, segundo a pesquisa, a indisciplina é generalizada no Brasil. Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, os números de estudantes com mau comportamento são quase os mesmos nas escolas públicas ou particulares. A diferença foi de apenas três pontos.

Menos tempo

Além das interrupções pelos estudantes, há outras fontes que atrapalham o desempenho no ambiente escolar como lista de chamada, informações da escola e reuniões. Essas atividades consomem ainda mais o tempo de aprendizado e nesse quesito o Brasil também aparece em primeiro lugar. O Talis 2013 mostra que é de 33%, na média, o tempo de não instrução relatado pelos professores brasileiros. A média é de 21% entre todos os países participantes.

Outro ponto importante mencionado na pesquisa é a carência desses profissionais. Com poucos disponíveis em sala de aula, o número de alunos por classe aumenta. O que torna o ambiente pouco favorável para o aprendizado.


Fonte: Jonal Amambai Notícias

Violência contra mulher no país é o tema da redação do Enem


O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 é "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pouco depois do fechamento dos portões dos locais de prova, por meio do Twitter.

O assunto é bastante atual e discutido intensamente nas redes sociais. No ano passado, uma campanha na internet levou mulheres do Brasil todo a publicar fotos com a frase "Não mereço ser estuprada". Desde a semana passada, em nova mobilização virtual, milhares de mulheres vêm publicando depoimentos com a hashtag #primeiroassedio. Nesses posts, sempre carregados de emoção, elas descrevem o primeiro episódio de assédio sexual que sofreram, muitas vezes na infância.

A professora de Redação do Colégio Objetivo, Cida Custódio, elogiou a escolha do tema que, segundo ela, traz uma discussão atual e fundamental para a sociedade brasileira.

- É um dos temas mais bem escolhidos do Enem de todos as edições. É da maior pertinência no âmbito social. O Brasil tem um histórico de violência contra a mulher. É uma prática ancestral que a Lei Maria da Penha ainda não foi capaz de inibir. Muitos estudantes que hoje estão fazendo o Enem conhecem a violência contra a mulher de dentro de suas próprias casas- afirmou.

Cida avalia que os estudantes não terão dificuldade em discutir sobre o tema, já que os candidatos devem ter um posicionamento claro contra esse tipo de prática.

- É um tema com posicionamento claro. A violência contra a mulher é indefensável, logo os candidatos não ficarão em dúvida sobre como abordar a proposta. Além disso, recentemente, foi sancionada a lei do feminicídio e eles estão familiarizados com o assunto que é recorrente na mídia. Na hora de propor intervenções também não encontrarão dificuldades. Podem citar aplicação efetiva da Lei Maria da Penha, a defesa de que as escolas orientem seus alunos sobre isso, entre outras propostas- analisou.

A partir deste tema, os candidatos precisam produzir um texto dissertativo-argumentativo de, no máximo, 30 linhas, desenvolvido a partir de uma situação-problema e de subsídios oferecidos por textos motivadores disponibilizados na prova.

A redação é considerada de suma importância pelos especialistas, já que é a única parte da prova que possibilita nota máxima. Além dela, os candidatos respondem a 90 questões de linguagens, que engloba Português, Língua Estrangeira (inglês ou espanhol) e de Matemática, neste domingo.

A prova deste domingo foi iniciada às 13h30m e será encerrada às 19h. O tempo mínimo para o candidato permanecer em sala é de duas horas. Para sair do local com o caderno de questões em mãos, o estudante só pode ir embora meia hora antes do término do horário do exame.

A nota final da redação do Enem 2015 varia entre zero (0) a mil (1.000) e será atribuída da seguinte forma:
  1. Caso não haja discrepância entre os corretores, a nota final será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois corretores;
  2. Caso haja discrepância entre os corretores, a redação será corrigida por um terceiro corretor de forma independente;
  3. Caso não haja discrepância entre o terceiro corretor e os outros dois corretores anteriores, a nota final será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo desconsideradas as demais notas;
  4. Caso haja discrepância entre o terceiro corretor e apenas um dos dois corretores anteriores, a nota final será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo desconsideradas as demais notas;
  5. Caso haja discrepância entre o terceiro corretor e os dois corretores anteriores, a redação será corrigida por uma banca composta por três corretores. Esta banca atribuirá a nota final do participante, desconsiderando as anteriores.
Será atribuída nota zero na redação do Enem 2015:
  1. Fugir do tema proposto;
  2. Não respeitar a estrutura dissertativo-argumentativa;
  3. Entregar a Folha de Redação em branco;
  4. Entregar redação com até sete linhas – qualquer que seja o conteúdo configurará “texto insuficiente”;
  5. Copiar os textos motivadores apresentados no Caderno de Questões;
  6. Escrever impropérios ou desenhos;
  7. Não respeitar os Direitos Humanos;
  8. Quando parte do texto está deliberadamente desconectada com o tema proposto da redação.

Fonte: O Globo / Portal Universia Brasil

Artigo - Terrorismo na África


Por: Pio Penna Filho*

O terrorismo, embora não seja um fenômeno novo, ganhou uma dimensão importante após o fim da Guerra Fria, sobretudo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. Na África existem vários grupos atuantes e que disseminam o terror em escala considerável, fazendo muito mais vítimas do que na Europa ou nos Estados Unidos.

Esse aspecto é interessante e demonstra um certo descaso pela mídia internacional sobre o que acontece no continente africano. Lá, a ação de grupos terroristas provoca milhares de mortos e uma cifra absurdamente elevada de refugiados. Na verdade, para a mídia, milhares de africanos negros não equivalem a menos de duas dezenas de brancos mortos por ações de grupos terroristas.

É claro que cada morte deve ser lamentada profundamente, não importa se a vítima é branca, negra, amarela, vermelha ou azul. Somos todos humanos e temos direito à vida. Contudo, não se pode negar que a morte de alguns poucos brancos chama muito mais a atenção do que a morte de milhares de negros, como ocorreu quando dos acontecimentos em Paris que levaram à campanha do Je suis Charlie.

Na África existem vários grupos terroristas em atuação, mas, entre eles, três se destacam: Boko Haram, Al-Shabab e AQUIM (Al Qaeda no Magreb Islâmico). Esses grupos atuam entre o Norte da África e a área de transição com a chamada África Subsaariana. Todos são muito ativos e extremamente violentos.

Eles têm em comum o fato de praticarem a jihad islâmica, ou seja, pregam o fundamentalismo religioso e querem aplicar a sharia nos locais que dominam. Grosso modo, o Boko Haram atua primordialmente em três países: Nigéria, Níger e Camarões. A Al-Shabab age principalmente na Somália, mas suas atividades se desdobram em direção a países próximos, como o Quênia. O grupo conhecido como AQUIM, embora tenha uma atuação mais intensa na Argélia, está disseminado em várias partes do Sahel, o que compreende uma grande área.

Eles possuem também conexões com redes mais conhecidas internacionalmente, como o Al Qaeda e o Estado Islâmico. Dessa forma, Al-Shabab e AQUIM são filiados à rede Al Qaeda, enquanto o Boko Haram jurou fidelidade ao Estado Islâmico. São conexões internacionais repletas de simbolismo e com alguns resultados práticos, que ampliam a capacidade de atuação desses grupos no continente africano.

É importante dizer que o jihadismo não é um fenômeno novo na África. Ainda no século XIX algumas regiões do continente passaram por essa experiência. Naquele contexto, com alguma semelhança ao que ocorre hoje em dia, grupos islâmicos se organizaram para defender uma visão específica e mais atuante do Islã, pregando uma renovação religiosa centrada em princípios fundamentalistas.

Todos os grupos terroristas que atuam na África o fazem em regiões onde prevalecem condições socioeconômicas mais restritivas. Assim, há uma clara relação entre pobreza/miséria e ação desses grupos, embora esse não seja, naturalmente, o elemento mais importante e motivador da existência desses grupos.

Enfim, o terrorismo é uma triste realidade presente em algumas partes da África que impõe novos desafios para Estados e para sociedades africanas. É um desafio que ultrapassa as fronteiras da África e demanda o envolvimento de países de fora do continente, além, é claro, da própria comunidade internacional.


* Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacionais, da Universidade de Brasília. Graduado em História, pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre em História e doutor em História das Relações Internacionais, ambos pela UnB. Atua nas áreas de História, Relações Internacionais e Segurança Internacional, nos temas: em América Latina e África. Publicou cinco livros, sendo um em co-autoria com Alfredo da Mota Menezes. Possui 12 capítulos de livros publicados e 30 artigos em periódicos especializados.


Fonte: Universidade de Brasília - UnB

Vítima na infância estimula milhares de denúncias de #PrimeiroAssédio após polêmica do MasterChef


Criada por uma mulher que foi vítima de assédio na infância, a campanha #PrimeiroAssédio contabilizou, em um dia, mais de 50 mil tuítes de mulheres compartilhando experiências de assédio sexual que sofreram quando crianças ou adolescentes.

Juliana De Faria, fundadora do coletivo feminista Think Olga e criadora da campanha Chega de Fiu Fiu, foi quem lançou a hashtag no Twitter com o objetivo de estimular mulheres a contarem os casos de assédio que viveram na infância. Milhares de compartilhamentos surgiram daí, e as histórias foram além da hashtag.

Na própria página da BBC Brasil no Facebook, algumas leitoras compartilharam casos - uma delas relatou que o assédio veio do pai da amiga, que esfregou o pênis na garota quando ela tinha 8 anos por várias vezes enquanto as meninas brincavam na piscina.

Alguns leitores chegaram a mencionar que casos de homens - e até mulheres - abusando de meninos são comuns, embora em números menores.

A campanha surgiu após a polêmica com a candidata Valentina do programa MasterChef Júnior na TV Bandeirantes.

Valentina entrou no programa sonhando em se tornar a melhor cozinheira mirim do Brasil. E, logo na sua primeira aparição, ela se viu alvo de inúmeros comentários na internet. A maioria deles, porém, não era sobre suas habilidades culinárias – e tinha cunho sexual.

"Sobre essa Valentina: se tiver consenso, é pedofilia?", era o que dizia um dos tuítes a respeito da garota de 12 anos.

O caso gerou polêmica nas redes sociais na última quarta-feira e, enquanto a discussão pairava sobre o suposto "desenvolvimento precoce" da garota, uma mulher se inspirou na história de Valentina – e na sua própria – para criar uma campanha e estimular outras mulheres a contarem suas primeiras experiências de assédio sexual.

Juliana De Faria lançou a hashtag #PrimeiroAssédio no Twitter e, em pouco tempo, ela passou a figurar entre os termos mais comentados do Twitter brasileiro.

Internet

"A gente enterrava esses casos como se fosse culpa nossa. Agora, graças à internet, a gente está se unindo", disse Juliana à BBC Brasil. "Eu contei pela primeira vez sobre o assédio que sofri aos 11 anos quando eu tinha 27. Muitas mulheres estão contando seus casos com a hashtag e dizendo que é a primeira vez que estão falando sobre o assunto. A força disso não tem mais volta."


"Sempre existiu o debate sobre o assédio. Mas a internet juntou as vítimas. Antes, você não falava sobre isso e aí o assunto morria. É importante que a gente enxergue que somos vítimas e, muitas vezes, não vamos enxergar sozinhas", completou.

De cabeça, Juliana conta pelo menos três casos durante a infância e a adolescência em que sofreu assédio sexual. Aos 11, quando ouviu comentários sexuais na rua, aos 13, quando um homem a prensou em uma estação do metrô de São Paulo e disse que iria "comê-la", aos 14 quando foi perseguida em uma festa por não querer beijar um homem mais velho. E ela ressalta que está longe de ser a única a ter histórias como essa para contar.

"O que a gente vem discutindo com a #PrimeiroAssédio é que quando a gente fala de pedofilia, as pessoas entendem como uma coisa distante, pesada. Não! As sementes dessa barbárie também estão em ações que parecem pequenas e insignificantes, como um tuíte", disse, citando o caso de Valentina.


Erotização infantil

Com a hashtag #PrimeiroAssédio, mulheres contaram casos chocantes que viveram aos sete, seis ou mesmo cinco anos de idade.

Uma delas disse que, aos sete anos, enquanto brincava com as amigas, percebeu um homem atrás de um poste se masturbando. Outra conta que, aos nove, sofreu uma tentativa de estupro de um dos funcionários que trabalhavam para o pai.

Dados oficiais e recentes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que, das 500 mil mulheres que são vítimas de estupro por ano no Brasil, 70% são crianças e adolescentes – sendo 51% menores de 13 anos.

Para Viviana Santiago, especialista de gênero da ONG de direitos infantis Plan International Brasil, o episódio com Valentina expõe o problema da "erotização" da criança, que acontece cada vez mais cedo.



"A gente erotiza esse corpo infantil, vemos isso na forma como a sociedade projeta a menina como objeto sexual pra ser desejado e consumido", disse à BBC Brasil.

"Fui a uma loja de departamentos outro dia e vi que ali eles estavam vendendo sutiãs com bojo para meninas de seis a oito anos. Para que uma menina dessa idade vai usar um sutiã com bojo? Para parecer que tem seios, que é adulta. Isso faz parte dessa erotização e da desconstrução da infância, que fazem as pessoas esquecerem que uma criança é uma criança."

Juliana De Faria aponta que o principal problema disso é que o homem se sente "protegido" pela "cultura do estupro" que erotiza o corpo da menina desde cedo e, assim, se sente "à vontade" para cometer o assédio – por isso, os casos são muito mais comuns com crianças e adolescentes.

"A mensagem mais forte é que existe uma normatização da violência sexual contra mulher e da pedofilia", diz.

"Se a gente normatiza isso, é inevitável que os homens apareçam sem a menor vergonha ou preocupação para falar sobre seus desejos. Existe esse desequilíbrio de gênero tão grande, que eles se sentem protegidos e não têm vergonha."

"As meninas estão contando com a hashtag que o tio-avô ou o marido da tia passou a mão. Mas quem vai acreditar numa menina de 12 anos?"


Consequências

Apesar de terem surgido alguns comentários contrários e críticos à hashtag #PrimeiroAssédio – um deles, por exemplo, era de um homem dizendo que "criaria a hashtag #meuprimeirofora para os homens que foram rejeitados/oprimidos" –, Juliana se diz "emocionada de ver tantas mulheres falando sobre suas histórias".

"É uma situação que me faz ter a certeza de que não vamos mais voltar para escuridão."

Viviana Santiago também destaca a importância da internet para manter vivas essas discussões.

"As redes sociais conseguem nos juntar. Todas as inconformadas têm capacidade muito maior de reação agora. Todo mundo no país inteiro já sabe o que aconteceu. O poder de mobilização é incrível e fortalece o enfrentamento."

As duas, porém, defendem mudanças na educação – incluindo a cultura de gênero nas escolas – para reduzir casos de abusos e estupros com meninas e mulheres.

"Não começamos a ser violentadas na vida adulta. Por isso precisamos ensinar cultura de gênero desde cedo. A sociedade precisa repensar a maneira como educa meninos e meninas porque a, partir daí, construiremos esses 'novos homens'."


Fonte: BBC Brasil

IX Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência Contra Crianças e Adolescentes


A Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP, realizará o IXº Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência Contra Crianças e Adolescentes em 23 de novembro de 2015, segunda-feira, das 08 às 18 horas, no Centro Fecomercio de Eventos (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo/SP).

O evento, promovido e organizado pelo Núcleo de Estudos da Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes da SPSP, tem como público alvo os profissionais das áreas de assistência social, educação, justiça, mídia, saúde e segurança.

Segundo dados do DATASUS, acidentes e violência são responsáveis por 5% dos óbitos ocorridos na faixa etária até 4 anos de idade; 37% entre 4 e 9 anos; 46% dos 10 aos 14 anos e 72% dos 15 aos 19 anos (23% das mortes de crianças e adolescentes).

Segundo o Dr. Mário Roberto Hirschheimer, presidente da SPSP, esses números poderiam ser significativamente diminuídos por meio de políticas públicas de prevenção de acidentes e combate à violência. Por isso o objetivo do evento é discutir e refletir sobre estratégias para identificar, encaminhar de modo adequado e prevenir situações de risco relacionadas às crianças e aos adolescentes, com ênfase no que se refere à violência e aos acidentes em nível domésticos, na escola e na rua, destacando o papel dos profissionais dos setores relacionados com o tema.

O VIIIº Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência contra Crianças e Adolescentes, que ocorreu em agosto de 2013, teve cerca de 1.100 participantes. O público, vindo de todo Estado de São Paulo e também de outros Estados do Brasil, lotou o auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina em todo o período de duração do Fórum. “O número de participantes da oitava edição do Fórum demonstra a importância do evento e a relevância do tema. A diversidade do público é outro um fator que mostra a pertinência do evento”, declarou o presidente da SPSP.

O foco do evento é mostrar que esse problema é de todos nós, afetando diversos setores da sociedade. “Queremos levantar um debate substancial, direcionado a criar alternativas para encaminhar as vítimas de forma adequada, procurando reduzir os traumas eventuais”, informa Renata Waksman, coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência Doméstica contra a Criança e o Adolescente da SPSP.

Assessoria de imprensa
Acontece Comunicação e Notícias
Karina Morais ou Kelly Silva
(11) 3873.6083 / 3871.2331
acontececom6@uol.com.br
www.acontecenoticias.com.br


Fonte: Jornal DiaDia

Minha Casa, Minha Vida reproduz injustiça social, conclui pesquisa


Em meio à reta final para a Olimpíada no Rio de Janeiro, encurtam-se os prazos e aumentam as pressões sobre comunidades que resistem a dar lugar às obras associadas aos jogos. Ao todo, 22 mil famílias já foram reassentadas na cidade de 2009 a 2015, por força de novos empreendimentos ou por estarem em situação de risco. E 74% dessas pessoas receberam casas do programa Minha Casa, Minha Vida, grife da gestão Dilma Rousseff.

"Esse (casa própria) é um sonho que acompanha a humanidade desde o início dos tempos, um local onde você se protege e constrói seu futuro e sua vida", disse Dilma no mês passado ao entregar casas do programa, numa referência recorrente em discursos da presidente.

Uma pesquisa recente, contudo, investigou como essas novas moradias impactam os meios de subsistência dos beneficiários, e descobriu que nem sempre o programa é sinônimo de progresso e estabilidade econômica, como prega a narrativa oficial.

Ao entrevistar moradores de cinco comunidades do Rio, todas na mira de remoções ou já reassentadas em condomínios do MCMV, a socióloga Melissa Fernández Arrigoitia, da LSE (London School of Economics), encontrou pessoas em novas dificuldades financeiras – seja pelas contas adicionais a pagar, pela distância do antigo trabalho ou pelas novas despesas com transporte.

Para a pesquisadora do Departamento de Geografia da LSE, que ainda trabalha para quantificar as dezenas de entrevistas, um "reassentamento nem sempre 'assenta' a brutalidade e a exploração que caracterizam muitas remoções". "Essas injustiças podem continuar, mascaradas por novos moldes e formas", acrescenta ela.

Fernández Arrigoitia diz que ainda há pouca informação sobre como os beneficiários se sustentam após a mudança – e a investigação mostrou que as pessoas estão perdendo ou mudando de trabalho.

"A maioria passou a trabalhar em casa, com pequenas vendas, produtos de limpeza, beleza, reparos de computadores. E a renda dessas pessoas encolheu, pois cresceram as despesas com contas, taxas e itens de consumo", afirma.

Trajetos de uma hora que se tornaram jornadas de até seis horas por dia explicam as reviravoltas profissionais, diz a socióloga. "Algumas pessoas citaram a exaustão causada pela distância. Uma mulher tinha carro, mas um dia quase morreu ao bater o veículo. Ela largou o emprego e montou um negócio em casa."

'Mar de rosas'

A coleta de dados ocorreu de agosto de 2013 a fevereiro de 2014. Um dos locais visitados foi o Recanto da Natureza, conjunto de 20 blocos de 384 apartamentos de 44 m² cada um. Localizado em Campo Grande (zona oeste), a cerca de 50 km do centro do Rio, o condomínio recebeu moradores de áreas de risco e terrenos invadidos.

"Quem disse que isso aqui era um mar de rosas estava mentindo. Eles retiraram as pessoas de onde estavam para colocá-las aqui e tudo teve um custo", disse uma das moradoras à equipe de Fernández Arrigoitia.

A pesquisadora diz ter ouvido moradores com sintomas de depressão e que associavam sentimentos de isolamento às mudanças. E afirma que o programa precisa considerar o impacto emocional e de saúde mental dessas remoções.

"Esse tipo de relato questiona a narrativa oficial desses projetos, como provedor de algo melhor em termos de desenvolvimento humano. Não estou negando que oferecem algo melhor em termos da casa, e muitas pessoas confirmaram isso. O objetivo da pesquisa é ampliar esse debate, mostrar que é mais complexo do que essa história de que é uma coisa boa e ponto", afirma.

Lançado em 2009, o Minha Casa, Minha Vida se tornou uma das principais vitrines eleitorais de Dilma. Atende famílias com renda mensal de até R$ 1.600 e desde então entregou 2,3 milhões de casas, de acordo com o balanço oficial – restam 1,6 milhão de unidades por entregar na segunda fase da iniciativa.

O programa privilegia projetos em áreas doadas ou desoneradas por Estados e municípios, e com os cortes orçamentários atuais – perdeu R$ 4 bilhões em recursos em 2015 (ou 28% ante 2014, na comparação até agosto) e ainda tem a terceira fase em compasso de espera.

Alagados

Outro foco da pesquisa foi o Bairro Carioca, um conjunto de 2.240 unidades para 11 mil pessoas na zona norte. O complexo, um dos poucos projetos do MCMV próximos ao centro do Rio (cerca de 10 km), sofreu alagamentos no verão de 2013, pouco após ser ocupado por famílias retiradas de áreas de risco.

"Eles disseram se sentir muito mal tratados nos dias posteriores àquelas enchentes. Receberam coisas baratas, como cobertores e colchões, apenas para lidar com as consequências diretas. Sentiam que era um reforço da discriminação: 'o governo fez essas casas que eram para ser ótimas, elas inundaram, perdemos muitas coisas e agora recebemos coisas baratas apenas para lidar com isso'. Sentiam-se insultados nesse sentido", conta Fernández Arrigoitia.

Para ela, o programa pode acabar perpetuando um estado de marginalização dos beneficiários.

"Algo veio dos moradores, excluídos por muito tempo da cidade, estigmatizados e marginalizados como cidadãos, e que sentiam que essa mudança não estava alterando esse estigma, simplesmente mudava a linguagem, como na mudança do termo 'favela' para 'comunidade'. Por outro lado, há nossa interpretação sobre o que vemos. E vimos espaços fisicamente delimitados por muros e cercas, ou geograficamente muito afastados, em espaços desconectados de qualquer coisa parecida com uma cidade."

Olimpíadas

Na avaliação da socióloga, no caso específico do Rio, expropriações e remoções relacionadas com as obras dos Jogos Olímpicos de 2016 acabam por repetir problemas observados em políticas habitacionais do passado no Brasil.

"Ouvi técnicos e colegas envolvidos nesses programas sobre como aquilo foi feito, também com expropriações violentas, violações de direitos humanos. É incrível como isso está se repetindo. Os próprios moradores não estão sendo consultados da maneira correta, não recebem um leque de opções para escolher, não são compensados devidamente por terras que irão gerar muito dinheiro. Muitas questões são similares às dos anos 1960 e 1970."

E esse processo de exclusão social seria resultado da falta de planejamento ou uma estratégia urbanística planejada, como argumentam, por exemplo, críticos das remoções atuais no Rio?

Para Fernández Arrigoitia, trata-se de "um pouco dos dois". "O modo como as políticas de habitação são elaboradas e implementadas, consciente ou inconscientemente, reproduz exclusão social. As regras do jogo já estão dadas, e geralmente favorecem aqueles que já se beneficiam do sistema."

A pesquisadora aponta que tais traços se tornam mais evidentes com a aceleração dos projetos urbanos – e das pressões econômicas associadas a eles – para cumprir os prazos de megaeventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada.
Visão de curto prazo

Ao analisar diferenças entre os modelos de habitação popular na Inglaterra e no Brasil, ela aponta predomínio de uma visão de curto prazo por aqui.

"No caso do MCMV, e isso já foi amplamente documentado, o programa beneficia empreiteiras que recebem do governo grandes áreas para construir e lucrar, porque essas casas são vendidas. Não é aluguel social como na Inglaterra, onde o governo pode reter o valor da terra por meio do aluguel. O que estão fazendo é dar terras, as empreiteiras lucram, os beneficiários ganham uma casa, mas no momento em que a unidade é vendida, o subsídio (a terra dada pelo governo) não pode mais ser reutilizado."

Ela pondera, contudo, que a dimensão do programa é digna de elogios, e que o governo tem conseguido prover habitação numa escala sem precedentes no mundo, enquanto hoje a Inglaterra encontra dificuldades para construir novas casas populares. A crítica não tem como foco o programa em si, mas o modo como ele vem sendo implementado.

A consequência, diz a pesquisadora, é que a política de habitação fica presa à necessidade de grandes e constantes volumes de investimento – e padece em momentos de cortes orçamentários como o atual.

Mas fica a questão: a casa não é importante para pessoas que nunca tiveram uma propriedade? A alternativa para elas seria pagar aluguel para sempre?

"Não estou dizendo que não é importante, claro que é, mas cada sociedade tem uma atitude diferente em relação a isso. Algumas valorizam mais a propriedade do que o aluguel, mas não é a regra. Na Alemanha, o sistema de aluguéis é muito normatizado, e não há estigma: se não tiver uma casa, você não tem menos valor como adulto. O modo como o mercado imobiliário funciona lá te permite ter uma boa propriedade pelo resto da vida com aluguel. Claro que é um mundo diferente, mas é uma grande questão cultural, com impactos diretos no modo como as políticas são criadas e implementadas."

A BBC Brasil procurou o Ministério das Cidades e transmitiu as considerações da pesquisa da LSE para eventuais comentários, mas não havia obtido resposta até a publicação desta reportagem.


Fonte: BBC Brasil

Perfil dos inscritos no Enem - mulheres são maioria entre os candidatos


No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, há 162.199 inscritos do Distrito Federal. Do total, 23,8 mil estudantes não pagaram a inscrição por terem cursado o 3º ano do ensino médio em escola pública; e 85.373 por serem de baixa renda. As informações foram disponibilizadas em primeira mão ao Eu, Estudante pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta quarta-feira (21). Os dados foram registrados na data-base do Inep em 16 de outubro.

A isenção é concedida aos candidatos que, no ato da inscrição, preenchem a declaração de carência. Apesar de se tratar de uma autodeclaração automática, o Inep pode exigir que o candidato comprove as informações prestadas. Neste ano, em todo o Brasil, o número de candidatos que confirmaram a inscrição (isentos e aqueles que pagaram a taxa dentro do prazo) caiu 11,96% em relação ao ano passado – no total, 8.478.096 fizeram a inscrição em 2015, mas 731.978 estudantes não finalizaram o processo.

Uma das hipóteses do presidente do Inep, Chico Soares, para a redução no número de inscritos confirmados é de que caiu o número de pessoas que se inscreve sem ter a certeza de que fará o exame. Isso porque uma mudança no edital da prova deste ano prevê que os isentos que não comparecerem aos dois dias perderão o direito em 2016. “O que podemos afirmar, com certeza, é que nenhum aluno deixou de fazer a prova por questões financeiras. Todos os estudantes que solicitaram a isenção foram atendidos”, ressaltou o presidente em entrevista ao Eu, Estudante em 30 de setembro.

Pedro Henrique Leite Oliveira, 18 anos, cursa o 3º ano no Centro de Ensino Médio Setor Leste e foi um dos beneficiados pela isenção da taxa de inscrição. "Foi bem tranquilo, só tive que marcar essa opção na hora de me inscrever. É um incentivo para fazer a prova. A taxa é R$ 63, e não é barata para todo mundo, especialmente em famílias com mais filhos, que precisariam pagar mais de uma vez", percebe.

O jovem deseja estudar psicologia ou ciências sociais na Universidade de Brasília (UnB) e se sente bem mais preparado para a prova depois de ter participado de um cursinho intensivo gratuito e de aulas de reforço na escola.

"É a primeira vez em que vou fazer o Enem, e estudei bastante. O Setor Leste foca muito no Enem, no PAS (Programa de Avaliação Seriada) e nos vestibulares e oferece aulas no contra-turno. Além disso, participei de um cursinho organizado por professores de escolas particulares focado no Enem. A última aula vai ser na sexta-feira. Tudo isso me ajudou a entender como vai ser a prova. Fez diferença, já que só as aulas não seriam suficentes", conta.

Confira informações sobre o perfil dos inscritos no DF:

Gênero

Repetindo o perfil dos inscritos a nível nacional, a maior parte no DF é do sexo feminino. Na capital federal, 42,5% dos candidatos ao Enem são homens, e 57,4% são mulheres. Há apenas cinco travestis / transexuais inscritos no DF.

Idade

A maior parte dos inscritos (48,7%) têm até 20 anos. Cerca de 1/3 dos participantes têm de 21 a 30 anos; 16% têm idade superior a 30.

Escolaridade

O perfil mais comum entre os inscritos é formado por pessoas que já concluíram o ensino médio, que são 60% do total no Distrito Federal. Os que vão terminar essa fase escolar em 2015 somam 20,1% dos inscritos; 12% vão conseguir o diploma de ensino médio depois de 2015. Do total de inscritos, 25.082 (15,4%) usarão a nota da prova para conseguir certificação de ensino médio.

Cor
Com relação a cor, 50,3% dos inscritos de Brasília são pardos. Outras raças aparecem em menor proporção: branca (28,4%), preta (14,5%), amarela (2,9%) e indígena (0,5%). Não declarados correspondem a 2,4% do total; 0,7% não souberam responder.

Atendimento especial
O Inep deverá fornecer atendimento específico a 1,8 mil pessoas na capital federal: são 43 idosos, 1.134 guardadores do sábado (como adventistas), 375 lactantes, 243 gestantes e cinco travestis.

O atendimento especializado deve ser prestado a 1.990 inscritos: surdocegueira (3), deficiência auditiva (212), surdez (36), baixa visão (252), cegueira (19), visão monocular (243), deficiência intelectual (109), autismo (15), dislexia (80), discalculia (14), déficit de atenção (360), deficiência física (567), outra deficiência (80). Tanto no caso específico quanto no especializado, um mesmo inscrito pode ter solicitado mais de um atendimento.

Foram 2.898 pedidos de recursos. O mais solicitado foi sala de fácil acesso (419), seguido por auxílio para leitura (285), auxílio para transcrição (255), prova ampliada (180), tradutor / intérprete de libras (95), leitura labial (44), prova superampliada (33), prova em braile (9) e guia-intérprete (2). Os pedidos por outros recursos além desses citados chegaram a 317.

Sobre a prova

O Enem é usado como porta de entrada para universidades públicas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e participares - por meio do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e do Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, possibilita o ingresso no ensino técnico gratuito por meio do Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Este ano, as provas serão aplicadas no próximo fim de semana (24 e 25). Confira seu local de prova e outras informações pelo site.


Fonte: Correio Braziliense

Unicef cobra penas alternativas e prioridade no julgamento de presas grávidas


A demora no atendimento médico e o risco de parir em uma cela em vez de um hospital preocupam as gestantes do Presídio Talavera Bruce, na zona oeste no Rio de Janeiro. Há um mês, presas fizeram um parto na cadeia. A situação, segundo elas, não é atípica. Com a dificuldade de conseguirem prisão domiciliar, como estabelece o Código de Processo Penal, as detentas grávidas reclamam do atendimento e querem ser transferidas para a Unidade Materno Infantil (UMI) do próprio presídio, que só recebe quem deu à luz.

Com nove meses de gestação, Lorraine Silva Tomás, 29 anos, participou do parto de uma colega de cadeia no mês passado. Segundo ela, há muita lentidão no serviço de escolta, que nem sempre está disponível para acompanhar as presas ao hospital, inclusive as gestantes. “Já vi várias grávidas tendo bebê aqui, passando por coisas desnecessárias. O neném corre o risco de pegar uma bactéria, de vir a falecer, não estamos preparadas para isso”, reclama.

Presa durante a gestação, Meirelaine dos Santos Gonçalves, 30 anos, foi uma das detentas que começaram a dar à luz na cela comum. Apesar de sofrer de pressão alta, o que eleva riscos de complicações, só foi transferida em trabalho de parto. Hoje na Unidade Materno Infantil, com o bebê, ela diz que é muito mais bem tratada.

“Aqui é muito melhor. Quando a gente passa mal, quando é alguma coisa com o bebê, a equipe chama a escolta e eles vêm. Quando eu ganhei neném, passei mal o dia todo. Só fui para o hospital às 15h, com pressão altíssima. Quase tive eclâmpsia”, conta.

Por conta dessas dificuldades, a gestação na cadeia põe em risco os bebês, que não foram condenados com as mães, critica a coordenadora do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Rio de Janeiro, Luciana Phebo. “Desde a gestação, a saúde da criança está em jogo. Tem a questão nutricional, do afeto, da segurança, da atenção, isso tudo”, lembrou.

A coordenadora do Unicef defende a transferência das grávidas para a UMI, tema discutido com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), durante a 1º Semana Estadual do Bebê no Talavera Bruce, que termina neste domingo (25).

Por causa da Lei de Execução Penal, o Talavera permite que os filhos permaneçam com as mães presas por no mínimo seis meses, durante o período de amamentação, na Unidade Materno Infantil. Lá não há celas. As grávidas e os bebês ficam juntos, recebem cuidados médicos e alimentação reforçada. São seis porções por dia, uma a mais que para as demais presas.

Na cadeia, a Seap reconhece que o atendimento médico é mais difícil. O secretário da pasta, Erir Ribeiro, busca apoio na iniciativa privada para ampliar a unidade infantil e transferir as grávidas.“Com a reforma, poderemos trazê-las para cá”, afirma. Ele também pede apoio do Judiciário para a substituição de penas, recorrendo à sensibilidade dos juízes.“Existe a necessidade de rever a prisão. É um custo alto para o Estado”, diz.

Maioria das presas aguarda julgamento

Durante a Semana do Bebê, a Unicef também alertou para necessidade de agilizar os processos das detentas grávidas. Na UMI do Talavera, são 18 mães, das quais 11 não foram levadas a julgamento. Entre as 28 gestantes do sistema, 25 são presas provisórias. A maioria, segundo as informações da Seap, tem cerca de 30 anos e responde por tráfico de drogas.

Ex-diretora geral do complexo penitenciário do Rio, a socióloga Julita Lemgruber lembrou que 65% das mulheres presas no país são acusadas por tráfico de drogas em pequenas quantidades. “Estamos prendendo os varejistas, o que é caso da maioria dessas mulheres, não os grandes traficantes. Isso deveria ser um escândalo porque é um contingente enorme”, destaca.

Quando a mulher é presa, acrescenta a coordenadora da Unicef, a família paga uma pena. Irmãos acabam separados, e crianças, algumas vezes, são mandadas a abrigos. A filha mais velha da detenta Priscila Garcia da Silva, de 22 anos, está em um abrigo. Com 4 anos, a garota aguarda a transferência da guarda para a avó paterna, que também ficará com o bebê de Priscila, de 10 meses, nascido no sistema prisional.

A UMI oferece todos produtos para os cuidados dos bebês, como fraldas e pomadas para assaduras. A unidade aceita doação de roupinhas para crianças com mais de 1 ano.


Fonte: Agência Brasil

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes