segunda-feira, 30 de novembro de 2015

COP21: França emerge como líder em ‘financiamento verde’, diz estudo do PNUMA


A França tem mostrado sucesso na integração de fatores sustentáveis em sua arquitetura financeira. O novo relatório divulgado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) nesta segunda-feira (23) mostrou como o país, que acolherá a Cúpula do Clima (COP21) no final do mês, envolveu atores públicos e privados ao longo das últimas duas décadas para introduzir medidas pioneiras relacionadas ao clima.

“A França é parte de um crescente catálogo de exemplos ao redor do mundo onde a sustentabilidade tem sido incorporada por tomadores de decisão do setor público e privado. Esta mudança nas considerações financeiras é um elemento de ambição coletiva que estamos vendo em todos os cantos a favor de um futuro sustentável. Mais do que isso, ela demonstra um impulso acelerado em direção à sustentabilidade que teremos que ampliar em Paris para combater a mudança do clima.

O estudo é a primeira análise profunda sobre como as questões ambientais estão cada vez mais permeando o sistema financeiro da França. O texto destaca a liderança do país na promoção da integração de sustentabilidade e fatores climáticos em decisões de caráter financeiro. Esta preocupação se transformou recentemente em medidas de informação e avaliação de risco sobre o clima– notadamente o Artigo 173 – adotado como parte da Lei de 2015 sobre a Transição de Energia para o Crescimento Verde.

Nick Robins, codiretor do estudo do PNUMA, disse: “Este novo relatório sobre a França adiciona à investigação uma análise em profundidade sobre as ações que os países ao redor do mundo tem tomado para alinhar os seus sistemas financeiros com o desenvolvimento sustentável. Ele mostra como o mercado e a inovação de políticas podem unir-se para aprimorar a performance e a resiliência do sistema financeiro.”

O modelo político e regulatório é um apenas um dos elementos que contribuem para tornar o Sistema Financeiro da França mais verde. O relatório identifica um vasto “ecossistema” de atores comerciais, públicos e sem fins lucrativos que vêm exercendo um papel essencial para a articulação de questões sustentáveis pelo sistema financeiro.

Sobre a COP21

De 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015 acontecerá em Paris, França, a 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a 11ª Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (MOP-11).

A COP21 busca alcançar um novo acordo internacional sobre o clima, aplicável a todos os países, com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo dos 2°C. A UNFCCC foi adotada durante a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, em 1992, e entrou em vigor no dia 21 de março de 1994. Ela foi ratificada por 196 Estados, que constituem as “Partes” para a Convenção.

Esta Convenção-Quadro é uma convenção universal de princípios, reconhecendo a existência de mudanças climáticas antropogênicas – ou seja, de origem humana – e dando os países industrializados a maior parte da responsabilidade para combatê-la.

A Conferência das Partes (COP), constituída por todos os Estados Partes, é o órgão decisório da Convenção. Reúne-se a cada ano em uma sessão global onde as decisões são tomadas para cumprir as metas de combate às mudanças climáticas. As decisões só podem ser tomadas por unanimidade pelos Estados Partes ou por consenso. A COP realizada em Paris será a vigésima primeira, portanto “COP21”.

O site da COP21 é o http://newsroom.unfccc.int/cop21parisinformationhub
O site local do evento é o http://www.cop21.gouv.fr/en
Todas as principais informações sobre o evento e cobertura em português serão publicadas em http://nacoesunidas.org/cop21


Fonte: ONU

Tido como morto, Rio Doce 'ressuscitará' em 5 meses, diz pesquisador


Embora esteja considerado atualmente "morto", o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), "vai ressuscitar" em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.

A afirmação é de Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo e que afeta a costa do Espírito Santo.

Embora especialistas tenham divulgado previsões de danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão "desprezíveis", que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.

Para ele, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo "insignificante" para as empresas.

Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida - até janeiro do próximo ano.

Ao mesmo tempo, o especialista considera "inaceitável" que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria "criminoso" não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Nos últimos dias, especialistas, ativistas, moradores, pescadores e indígenas têm repetido que o rio Doce "está morto". O senhor diz que ele "vai ressuscitar". Como isto deve acontecer?

Paulo Rosman -
Eu vou repetir um chavão muito conhecido: o tempo é o senhor da razão. Há a visão quantitativa e fria do pesquisador, do cientista, e a visão emocional e por vezes desesperada do morador, do pescador e do índio. Os dois estão expressando as suas razões. Nenhum dos dois está certo ou errado.

No caso da ciência as coisas são mais factuais, quantitativas, mais numéricas. No caso do indígena, ele constata e sofre com a "morte" do rio. A diferença é que o rio está morto neste momento, é verdade, mas ressuscitará muito rapidamente, e eles vão poder comprovar isso.

Há muitos exemplos de acidentes muito mais graves e mais sérios do que este da barragem de Mariana. Veja a erupção vulcânica do monte Santa Helena, nos Estados Unidos (em 1980). Foi tudo devastado e destruído, numa área imensamente maior. Você vai lá hoje e vê que os animais voltaram e a mata voltou.

Para fazer a conta, você tem que pegar o peso da lama e dividir pela massa específica dessa lama. Se neste momento eu tenho 4 kg/m³ de água e for dividir pela massa da lama, dá mais ou menos 1,3 mm. Então isso significa que se esses sedimentos todos se depositassem no fundo do rio formariam um tapete de 1 mm de espessura, o que nem vai acontecer, porque a correnteza vai levar.

As fortes chuvas entre novembro e abril "lavarão" o rio Doce, num processo natural.

Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentológicos, na dinâmica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estuários, das zonas costeiras. Então essas coisas são relativamente rápidas, a natureza se adapta, se reconstrói, se modifica.

BBC Brasil - Como o senhor avalia a mortandade e o retorno de peixes ao rio, posteriormente? E como responde a especialistas que avaliam que a recuperação da área e do rio pode levar mais de dez anos?

Rosman -
A onda de lama matou os peixes, mas o volume, pelo que eu vi publicado nos jornais, representa uma quantidade muito baixa. A não ser que tenha havido algum erro de cálculo, foi divulgado que morreram 8 mil kg de peixes no rio Doce. Veja, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: quando há uma baixa mortandade, estamos falando em 70 mil peixes, mas este número pode chegar a 200 mil, e depois sempre há o retorno. A gente sabe que não demora muito para que a Lagoa encha de peixe de novo.

Quanto aos comentários de especialistas citados, eu diria apenas que eu espero que eles estejam enganados. Não vou entrar em discussão. Mas basta olhar coisas que já aconteceram. Por exemplo, a quantidade de sedimentos que desceu dentro do rio Itajaí-Açu (SC), no final de 2008, quando caíram inúmeras encostas no vale do Itajaí, na região de Itajaí e Blumenau. Houve um desmoronamento do cais do porto, um mega-assoreamento do canal do porto de Itajaí, sem contar diversas mortes na tragédia. Foi um evento natural, e em quantitativos ele é extremamente maior do que esse do rio Doce.

E o porto de Itajaí está lá, o rio Itajaí-Açú está lá, Blumenau está lá. O rio voltou ao normal. Sinceramente eu acho que essas pessoas estão sendo movidas pelo impacto humano da tragédia, pela emoção. As mortes e os prejuízos são dores e perdas eternas. Mas temos que separar. Para voltar para o plano racional, só deixando o tempo passar.

BBC Brasil - É possível mensurar a quantidade de sedimentos que chegou ao mar do Espírito Santo e o impacto ambiental disso? Dias atrás cientistas cogitaram impactos catastróficos nos ecossistemas marinhos da região.

Rosman -
Sim. De acordo com os últimos números, a concentração a 10 km de distância da foz do rio Doce, onde a lama teve contato com o mar, está entre 50 e 20 mg/l de sedimentos em suspensão. Isto é muito insignificante para ser considerado um risco ambiental. É absolutamente desprezível.

Para se ter uma ideia, a água transparente do mar, costeira, tem tipicamente 5 mg/l de sedimentos em suspensão. A água dentro de uma baía tem tipicamente entre 50 mg/l a 100 mg/l de sedimentos em suspensão. A água de um rio com cor barrenta tem em torno de 500 mg/l de sedimentos de suspensão, são todos dados naturais.

Rios muito barrentos, como o Amazonas, têm entre 1.500 e 2.000 mg/l de sedimentos em suspensão na época de cheia.

Então se a 10 km da foz do rio Doce você vai ter concentrações de no máximo 50 mg/l no mar, embora você veja a coloração diferente por mais algumas semanas, é óbvio que não estamos falando de danos ambientais. Diferentemente de um vazamento de petróleo, que você usa bactérias para decompor e limpar - e leva tempo e gera mortalidade de vida marinha muito maior -, no caso atual você não tem como "limpar" a lama no mar. Ela se dilui naturalmente, sozinha.

Mesmo que você tenha um padrão de ventos que gere correntes fora do usual, a distância é tão grande e a diluição é de tal ordem que não causaria efeitos danosos em Abrolhos.

BBC Brasil - E quanto à composição destes sedimentos que compõem a lama? É possível que seja descoberto que têm uma toxicidade muito maior do que se imagina e que possa causar danos futuros?

Rosman -
Risco sempre há, mas não tenho razões para acreditar nisso. Já ouvi pessoas que não são da área darem prognósticos devastadores quanto à toxicidade desse material. E já ouvi pessoas que são especializadas, da área de geologia, e que conhecem muito bem isso, dizerem o oposto, que se trata de um material de baixa toxicidade.

Então não tem grandes impactos persistentes no longo prazo. As pessoas podem tirar da cabeça essa ideia de que se trata de algo radioativo, de um veneno ambiental que vai matar tudo e nunca vai sair do chão. Não é nada disso.

Para você ter uma ideia, a doutora Marilene Ramos, que é a presidente do Ibama, tem doutorado em mecânicas do solo. Ela fala inclusive com um conhecimento específico de solo muito maior do que o meu. Ela me disse que esse material não é de alta toxicidade e que é basicamente areia fina, argila e óxido de ferro. Claro que tem traços de outras substâncias, mas em concentrações muito baixas, que não oferecem risco.

BBC Brasil - Na sua opinião o que deveria ser feito no distrito de Bento Rodrigues (MG), o vilarejo mais devastado pela avalanche de lama? Como limpar ou recuperar o local? E quanto isto pode custar?

Rosman -
Primeiramente o governo de Minas Gerais precisará avaliar o que retirar de escombros, de estruturas danificadas, e ver se deixa algo como marco simbólico da tragédia. É um absurdo permitir o retorno das pessoas para aquele local.

Se eu fosse o governo de Minas Gerais obrigaria a Samarco a fazer um parque memorial ali. Fazer um projeto bonito, fazer um paisagismo, uma correção de solo, um jardim, e ficaria como memória, com homenagem às pessoas que sofreram essa desgraça toda. Ninguém vai poder voltar a morar ali.

BBC Brasil - O senhor orientaria o governo mineiro a retirar os outros povoados que estão na linha de avalanche de outras barragens de rejeito de mineração?

Rosman -
Com certeza. Muitas vezes os povoados se formam próximo às barragens porque atraem empregos e comércio. Mas o poder público não poderia permitir a instalação de povoados em áreas de passagem de eventos como esse que ocorreu. Hoje não faltam ferramentas computacionais que nos permitem simular um rompimento de uma barragem e mostrar qual é a trilha de percurso da avalanche. Atualmente é inaceitável e injustificável ter povoados em rotas de avalanche de barragens, ninguém poderia morar nestes locais.

BBC Brasil - O senhor considera que isto foi uma irresponsabilidade dos atores envolvidos?

Rosman -
Olha, irresponsabilidade é quando você tem consciência do fato e não faz nada. Tudo é óbvio depois que você já sabe o que aconteceu. Ou seja, a partir de agora, deste exemplo dramático e catastrófico, se o governo não tomar medidas para realocar pessoas em áreas de alto risco, em outros locais onde se sabe que poderia ocorrer algo semelhante a Mariana ou até pior, eu diria que estaríamos falando de uma atitude mais do que irresponsável, mas sim criminosa.

Há duas opções. Você pode remover o povoado para outro local, ou se o povoado for grande demais, você embarga o negócio lá em cima. Para de usar a barragem, estabiliza, deixa secar, e pronto. Transfere a atividade para outro lugar. Tem que ver o que é mais viável.


Fonte: BBC Brasil

Exames confirmam ligação entre vírus Zika e microcefalia em bebês


O Ministério da Saúde confirmou que existe relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia na Região Nordeste do país. Segundo nota divulgada pela pasta, exames feitos em um bebê nascido no Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas revelaram a presença do vírus em amostras de sangue e tecidos.

O resultado enviado pelo Instituto Evandro Chagas revelou, segundo o ministério, “uma situação inédita na pesquisa científica mundial”. O governo assegurou que vai dar continuidade às investigações para descobrir quais as formas de transmissão, como o vírus atua no organismo e qual período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos três primeiros meses de gravidez.

Neste sábado, o instituto de pesquisa notificou o governo sobre outros dois óbitos relacionados ao vírus Zika. As análises indicaram que o vírus pode ter contribuído para agravar estes casos. É a primeira ligação de morte relacionada ao vírus zika no mundo, o que demostra uma semelhança com a dengue.

A expectativa é que sejam redobradas ações nacionais para combater o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, responsável pela disseminação da dengue, Zika e chikungunya.


Fonte: Radioagência Nacional

Artigo - Desconstruir a maternidade romântica é nosso papel


Por: Julia Harger*

A forma como a sociedade coloca a maternidade romântica, tipo aquela idéia de que mães são seres perfeitos, sempre sorrindo, angelicais, santas que jamais erram é uma das ferramentas de opressão para nos vender a vontade de ser mãe.

Já cansei de ouvir de amigas childfree convictas que elas ainda tem um pedacinho lá dentro de vontadinha de ter filhos. Vontadinha essa, queridas, provocada pelo marketing que o sistema patriarcal faz em cima da maternidade.

Eles querem te seduzir sim. Sabe porque? Por que mãe é mulher que não age. Mãe fica quieta pois tem seu tempo reduzido. Mãe não incomoda. Mãe está, em muitos casos, fora do mercado de trabalho. Mãe tem pouco tempo: o tempo que tem é precioso e normalmente é usado para coisas urgentes. Ativismo fica por último. Uma mãe é uma mulher com muito menos tempo de incomodar e de reivindicar seus direitos na sociedade.

Mas eu estou aqui para tentar mudar isso. Eu, mãe apaixonada louca pela cria, estou aqui para te dizer: essa romantização é uma mentira. Maternidade é uma responsabilidade pesada. Sim, é apaixonante, visceral e não posso mais ver a minha vida de outra maneira, porém vamos a verdade: tem que querer muito. Não compre a idéia poética de ser mãe.

Mãe não é exclusivamente amor, carinho e compaixão. Mãe é uma mulher que sofre, que chora, que reclama. Mãe se tranca no banheiro por minutos livre pela sua sanidade. Mãe é uma mulher que, como nunca antes, questiona o patriarcado e os malditos papéis de gêneros dentro da maternidade. Mãe fica com inveja do pai e da vida dele que segue tão igual a antes. Mãe sente vontade de ter nascido homem. Mãe se exclui socialmente. Mãe carrega nas costas dupla ou tripla jornada. Mãe abre mão da vida profissional porque não tem escolha. Ou em muitos casos aceita qualquer trabalho porque precisa. Mãe vai rodar na entrevista de emprego, adivinha porque? Por que é mãe.Mãe talvez seja uma mãe que não pôde ter acesso ao aborto e tenha sido obrigada a sê-lo. Mãe se arrepende. Sim, de ter se tornado mãe: pelo menos por um segundo, ela se arrependerá. Mãe se sente sozinha. Mãe vai querer que a licença maternidade acabe logo, e depois não vai querer que acabe nunca. Dói ficar em casa 100% do tempo com um bebê mas também dói sair de casa sem ele. Mãe é contradição. Mãe atura marido por medo de se separar. Por medo de ser mãe solteira. Mãe atura até violência doméstica por isso. Mãe tem dores. Físicas e psicológicas, muitas dores. Além das suas dores, mãe também sente as da cria (10x mais forte). Mãe é mulher sobrecarregada. É mulher há dias sem dormir. Cansada. É mulher sem o mínimo de vaidade pois já abriu mão do que não é urgente. Ou é mulher vaidosa que se sente feia por não ter tempo. Mãe se sente muito feia. Tem que se acostumar com o novo corpo. Mãe passa fome. Passa dias sem tomar banho. Mãe olha para o céu e agradece quando consegue fazer xixi. Mãe tem suas vontades e necessidades jogadas para o lado para atender a cria. “Ahhhh mas mãe que é mãe faz isso feliz”. Ela tem escolha? Mãe é insegura. Mãe é uma mulher que se tornou tão vulnerável quanto como se sua pele do peito fosse arrancada e o coração estivesse exposto ali assim tão fácil de ser machucado.

Mãe se culpa, se culpa, se culpa diariamente e se questionará como mãe para o resto da vida pois a sociedade não vai cansar de apontar o dedo e lembrá-la de como ela provavelmente está fazendo isso errado.

Mãe é uma mulher que sonhou com a maternidade romântica e sofreu muito para adaptar-se quando viu que a realidade é bem diferente. E que, por conta da poesia que todos pensam quando se fala em “ser mãe”, ela não se sente no direito de reclamar. Não sem se sentir envergonhada ou culpada. PorqueMÃE É MÃE, dizem todos. Essa frase opressora que serve de justificativa para que aceitemos todo o peso da maternidade sem reclamar, quase como se fosse “agora aguenta”.

E é claro que eu escrevo esse texto com o coração e com culpa, pois afinalMÃE É MÃE, né? O que eu estava pensando? Ainda bem que, no sofrimento, na surra, nas situações difíceis nós também crescemos. Agradeço a maternidade por me mostrar o quão forte nós realmente somos. E você nos subestima patriarcado, quando acha que a falta de tempo que a maternidade acarreta vai nos calar. Estamos juntando nossas forças. Nos aguarde.


* Julia Harger. Apaixonada por veganismo, animais, Ashtanga e SUP yoga, cozinha crudivora, nutriçao vegana e agora pela Dominique. Daqui da Australia, divide a jornada que será passar seus valores de amor e respeito aos animais à Domi. Criaçao com apego, amamentaçao prolongada, parto natural e tudo que tenha a ver


Fonte: Blog Vegana é a sua Mãe

Pela 1ª vez, corrupção é vista como maior problema do país, diz Datafolha


No ranking de problemas do país conforme a opinião dos brasileiros, a corrupção é, pela primeira vez, a campeã isolada.

Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 25 e 26 em todo o país, 34% dos eleitores colocam a corrupção como o principal problema do Brasil na atualidade. Na sequência aparece saúde, com 16%; desemprego, com 10%, educação e violência, ambos os temas com 8%. Economia é assunto citado por 5%.
<a href="http://arte.folha.uol.com.br/graficos/2eHu4/?w=620&amp;h=500">O maior problema do país - Resposta única e espontânea, em %</a>
A pesquisa foi feita em meio à Operação Lava Jato, que começou apurando a atuação de doleiros em 2014, agigantou-se com a descoberta de um esquema de corrupção na Petrobras envolvendo funcionários da estatal, grandes empreiteiras e políticos, e depois estendeu-se para o setor elétrico.
Entre os investigados estão petistas de proa, como o ex-deputado José Dirceu e o ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto (ambos presos); os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL); e diversos outros congressistas, como os senadores Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Collor (PTB-AL), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Romero Jucá (PMDB-RR).
A pesquisa foi feita logo após a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, conhecido pela amizade com o ex-presidente Lula. E simultaneamente à prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, ambos suspeitos de sabotar a Lava Jato oferecendo vantagens ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que assinou acordo de delação premiada.
O Datafolha investiga a principal preocupação dos brasileiros desde 1996, ainda durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso na Presidência.
Durante todo o período tucano (até 2002), o tema líder no ranking de principais problemas foi o desemprego, com o recorde de 53% no fim de 1999. Em algumas rodadas, fome/miséria apareceu em segundo lugar na lista de preocupações, assunto citado por apenas 1% atualmente.
Desemprego continuou reinando no ranking até o fim do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.
O segundo mandato de Lula começou com um substancial aumento da preocupação com violência/segurança, assunto líder em todas as pesquisas de 2007. De 2008 até junho deste ano foi o período dominado pela saúde.
Sob Lula e FHC, corrupção nunca foi apontado como o principal problema do país por mais de 9% do eleitorado.
O tema começou a ganhar força em junho de 2013, primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, mês de enormes protestos de rua pelo país com pautas variadas, da tarifa do transporte à violência policial. Naquele momento, a corrupção foi citada como maior problema por 11%, recorde na série histórica do Datafolha até então.
Nas três pesquisas anteriores de 2015, ficou sempre acima de 20%. O Datafolha ouviu 3.541 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.


Fonte: Folha de São Paulo

Pesquisa com estudantes aponta dados alarmantes de corrupção


Uma pesquisa da Unicarioca com 1.100 alunos dos ensinos médio e superior, com idades entre 16 e 30 anos, teve as seguintes conclusões: 58% já pediram para colocar nome em trabalho de grupo sem ter participado; 68% já copiaram textos da internet para apresentar em trabalhos; 59% assinaram lista de presença em nome do colega; 69% já colaram em provas. Eles foram questionados a respeito do tipo de corrupção que praticavam na escola.

A pesquisa foi encomendada pelo jornalista Antonio Gois, depois de ler, numa rede social, o desabafo de uma doutoranda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que ficou decepcionada com os alunos.A professora começou a dar aulas na graduação e percebeu que os estudantes só se interessavam por livros, exercícios e trabalhos se fossem recompensados com pontos na nota final da disciplina. Ou seja, a simples motivação pelo conhecimento parecia não existir.

Nos Estados Unidos, a punição contra a falsificação de trabalhos escolares são mais rígidas. Na Universidade de Columbia, se o aluno for flagrado colando ou plagiando um trabalho, passa por uma espécie de "tribunal" e pode ser suspenso ou até mesmo expulso.


Fonte: GloboNews

Ligue 180 atende mulheres vítimas de violência no exterior


O último relatório internacional da Central de Atendimento à Mulher 180 aponta que foram recebidas 80 ligações em um ano. As mulheres que mais denunciaram residem na Espanha, Itália e Portugal.

Elas podem buscar ajuda no Ligue 180, que já oferece canais de atendimento no exterior. Também podem ser acionadas embaixadas, consulados e organizações não-governamentais que trabalham no combate à violência contra as mulheres.

Romper o ciclo de violência doméstica em outro país demanda também apoio para se livrar das chantagens dos companheiros, que ameaçam ficar com os filhos no país estrangeiro. No ano passado, duas brasileiras vítimas de violências doméstica no exterior conseguiram na Justiça o direito de voltar ao Brasil com seus filhos.


Fonte: Agência Brasil

Por que é raro que um parlamentar seja preso?


Dezenas de pessoas já foram presas pela Operação Lava Jato, mas nesta quarta-feira aconteceu algo inédito: um senador no exercício de seu mandato, o líder do governo na Casa, Delcídio Amaral (PT-MS), foi detido preventivamente na manhã desta sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações contra ele.

À noite, o Senado decidiu manter a prisão do senador, por 59 votos a favor e 13 contra.

Mas, com tantas suspeitas e acusações que recaem sobre congressistas – algumas dezenas deles estão sendo investigados na Lava Jato – por que a prisão de um parlamentar é algo tão raro?

Isso ocorre porque há uma série de normas previstas na Constituição Federal que dão proteção extra aos congressistas teoricamente com o objetivo de preservar sua autonomia durante o exercício do mandato para o qual foram eleitos democraticamente. A legitimidade dessas regras, porém, não é consenso entre juristas.

O artigo 53 da Constituição, por exemplo, prevê que um parlamentar só pode ser preso se for pego em flagrante cometendo crime inafiançável – ou seja, para o qual não está prevista a possibilidade de pagamento de fiança para obter a liberdade.

Além disso, esse artigo estabelece também que a decisão da prisão deverá ser submetida rapidamente ao plenário da respectiva Casa do parlamentar preso, ou seja, o Senado ou a Câmara dos Deputados.

Foro privilegiado

Outra norma constitucional que tem o objetivo de preservar parlamentares é o foro privilegiado. Segundo essa regra, o congressista só pode ser investigado e preso após autorização do Supremo Tribunal Federal.

Isso impede, por exemplo, que o juiz federal Sergio Moro, responsável pelas prisões da Lava Jato na primeira instância, decida sobre os parlamentares citados no caso.

Ele já condenou dois ex-deputados, André Vargas (ex-PT) e Luiz Argolo (ex-SDD), mas isso só ocorreu porque eles haviam perdido seus mandatos.

"Não é uma proteção, um privilégio, digamos, ao congressista", entende o advogado e jurista Ives Gandra. "É a garantia de que as instituições não vão correr risco na medida em que pessoas com muita experiência, no topo da magistratura, é que vão examinar a pertinência ou não de uma prisão. Essa é a razão pela qual a Constituição prevê que os parlamentares só podem ser presos nessas circunstâncias (específicas)", acrescenta.

Segundo o criminalista Alberto Zacharias Toron, garantias como essas estão presentes nos parlamentos de todos os países para evitar prisões arbitrárias de congressistas.

"Muita gente questiona a validade dessas regras num país em que os tribunais funcionam com independência. Mas, apesar de haver esse questionamento, até hoje prevalece o entendimento de que os congressistas devem ter essa proteção para poder atuar com independência e não serem alvos fáceis de regimes autoritários que possam colocar a polícia no encalço do parlamentar", destacou.
Casta

A procuradora regional da República e professora da FGV-Rio Silvana Batini tem visão diferente. Na sua opinião, o foro privilegiado compromete a eficiência do combate à corrupção no país.

"Nós temos um sistema de foro privilegiado muito, muito amplo, maior que qualquer outro país no mundo. Precisamos repensar a questão do foro privilegiado, sim. Eu acho que ele cria uma casta. É uma situação que não se justifica na evolução democrática que nós temos hoje no Brasil", afirma.

Ela observa que, quando a Constituição foi escrita, em 1988, o país havia acabado de sair de um regime autoritário, a Ditadura Militar (1964-1985) e, por isso, havia uma preocupação grande em proteger a liberdade do parlamentar.

"Foram regras criadas numa reação ao período antidemocrático, para blindar o parlamentar contra as investidas de um poder autoritário", lembra.

"Hoje o jogo democrático é completamente diferente. O risco de um parlamentar criminoso continuar praticando crimes no Brasil de hoje é maior que o risco autoritário de um Poder querer cooptar o outro como numa ditadura. Aquela regra foi concebida dentro de uma visão de homens republicanos honestos, mas a realidade é outra", argumenta.

Crime continuado

Para solicitar a prisão de Delcídio ao STF, a Procuradoria-Geral da República argumentou que havia uma ação criminosa continuada do senador no sentido de obstruir as investigações da Lava Jato.

A principal prova apresentada foi a gravação de um diálogo entre Delcídio e Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras preso pela Lava Jato.

Na conversa, gravada pelo próprio Bernardo, o senador tentava convencer o ex-diretor da estatal a não fechar acordo de delação premiada – mecanismo pelo qual o acusado concorda em ajudar os investigadores em troca de penas mais brandas.

Para tentar convencê-lo disso, Delcídio ofereceu apoio para uma fuga de avião, pelo Paraguai, rumo a Madri, na Espanha. Além disso, oferecia uma "mesada" de R$ 50 mil e disse que influenciaria ministros do STF para que colocassem Cerveró em liberdade.

O ministro Teori Zavascki aceitou o argumento da Procuradoria e decretou na noite da terça a prisão de Delcídio e outras três pessoas, entre elas o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual. A decisão de Zavascki foi referendada por unanimidade na manhã de quarta pela segunda turma do STF, que inclui também os ministros Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli.

Para a professora da FGV Silvana Batini, o Supremo fez uma leitura atualizada da Constituição Federal, o que permitiu decretar a prisão do senador nesse caso.

"A regra constitucional literalmente prevê que (o parlamentar) só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável. Mas essa regra foi concebida num momento que a imunidade parlamentar era muito mais ampla, quando o parlamentar só podia ser processado após autorização da Câmara ou Senado", observa.

No entanto, destaca Batini, desde 2001, após uma emenda à Constituição ser aprovada no Congresso, parlamentares podem ser processados pelo STF independentemente de autorização da Casa legislativa.

"Então, a tese do procurador-geral da República, que foi acolhida pelo Supremo, é que aquele dispositivo que restringia a prisão do parlamentar à prisão em flagrante tinha que ter uma interpretação condizente com o atual sistema", diz a professora.

Já o criminalista Alberto Toron não concorda que os atos praticados por Delcídio possam ser caracterizados como flagrante.

"No meu modo de ver, não existe flagrante algum. O fato de ele lá atrás, em conversa, ter dito isso ou aquilo poderia dar ensejo a uma prisão preventiva se fosse um cidadão comum, mas não é uma hipótese de flagrante. Isso ocorreu no passado, não existe no presente", diz.

Palavra final do Senado

Em votação aberta ocorrida pouco depois das 21h desta quarta-feira, os senadores decidiram manter a prisão de Delcídio.

Antes da decisão, os juristas ouvidos pela BBC já acreditavam que, a gravação que revelou a conversa de Delcídio com o filho de Cerveró, dificultava uma decisão favorável ao senador.

Para Gandra, se o Senado soltasse Delcídio, seria criada "uma crise entre Poderes, porque, para o Supremo declarar isso, as provas devem ser inequívocas".

Batini também acreditava na manutenção da prisão. Para ela, a "força dos fatos" tornaria "absolutamente constrangedor" ao Senado liberar o petista.

"Acho que a opinião pública também está muito atenta a isso."


Fonte: BBC Brasil

Conectadas e violentadas: como a tecnologia é usada em abusos contra mulheres


Quando a atriz britânica Emma Watson fez campanha a favor da igualdade entre gêneros na Organização das Nações Unidas (ONU), ela não sabia que estava tornando a si própria um alvo da perseguição por uma turba global.

Tampouco sabia a desenvolvedora de jogos Zoe Quinn que ela seria vítima de abusos por entrar num mundo predominantemente masculino - a campanha de ódio, chamada "Gamergate", começou quando seu ex-namorado a acusou de ter conseguido uma boa cobertura da mídia de um de seus jogos ao oferecer favores sexuais.

O que veio depois foi um assédio misógino de outros jogadores online, inclusive com ameaças de estupro e morte.

De forma similar, a atriz americana Jennifer Lawrence tornou-se vítima de um "crime sexual" depois que fotos em que estava nua foram vazadas e distribuídas pelo mundo digital.

Como estes, há muitos outros exemplos: em tempos de constante conectividade, a tecnologia virou uma ferramenta para "atacar mulheres e meninas", alerta a ONU.

Milhões de mulheres no mundo são alvo de violência doméstica só por serem o que são: mulheres. E a popularização de tecnologias de comunicação e redes sociais viabilizaram novas formas de violentá-las.

Está na hora de o "mundo despertar" para a importância deste assunto, disse a ONU. A organização estima que 95% de todos os comportamentos agressivos e difamadores na internet tenham mulheres como alvos.

"A violência online subverteu a premissa original positiva da liberdade na internet e, com demasiada frequência, a tornou um espaço arrepiante que permite crueldade anônima e facilita ataques contra mulheres e meninas", diz Phumzile Mlambo-Ngcuka, da ONU Mulher, agência da organização dedicada à igualdade de gêneros e maior poder feminino.

A violência de gênero no mundo digital não é mais um "problema de primeiro mundo", dizem especialistas em tecnologia, e vem na esteira da popularização global de smartphones e tablets e da internet.

Também não é fácil combatê-lo, já que tecnologias digitais são uma faca de dois gumes, que pode ser usada tanto para perpetrar a violência de gênero quanto para fazer mulheres sentirem-se seguras e mais independentes.
Quando a tecnologia é uma aliada 
No mês passado, a campanha Ponto Preto tomou as redes sociais de assalto: um esforço bem intencionado de identificar vítimas de violência doméstica em busca de ajuda ao pedir que elas desenhassem pontos pretos em suas mãos e publicassem isso na internet.
"Em apenas 24 horas, a campanha atingiu 6 mil pessoas em todo o mundo e ajudou seis mulheres", publicou um de seus organizadores.
Seu sucesso viral não recebeu o apoio de grupos de combate à violência doméstica por causa do receio de que isso atrairia atenção para as vítimas, que poderiam se tornar alvo da ira de seus abusadores.
Mas foi um exemplo de como a tecnologia e as redes sociais podem ser uma aliada contra a violência de gênero. Assim como este, há outros projetos no mundo.
A hashtag #NiUnaMenos foi criada na Argentina para condenar feminicídios que ficam impunes. A campanha "Bites para Todas" busca combater a violência de gênero no Paquistão. 
O aplicativo Medicapt está sendo criado no Congo para coletar e transmitir evidências de violência doméstica. E a campanha #meuprimeiroassédio foi lançada no Brasil para que mulheres relatassem abusos que sofreram ainda na infância.
Pandemia digital

Com uma em cada três mulheres já tendo sofrido com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a violência contra a mulher "como um problema global de saúde de proporções epidêmicas", que varia desde abusos domésticos a assédio na rua, tráfico sexual, estupro e feminicídio.

A mídia social impulsionou ainda mais esta pandemia.

"A internet está disponível para todos, assim como a violência. Seus perpetradores não estão mais limitados por fronteiras geográficas ou físicas", diz a baronesa Patricia Scotland, ex-procuradora-geral do Reino Unido e fundadora da organização Aliança Corporativa Contra Violência Doméstica.

O centro de estudos Associação pela Comunicação Progressiva estabeleceu os "quatro As" que distinguem a violência de gênero relacionada à tecnologia: anonimato, acessibilidade, ação à distância (exercendo assim uma forma de violência menos aparente sem contato físico) e automação (ou seja, menos tempo e esforço são necessários para perpetrar o ataque).

Este comportamento violento online vai desde o assédio virtual e aviltamento público ao desejo de agressão física - e a internet pode ser a ferramenta para transformar a violência virtual em violência real.

"Intimidação, ameaças e acesso a informações da vítima não são táticas novas dentro do contexto da violência doméstica. Mas o uso da tecnologia significa que o assédio e abuso podem se tornar muito mais invasivos, intensos e traumatizantes", diz Kaofeng Lee, da organização sem fins lucrativos Rede Nacional pelo Fim da Violência Doméstica (NNEDV, na sigla em inglês).
Ciberviolência 
18 a 24 é a faixa etária com maior risco de sofrer violência de gênero relacionada à tecnologia 
76% das mulheres de 14 a 24 anos diz que o abuso digital é um problema sério
56% dizem já ter sofrido algum tipo de assédio
26% já foram vítimas de perseguição
25% sofreram assédio sexual
5% dizem que algo aconteceu online que as levou a correr "perigo físico" 
Fonte: ONU / Centro de Pesquisas Pew
Uma pesquisa realizada pela NNEDV, que é baseada nos Estados Unidos, descobriu que 89% das vítimas inscritas em programas relacionados à violência doméstica sofreram algum tipo de abuso por meio de tecnologias, muitas vezes em diferentes plataformas.

E as vítimas são cada vez mais jovens, segundo mostram os números.

Nada de trotes

A reação nas redes sociais de mulheres famosas contra esta violência tem ajudado a conscientizar sobre o poblema, dizem especialistas.

Não foram apenas Jennifer Lawrence e Emma Watson. Há também Caroline Criado-Perez, por exemplo, que por algum tempo tornou-se o principal alvo de abuso online na parte da internet que fala inglês após pedir ao governo britânico para colocar mais mulheres entre os rostos estampados nas cédulas de dinheiro.

Ela foi vítima de uma intensa perseguição em mídias sociais: insultos, provocações e ameaças por outros usuários.

Alguns acreditam que a falta de regulamentação na maioria dos países precisa ser resolvida, além do simples fato que a intimidação digital não é sempre levada a sério.

Danielle Citron, professora da Universidade de Maryland e autora de Hate Crimes in Cyberspace (crimes de ódio no ambiente cibernético, em inglês), analisou as reações mais comuns a ameaças de morte e estupro na internet e descobriu que, às vezes, estas mensagens são consideradas "inofensivas" ou "trotes juvenis".

E que as ferramentas de denúncia criadas por redes sociais para ajudar seus membros a notificar abusos "apenas um paliativo para um problema do mundo real potencialmente perigoso".

Citron tem feito uma campanha nos Estados Unidos por leis que criminalizem a pornografia de vingança - a publicação de imagens sexualmente explícitas sem o consentimento da pessoa fotografada e uma forma de violência doméstica na era digital que já é penalizada em alguns países.

Mas tem enfrentado críticos poderosos, principalmente entre ativistas online que argumentam que uma legislação assim feriria a liberdade de expressão.

Jillian York, diretora da Electronic Frontier Foundation, organização internacional que advoga por direitos civis na rede, acredita que plataformas de mídia social não deveriam filtrar conteúdo para monitorar casos de violência.

"Isso estabelece um precedente perigoso para que determinados grupos exijam censura do Facebook a assuntos de seu interesse", ela escreveu no site Slate.
Formas de violência
1. Assédio online - desde SMS abusivos até monitoramento da vítima usando geolocalização
2. Violência de parceiros íntimos - por exemplo, ameaças de divulgar conversas privadas ou "pornografia de vingança"
3. Violência legitimada culturalmente - desde repassar piadas sexistas até criar grupos de Facebook que promovam o estupro
4. Violência sexual - quando a tecnologia é usada para atrair mulheres para situações que resultem em estupro ou outras formas de violência física 
Fonte: Campanha "Take Back the Tech!"
Jonathan Bishop, especialista em assédio online, afirma que, na maioria dos sites, os usuários são capazes de controlar o comportamento coletivo, apesar de considerar que leis sejam necessárias quando esta autorregulação falha.

Um estudo recente da ONU pede que integrantes deste mercado - que vão desde provedoras e empresas de serviços de telefonia celular a companhias de redes sociais, videogames e todos os tipos de sites - exerçam essa vigilância.

"Empresas de tecnologia precisam reconhecer explicitamente a violência contra mulheres como um comportamento criminoso" e fornecer "apoio para vítimas/sobreviventes", afirma o relatório.

Mas o cenário é bem desanimador: estatísticas revelam que uma em cada cinco usuárias de internet vivem em países onde a violência de gênero tem poucas chances de ser punida por meio de lei.


Fonte: BBC Brasil

Vazamento de 'nudes' é crime virtual mais comum no Rio, diz delegado


Os casos de vazamento de imagens íntimas, popularmente conhecidas como “nudes”, sem autorização das pessoas que aparecem nas imagens, ganham cada vez mais espaço. É o que afirma o delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DCRI) do Rio, Alessandro Thiers.

“Em primeiro lugar, com ampla vantagem, nós temos os crimes de vazamento de fotos e vídeos íntimos, com pessoas ofendidas na sua honra. Depois, temos a pedofilia, que as pessoas infelizmente botam bastante na internet. Em terceiro lugar, temos as fraudes financeiras, de uma forma geral. Em quarto lugar, nós temos os crimes de apologia: a atos criminosos, homofobia, racismo, intolerância religiosa”, enumera Alessandro Thiers, sem revelar os números de casos registrados.

Dados da ONG Safernet, entidade que monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, mostram que no ano passado foi registrado o maior número de casos de vazamentos de fotos e vídeos íntimos contra a vontade das pessoas expostas. Em 2014, a ONG recebeu a notificação de 224 casos do tipo, contra 101 em 2013. Os números são de âmbito nacional.

Mulheres são as principais vítimas

As mulheres, segundo o delegado, são os principais alvos de vazamentos de fotos e vídeos íntimos no Rio. "As mulheres são as maiores vítimas desse tipo de crime [chamados de pornografia de vingança]", disse o delegado Alessandro Thiers.

As análises da Safernet corroboram esta afirmação: segundo a ONG, quando são analisados de maneira mais aprofundada, é possível perceber que os casos de sexting — divulgação de conteúdos eróticos com a ajuda da tecnologia de celulares e computadores — podem ser considerados um problema de gênero.

Apesar de homens e mulheres compartilharem as imagens, elas são as que mais sofrem com o vazamento de imagens indesejadas e representam 81% das vítimas. Os homens são apenas 16% do total de queixas e 3% das vítimas não tiveram o gênero identificado.

Além de serem do sexo feminino, o perfil das vítimas que têm imagens vazadas é jovem. De acordo com as estatísticas da ONG, 53% têm menos de 25 anos de idade. Destas, 25% delas são menores, com idade entre 12 e 17 anos. Três estados do Sudeste estão no topo das notificações de vazamento de “nudes” contra a vontade das vítimas. São Paulo, que registrou 15 casos, o Rio de Janeiro, com oito; e Minas Gerais, com sete.

Vítima lamenta ter confiado na pessoa errada
Em abril de 2014, a estudante Lorena Gomes, de 22 anos, que mora em Campos, no Norte-Fluminense, sofreu um dos maiores baques de sua vida. Na porta de uma festa, ela descobriu que imagens íntimas suas estavam circulando por vários celulares por meio do Whatsapp. Elas teriam sido enviadas por um amigo, que foi a única pessoa que teve acesso às imagens. Na época, Lorena não denunciou o caso.

“Não fui à delegacia, nem nada, eu já estava morando em outra cidade e, na época, eu só queria que aquilo acabasse. Achei que, ficando em silêncio, estava fazendo o certo”, conta Lorena.

Após inicialmente se culpar pelo ocorrido, Lorena passou a expor a questão como uma maneira de conscientizar outras mulheres sobre o risco do compartilhamento de imagens íntimas. “Devemos usar isso como impulso para subir, evoluir, superar da melhor maneira possível. Mostrar, não só para as pessoas, mas principalmente para nós mesmos, que todos erramos, mas podemos superar sempre”, refletiu a estudante.

Sentimento de culpa

De acordo com Juliana Cunha, coordenadora psicossocial do Safernet, o sentimento de culpa costuma ser comum nestes casos. “Geralmente as vítimas sofrem com muitos transtornos, mentais, físicos e psicológicos”, afirma Juliana.

Segundo ela, o perfil dos crimes contra a honra pela internet mudou com a popularização dos smartphones e de aplicativos. “A gente tinha, antes de 2012, imagens mais frequentemente divulgadas em páginas de redes sociais. Os aplicativos aceleraram isso, e os números de casos de pornografia de vingança aumentaram”, explica Lorena.

Identificando abusos

A psiquiatra Carmita Abdo, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, concorda que a situação pode causar graves danos às mulheres, como depressão profunda e até tentativas de suicídio. Para ela, as mulheres devem estar atentas aos sinais que podem identificar uma situação de abuso.

“A gente tem que passar desconfiar a partir do momento que documentar a intimidade passa a ser uma insistência. Ele começa a querer fazer alguma coisa diferente, com o discurso de que deseja algo mais excitante. Principalmente em situações de crise no relacionamento”, afirma a psiquiatra, que lembra que as mulheres mais jovens acabam sendo presas mais fáceis para abusadores por conta da inexperiência, que as leva a confiar cegamente no parceiro.

A escritora e ativista feminista Daniela Lima afirma que o crescimento dos números de vazamentos de imagens íntimas é um reflexo de como a sociedade ainda vê o corpo da mulher como propriedade.

“Mulheres não têm autonomia sobre seus próprios corpos, de modo que o nosso ‘não’ é respondido com uma violência brutal: a vingança esteve e está muito presente nos relacionamentos. O maior índice de feminicídio é no ambiente familiar: companheiros, namorados, pais e irmãos matam mulheres que, de alguma forma, dizem ‘não’. Esse tipo de comportamento sempre existiu e a tecnologia se tornou um instrumento dele. Portanto, o que deve ser combatido coletivamente é o patriarcado – e não a tecnologia”, conta Daniela.

A escritora ressalta que a educação pode ajudar a reduzir este quadro preocupante, com a inclusão de debates de gêneros nas escolas, por exemplo. Ela também destaca que é preciso combater o papel de que a mulher, caso tenha enviado as imagens para um parceiro, seja considerada culpada, quando é, na verdade, uma vítima.

“A mesma sociedade que não discute a cultura do estupro, mas a roupa que a mulher estava usando ou o lugar onde ela estava quando foi estuprada, tenta responsabilizar as mulheres que se deixaram filmar. Nos dois casos, deixamos de discutir atitudes criminosas dos homens para culpar as vítimas. É uma crueldade extrema. Temos que agir contra esses limites impostos sobre o comportamento das mulheres: o problema não está nas roupas, no lugar que se anda ou nos vídeos, mas machismo”, afirma a escritora.

Como denunciar
Para Juliana Cunha, da Safernet, um dos principais problemas enfrentados pelas vítimas é a luta para apagar os registros das imagens vazadas sem consentimento. “O marco civil da internet foi um avanço, porque em seu artigo 21, ele garante o direito ao esquecimento. Se a empresa não responder, ela pode ser responsabilizada. Esperamos que as empresas também contribuam, porque a pessoa é revitimizada cada vez que a imagem é repassada”, explica.

O delegado titular da DRCI, diz que a vítima de um crime pela internet não precisa ir até a DRCI, localizada na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. “A vítima pode fazer um registro em qualquer delegacia, que pede ajuda à DRCI”, orienta.

Ele lembra ainda que a internet não é uma terra sem lei. Os crimes que punem de acordo com o Código Penal também podem ser aplicados ao meio eletrônico e serem julgados pelas mesmas penas. “Se a injúria for praticada por meio que facilite a sua divulgação, a pena aumenta em um terço”, explica Thiers.


Fonte: Portal G1

Desmatamento na Amazônia aumenta 16% em um ano


O desmatamento da Amazônia subiu 16% entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com o período de agosto de 2013 a julho de 2014. Foram derrubados 5.831 km².

O anúncio foi feito no fim da tarde desta quinta-feira (26/11), pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a partir de dados do Prodes, o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que oferece a taxa oficial de desmatamento no ano. No ano anterior, a perda da floresta tinha sido de 5.012 km².

De acordo com Izabella, o aumento da perda florestal se concentrou em três Estados: Pará, Mato Grosso e Amazonas. A ministra explica que neste ano houve uma novidade. Voltaram a ocorrer grandes desmatamentos, com derrubada de mais de mil hectares. Nos últimos anos, as perdas de pequenas proporções eram as que vinham ocorrendo de forma mais destacada.

Também chama a atenção o aumento no Mato Grosso, que subiu de 1 075 km² pra 1.500 km². "Lá a maioria das propriedades são privadas, com maior comprometimento com o Cadastro Ambiental Rural. Resolveram fazer desmatamento em série em várias áreas simultaneamente", diz.


Fonte: Correio Braziliense

Número de casamentos precoces de meninas africanas dobrará em 2050, afirma ONU


Quase metade dos casamentos precoces de meninas no mundo em 2050 será realizada na África, se a tendência atual persistir. O alerta foi feito pelo Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) com o lançamento do relatório publicado nesta quarta-feira (25), em conferência da União Africana em Lusaka, na Zâmbia.

A agência da ONU pediu mais incentivos à educação de qualidade e aos serviços de proteção para as meninas mais pobres e marginalizadas, como medidas de prevenção para esta prática. O relatório Perfil do Casamento Infantil na África afirma que o número de meninas casadas vai passar de 125 para 310 milhões nos próximos 35 anos, ou seja, será superior ao dobro da cifra atual.

As principais razões apontadas pelo estudo foram as baixas taxas de redução do casamento precoce, junto ao rápido crescimento populacional do continente – a população de meninas na região deve aumentar de 275 para 465 milhões em 2050.

Em 25 anos, a porcentagem de casamentos precoces na África caiu de 44% para 34%. No entanto, meninas e jovens pertencentes à parcela mais pobre da população continuam a ser as mais vulneráveis a esta prática, apresentando a mesma probabilidade de se casarem ainda meninas hoje do que em 1990, segundo UNICEF.

O casamento infantil diminui as perspectivas das mulheres para a saúde, frequentemente gera um ciclo intergeracional de pobreza, reduz a probabilidade de conclusão do colégio e aumenta chances de as meninas se tornarem portadoras de HIV, segundo relatório. Para enfrentar esta realidade, a agência da ONU pede uma ação mais ambiciosa.

A União Africana lançou uma campanha no continente para acabar com o casamento infantil em maio deste ano, seguida de um plano de ação dos governos para se dirigir à questão, que envolve: o aumento do acesso de meninas ao registro de nascimento; fornecimento de educação de qualidade e serviços de saúde reprodutiva; e fortalecimento das leis e políticas que protejam os direitos das meninas e proíbam o casamento antes dos 18 anos.


Fonte: ONU

Mulheres que fizeram história: Harriet Tubman, a espiã que salvou dezenas de escravos durante a Guerra Civil americana


Harriet Tubman (Araminta Ross, Condado de Dorchester, Maryland, 1820 — Auburn, 10 de março de 1913), também conhecida por Black Moses, foi uma afro-americana natural dos Estados Unidos, abolicionista, humanitária e espiã da União durante a Guerra Civil dos Estados Unidos da América, que lutou pela liberdade, contra a escravidão e o racismo.

Depois de escapar do cativeiro, ela fez treze missões para resgatar setenta escravos utilizando da rede de ativistas abolicionistas e abrigos conhecida como a "Underground Railroad". Ajudou John Brown a recrutar homens em seu ataque a Harpers Ferry, e no pós guerra lutou pela inclusão das mulheres no sufrágio.

Biografia

Nascida uma escrava no distrito de Dorchester, Maryland, Tubman apanhou de seus vários mestres quando criança. Ainda jovem, sofreu uma ferida traumática na cabeça quando um dono de escravos irado lançou-lhe um peso de metal, pretendendo acertar outro escravo. A lesão causou dores de cabeça, ataques epiléticos, poderosa atividade visionária e de sonho, e crises de hipersonia que ocorreram durante sua vida inteira. Como uma cristã devota, atribuiu suas visões e sonhos vividos a premonições de Deus.

Em 1849, Tubman escapou para Filadélfia e imediatamente retornou a Maryland para resgatar sua família. Devagar, e um grupo de cada vez, ela levou parentes consigo para fora do estado, e eventualmente guiou dezenas de outros escravos para a liberdade. Viajando de noite e em extremo segredo, Tubman "nunca perdeu um passageiro". Recompensas pesadas eram oferecidas por muitas das pessoas que ela ajudou a libertar, mas ninguém tinha conhecimento de que era Harriet Tubman quem os ajudava. Quando uma lei abrangente contra fugitivos entrou em vigor em 1850, ela ajudou a guiar fugitivos mais ao norte, em direção ao Canadá, e ajudou muitos recém-libertados a encontrar emprego.

Quando a guerra civil americana começou, Tubman trabalhou para o exército da união (norte), primeiro como uma cozinheira e enfermeira, e então como batedora e espiã. A primeira mulher a liderar uma expedição armada na guerra, ela guiou o ataque no rio Combahee, que liberou mais de setecentos escravos.

Após a guerra, Harriet Tubman se aposentou para a residência da família em Auburn, Nova Iorque, onde cuidou de seus pais idosos. Foi ativa no movimento para o sufrágio feminino até ser tomada por doença e ter de se internar numa clínica para idosos afro-americanos que ela havia ajudado a abrir anos antes. Depois de sua morte em 1913, se tornou um ícone americano da coragem e da liberdade.


Fonte: Wikipédia

Presidente da Gâmbia anuncia proibição da mutilação genital feminina


A República da Gâmbia anunciou, nesta terça-feira (24), que vai banir a mutilação genital feminina. O anúncio foi feito pelo presidente do pequeno país africano, Yahya Jammeh.

A proibição, segundo mandatário, passa a valer imediatamente. No entanto, de acordo com o Guardian, não há uma data exata para quando o governo vai elaborar uma legislação que torne a proibição efetiva. Segundo ativistas, o dispositivo legal e imprescindível para salvar "inúmeras vidas".

A medida também foi confirmada pelo ministro das Comunicações do país, Sherrif Bojang, segundo a agência de notícias AFP. "O presidente disse que a decisão de banir a mutilação genital feminina é, basicamente, para proteger as meninas", contou.

A Gâmbia é uma ex-colônia britânica e uma das nações mais pobres do mundo.Jammeh governa o país desde que assumiu o poder em um golpe, no ano de 1994.

A proibição, anunciada durante uma visita do presidente ao seu vilarejo natal, surpreendeu a equipe do governo e o público.

"Eu estou muito surpresa que o presidente tenha feito isso. Não esperaria uma decisão como essa nem em um milhão de anos. Estou orgulhosa do meu país e muito muito feliz", comemorou Jaha Dukureh, ativista que luta pelo fim da mutilação genital feminina ao Guardian.

A prática ainda é bastante comum no país de 1,8 milhões de habitantes, onde estima-se que 75% das mulheres tenham sido mutiladas, assim como em várias outras nações africanas e em algumas partes do Oriente Médio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 125 milhões de mulheres no mundo todo foram submetidas à mutilação, que envolve cortes nos lábios vaginais e no clitóris, geralmente enquanto as meninas ainda são muito jovens - 56% das crianças com até 14 anos foram mutiladas na Gâmbia. O procedimento pode causar a morte das mulheres, seja por hemorragia ou por infecções. Há ainda casos de mulheres que morrem durante o parto, por causa de complicações decorrentes da mutilação.

Ainda neste ano, a prática foi banida na Nigéria, que se juntou a outras 18 nações africanas que proibiram a mutilação genital, incluindo a República Centro-Africana, o Egito e a África do Sul.


Fonte: Jornal Brasil Post

A Sociedade Contra o Preconceito - Psicofobia é um Crime


Objetivos da campanha

Com o objetivo principal de combater o preconceito contra o doente mental e contra o Psiquiatra, a campanha “A Sociedade Contra o Preconceito” é, também, uma iniciativa da ABP contra qualquer outro tipo de preconceito seja ele racial, religioso ou de gênero. Dentro desta campanha está o PLS 236/2012 que torna a Psicofobia (atitudes preconceituosas e discriminatórias contra os deficientes e os portadores transtornos mentais.) um crime.

Esclarecer sobre a Psicofobia é uma necessidade preemente que a ABP continuará a trabalhar para fazê-lo.

Histórico da Campanha

Foram convidados o humorista Chico Anysio, o locutor esportivo Luciano do Vale, a atriz Cassia Kiss e o jornalista e escritor Ruy Castro.

Chico Anysio afirmou que sofre de depressão e disse que, se não fosse o tratamento psiquiátrico, não teria feito nem 20% do que fez em sua vida. Em tratamento há 24 anos com um psiquiatra, Chico Anysio afirmou que o tratamento para o seu caso foi vital e que o preconceito contra o doente mental e o psiquiatra é uma burrice: “Ir ao psiquiatra não significa que ele é doido. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A depressão é uma coisa, a loucura é outra, com tratamentos diferentes”.

O locutor esportivo Luciano do Valle defendeu o trabalho do psiquiatra e o fim do preconceito contra o doente mental. Vítima da bipolaridade, depressão e síndrome do pânico, Luciano confidenciou que quase abandonou a profissão na África do Sul, na véspera da Copa do Mundo de Futebol de 2010, por não se sentir em condições de trabalhar. “Eu perdi para a depressão por uns três a zero, e perdi com gente que eu amava muito. E vou ser sincero para vocês, hoje, eu só estou mais ou menos equilibrado graças à minha psiquiatra”.

A atriz Cássia Kiss relatou sua experiência pessoal com a bipolaridade e a bulimia. Uma das coisas que mais incomodam a atriz no transtorno mental é a incessante busca pela perfeição. “Eu reconheço que eu não sou boa atriz, eu sou excelente atriz. Mas não há nenhum privilégio nisso. Isso é resultado do transtorno, da busca pela perfeição. É onde a doença te leva e é uma linha que quase cai na loucura”, relatou Cássia. A atriz também falou sobre o histórico de problemas familiares que enfrenta – a mãe e os irmãos da atriz também possuem doenças mentais, assim como a avó possuía.

O jornalista e escritor Ruy Castro, vencedor de quatro prêmios Jabuti, entre eles, pelos livros “Estrela Solitária”, sobre a vida do jogador Mané Garrincha, e “Carmem”, biografia de Carmem Miranda. Além de contar histórias da vida de Mané Garrincha e Carmem Miranda, falou sobre a sua experiência pessoal com o alcoolismo. Sem beber há 23 anos, o jornalista afirmou que não teve motivos especiais que o levaram ao vício e negou que tivesse sido influenciado por amigos. A experiência pessoal despertou o interesse pela vida de pessoas que passaram pelo mesmo problema.


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP

Pesquisa mede 'analfabetismo financeiro' no mundo; veja as questões do teste


Dois em cada três adultos podem ser considerados analfabetos financeiros, segundo a maior pesquisa mundial sobre esse tipo de conhecimentos realizada recentemente.

Os dados foram levantados pelo instituto de pesquisas Gallup, que entrevistou 150 mil pessoas de 148 países em 2014.

Os resultados foram divulgados no início do mês e foram analisados por especialistas do Grupo de Desenvolvimento do Banco Mundial e do Centro Global para a Excelência do Alfabetismo Financeiro da Universidade George Washington, dos Estados Unidos.

A pesquisa colocou à prova os conhecimentos dos adultos sobre quatro conceitos que seus organizadores consideravam básicos: diversificação de risco, inflação, aritmética e juros compostos.

As questões
Diversificação de riscos:

Suponhamos que você tenha uma quantidade de dinheiro. É mais seguro colocá-lo em um negócio, em um investimento ou em múltiplos negócios e investimentos?

Resposta certa: o melhor é diversificar em múltiplos investimentos
Inflação:

Suponhamos que nos próximos 10 anos os preços das coisas que você compra dobrem. Se sua renda também duplicar, você será capaz de comprar menos do que pode adquirir hoje, o mesmo ou mais do que consegue comprar hoje?

Resposta certa: o mesmo

Aritmética:

Suponhamos que você precise pedir emprestado R$ 100. O que é mais vantajoso: devolver R$ 105 ou R$ 100 mais 3% de juros?

Resposta certa: R$ 100 mais 3% de juros, que totalizam R$ 103
Juros compostos:

Imagine que você vá depositar dinheiro no banco durante dois anos e a instituição se compromete a pagar juros de 15% ao ano. O banco acrescentará em sua conta mais dinheiro no segundo ano em relação ao primeiro ou depositará a mesma quantidade nos dois anos?

Resposta certa: mais dinheiro, porque os juros do segundo ano incidirão sobre a quantia já reajustada com os juros do primeiro ano - é o que se chama de juros compostos.

Suponhamos que você tenha R$ 100 em uma conta poupança e o banco paga 10% ao ano pelo depósito. Quanto dinheiro você terá na conta depois de cinco anos se não fizer saques: mais de R$ 150, exatamente R$ 150 ou menos de R$ 150?

Resposta certa: mais de R$ 150, justamente por causa dos juros compostos, que incidirão primeiro sobre R$ 100; depois R$ 110 e assim por diante.

Escandinávia na frente

Os resultados colocam os países escandinavos no nível mais alto de conhecimentos financeiros. Noruega, Dinamarca e Suécia obtiveram o melhor índice: 71% de respostas corretas.

Em seguida vieram Israel (68%), Canadá (68%), Reino Unido (67%), Holanda (66%) e Alemanha (66%).

Os Estados Unidos ficaram em 14º lugar na lista.

O Brasil ficou ficou em 68º lugar na lista, obtendo 35% de acertos.

Entre os países que integram o G7 (grupo das nações mais industrializadas do mundo), a Itália obteve a taxa mais baixa (47%) e o Canadá, a mais alta (68%).

Em geral as nações com menos conhecimentos financeiros não as mais pobres: Somália, Afeganistão, Albânia e Iêmen.

De maneira geral, a pesquisa revela os escassos conhecimentos financeiros da população mundial.

"Inclusive nas regiões onde há mais residentes com conhecimentos financeiros, porém existe uma quantidade considerável de população analfabeta financeira, cerca de três em cada 10 pessoas em vários países escandinavos", afirmou o instituto Gallup em um comunicado.

A margem de erro da pesquisa oscilou entre 2,7% e 5,2%, com um nível de confiabilidade de 95%.


Fonte: BBC Brasil

Projeto da SDH usa o cordel para divulgar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência


Em uma iniciativa inédita no Brasil, a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência terá uma divulgação que utiliza uma metodologia lúdica e didática para promover a cidadania e a igualdade. O projeto "Uma vida igual para todos no compasso do Cordel" oferece oficinas compostas por palestras e apresentações artísticas que lançam mão da poesia, música e os elementos lúdicos da literatura em cordel. O evento que já passou por cinco estados, a partir de segunda-feira (30) vai levar encanto e informação para João Pessoa (PB), Manaus (AM), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).

O projeto é uma promoção da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. O objetivo é combater preconceitos e criar multiplicadores das informações da Convenção. Com a sua ratificação pelo Governo Federal em 2009, os estados brasileiros assumiram o compromisso de implementar políticas públicas que garantam condições de vida dignas e equiparação de oportunidades a todos os cidadãos com deficiência.

Para o Secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos, Antonio José Ferreira, as oficinas refletem o avanço que o país vive em relação à inclusão desse grupo. Destaque para a recente aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, responsável por colocar o Brasil entre os países com legislação mais avançada sobre o tema.“Nós entendemos que não é o limite individual que determina uma deficiência, mas sim as barreiras existentes nos espaços e na sociedade. Com a Convenção, pessoas e agentes públicos podem se apropriar do conteúdo desse tratado como fundamento para a validação dos direitos de todos como cidadãos”, afirma.

A CONVENÇÃO

Com o objetivo de assegurar os direitos das pessoas com deficiência, o Governo do Brasil ratificou, por meio do Decreto Federal n° 6.949, de 25 de agosto de 2009, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. Entre os princípios da Convenção estão o respeito à dignidade inerente, a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade, a igualdade de oportunidades e a acessibilidade. Em 2012, foi editada a Convenção no formato de literatura de cordel, poesia popular composta por rimas e estrofes, para leitura ou canto. Essa publicação traduz o conteúdo da Convenção de forma lúdica e serve como apoio para a apresentação das oficinas no projeto “Uma vida igual para todos no compasso do Cordel”.

Acesse o link da Convenção e de outras publicações da Secretaria de Direitos Humanos: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/publicacoes

Confira a programação:

Teresina (PI): 30 de novembro
João Pessoa (PB): 10 de dezembro
Salvador (BA): 11 de dezembro
Manaus (AM): 14 de dezembro
São Paulo (SP): 16 de dezembro


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Relação entre espiritualidade e saúde recebe mais atenção


“Todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara loucura.” Em 1956, quando lançou sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa antevia uma discussão que até hoje não encontrou consenso. A ligação entre espiritualidade e psiquiatria é um campo de estudo antigo, mas que só agora é considerado passível de investigação científica. No início deste mês, durante a 33ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, a Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) divulgou um posicionamento sobre o tema. Segundo a entidade, “nas décadas recentes, tem havido uma crescente conscientização pública e acadêmica sobre a relevância da espiritualidade e da religião para os problemas de saúde”. Até agora, a WPA já identificou mais de 3 mil estudos afins.

Além da melhora na qualidade de vida e no ganho social do indivíduo, os trabalhos demonstraram que a espiritualidade tem implicações expressivas em campos espinhosos da psiquiatria, como a prevenção do suicídio e a recuperação de suicidas. A falta do lado espiritual (ou uma visão distorcida, “fanática”) pode, por outro lado, piorar quadros depressivos e aumentar as chances de abuso de drogas, além de outros transtornos mentais.

Alexander Moreira-Almeida, coordenador das seções em espiritualidade e psiquiatria da WPA e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que uma das definições mais aceitas de espiritualidade é “busca pessoal por questões fundamentais sobre a vida”. “Há até uma relação fundamental com o sagrado e o transcendente”, completa o especialista, que também é diretor do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Essas duas palavras — sagrado e transcendente — são centrais quando o assunto é espiritualidade. A partir delas, pode-se ou não formar uma comunidade, que seria, de acordo com Alexander, a religião. “A religião é um sistema de crenças e práticas que busca a aproximação com o sagrado e com o transcendente. Uma religião seria a forma institucional, coletiva, de espiritualidade.” É perfeitamente possível, portanto, haver espiritualidade sem religião.

Segundo o médico, a previsão da ciência era de que a humanidade trocaria a religiosidade por uma visão estritamente materialista da vida entre o fim do século 19 e o início do século 20. Não foi o que aconteceu. A humanidade, em sua maioria, mantém crenças e práticas religiosas e espirituais. No Brasil, especificamente, a religião ainda é dominante: de acordo com um levantamento realizado pela UFJF, a Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniad) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 90% dos brasileiros preferem ter uma religião. Dos 9% que afirmaram não ter um credo, a maioria acredita em Deus. Os que se declararam ateus ou agnósticos não chegaram a representar 0,5% da população pesquisada. Outro dado interessante do Brasil é a mistura: o sincretismo religioso representou 10% dos entrevistados. “Mais de um terço dos brasileiros frequenta um grupo religioso mais do que uma vez por semana”, completa Alexander Moreira-Almeida. “Provavelmente, não há nenhuma outra atividade social, voluntária, não obrigatória que tanta gente faça com tanta frequência.” (Veja quadro na página 7)

Não restam dúvidas de que a população brasileira é extremamente religiosa. Mas até que ponto isso influencia na saúde? “Há uma grande complexidade na relação entre os dois. Não é simplesmente dizer que a religião é boa ou ruim”, frisa o psiquiatra. A religiosidade, segundo ele, é algo multidimensional: é possível começar a investigação a partir das crenças religiosas do indivíduo, da frequência de orações, sobre o modo como a pessoa lida com os problemas por meio da religião. Cada uma dessas dimensões terá relações diferentes com os desfechos na saúde, como depressão, mortalidade e qualidade de vida.

Uma área bastante investigada é o impacto da religiosidade na depressão. Atualmente, de acordo com Alexander, há mais de 100 trabalhos sobre o assunto. O estudo “Religiosity and major depression in adults at high risk: a ten-year prospective study” (Religiosidade e depressão maior em adultos de alto risco: um estudo prospectivo decenal), publicado em 2012 no periódico especializado The American Journal of Psychiatry, é um exemplo. O trabalho investigou a religiosidade de crianças em torno dos 10 anos de idade, filhas de pais com depressão em tratamento. O resultado foi: aquelas que se consideravam religiosas tinham 10 vezes menos risco de desenvolver depressão se comparadas às demais do grupo.

Ao longo do estudo, os médicos comparavam e avaliavam a espessura cortical das crianças. O que se percebeu é que, ao se tornarem adultos, esse indivíduos continuaram mais protegidos contra a depressão — tinham o córtex duas vezes mais espesso que o grupo de controle. “Parece ser um mecanismo biológico. A espessura cortical é um fator protetor contra a depressão”, detalha Alexander. Um outro estudo, feito pelo médico, foi realizado com 1.500 idosos carentes de São Paulo. A ideia era investigar a prevalência de transtornos mentais comuns: basicamente, sintomas depressivos e ansiosos. O resultado foi parecido: idosos que frequentavam serviços religiosos tinham menos da metade dos níveis de depressão e de ansiedade do que os que não frequentavam.

Para os idosos, a religiosidade foi a principal fonte de suporte social. Venceu, inclusive, família e amigos. Em um estudo de 2009, intitulado “Religiosidade e espiritualidade no transtorno bipolar do humor”, Alexander Moreira-Almeida pesquisou 168 pacientes bipolares e descobriu que os pacientes que frequentavam serviços religiosos tinham menor frequência de quadros de depressão. O coping (termo da psicologia que se refere à forma com que encaramos os eventos da vida) religioso positivo também ajudou a manter a tristeza a uma distância segura.

O outro lado da fé

De modo geral, as questões religiosas enfatizam cuidar, valorizar o corpo como uma dádiva divina. Essa valorização da vida, por sua vez, estaria relacionada a menores níveis de violência, comportamento sexual de baixo risco e uma maior inserção na comunidade. Mas se a doutrina foge do controle, pode ocasionar sentimentos não tão amigáveis, como o fanatismo, a intolerância (não só religiosa), episódios depressivos, de pânico ou de ansiedade.

A religiosidade parece influenciar também aspectos mais primitivos, digamos, da psiquê humana. O vício, por exemplo. “Quanto maior o nível de religiosidade, menor o abuso de drogas”, resume Alexander Moreira-Almeida. Entre os 12 mil estudantes brasileiros entrevistados por Alexander e sua equipe, em uma pesquisa sobre a influência da religião na dependência química, os indivíduos sem envolvimento religioso demonstraram o dobro da frequência de uso de tabaco, de álcool e de outras drogas. O comportamento suicida, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e liderada pelo psiquiatra André Caribé, também pode ter relação com a espiritualidade: em indivíduos espiritualizados, a probabilidade de atentar contra a própria vida cai pela metade.

Bernard van Rensburg, presidente da Sociedade Sul-Africana de Psiquiatras (SASOP), diretor da SASOPs Spirituality and Psychiatry Special Interest Group (S&P SIG) e secretário da seção de espiritualidade e psiquiatria da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA), estuda, em especial, a relação entre ansiedade e espiritualidade. Segundo ele, o sentimento é um tema recorrente na maioria das religiões. A espiritualidade, em diversos credos, é, na maioria das vezes, “descrita como uma experiência, algo que ultrapassa a mera observação. Não apenas uma ideia abstrata ou uma teoria”, completa o médico. Medo, ansiedade e estresse, Rensburg detalha, são respostas a ameaças conflituosas vivenciadas pelos religiosos. Do ponto de vista filosófico da religião, o médico explica que as principais respostas são o medo da morte, da falta de sentido da vida e a culpa.

Kenneth Pargament, professor de psicologia clínica na Bowling Green State University (EUA), publicou mais de 250 artigos sobre religião e saúde mental. Autor dos livros The psychology of religion and coping: theory, research and practice (A psicologia da religião e coping: teoria, pesquisa e prática, em tradução livre) e Spirituality integrated psychoterapy: understanding and addressing the sacred (Espiritualidade integrada à psicoterapia: compreensão e tratamento do sagrado), Pargament é considerado uma sumidade mundial no tema. O especialista reforça: a religião também pode ser fonte de sofrimento e angústia, a depender de como as crenças são encaradas. “Muitas pessoas experimentam eventos traumáticos, mas não necessariamente enfrentam consequências negativas de saúde. Por outro lado, algumas pessoas enfrentam poucos eventos traumáticos ao longo da vida, mas sofrem bastante.”

Um dos problemas é que quando alguém considera algo sagrado, imediatamente tem medo de “perder” aquilo ou de que suas crenças sejam violadas. Kenneth Pargament e sua equipe realizaram um estudo sobre os atentados terroristas que derrubaram os prédios do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. “Perguntamos se as pessoas consideravam os ataques uma violação de seus valores sagrados”, explica. “Descobrimos que aqueles que encaravam o episódio como uma ofensa estariam mais dispostos a apoiar ações extremas, incluindo o uso de armas nucleares e biológicas.” Em outras palavras: quando as pessoas sentem que o sagrado foi violado, parecem desinibir qualquer controle emocional sobre a violência e a raiva.

Outra postura que pode causar problemas emocionais e psíquicos é como se encara o conceito de deus. “Deuses pequenos”, segundo Pargament, não nos preparam para lidar com os problemas e as experiências da vida. Alguns exemplos: o “deus da absoluta perfeição” (demanda uma conduta sempre perfeita), o “seio celeste” (deus é amoroso em qualquer circunstância e nunca espera nada de nós em troca) e o “deus policial” (que tudo registra para futuras punições). “O problema do deus da absoluta perfeição é que ele não aceita nossos erros, assim como um deus ininterruptamente amoroso não nos prepara para a dor ou para decepções”, resume o médico.

Para o profissional, integrar espiritualidade e psicoterapia passa por um processo de conhecer o conceito: o primeiro passo, segundo Pargament, é entender o que se quer dizer com “espiritualidade”. “Uma das coisas mais importantes é aprender a ouvir com o quarto ouvido”, ensina. Se na psicoterapia “ouvir com o terceiro ouvido” quer dizer escutar atentamente o que o paciente diz e o que ele não diz, o quarto ouvido seria a audição da alma, ou do sagrado. Só para frisar: o tratamento espiritualizado dentro da psicoterapia não é uma alternativa aos métodos convencionais de terapia, mas um complemento. “Você não precisa escolher. É um tratamento integrado a qualquer modelo.”

A religião no mundo

Um levantamento feito em 65 países divulgado este ano pela empresa WIN/Gallup ouviu 64 mil pessoas e revelou os países mais espiritualizados do mundo:

* A Tailândia é a nação com mais religiosos: 94% dos entrevistados;
* China (7%), Japão (13%) e Suécia (19%) são os países menos crentes do mundo;
* Na América Latina, a Colômbia (82%), o Peru (82%) e o Panamá (81%) ficaram no pódio;
* 79% dos entrevistados brasileiros se declararam religiosos — o que nos deixou em 23º na lista.

Veja outros dados da pesquisa de Alexander Moreira-Almeida:

* Ao todo, foram entrevistadas mais de 3 mil pessoas;
* 5% dos brasileiros declararam não ter religião;
* 83% consideraram a religião muito importante para sua vida;
* 37% frequentavam um serviço religioso pelo menos uma vez por semana;
* As filiações religiosas mais frequentes foram catolicismo (68%), protestantismo (23%) e espiritismo kardecista (2,5%);
* 10% afirmaram frequentar mais de uma religião;
* De modo semelhante a estudos em outros países, maior idade e sexo feminino se associaram a maiores níveis de religiosidade subjetiva e organizacional, mesmo após o controle para outras variáveis sociodemográficas;
* Entretanto, nível educacional, renda e raça negra não se associaram de modo independente a indicadores de religiosidade.


Fonte: Correio Braziliense

De onde vem o nome Black Friday? Dez curiosidades sobre a data


Um dos dias mais aguardados no ano por lojistas e consumidores, a Black Friday teve origem nos Estados Unidos e hoje é adotada em vários países do mundo, como o Brasil.

Com início nesta sexta-feira, o evento está sua sexta edição por aqui. Os organizadores preveem um crescimento de 12% neste ano nas vendas – um faturamento de R$ 978 milhões.

Nos EUA, o evento acontece tradicionalmente depois do feriado de Ação de Graças, com filas a perder de vista. Todos os consumidores têm um único objetivo: garimpar produtos com descontos que podem chegar a até 90% do preço original.

Mas quando surgiu a Black Friday? Por que o evento ganhou esse nome? Confira dez curiosidades envolvendo um dos dias mais famosos do varejo.

1. O termo Black Friday se referia a crises na Bolsa

Embora esteja hoje associado ao maior dia de compras dos Estados Unidos, o termo Black Friday (literalmente "Sexta-Feira Negra" em inglês) se referia originalmente a eventos muito diferentes.

"O adjetivo negro foi usado durante muitos séculos para retratar diversos tipos de calamidades", afirma o linguista Benjamin Zimmer, editor-executivo do site Vocabulary.com.

Nos EUA, a primeira vez que o termo foi usado foi no dia 24 de setembro de 1869, quando dois especuladores, Jay Gould e James Fisk, tentaram tomar o mercado do ouro na Bolsa de Nova York.

Quando o governo foi obrigado a intervir para corrigir a distorção, elevando a oferta da matéria-prima ao mercado, os preços caíram e muitos investidores perderam grandes fortunas.

2. Os desfiles de Papai Noel antecederam a Black Friday

Para muitos norte-americanos, o desfile do Dia de Ação de Graças, promovido pela loja de departamentos Macy's, se tornou parte do ritual do feriado.

Mas o evento, na verdade, foi inspirado nos vizinhos do norte. A loja de departamentos canadense Eaton's realizou o primeiro desfile do Papai Noel em 2 de dezembro de 1905. Quando o Papai Noel aparecia ao final do desfile, era um sinal de que a temporada de festas havia começado – e, por sua vez, a corrida às compras. É claro que os consumidores eram incentivados a fazer compras na Eaton's.

Lojas de departamento, como a Macy's, inspiraram-se no desfile e passaram a patrocinar eventos semelhantes ao redor dos EUA.

Em 1924, por exemplo, Nova York viu pela primeira vez um desfile da Macy's com animais do zoológico do Central Park, totalmente organizado por funcionários da própria loja.

3. A data do Dia de Ação de Graças foi determinada pelas vendas

De meados do século 19 ao início do século 20, em um costume iniciado por Abraham Lincoln, o presidente dos EUA declararia o "Dia de Ação de Graças" na última quinta-feira de novembro. O dia poderia, assim, cair na quarta ou quinta quinta-feira do mês.

Mas em 1939, algo atípico aconteceu – a última quinta-feira foi coincidentemente o último dia de novembro. Lojistas preocupados com o curto período de compras para as festividades do final de ano enviaram uma petição a Franklin Roosevelt (1882-1945) para declarar o início das festas uma semana mais cedo – o que foi autorizado pelo então presidente.

Pelos próximos três anos, o Dia de Ação de Graças foi apelidado de "Franksgiving" (uma mistura de Franklin com "Thanksgiving", como a data festiva é chamada em inglês) e celebrado em dias diferentes ─ e em diferentes partes do país.

Finalmente, no final de 1941, uma resolução conjunta do Congresso solucionou o problema. Dali em diante, o Dia de Ação de Graças seria comemorado na quarta quinta-feira de novembro, garantindo uma semana extra de compras até o Natal.
4. A síndrome da sexta-feira após o Dia de Ação de Graças

Segundo Bonnie Taylor-Blake, pesquisador da Universidade da Carolina do Norte, a Factory Management and Maintenance – uma newsletter do mercado de trabalho – reivindica a autoria do uso do termo Black Friday.

Em 1951, uma circular chamou atenção para a incidência de profissionais doentes naquele dia.

"A síndrome da sexta-feira após o Dia de Ação de Graças é uma doença cujos efeitos adversos só são superados pelos da peste bubônica. Pelo menos é assim que se sentem aqueles que têm de trabalhar quando chega a Black Friday. A loja ou estabelecimento pode ficar meio vazio e todo ausente estava doente – e pode provar", dizia a circular.
5. Black ou Big Friday?

Esse termo ganhou popularidade pela primeira vez na Filadélfia. Policiais frustrados pelo trânsito causado pelos consumidores naquele dia começaram a se referir dessa forma à Black Friday.

Os lojistas evidentemente não gostaram de ser associados ao tráfego e à poluição. Eles, então, decidiram repaginar o termo "Big Friday" ("A Grande Sexta", em tradução literal), segundo um jornal local de 1961.
6. Com o tempo, Black Friday passou a significar 'voltar ao azul'

Os lojistas conseguiram dar uma interpretação positiva ao termo ao dizer que ele se referia ao momento em que os estabelecimentos retornavam ao azul, ou seja, voltavam a ter lucro. No entanto, não há provas de que isso tenha realmente acontecido.

É verdade, por outro lado, que o período de festas corresponde à maior parte dos gastos de consumo do ano.

No ano passado, estima-se que os consumidores tenham gastado mais de US$ 59 bilhões na Black Friday, segundo a federação nacional do varejo dos EUA (National Retail Federation, ou NRF, na sigla em inglês). Mas quanto dessas receitas realmente se torna lucro não está claro, dado que os lojistas costumam trabalham com margens mais apertadas, oferecendo grandes descontos.
7. A Black Friday não se tornou referência nacional até a década de 1990

O termo Black Friday permaneceu restrito à Filadélfia por um tempo surpreendentemente longo. "Você podia vê-lo sendo usado de maneira moderada em Trenton, Nova Jersey, mas não ultrapassou as fronteiras da Filadélfia até os anos 80", disse Zimmer.

"O termo só se espalhou a partir de meados dos anos 90."
8. Ela só se tornou o maior dia de compras do ano em 2001

Embora a Black Friday seja considerada o maior dia de compras do ano, a data não ganhou essa designação consistentemente até os anos 2000.

Isso porque, por muitos anos, a regra não era que os americanos adoravam uma liquidação, mas sim que adoravam procrastinar. Ou seja, até tal ponto, era no sábado – e não na sexta-feira – que as carteiras ficavam mais vazias.
9. Data gerou 'inveja' e ganhou o mundo

Por muito tempo, os lojistas canadenses morriam de inveja de seus colegas americanos, especialmente quando seus clientes fiéis colocavam o pé na estrada rumo ao sul em busca de boas compras. Mas agora eles passaram a oferecer as suas próprias liquidações – apesar de o Dia de Ação de Graças no Canadá acontecer um mês antes.

No México, a Black Friday ganhou novo nome – 'El Buen Fin', ou "Bom fim de semana". A comemoração é associada ao aniversário da revolução de 1910 no México, que às vezes cai na mesma data que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Como o próprio nome sugere, o evento dura o fim de semana inteiro.

No Brasil, onde o feriado de Ação de Graças não existe, a data passou a ser incluída no calendário comercial do país quando lojistas perceberam o potencial de vendas do dia.
10. A Black Friday corre risco de extinção?

O Walmart, o maior varejista do mundo, quebrou a tradição do Black Friday em 2011, quando abriu sua loja a clientes na noite do feriado de Ação de Graças. Desde então, lojistas por todos os Estados Unidos estão de olhos nos cerca de 33 milhões de americanos ávidos por fazer compras após se deliciar com generosas fatias de peru.

Mas não se preocupe – os lojistas também já inventaram um nome para batizar o dia adicional de compras: "Quinta-feira Cinza".


Fonte: BBC Brasil

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