segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Artigo - Movimento feminista: luta por direitos ou terapia?


Por: Cynthia Semíramis*

Lendo páginas, perfis e blogs feministas recentes percebi que boa parte deles parte do princípio de que feminismo é para apoiar mulheres e denunciar situações nas quais mulheres se sentem ou são discriminadas. Li coisas como “encontro feminista é melhor que terapia“, “só se pode confiar em mulheres“, “feminismo é sobre mulheres“, “macho tem de ser segregado“, “o feminismo te deixa forte“, “acho empoderador mandar um macho calar a boca“. Os coletivos feministas tornaram-se, dizem, um espaço para apoiar mulheres.

Essa perspectiva é um equívoco e tem graves implicações políticas.

O movimento feminista é um movimento social que luta por direitos para mulheres: igualdade jurídica, educação, voto, trabalho, liberdade de relacionamentos e sexual, planejamento familiar. Se o Estado não responde adequadamente há consequências: é interpelado judicialmente e são organizadas intervenções para discutir políticas públicas ou alterações legislativas que efetivem o direito reivindicado.

A luta por direitos para mulheres é histórica e está em andamento: há muitos direitos a serem mantidos, outros tantos a serem conquistados, e vários em vias de serem perdidos.

Muitos grupos feministas, no entanto, parecem estar mais focados na discussão de relatos pessoais, sentimentos e acolhimento típicos do espaço terapêutico. Buscam casos semelhantes para relembrar os sentimentos vividos e reforçar os vínculos do grupo, procuram culpas e estimulam catarses emocionais. Confundem “empoderamento” com identificar homens como inimigos, estimulando xingamentos que, em outras circunstâncias, seriam considerados grosseria gratuita e falta de educação. Estimulam discussões emotivas e ataques pessoais aos discordantes ao invés de debate com argumentos. E evitam fazer os passos seguintes do acolhimento: encaminhamento das pessoas tanto para atendimento terapêutico profissional quanto mobilização por direitos.

Para lutar por direitos é importante ter uma agenda propositiva, concreta, criada a partir de discussões e conceitos jurídicos. Não basta afirmar “tal situação é machista” ou “a culpa é sempre do homem”. É necessário ir além das análises simplistas. O foco deve ser em questões discriminatórias que possam sofrer intervenção jurídica (seja administrativa, judicial ou legislativa). E é necessário ir além das culpas generalizantes, rancores e rótulos, incentivando responsabilidade e novos comportamentos. Afinal, seres humanos são capazes de aprender a ser menos sexistas e a debater e discordar com civilidade.

Coletivos feministas que se pautam por medos e ódios estão tão imersos em emoções que não conseguem adotar o distanciamento necessário para lutar por direitos, gastando seus esforços na tentativa de criar micro-espaços pretensamente seguros. Dada a variedade de experiências pessoais, o medo ou ódio aos homens é questão que deveria ser resolvida individualmente com ajuda psicoterapêutica para se aprender a lidar com os próprios medos em qualquer tipo de situação (previsível ou imprevista) e espaço (seja ele seguro ou não). Pode-se objetar que não há profissionais suficientes; que tal lutar pela ampliação do direito de atendimento terapêutico, ou para que estes casos tenham o direito de atendimento prioritário? Essas possibilidades são exemplos simples, mostrando que é possível ir além do caso individual, promovendo ações que estimularão autonomia e melhorarão a vida das diversas pessoas atendidas.

O foco no sentimentalismo de casos individuais, o anseio por solução midiática e a viralização em redes sociais (que pode se tornar um caso de linchamento moral, com desdobramentos judiciais) acabam ofuscando a luta por direitos. E também é nítida a ignorância ou desprezo aos direitos já conquistados quando são feitos comentários como “não temos direitos“, “não vou procurar resposta judicial porque não quero fortalecer o Estado” ou “não importa o que dizem a Constituição ou a legislação“, mesmo quando se está aplicando a Lei Maria da Penha.

Precisamos repensar essas abordagens porque são uma sequência de erros estratégicos: desprezar direitos conquistados, não atuar na esfera jurídica, segregar simpatizantes (tanto homens quanto mulheres) e seguir apenas como espaço de acolhimento. Grupos conservadores, enquanto isso, ampliam seu discurso político e jurídico, interferindo maciçamente no Estado para criar leis e políticas públicas que reduzem direitos para mulheres e ampliam discriminação de gênero.

Em 2008 fiz as perguntas sobre direitos que se tornaram o teste “Você é feminista?“. Ele foi e ainda é uma forma de lembrar que estamos lutando por direitos.

Nos últimos anos venho enfatizando em conversas e palestras a necessidade do movimento feminista retomar a discussão por direitos. Terapia é importante e muda vidas quando é feita por profissionais da área. Mas não se pode esquecer do principal: o objetivo de movimentos sociais não é fazer terapia e acolhimento, é lutar por direitos.


* Cynthia Semíramis é Doutoranda em Direito na UFMG. Pesquisa história dos direitos das mulheres, com destaque para controle jurídico da sexualidade feminina, laicidade, violência contra mulheres, direitos das prostitutas. Bacharela e mestra em Direito. Mora em Belo Horizonte-MG blog: Cynthia Semiramis .org


Fonte: Site da autora

A nova cara do Brasil - aumenta o número de idosos


Daqui a duas décadas, o país deverá entrar em uma fase de queda irreversível no número de habitantes. A proporção de idosos será cada vez maior. E crianças de famílias que hoje têm baixa renda serão a maior parte dos jovens de amanhã.

"Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração". A música da Copa de 1970 traz lembranças contraditórias. E, sobretudo, mostra o contraste entre o Brasil de quase meio século atrás e o atual. Éramos um país sem liberdade política, com muita desigualdade social, ruas cheias de crianças brincando e um crescimento econômico pujante. Hoje, vivemos em uma democracia. Com 205 milhões de habitantes, somos um país de renda média alta, para padrões internacionais. Mas o nosso crescimento populacional é pífio. E também o econômico. O país ainda tem muitos jovens, graças ao aumento populacional do passado. Assim, há muita gente hoje tendo filhos. A cada 19 minutos, nasce um novo bebê entre o Oiaopoque e o Chuí, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Parece muito, mas não é. A população cresce 0,83% por ano. É quase metade do ritmo que se via em 2001, de 1,40%. No início da década de 1960, quando atingimos o auge, o aumento anual era de 3%. O crescimento do número de habitantes tende a zero e, depois, à queda. Para o IBGE, a população vai atingir o ápice em 2043, com 228.343.224 habitantes. A partir daí, começará a se reduzir. Teme-se que a economia empaque. "A população é importante para fazer a bicicleta andar", resume a demógrafa Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para Ana Camarano, a inflexão virá mais cedo, por volta de 2035. Mas o momento de se preocupar com o problema é já. Passa da hora, alertam especialistas, de nos prepararmos para as mudanças de que o país necessita. O Brasil do futuro terá muito mais idosos do que hoje, o que representará um desafios para o pagamento de aposentadorias, para a assistência médica e até mesmo para o urbanismo. Em 2001, 5,68% dos brasileiros tinham mais de 65 anos. Hoje, essa faixa etária concentra 7,90% do total de pessoas. Em 2060, limite das projeções do IBGE, serão 26,77%. Despencou até mesmo o número de filhos nascidos nas famílias mais pobres, mas elas ainda são as que têm a maior prole. É indispensável, dizem especialistas, que essas crianças cheguem à idade adulta em condições de trabalhar para a própria prosperidade e a do país. Para isso, é necessária uma rede de proteção social que permita às famílias mandar as crianças à escola. E que, com um ensino público de qualidade, elas não passem tempo à toa nas salas de aula. Ana Maria Bueno, 45 anos, moradora de uma casa precária de Itapirapuã (GO), tem cinco filhos entre 12 e 25 anos. Os netos são três. Não devem passar muito disso. Sua filha Débora, de 22 anos, tem um filho e está grávida. Pretende ligar as trompas depois do parto."Eu queria já ter parado no primeiro, sofro muito para cuidar dele", diz ela, que depende da pensão paga pelo pai da criança, em atraso. A transição demográfica está mostrando seus efeitos com maior clareza hoje, mas não começou recentemente. A fecundidade, número de filhos que as mulheres têm ao longo da vida, vem se reduzindo há décadas. Dez anos atrás, já estava em 2,09, abaixo de 2,1, nível para manter a população estável - assim, cada casal tem, em média, dois descendentes, com uma margem de segurança para compensar as pessoas que morrerão antes de chegar à idade reprodutiva.



Fonte: Correio Braziliense

Anvisa aprova registro da primeira vacina contra a dengue no Brasil


Saiu hoje (28) a aprovação do registro da primeira vacina contra a dengue no Brasil: a Dengvaxia, da francesa Sanofi Pasteur. Embora liberada para comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda falta a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos definir o valor de cada dose, processo que dura em média três meses, mas não tem prazo máximo.

Inicialmente, o medicamento será disponibilizado para a rede particular de laboratórios. Definido o preço, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS vai avaliar se vale a pena incorporar o produto ao sistema público de imunizações. O governo vai avaliar custo, efetividade e impactos epidemiológico e orçamentário da incoporação da vacina ao Sistema Único de Saúde.

A vacina é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos e protege contra os quatro tipos do vírus da dengue. A promessa do fabricante é de proteção de 93% contra casos graves da doença, redução de 80% das internações e eficácia global de 66% contra todos os tipos do vírus. O medicamento deve começar a ser vendido no país no primeiro semestre de 2016 e a capacidade de produção do laboratório é de 100 milhões de doses por ano.

O imunizante deve ser aplicado em três doses, com intervalos de seis meses, porém, de acordo com a diretora médica da Sanofi, Sheila Homsani, a partir da primeira dose o produto protege quase 70% das pessoas. “A vacina tem eficácia a partir da primeira dose, protegendo em torno de 70% dos imunizados. A necessidade das outras doses vem porque a proteção vai caindo com o tempo, não se mantém sem as outras duas. A proteção só se mantém por muitos anos quando se tomam as três doses”, explicou Sheila.

No começo deste mês, o México foi o primeiro país a registrar a vacina contra a dengue da Sanofi, por enquanto, a única registrada no mundo. Em seguida o produto teve liberação nas Filipinas. O Brasil é o terceiro país a ter o registro do imunizante. O desenvolvimento clínico do produto envolveu mais de 20 estudos, e mais de 40 mil participantes, entre crianças, adolescentes e adultos, em 15 países.

Dados do Ministério da Saúde mostram que até a primeira semana de dezembro, 839 pessoas morreram em decorrência da dengue, um aumento de 80% em relação a 2014.


Fonte: Correio Braziliense

Samarco terá que pagar R$ 2 bilhões como indenização


A Samarco informou ter sido notificada pela 12ª Vara da Justiça Federal para depositar R$ 2 bilhões, em contas judiciais, como parte de ação civil pública ajuizada pela Advocacia-Geral da União (AGU), em parceria com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A mineradora, porém, não adiantou se vai recorrer no processo, movido em razão dos danos causados pelo estouro da Barragem do Fundão, em Mariana, na tarde de 5 de novembro, no maior desastre socioambiental do Brasil.

A decisão judicial também impede a Samarco de distribuir dividendos, juros de capital próprio, bônus de ações ou qualquer outra forma de remuneração aos sócios da mineradora, que é uma joint-venture entre a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. Segundo os advogados que movem a ação, a ordem deve atingir todas as distribuições pendentes desde a data da catástrofe.

Em nota, a empresa informou que “está avaliando o conteúdo do documento e responderá à Justiça no prazo”. Porém, levando-se em conta os recursos interpostos contra as multas aplicadas por órgãos ambientais do governo federal e de Minas, a previsão é de que a empresa apresente mais uma contestação, desta vez pela via judicial. Como antecipou o Estado de Minas em sua edição de ontem, a Samarco recorreu administrativamente das punições de R$ 250 milhões, aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e de R$ 112 milhões, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Minas Gerais. Em ambos os casos, não há previsão para que as contestações sejam apreciadas.

Na ação movida pela AGU, os advogados da União pedem à Justiça Federal que condene a mineradora e suas duas controladoras ao pagamento de uma indenização de R$ 20 bilhões, em fundo de recuperação ambiental que seria gerido por 10 anos. O valor foi estimado por laudos técnicos do Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Agência Nacional de Águas (ANA). Porém, os autores ponderam que “a cifra é preliminar e pode ser elevada ao longo do processo judicial, já que ainda não foram calculados os danos ambientais causados pela chegada ao oceano da lama com rejeitos de minério”.

Só o levantamento do Ibama constatou que os 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério que vazaram da barragem atingiram 663 quilômetros de rios e destruíram quase 1.469 mil hectares de vegetação, incluindo áreas de preservação permanente (APPs). O mar de lama matou 19 pessoas, das quais duas continuam desaparecidas, e vitimou um incontável número de animais.

Cidades de diferentes portes tiveram o abastecimento de água afetado, causando sobrepreço no comércio do produto para consumo humano. Empresas que dependem da captação do recurso no leito do Rio Doce tiveram de interromper as atividades. Um incontável número de moradores de comunidades ribeirinhas, incluindo pescadores, foi afetado.

Estudos

A intenção da AGU com a ação movida contra a Samarco e suas controladoras é de que o dinheiro seja depositado gradualmente pela mineradora, com a retenção judicial de uma parcela do faturamento. O órgão federal defende ainda que as companhias mapeiem “os diferentes potenciais de resiliência dos 1.469 hectares diretamente atingidos, com objetivo de se averiguar a espessura da cobertura de lama, a eventual presença de metais pesados e o pH do material”.

Na ação, a AGU e os estados cobram medidas imediatas para a retirada da lama da Bacia do Rio Doce, o maior curso d’água que corre exclusivamente na Região Sudeste do país. De acordo com o Ibama, os rejeitos de minério que percorreram os três rios afetados diretamente pela mancha de lama – o Doce, o Gualaxo do Norte e o do Carmo – mataram pelo menos 11 toneladas de peixes.


Fonte: Correio Braziliense

Coreia do Sul e Japão selam acordo sobre escravas sexuais durante 2ª Guerra


Seul e Tóquio alcançaram nesta segunda-feira (28/12) um histórico acordo sobre o drama histórico das mulheres submetidas à escravidão sexual pelo exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, considerou que o acordo inicia uma "nova era" nas relações entre os dois países.

"O Japão e a Coreia do Sul darão boas vindas a uma nova era", disse Abe a repórteres depois de falar por telefone com a presidente sul-coreana, Park Geun-Hye. "Ambos os países vão cooperar em conjunto", acrescentou.

A questão da escravidão sexual tem envenenado as relações entres os dois vizinhos há décadas, o que contraria igualmente Washington, que preferia ver seus aliados concentrados em uma resposta conjunta às ambições da China na região. O Japão aceitou depositar um bilhão de ienes (8,3 milhões de dólares) em indenização às vítimas sul-coreanas ainda vivas.

"O sistema das 'mulheres conforto' (...) existiu em razão do envolvimento do exército japonês (...) e o governo japonês é plenamente consciente de sua responsabilidade", declarou nesta segunda-feira aos jornalistas o ministro japonês das Relações Exteriores, Fumio Kishida, após as discussões com seu colega Yun Byung-Se.

"O acordo será definitivo e irreversível se o Japão assumir suas responsabilidades", declarou o ministro Yun Byung-Se à imprensa. O primeiro-ministro japonês expressou suas "sinceras desculpas e seu pesar" às vítimas, segundo Kishida.

Os ministros se reuniram nesta segunda em Seul para abordar o tema das "mulheres conforto", um eufemismo utilizado pelos japoneses para se referir à prática do exército imperial de explorar sexualmente as mulheres.

Desde que chegou ao poder, em fevereiro de 2013, a presidente Park Geun-Hye adotou uma posição intransigente a este respeito. Recentemente, ela sustentou que este tema continua sendo "o maior obstáculo" para que ambos os países possam ter relações amistosas. No mês passado Abe e a presidente sul-coreana realizaram uma cúpula bilateral em Seul, na qual decidiram acelerar as negociações para solucionar o assunto.

Segundo vários historiadores, 200.000 mulheres, principalmente coreanas, mas também chinesas, indonésias e de outras nacionalidades, foram submetidas à escravidão sexual pelo exército japonês. Na Coreia do Sul restam 46 sobreviventes.

A posição do Japão, que ocupou a Coreia de 1910 a 1945, era até o momento de considerar que esta questão havia sido resolvida em 1965, em favor do acordo que restabeleceu as relações diplomáticas entre Tóquio e Seul.

O Japão emitiu uma declaração em 1993 expressando suas "sinceras desculpas e arrependimento" às mulheres que sofreram "uma dor imensurável, incurável do ponto de vista físico e psicológico pelos ferimentos depois de terem sido usadas como 'mulheres de conforto'". Desde que ambos os países normalizaram suas relações, em 1965, o Japão entregou cerca de 800 milhões de dólares em subsídios ou empréstimos a sua antiga colônia. Contudo, esse montante foi financiado por fundos privados e não pelo governo japonês.

Desta forma, Seul continuou a exigir que o Japão formulasse uma nova declaração para pedir perdão às mulheres escravizadas nos prostíbulos do exército imperial e que indenizasse as sobreviventes. O acordo desta segunda-feira prevê que Seul se esforce, em cooperação com as associações de vítimas, a mudar de lugar uma estátua que simboliza o sofrimento das 'mulheres conforto' que está atualmente na frente da embaixada japonesa. Tóquio considera esta obra insultante.

Yun também indicou que o seu país evitará levantar a questão durante as próximas cúpulas internacionais. "Estou muito feliz em anunciar, antes do final deste ano que marca o 50º aniversário da retomada das relações, a conclusão de negociações difíceis", disse ele. Para Kishida, o acordo não beneficiará apenas seus dois signatários, mas contribuirá de forma mais ampla "para a paz e a estabilidade na região".

De acordo com muitos observadores, a Casa Branca pressionou a presidente Park para aliviar sua posição. E foi graças a alegada pressão dos Estados Unidos que ela concordou no início de novembro a se encontrar com Abe, na primeira cúpula bilateral entre os dois líderes.

Os dois vizinhos também se opõem sobre a soberania de ilhotas isoladas no Mar do Japão, as ilhas Dokdo, de acordo com o nome coreano, e Takeshima pela apelação japonesa. Situadas a meio caminho entre os dois países, as ilhas são controladas pela Coreia do Sul, mas reivindicadas por Tóquio.


Fonte: Correio Braziliense

STJ decide que habeas corpus pode ser usado contra Lei Maria da Penha


O habeas corpus, instrumento jurídico que garante o direito de ir e vir do cidadão, pode ser usado para anular medidas de proteção à mulher previstas na Lei Maria da Penha. Este é o entendimento dos ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os ministros julgaram o recurso da defesa de um homem acusado perante a Justiça de Alagoas de ameaçar a companheira. Ele não concorda com as medidas determinadas pelo Juizado de Violência Doméstica de Maceió, como manter distância mínima de 500 metros da mulher, não frequentar a residência nem o local de trabalho dela e evitar qualquer contato com familiares e testemunhas da vítima. Em caso de descumprimento, pode ser preso preventivamente. As informações foram divulgadas no site do STJ.

Passados quase dois anos da imposição das medidas de proteção, o Ministério Público ainda não ofereceu denúncia contra o suposto agressor. Inconformado com a decisão de primeiro grau, sob a alegação que as medidas ferem seu "direito de ir e vir", o homem recorreu então ao Tribunal de Justiça de Alagoas. Para isso, utilizou o habeas corpus. O Tribunal, no entanto, não analisou o pedido por entender que o habeas corpus não é o instrumento legal adequado.

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas, representante do acusado, recorreu então ao Superior Tribunal de Justiça, sob a alegação de que a Lei Maria da Penha não prevê qualquer recurso contra decisões judiciais que impõem medidas protetivas. No julgamento , os ministros reconheceram que o habeas corpus pode ser utilizado nesses casos e determinaram que o Tribunal de Justiça de Alagoas analise a questão.

"Se o paciente (autor do pedido de habeas) não pode aproximar-se a menos de 500 metros da vítima ou de seus familiares, se não pode aproximar-se da residência da vítima, tampouco pode frequentar o local de trabalho dela, decerto que se encontra limitada a sua liberdade de ir e vir. Posto isso, afigura-se cabível a impetração do habeas corpus, de modo que a indagação do paciente merecia uma resposta mais efetiva e assertiva", anotou o STJ na decisão.


Fonte: Correio Braziliense

Lei da Mediação começa a valer para acelerar processos judiciais


Já está valendo a Lei da Mediação, que pretende desafogar o Judiciário e resolver mais rapidamente os conflitos.

A medida, que entrou em vigor no sábado (26), prevê a mediação extrajudicial, feita em um cartório, por exemplo, ou judicial, quando recomendada por um juiz.

Os envolvidos podem participar da iniciativa, mesmo que tenham ação em andamento na Justiça. Nesse caso, a tramitação do processo é suspensa e, se não tiver acordo, será retomada.

De acordo com a oficial de registro substituta, Mariana Lima, a novidade é que a lei estabelece que qualquer pessoa com curso superior, em qualquer área, pode ser um mediador, desde que aceita pelas partes.

Ela explica ainda que a mediação serve, principalmente, para conflitos do dia a dia, como acidentes de carro, briga entre vizinhos ou familiares e relacionados a contratos imobiliários e destaca as vantagens da nova lei.

Sonora: "Esse é o espírito da lei, a celeridade, é desafogar o Judiciário e criar essa cultura de resolução consensual de conflitos, principalmente em situações simples, do dia a dia."

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, mais de 90 milhões de processos tramitam no Judiciário.

Quando a norma foi aprovada pelo Congresso Nacional, o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que as leis da mediação e da arbitragem iriam ajudar a desafogar as prateleiras da Justiça.

Os dois métodos são diferentes. Enquanto na mediação um terceiro tenta facilitar a busca de um acordo, na arbitragem o árbitro, efetivamente, decide a questão.


Fonte: Agência Brasil

Crise e ideologia levam famílias de classe média de volta à escola pública


Quando sua filha tinha quatro anos, a funcionária pública carioca Julia Sant'Anna tomou uma decisão que alguns integrantes de sua família e círculo de amigos viram com estranhamento: tirou a menina de uma escolinha particular para colocá-la em uma pública.

A decisão foi motivada por uma combinação de fatores.

Por trabalhar na área de gestão escolar, Julia sabia que, apesar do sistema de ensino público brasileiro ainda ter inúmeros problemas, algumas escolas estão há algum tempo avançando na questão da qualidade - e que, perto da sua casa, em um bairro de classe média do Rio de Janeiro, havia vagas sobrando em uma instituição municipal com notas altas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb, criado em 2007 para medir a qualidade do ensino da rede pública).

Além disso, Julia queria que a filha fosse educada em um ambiente mais inclusivo e de mais diversidade. "Queria que ela desenvolvesse um senso de justiça, igualdade e cidadania", diz.

Dois anos mais tarde, a carioca diz estar tão satisfeita com a decisão que também pretende matricular seu filho mais novo, hoje em uma creche privada, em uma escola pública.

"Até por trabalhar nessa área, há algum tempo eu já havia entendido que não é porque uma escola é pública que ela é ruim – e não é porque é privada que é boa", diz Julia.

E esse não parece ser um caso isolado.

Seja em função da crise econômica ou por, digamos, questões ideológicas ligadas a convicções pessoais – como essa busca por um ambiente educacional mais inclusivo e diverso –, está cada vez mais comum encontrar famílias de classe média que colocam os filhos em escolas públicas.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, de 2010 a 2015 a participação de estudantes provenientes de escolas privadas na rede pública do Rio subiu de 5,15% para 11,12%.

E só em 2015 o número de matrículas desses egressos da rede particular – em geral crianças de classe média - teria crescido 11,6%.

Em São Paulo, nos últimos cinco anos o número de alunos que passam da rede particular para a pública aumentou cerca de 30%, segundo a Secretaria de Educação, com o total de matrículas de crianças provenientes de escolas privadas saltando de 151,2 mil, em 2011, para 195,7 mil em 2015 (até agosto).

Estatísticas

Mas isso quer dizer que existe um fenômeno massivo de migração da rede privada para a pública? Não necessariamente.

Na realidade, como ressaltou recentemente um estudo de pesquisadores da UFRJ, dados do Censo Escolar do Inep (órgão de pesquisas ligado ao Ministério da Educação - MEC) sugerem que, ao menos até 2014, ocorreu o contrário. Ou seja, o número de matrículas na rede privada aumentou mais que o da rede pública no Brasil e em Estados como Rio e São Paulo.

"De fato não temos o controle sobre quantos alunos fizeram o caminho contrário, indo da escola pública para a privada", admite Andrea Grecco, responsável pelo Departamento de Matrículas da Secretaria de Educação de São Paulo.

O estudo da UFRJ não capta os efeitos da crise econômica e do aumento do desemprego de 2015, que fizeram com que se tornasse mais difícil para muitas famílias continuar pagando o boleto das escolas no fim do mês. "Mas ele mostra que é preciso uma análise mais detalhada do fenômeno de migração de matrículas, para que possamos entender o que está acontecendo e o perfil de quem está saindo e entrando em cada rede", diz a pesquisadora Karina Carrasqueira, coautora do estudo junto com Tiago Bartholo, professor do programa de pós-graduação em Educação da UFRJ. Carrasqueira ressalta que não há contradição entre esses dados e os das secretarias estaduais.

"Mas a questão é que, se houve uma maior migração de alunos de escolas privadas para as públicas, ao menos até 2014, o fluxo no sentido inverso foi ainda maior. Além disso, também é preciso entender como as tendências demográficas afetam a distribuição dos alunos. Uma das hipóteses é que a taxa de natalidade tenha caído mais rapidamente entre famílias mais pobres."

Explicações possíveis

Uma das explicações possíveis para a história de Júlia e outros brasileiros de classe média que teriam optado por trocar a escola particular pela pública seria uma lenta e gradual mudança nas percepções sobre o ensino público, que há algumas décadas vinham se deteriorando.

"De fato muitos aspectos do dia a dia da escola pública me surpreenderam positivamente", diz Julia. "Em algumas, há um grande engajamento da comunidade na tomada de decisões e solução de problemas. Ajudamos a definir como será a festa de fim de ano, por exemplo, e se houver algum desentendimento pedagógico interno você logo fica sabendo, ao contrário do que ocorreria em uma escola privada."

Ela admite que, para matricular os filhos em uma escola pública, os pais de crianças provenientes de escola particular precisam flexibilizar algumas exigências. "Há pouco espaço para frescuras e alguns tipos de demanda. Vai ser difícil se você quiser que seu filho só tome suco de polpa de fruta ou orgânico, por exemplo."

Mas, para ela, as vantagens vão muito além do alívio que é não ter de pagar mensalidade no fim do mês.

"Minha filha passou a conviver com uma diversidade maior de pessoas, tem colegas de todos os espectros sociais. Também nos livramos de alguns 'tem que' das escolas de classe média: 'tem que' ter a coleção de figurinha do personagem tal, ou 'tem que' fazer aniversário em salão de festa caro", diz.

Para Carrasqueira, a possível mudança de percepções sobre o ensino público também é algo que ainda precisa ser investigado.

"Mas de fato algumas pessoas podem estar se dando conta de que, se seus filhos não estão em uma escola particular excelente, talvez possa fazer sentido buscar uma escola pública bem avaliada - ainda mais agora, quando muitos têm a renda familiar atingida pela crise", diz ela. O secretario de Educação do Rio, Antônio José Vieira Neto, atribui essa possível redução da "resistência" da classe média à escola pública em parte a uma melhora da qualidade do ensino na rede. "Há uma revolução na escola pública", defende, embora também haja quem refute que tenha ocorrido qualquer "salto de qualidade".
Escolas referência

A maioria das famílias de classe média busca, como era de se esperar, escolas de referência ou que tenham altas notas nos sistemas de avaliação da rede pública.

Em algumas, como na escola municipal em que está a filha de Julia, sobram vagas. Em outras, a disputa é acirradíssima.

No último processo de seleção do Colégio de Aplicação da UFRJ, por exemplo, cerca de 3 mil candidatos disputaram menos de 90 vagas. Houve sorteio para decidir quem ficaria com as vagas em um auditório repleto de pais, que choravam emocionados se o nome do filho fosse anunciado.

Para 2016, o Colégio Estadual Chico Anysio, uma escola de referência carioca, recebeu 1.582 inscrições para suas 96 vagas, sendo 911 de alunos oriundos da rede particular.

Na comparação com o ano passado, a porcentagem de inscritos vindos de escolas privadas saltou de 23% para 58%.

Durante duas semanas, a BBC Brasil entrevistou alguns integrantes de famílias de classe média que colocaram os filhos em escolas públicas recentemente.

E um dado interessante é que boa parte dos entrevistados também disseram que ter morado no exterior - em países onde a classe média frequenta escolas públicas – teria lhes ajudado a "abrir a cabeça" para essa possibilidade.

A professora universitária Renata Wassermann é um exemplo. "Como morei na Europa, sempre achei estranho essa história de que muita gente no Brasil nem cogita escola pública, mesmo se a escola tem uma boa avaliação", diz ela.

Há dois anos, Renata tirou seu casal de filhos, de 9 e 11 anos, de uma escola particular em São Paulo para colocá-los na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, no Butantã, porque "achou a filosofia da escola incrível".

"Ela cobre o currículo nacional a partir de roteiros temáticos que perpassam todas as matérias. Cada criança escolhe a ordem dos temas que vai tratar e não há provas tradicionais. O professor corrige as fichas que são produzidas pelos alunos no fim de cada 'roteiro'", conta.

Também pesou na decisão de Renata o fato de ela ter se mudado com a família para uma casa perto da Amorim Lima e não estar muito satisfeita com a escola particular em que os filhos estavam.

Ela conta que, no início, seus filhos acharam a escola "meio bagunçada". "Mas logo eles se adaptaram", diz.

Crise

É claro que há muitos pais de classe média colocando os filhos em instituições públicas basicamente porque, por um motivo ou outro, precisam se livrar da mensalidade escolar.

Segundo Grecco, da Secretaria de Educação de São Paulo, por exemplo, em 2015 teriam aumentado muito as transferências de alunos da rede privada no meio do ano, provavelmente em função da crise econômica.

"Algumas famílias estão ficando sem condições de pagar a mensalidade", avalia.

Para Mozart Ramos, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna (instituição que ajudou a desenvolver o modelo educacional do Colégio Chico Anysio), isso já era esperado.

"Hoje há escolas públicas excelentes, mas o desafio é expandir essa qualidade para a rede, ou seja, fazer as ilhas virarem arquipélagos", diz.

"Por isso, não há como negar que, na média, a percepção geral ainda é de que a escola particular oferece melhor currículo, o que cria um movimento pendular nas matrículas: quando a população tem ganhos econômicos tende a levar os filhos para instituições privadas. Com a crise e o aumento do desemprego, o movimento é o contrário."

A designer gráfica Suye Okubo está entre os que matricularam os filhos na rede pública por questões econômicas.

Suye tinha um filho em escola particular, mas quando a filha nasceu, em meio a um processo de divórcio, não tinha condições de pagar uma segunda mensalidade.

Foi quando ela ouviu de uma amiga a recomendação de uma creche pública nas proximidades da escola do filho e foi conferir.

"Hoje tenho uma filha em creche pública e um filho em escola particular, mas como as contas da família estão apertadas, penso em mudá-lo para a rede pública pelo menos por um ano para quitar dívidas e ter um alívio financeiro", diz.

Para Suye, os dois sistemas de ensino têm suas vantagens e desvantagens. No geral, porém, ela considera a instituição em que está o filho, particular, melhor que a da filha, pública.

"A creche em que minha filha está tem várias qualidades. As professoras são dedicadas e carinhosas com as crianças e há mais diversidade entre os alunos – na sala de meu filho, na escola particular, não há um único negro, por exemplo", diz.

"Mas também há problemas, embora nada grave, felizmente. Só para mencionar alguns exemplos: a burocracia é maior para tudo, você precisa apresentar atestado de que vai ter de trabalhar para levar a criança na escola em janeiro ou marcar hora para falar com funcionários. A alimentação também deixa a desejar – o cardápio inclui itens não saudáveis como salsicha e margarina."

Impacto

Existe um debate sobre como um eventual retorno da classe média poderia impactar o sistema público.

Para alguns críticos, o risco é que esse movimento amplie a competição por recursos limitados, reduzindo a chance dos mais pobres conseguirem vagas em creches (que são limitadas) e nas escolas de melhor qualidade.

Para Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de educação básica do MEC, porém, o efeito seria um aumento da pressão por melhorias rápidas no sistema.

"No Brasil temos muitas crianças pobres cujos pais não estudaram. E em muitos casos, esses pais não têm repertório para participar dos debates sobre as mudanças nas escolas, nem sabem como pressionar por melhorias. A volta da classe média à escola pública tenderia a ajudar nesse ponto, o que pode ser um efeito inusitado da crise econômica", defende a ex-secretária.

Ramos, do Instituto Ayrton Senna, e Vieira, secretário de Educação do Rio, concordam. "Os pais de classe média têm uma tendência maior de participação na escola. Eles já estavam acostumados a cobrar e acabam cobrando mais da diretoria e autoridades responsáveis – o que é ótimo para a escola", diz Vieira.

Lacerda admite, porém, que seria interessante criar regras de acesso para impedir que algumas poucas escolas-modelo ou de boa qualidade sejam loteadas por integrantes da classe média, enquanto a qualidade de outras escolas fique estagnada.

"O interessante é ter uma mistura de todas as classes sociais. Toda a sociedade ganha com as crianças sendo educadas em um ambiente de maior diversidade", opina.


Fonte: BBC Brasil

Como driblar o consumismo infantil excessivo no Natal?


Nas ruas, na TV, na internet, no shopping e até em eventos patrocinados em parques.

O "bombardeio" de propagandas direcionadas a crianças que já ocorre ao longo do ano fica ainda mais intenso na época do Natal.

Mas como driblar o consumismo infantil excessivo diante de tantas "tentações"?

A BBC Brasil pediu dicas para pais e mães, especialista em direitos da infância e também para nossos leitores no Facebook. São presentes alternativos e ideias úteis para aproveitar o Natal com as crianças, eliminando (ou ao menos minimizando) o estresse de negociar pedidos insistentes por brinquedos da moda.

Veja algumas delas:

Desligar a TV e fugir do shopping

"Esse bombardeio de publicidade ao público infantil tem consequências graves. Ele incentiva o consumismo e o materialismo entre as crianças, que, assim como os adultos, podem passar a acreditar que ao terem aquele produto, serão mais felizes, terão mais amigos, vão se divertir mais. Isso gera, por exemplo, problemas de autoestima", afirma Isabella Henriques, uma das diretoras da ONG Instituto Alana e coordenadora do Projeto Criança e Consumo.

Para fugir desse cenário, ela sugere evitar ao máximo locais e atividades em que as crianças são mais expostas à publicidade. "A primeira dica é desligar a TV sempre que possível, já que na maioria dos canais há um grande volume de propagandas."

Isabella também sugere fazer atividades de lazer que não estejam atreladas ao consumo de produtos.

A dica da coordenadora é trocar a televisão por jogar um jogo ou fazer um bolo e um sábado no shopping por um passeio ao ar livre. "O maior presente para as crianças é sempre a presença dos pais ou responsáveis. É isso que elas gostam, é isso que elas precisam. "

Dizer 'não'

"É claro que nem sempre é simples dizer 'não' a uma criança. Mas os pais precisam ter em mente que dizer 'não' faz parte do processo de educação das crianças. É algo importante para a formação delas", afirma Isabella.

Na opinião dela, o apelo do consumismo infantil excessivo gera um estresse familiar, que acaba se intensificando em épocas como o Natal. E a tensão criada pode ser ainda maior em famílias com menor poder de compra. "Isso pode deixar frustradas as famílias que não têm condições de comprar o que a criança quer".

Para fugir dos apelos, vale fazer os famosos combinados com as crianças antes de ir a shoppings, mercados e afins. Um acordo de que a ida ao shopping é apenas para comprar o presente do primo ou deixar claro que será permitido comprar apenas um produto no mercado pode tornar mais fácil a tarefa de se dizer não - e evitar desgastes e escândalos no corredor de brinquedos.

Trocar brinquedos por viagens e passeios

A leitora Camila Xavier postou, na página da BBC Brasil no Facebook, um comentário contando como faz para evitar que seus filhos sejam muito exposto à publicidade - e sugere usar o dinheiro que seria usado para comprar brinquedos para fazer viagens em famílias.

"Meus filhos não veem propaganda na TV e vão o mínimo possível a centros comerciais. Quando chegam as datas festivas, o máximo que eles conseguem pedir é algum brinquedo que viram com um amigos. Depois do Natal, vem o aniversário deles. Disse que vamos usar o dinheiro para viajar. Eles adoraram", conta.

O escritor e ilustrador Fabio Yabu também combinou de trocar o presente da filha por um passeio. "Ela nem liga tanto para os brinquedos que já tem. Fomos em um parque de aventura aqui em Fortaleza, com arvorismo, pedalinho, tirolesa e ela ficou superfeliz, nem pensou em presente", conta.

"Acho que esse negócio de presente/consumismo é uma pilha que a gente mesmo põe nas crianças, não? De ficar perguntando o que elas querem, o que elas vão pedir pro Papai Noel, no aniversário, no Dia das Crianças..."

No Facebook, Gil Moraes opinou: "Acredito que um passeio em família para conhecer um lugar diferente seja um presente mais que adequado, visto que memórias duram muito mais tempo que brinquedos."

Deixar o dia mais verde

Entrar em contato com a natureza nunca é demais para uma criança, seja com passeios em parques ou trazendo um pouco de verde para casa. Dois leitores deram dicas nessa linha.

Josi De Paula, que vive na Alemanha, contou que seu filho de 3 anos adora passear em bosques e procurar pequenos tesouros como pinhas, pedras e conchas de caramujos vazias.

"Tudo vai para uma cesta e fica em sua estante de materiais naturais. Com esses elementos e blocos de madeira, ele faz construções de acordo com sua imaginação."

Dois leitores também deram dicas presentear as crianças com vasos de plantas. "Uma plantinha para ser cuidada", sugeriu Joaquim Quintino, acrescentando que ela cria responsabilidade nas crianças e dá resultado a longo prazo.

"Eu daria sementes e vasinhos para eles plantarem, incentivando desde pequenos a importância de preservar e cuidar da natureza", diz Anna Karolina.

Fazer o próprio presente

"Fizemos na minha família um amigo secreto que foi incrível. Cada um tinha de fazer o presente. Foi lindo porque as pessoas se dedicaram a fazer algo bacana para presentear. Eu adorei o meu presente: meu pai pintou um buda lindo para mim. É um dos mais especiais da minha coleção", conta Gabriela Costa. "Para o presente que meu filho deu para o priminho, pegamos uma sacola de pano tipo ecobag e estampamos com 'carimbos' da mãozinha dele."

No Facebook da BBC, a leitora Helga Reinhardt sugere fazer bolinhas de sabão com um arame e um pouco de detergente e dá uma outra dica:

"Se você tem alguma capacidade artesanal pode fazer algo como uma casinha tipo tenda", conta Helga, indicando um blog com dicas de como construir cabaninhas.

Assinatura de revistas

Dar uma assinatura de revistas para as crianças pode ser um presente diferente - e divertido.

"Um dos presentes de que minha filha, Marina, de 10 anos, mais gostou no ano passado foi a assinatura de uma revista que traz histórias curtas selecionadas pelos editores e escritas e ilustradas por pré-adolescentes", conta e Silvia Salek, diretora de redação da BBC Brasil, que mora com a família em Londres.

No Brasil, uma revista semelhante é a Yoyo.

Veja outras dicas de leitores da BBC Brasil

Show, teatro ou cinema

"Um ingresso de teatro é bem legal. Amo levar meu filho", conta Mayara Covo Piton.
Cozinhar em família

"Passar o dia cozinhando com os filhos e conversando é muito melhor do que eles passarem o dia inteiro incomodando pra ganhar um presente que 'um cara' (Papai Noel) deu pra eles", diz Michel Lempek Rosa.
Fotos e memórias

"Eu recomendo como presente, um ensaio fotográfico natalino, sendo que será uma lembrança bonita para o resto da vida, não somente para a criança, mas também para toda a família", sugere Mateus André.

Material escolar

"Acho que seria bacana presentear a criança com seu próprio material didático da escola. Levá-la para escolher seus próprios lápis de cor, estojo, e demais materiais, a incentivando a ter gosto pela aprendizagem, e estimulá-la a ter apreço pelas coisas - algo pouco incentivadas nos dias de hoje", conta Sara Oliveira.
Pequenos pintores

"Vi esses dias uma daquelas telas de pintor, no tripé e gostei! É uma forma de entrar em contato com a arte e estimular a criatividade", postou Eliane Rocha Pereira.


Fonte: BBC Brasil

Beijo forçado agora será caracterizado como crime de estupro


Comissão Especial de Juristas encarregada de elaborar proposta para um novo Código Penal aprovou nesta terça-feira a alteração do artigo 213 que versa sobre o crime de estupro.

No entendimento da comissão a prática comum em micaretas e baladas de beijar a força mulheres, contrariando suas vontades, é uma modalidade de estupro que deve ser coibida pela força da lei.

O texto original do artigo diz que “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso”. E justamente este é o enredo do popular “beijo roubado”.

Atualmente nas baladas é bastante comum ver homens bêbados usando de força ou ameaça para beijar mulheres que aparentam estar sozinhas. Mesmo muitas vezes acontecendo em locais públicos e sob o olhar de autoridades policiais a banalização desta prática faz com que o fato passe despercebido.

Sendo aprovada esta alteração quem ‘roubar’ beijo na balada pode ser enquadrado por estupro e ser condenado a reclusão de 6 (seis) a 10 (dez) anos. Caso o alvo da violência seja uma menor de 18 anos a reclusão passa a ser de 8 (oito) a 12 (doze) anos.

O beijo que no passado já foi um dos maiores símbolos do enlace matrimonial hoje é pauta de avaliações jurídicas de criminalistas. Fica cada vez mais claro que hoje é o ontem que tanto nos preocupávamos.


Fonte: Jornal Enfu

Artigo - Por que as mulheres não estão loucas


Você é tão sensível. Tão emocional. Tão defensiva. Você está exagerando. Calma. Relaxe. Pare de surtar! Você é louca! Eu estava só brincando, você não tem senso de humor? Você é tão dramática. Deixa pra lá de uma vez!

Soa familiar?

Se você é uma mulher, provavelmente sim.

Você alguma vez escuta esse tipo de comentário de seu marido, parceiro, chefe, amigos, colegas ou parentes após expressar frustração, tristeza ou raiva sobre algo que eles disseram ou fizeram?

Quando alguém diz essas coisas a você, não é um exemplo de comportamento sem consideração. Quando seu marido aparece meia hora atrasado para o jantar sem avisar – isso é desconsideração. Uma observação com o propósito de calar você – como, "Relaxa, está exagerando" – logo após você apontar o comportamento ruim de alguém é manipulação emocional, pura e simples.

E é esse o tipo de manipulação emocional que alimenta uma epidemia em nosso país, uma epidemia que define as mulheres como loucas, irracionais, exageradamente sensíveis e confusas. Essa epidemia ajuda a alimentar a ideia de que as menores provocações fazem com que as mulheres libertem suas (loucas) emoções. Isso é falso e injusto. Acho que é hora de separar o comportamento sem consideração de manipulação emocional e começarmos a usar uma palavra fora de nosso vocabulário usual.

Quero introduzir um útil temo para identificar essas reações: "gaslaitear".

(pequeno adendo do editor: "gaslaitear" foi uma adaptação do termo gaslighting para o português, para facilitar a compreensão do texto)

Gaslaitear é um termo usado com frequência por profissionais da área de saúde mental (não sou um deles) para descrever comportamento manipulador usado para induzir pessoas a pensarem que suas reações são tão insanas que só podem estar malucas.

O termo vem do filme de 1944 da MGM, "Gaslight", estrelando Ingrid Bergman. O marido de Bergman no filme, interpretado por Charles Boyer, quer tomar sua fortuna. Ele se dá conta de que pode conseguir isso fazendo com que ela seja considerada insana e enviada para uma instituição mental. Para tanto, ele intencionalmente prepara as lâmpadas de gás (no inglês, "gaslights", vindo daí o nome do filme) de sua casa para ligarem e desligarem alternadamente.

E toda vez que Ingrid reage a isso, ele diz a ela que está vendo coisas.

Trailer do clássico filme que deu origem ao termo
Nesse contexto, uma pessoa gaslaiteadora é alguém que apresenta informação falsa para alterar a percepção da vítima sobre si mesma.

Hoje, quando o termo é usado, usualmente significa que o perpetrador usou expressões como, "Você é tão estúpida" ou "Ninguém jamais vai te querer" para a vítima.

Essa é uma forma intencional e premeditada de gaslaitear, como as ações do personagem de Charles Boyer no filme Gaslight, no qual ele estrategicamente age para fazer com que sua esposa acredite estar confusa.

A forma de gaslaitear que estou apontando nem sempre é premeditada ou intencional, o que a torna pior, pois significa que todos nós, especialmente as mulheres, já tiveram que lidar com isso em algum momento.

Aqueles que gaslaiteaim criam reações – seja raiva, frustração, tristeza – na pessoa com quem estão interagindo. Então, quando essa pessoa reage, o gaslaiteador a faz sentir desconfortável e insegura por agir como se seus sentimentos fossem irracionais ou anormais.

* * *

Minha amiga Anna (todos os nomes trocados por questão de privacidade, claro) é casada com um homem que sente a necessidade de fazer observações não solicitadas e aleatórias sobre seu peso.

Sempre que ela fica brava ou frustrada com seus comentários insensíveis, ele responde da mesma maneira defensiva, "Você é tão sensível, estou só brincando".

Minha amiga Abbie trabalha para um homem que, quase todos os dias, acha um jeito de criticá-la, assim como a qualidade de seu trabalho. Observações como "Você não consegue fazer algo direito?" ou "Por que fui te contratar?" são comuns para ela. Seu chefe não tem dificuldade em demitir pessoas (o que faz regularmente), então seria difícil pensar, baseado nesses comentários, que Abbie trabalha pra ele há seis anos.

Mas toda vez que ela se posiciona e diz "Não me ajuda em nada quando você diz essas coisas", ela recebe a mesma resposta:
"Relaxa, você está exagerando."

É muito mais fácil manipular emocionalmente alguém que foi condicionado por nossa sociedade para tal. Nós continuamos a impor isso sobre as mulheres pelo simples fato de que elas não recusam nossos fardos. É a covardice suprema.

Abbie pensa que seu chefe está apenas sendo um babaca nesses momentos, mas a verdade é que ele está fazendo esses comentários para induzí-la a achar que suas reações não fazem sentido. E é exatamente esse tipo de manipulação que a faz sentir culpada por ser sensível e, como resultado, se recusar a deixar seu emprego.

Mas gaslaitear pode ser tão simples quanto alguém sorrindo e dizendo, "Você é tão sensível", para outra pessoa. Tal comentário pode soar inócuo, mas naquele contexto a pessoa está emitindo um julgamento sobre como a outra deveria se sentir.

Mesmo que lidar com gaslaitear não seja uma verdade universal para todas as mulheres, nós certamente conhecemos muitas delas que enfrentam isso no trabalho, em casa ou em seus relacionamentos.

E o ato de gaslaitear não afeta só mulheres inseguras. Até mesmo mulheres assertivas e confiantes estão vulneráveis. Por que?

Porque as mulheres suportam o peso da nossa neurose. É muito mais fácil para nós colocar nossos fardos emocionais nos ombros de nossas esposas, amigas, namoradas e empregadas, do que é impô-los nos ombros dos homens.

Quer gaslaitear seja consciente ou não, produz o mesmo resultado: torna algumas mulheres emocionalmente mudas.

Essas mulheres não conseguem expressar com clareza para seus esposos que o que é dito ou feito a elas as machuca. Elas não conseguem dizer a seus chefes que esse comportamento é desrespeitoso e as impede de trabalhar melhor. Elas não conseguem dizer a seus parentes que, quando eles são críticos, estão fazendo mais mal do que bem.

Quando essas mulheres recebem qualquer tipo de reprimenda por suas reações, tendem a deixar passar, pensando, "Esqueça, tá tudo bem."

Esse "esqueça" não significa apenas deixar um pensamento de lado, é ignorar a si mesma. Me parte o coração.

Não é de se admirar que algumas mulheres sejam inconscientemente passivas agressivas ao expressarem raiva, tristeza ou frustração. Por anos, têm se sujeitado a tanto abuso que nem conseguem mais se expressar de um modo que seja autêntico para elas.

Elas dizem "sinto muito" antes de darem sua opinião. Em um email ou mensagem de texto, colocam uma carinha feliz ao lado de uma questão ou preocupação séria, de modo a reduzir o impacto de expressarem seus verdadeiros sentimentos.

Você sabe como é: "Você está atrasado :) "

Essas são as mesmas mulheres que seguem em relacionamentos dos quais deveriam sair, que não seguem seus sonhos, que desistem da vida que gostariam de viver.

* * *

Desde que embarquei nessa auto-exploração feminista na minha vida e nas vidas das mulheres que conheço, esse conceito das mulheres como "loucas" tem de fato emergido como uma séria questão na sociedade e igualmente uma grande frustração para as mulheres em minha vida, de modo geral.

Desde o modo com que as mulheres são retratadas em reality shows a como nós condicionamos meninos e meninas a verem as mulheres, acabamos aceitando a ideia de que as mulheres são desequilibradas, indivíduos irracionais, especialmente em momentos de raiva e frustração.

Outro dia mesmo, em um vôo de São Francisco para Los Angeles, uma aeromoça que acabou me reconhecendo de outras viagens perguntou qual era minha profissão. Quando disse a ela que escrevo principalmente sobre mulheres, ela logo riu e perguntou, "Oh, sobre como somos malucas?".

Sua reação instintiva ao meu trabalho me deixou um bocado deprimido. Apesar de ter respondido como uma brincadeira, a pergunta dela não deixa de apontar um padrão sexista que atravessa todas as facetas da sociedade, sobre como homens veem as mulheres, o que impacta enormente como as mulheres enxergam a si mesmas.

Até onde sei, a epidemia de gaslaitear é parte da luta contra os obstáculos da desigualdade que as mulheres enfrentam. Gaslaitear rouba sua ferramenta mais forte: sua voz. Isso é algo que fazemos com elas todos dias, de diferentes modos.

Não acho que essa ideia de que as mulheres são "loucas" está baseada em algum tipo de conspiração massiva. Na verdade, acredito que está conectada à lenta e firme batida das mulheres sendo minadas e postas de lado, diariamente. E gaslaitear é uma das muitas razões pelas quais estamos lidando com essa construção pública das mulheres como "loucas".

Reconheço ter gaslaiteado minhas amigas no passado (mas nunca os amigos – surpresa, surpresa). É vergonhoso, mas fico feliz em ter me dado conta disso e cessado de agir dessa maneira.

Mesmo tomando responsabilidade por meus atos, acredito sim que, junto com outros homens, sou um produto de nosso condicionamento. E que ele nos dificulta admitir culpa e expor qualquer tipo de emoção.

Quando somos desencorajados de expressar nossas emoções em nossa infância e adolescência, isso faz com que muitos de nós sigam firmes em sua recusa de expressar arrependimento quando vemos alguém sofrendo por conta de nossas ações.

Quando estava escrevendo esse artigo, me lembrei de uma de minhas falas favoritas de Gloria Steinem:
"O primeiro problema para todos nós, homens e mulheres, não é aprender; mas sim desaprender."

Então, para muitos de nós, o assunto é primeiro desaprender como usar essas lâmpadas de gás (referência à origem do termo gaslighting/gaslaitear) e entender os sentimentos, opiniões e posições das mulheres em nossas vidas.

Pois a questão de gaslaitear não seria, em última instância, sobre nosso condicionamento em acreditar que as opiniões das mulheres não têm tanto peso quanto as nossas? Que o que elas têm a dizer e o que sentem não é tão legítimo quanto o que nós dizemos e sentimos?

* * *

Nota do editor: Yashar vai publicar em breve seu primeiro e-book, chamado "A message to women from a man: you are not crazy". Se estiver interessado e quiser ser notificado da publicação, insira seus dados aqui.

Esse post foi originalmente publicado no blog do Yashar, The Current Conscience. Nós lemos pela primeira vez no The Good Men Project. Tradução feita com permissão do autor.



Quer colocar isso em prática?

Para quem está cansado de apenas ler, entender e compartilhar sabedorias que não sabemos como praticar, criamos o lugar: um espaço online para pessoas dispostas a fazer o trabalho (diário, paciente e às vezes sujo) da transformação.

Entenda o que estamos fazendo e veja como entrar e participar.

Seguimos o papo nos comentários.


Fonte: Portal Papo de Homem

Artigo - Masculinidade tóxica: comportamentos que matam os homens



Por: Guilherme Nascimento Valadares*


Artigos com conceitos abstratos logo no título dão sono, eu sei. Vou tentar escapar dessa reza. Escrevo no calor do bom diálogo surgido nos comentários do texto "Homens estão morrendo porque não conseguem falar".

Vamos lá.

* * *

Jogo da primeira divisão do Brasileiro, um dia desses. Das arquibancadas, um pai xinga o bandeirinha diante de um impedimento bem marcado, mas que prejudica seu time:

– Seu corno-filho-da-puta-arrombado-viadinho, vai apitar jogo de várzea!

Os dois filhos pequenos observam atentos ao pai, são provavelmente muito novos pra saber usar palavrões – um faz cara feia e agita os braços, apoiando o patriarca; o outro se encolhe entre as pernas da mãe, puxando a saia dela pra ver se já era hora de mais um cachorro quente.

Já o filho adolescente engrossa o coro, tomando como alvo o próprio time, que aparentemente não está correspondendo às expectativas, "vai tudo dar o cu, seus bando de frouxo!".

* * *

Num bar, na mesa atrás de mim.

– A Silvinha tá na sua, Diogo. Olha essa mini saia dela, nóssasinhora, lambia até o caroço.

– É, ela tá dando mole, mas não tô bem hoje. Na real tô sentindo falta da Carla (pelo contexto, parecia ser a ex dele).

– Deixa de ser bicha. Vai lá, pô.

Silêncio.

– É uma mocinha mesmo esse Diogo. Vai perder uma foda à toa.

* * *

Empresário passa por dificuldades, adquire divídas que colocam todo seu patrimônio em risco. Mas não abre para a família, nem pede ajuda – por medo de expor sua fragilidade e perder seu posto de homem provedor.

* * *

No churrasco, pergunto a um amigo de vinte e tantos anos que estava cursando graduação, trabalhando em uma grande construtora e, pra completar, montou empresa própria:

– Mas como você está? Digo, de verdade, como fica sua saúde emocional em meio a uma rotina tão pesada?

– Então (ele abaixa a voz, me puxa meio de canto), você não vai acreditar. Tive um princípio de infarto semana passada. Estava em casa, com meus pais, comecei a sentir uma dor estranha, foi ficando forte, forte… até que me levaram correndo no hospital e era um infarto. Sorte que o médico conseguiu me tratar na hora. Mas não esquecer mais do que ele me disse depois, "se você seguir nesse ritmo, não passa dos trinta".

– Caramba! E você vinha conversando com alguém sobre a carga estar muito pesada pra você?

– Na verdade não, estava só aguentando o tranco mesmo, sabe como é.

* * *

Pai vê o filho nascer no dia 24 de maio. No cartório, muda o nascimento pra vinte e cinco, "24 é número de viado".

* * *

Macho de verdade não chora. Quer sexo sempre que possível. Nunca nega sexo. Se não transa, é um bosta. Agrada mulheres pra, no final das contas, transar. Se pudesse ter sexo à vontade sem um relacionamento estável e comprometido, soltaria fogos. Não entende sinais, não entende isso de emoções também, deixa essas coisas pras mulheres. É agressivo e usa a força com quem ultrapassa seus limites. É controlado, mas impulsivo quando ofendido. Ambicioso, desdenha de quem não deseja mais da vida. Despreza comportamentos que indiquem fraqueza, vindos de outros homens. Ele mesmo agir assim? Intolerável.


As histórias são reais. Nelas, vemos traços comuns em muitos homens:
  1. agressividade excessiva
  2. medo de ser gay
  3. medo de ser fraco
  4. medo de ser feminino
  5. busca por ser percebido como altamente sexual
  6. fechamento emocional (evitar vulnerabilidade)
  7. obsessividade com poder e dinheiro (expressadas de modo comum em relações auto-destrutivas com o trabalho)
Tomo a liberdade de usar a palavra "medo" pois qual outro motivo haveria para usarmos como xingamento constante o fato de alguém ser gay, fraco ou feminino? Odiamos aquilo que de algum modo tememos – seja por medo do contágio ou da identificação com o outro (Jose Léon Crochik comenta sobre, em seu livro "Preconceito, indivíduo e cultura").

Se não há medo, difícil haver raiva.

Uma materialização dessa loucura é o absurdo argumento de defesa "gay panic" (pânico de gays), que pode ser usado nos tribunais dos EUA para atenuar as penas em casos de assassinato. A "gay panic defense" diz que avanços indesejáveis de homossexuais podem levar a "violenta insanidade temporária". Em 2014, a Califórnia foi o primeiro estado a banir o uso desse argumento.

Ser homem, em larga medida, é essa construção de identidade baseada no medo.

A imagem foi originalmente concebida pelo professor, psicólogo e pesquisador Jim O'Neil [ http://jimoneil.uconn.edu/ ]. A versão acima foi apenas traduzida por nós.

Não à toa desfilamos nossa força a todo instante, no melhor de nossa capacidade.

Os musculosos malham, brigam, exibem os bicéps e tricéps. Os inteligentes articulam, comandam, estudam, dominam temas complexos e exibem seu conhecimento. Os bons em games acumulam mortes, pontos, rankings, medalhas e os exibem nas comunidades online, notórias pela presença massiva de outros homens. Os ricos gastam, acumulam, vivem experiências de riqueza, se gabam sobre como o que importa não é o que você tem, mas o que você é, e em seguida ostentam o que possuem.

Clichês e generalizações à parte, o ponto é ressaltar o narcisismo tão comum a nós. O desmedido senso de auto-importância, talvez só equivalente ao pânico de sermos desimportantes, fracassados, fracotes.

Essa situação prende os homens no que é conhecido como "The Man Box" (A Caixa do Homem):

Dentro da caixa, os comportamentos esperados: forte, durão, intimidador, sob controle, respeitado, atlético, poderoso, rústico, assustador, não mostra fraqueza, provedor, macho, grande, não responde a ninguém, jogador, rico, sexual. Fora da caixa, como será julgado caso se comporte fora do esperado: bicha, viado, fresco, fraco, menininho da mamãe, trouxa, afeminado.

O resultado são homens com emocionalidade restrita, sufocados. Que acabam por adoecer e morrer, ou se autodestruir, mais cedo. No Brasil, a nossa expectativa de vida está sete anos abaixo das mulheres.

A Associação Norte Americana de Psicologia estima que 80% dos homens nos EUA sofrem de "Alexitimia", uma condição caracterizada pela dificuldade em identificar e expressar os próprios sentimentos. Há pessoas que se sentem confortáveis sendo desse modo, mas outras tantas, não.

É como se a gente passasse tanto tempo temendo se associar a qualquer coisa vista como emocional demais – ou seja, supostamente "mulherzinha demais" – que, quando precisamos dessa habilidade, nem sabemos como usar. E não por má vontade, mas pela mais pura e simples falta de treino. No limite, isso leva à depressão, até mesmo ao suicídio.

Homens não são mais simples do que as mulheres. São seres tão complexos quanto, apenas condicionados de outros modos.

Essa masculinidade baseada no medo, que busca se provar "macho" a todo momento – estimulando violência, fechamento emocional, homofobia e obsessão com dinheiro, sexo e poder – é tóxica. Ela perpassa homens hétero, homo, trans, pretos, pardos e brancos, deficientes e não-deficientes.

A meu ver, combater a hegemonia dessa masculinidade tóxica é algo benéfico para todos, homens e mulheres, independente de nossa orientação sexual.

Isso não significa proibir homens de expressarem sua agressividade ou sexualidade. Não obriga ninguém a sair falando dos sentimentos ao acordar.

Atacar a masculinidade tóxica é buscar liberdade.

É permitir um leque maior de escolhas sobre como deseja ser, sem que isso coloque em risco o quão homem ele é. Só. Ninguém vai te proibir ou obrigar a nada.

"Se eu tivesse que dizer qual a principal emoção da masculinidade norte-americana, seria ansiedade. Por que? Porque você precisa provar sua masculinidade o tempo inteiro." – trecho do excelente documentário "The Mask You Live In"

Em comentário recente nesse texto aqui, escutamos de uma psicóloga:
"A masculinidade tóxica tem que ser desconstruída sim. Sou psicóloga e a queixa número um dos meus pacientes homens é:
"Não me sinto cumprindo meu papel masculino.
Não ganho dinheiro pra manter minha família e ser o homem da casa.
Mas só vim porque meu chefe mandou, homem não precisa dessas frescuras não."

Homem é GENTE. E gente SOFRE. Ponto."
Escuto relatos similares de outros amigos psicólogos. Estamos falando de algo que efetivamente impõe dor e sinucas emocionais à grande maioria dos homens, cedo ou tarde.


Então como separar a masculinidade tóxica do restante, sem jogar tudo fora?

Penso que toda mudança começa com a tomada de consciência.

Porém, aqui cabe um parênteses, essa não é uma conversa fácil. Eu mesmo me debati anos até entender o que agora compartilho nesse texto. É importante termos paciência e acolher quem pensa diferente de nós. Não dá pra mudarmos a mente de outra pessoa como quem atualiza um software.

Sendo bem sincero, é algo que corre tão fundo dentro de nós e na sociedade, que ainda sofro com isso e não sei se é algo que um dia "vou resolver". Há muitas tensões envolvidas na experiência de ser homem. Longe de ser vitimização ou comparação com a dor das mulheres, é apenas reconhecer ser duro. E como em qualquer tarefa árdua, a ajuda é bem-vinda.

Eu preciso de ajuda pra ser um homem melhor. Mesmo. Não é uma frase bonitinha, é a própria origem do PdH. Preciso de parcerias reais, de pessoas amigas me acolhendo e lembrando o que fazer e o que não fazer, com seus exemplos positivos e apoio constante. E talvez essa ajuda também possa ser útil a você.

Pois há traços que podem ter sido passados pra nós por corajosos bisavôs, através de impetuosos avôs, por admirados pais, que simplesmente não funcionam mais.

Não precisamos ser os homens que eles foram. E há beleza, creio, em honrar nossas famílias e linhagens tendo a coragem de não seguir seus passos quando não fazem mais sentido.

Proponho uma reflexão: pensar o que significa ser um homem para você. Em seguida, pensar quais dessas características você não precisa ou não deseja mais ter.

Experimente conversar sobre numa roda de amigos, em um momento em que isso não seja levado como piada.

Antes de recusar o exercício por alguma premissa do texto com a qual não concorde, sugiro apenas dar cinco minutos. Dê cinco minutos para digerir quais dificuldades tem enfrentado como homem, antes de pensar que "contigo o lance é matar tudo no peito, sem reclamar".

Não precisamos ser homens do passado.

Não precisamos ser novos homens.

Podemos, pouco a pouco, estraçalhar as paredes dessa caixinha limitante para que ninguém questione sermos mais ou menos homem por algo que fizemos – ou deixamos de fazer.

Coisa de macho, não?


* Guilherme é interessado em boas conversas, há nove anos desenvolve projetos cuja aspiração é beneficiar diretamente a vida das pessoas: sendo eles o próprio PapodeHomem – no qual atua como editor-chefe –, o Escribas e o lugar. Oferece o curso "Círculos de confiança: como cultivar comunidades digitais benéficas" e pode ser encontrado no Instagram.


Fonte: Portal Papo de Homem

Artigo - 5 Situações Idênticas que Geram Elogios a Homens e Críticas a Mulheres


Por: Lara Vascouto*

Ser mulher em um mundo machista significa muitas vezes ser ridicularizada, ignorada, violentada ou até morta por fazer coisas que homens são elogiados por fazer. Oh sim, eu sei que homens também sofrem, eventualmente, com determinadas expectativas que recaem somente sobre eles. Você provavelmente já está fazendo uma lista lá nos comentários: homem não pode chorar, homem tem que ser forte, homem não pode se preocupar demais com a aparência, homem tem que ser másculo, homem tem que ‘prover’, etc, etc, etc…

Mas antes que você poste essa lista, é bom que se lembre de algo muito importante: praticamente todas essas expectativas para homens existem como um contraponto em relação a mulheres – mulheres são frágeis / homens são fortes; mulheres são delicadas / homens são másculos, etc – de modo a manter o esquema de homens dominantes e mulheres submissas. Elas são resultado, portanto, de uma cultura machista que promove a inferiorização da mulher

Além disso, dificilmente um homem corre o risco de ser violentado, estuprado ou morto por não cumprir essas expectativas. E se corre – como no caso da violência contra homens afeminados, por exemplo – isso costuma ocorrer justamente porque a sociedade é machista e misógina e não suporta a ideia de que um homem acidentalmente se assemelhe ou queira se assemelhar a uma mulher.

Bem, agora que já tiramos isso do caminho, podemos seguir para exemplos práticos em que homens e mulheres são tratados de forma complemente diferente por fazerem as mesmas coisas. Exemplos como.


Homens são românticos, mulheres são patéticas

Se um homem se diz apaixonado e persegue ou importuna uma mulher, ele está só sendo persistente ou romântico. Se uma mulher faz isso, ela é patética ou uma stalker maníaca. Essa ideia se traduz com especial frequência em romances hollywoodianos, em que dezenas de mocinhos que perseguem, espionam, assediam ou até ameaçam se matar para conseguir a mocinha são tratados como grandes galãs e heróis românticos.


Homens são garanhões, mulheres são vadias

Essa é clássica. O filho é endeusado por trazer várias namoradas para casa, já a filha traz desonra e vergonha pra família se carrega uma camisinha na bolsa.

Essa é uma situação de dois pesos, duas medidas especialmente complicada, pois a restrição moral da sexualidade de mulheres torna aceitável a justificativa “ela estava pedindo” – uma surra, um estupro, um assédio, etc. A dominação sobre elas, nesse caso, se dá tanto pela restrição da sexualidade (que sempre vai variar em intensidade para poder justificar comportamentos criminosos), como pela ameaça constante do “castigo” se ela não se adequar.


Homens mais velhos são charmosos, mulheres mais velhas são invisíveis

Quando um homem envelhece, ele se torna “distinto” ou “charmoso”. Já quando mulheres envelhecem, elas se tornam invisíveis – a não ser que conservem características de “mulheres jovens”. Não é a toa que tudo o que a mídia tem a falar sobre celebridades mais velhas são coisas como “Fulaninha completa 50 anos, mas ainda exibe corpão!”.

Hollywood, aliás, (sempre Hollywood!) é um bom termômetro do quanto a sociedade não aceita/gosta quando mulheres envelhecem. Quantas vezes não nos deparamos com mães que poderiam ser par românticos de seus próprios filhos no cinema?


Homens são autênticos, mulheres são grosseiras

Da mesma forma, se homens são assertivos e francos, eles são objetivos, eficientes, confiantes. Se mulheres são assertivas e francas, são agressivas, mandonas, metidas. Vou contar algo de minha vida para ilustrar esse item. Três coisas sobre mim: sou introvertida, tenho uma expressão naturalmente séria e tenho dificuldade para fingir quando não estou a vontade. Meu marido, por outro lado, é como eu, só que mil vezes pior, porque ele não tem necessidade nenhuma, nem faz esforço nenhum para agradar ninguém. Bem, eu, sendo do jeito que sou, passei boa parte da minha vida ouvindo que eu sou “metida”, “arrogante”, “grosseira”. Por esse motivo, hoje em dia faço o maior esforço para me adequar. Já o meu marido? Ah, é o jeito dele, né? Ele é autêntico, seguro de si! Na pior das hipóteses, é visto como um excêntrico, ou mesmo misterioso.

Saindo levemente do tópico, penso que pode entrar nesse item também as diferenças de tratamento entre mulheres e homens que não cuidam do corpo/aparência. A única exigência que se faz de homens em relação a isso é que se mantenham limpos. Já de mulheres exige-se uma rotina constante de cuidados com a pele, cabelos, depilação, sobrancelhas, unhas, rugas, etc, etc, etc, para não serem chamadas de “relaxadas”.


Homens ‘submissos’ estão ‘na coleira’, mulheres submissas são boas namoradas/esposas

Parece que esse caso é o inverso – com mulheres recebendo um elogio, enquanto homens são criticados – mas claro que não é. Basicamente, se mulheres agem como capacho, assumindo todas as expectativas que ditam que ela deve servir e obedecer, todo mundo bate palmas. “Isso que é a mulher!”. “Não fazem mais mulheres como essa!”. “Que mulher exemplar!”.

Agora, se homens assumem esse papel cuidadosamente reservado para mulheres, ele está “na coleira”, foi castrado, emasculado. Basicamente, não é mais homem. E assim como elogiar mulheres submissas funciona como um reforço positivo para mantê-las na linha, ridicularizar homens aparentemente nessa posição funciona como uma punição para fazê-los sair rapidinho dessa posição.


* Lara Vascouto é Internacionalista, ex-Googler e fanática por ler e escrever textos bem-humorados. Optou por ser pobre e feliz na praia ao invés de rica e triste em São Paulo. Você encontra os textos da Lara também na OBVIOUS, Portal Ano Zero, Lugar de Mulher, CONTI Outra Revista Lampião e Revista Curió.


Fonte: Blog Nó de Oito

Marca cria bonecas com deficiências físicas para promover a inclusão


Como ensinar crianças a aceitarem a tentarem entender deficiências físicas e marcas de nascença quando a maioria das bonecas, brinquedos e desenhos animados não mostra isso em seus personagens? Instigada por uma campanha na internet, a marca britânica Makies, que vende bonecas feitas em impressora 3D, anunciou uma série de acessórios como bengalas,aparelhos auditivos, óculos e marcas, que podem ser adquiridos com a boneca ou separadamente.

Após o anúncio, a marca recebeu diversas solicitações de acessórios, como uma cadeira de rodas, o próximo item a ser lançado. A campanha #ToyLikeMe ganhou grande repercussão nas redes sociais, com mais e pais pedindo mais diversidade nos brinquedos e bonecas. Afinal, como a gente bem sabe, a diversidade das pessoas vai muito além do corpo branco e perfeito das Barbies.

Confira os acessórios criados:



Fonte: Portal Hypeness

Mulheres que fizeram História - Sister Rosetta Tharpe: a madrinha do Rock'n'Roll


Sister Rosetta Tharpe foi um amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante a brincar com a guitarra, faz lembrar Chuck Berry. A verdade é que foi esta a mulher que inspirou Chuck Berry. A mulher “bonita, divina sem mencionar sublime e esplêndida”, como Bob Dylan afirmou numa entrevista, é a essência do Rock n’ Roll.

Nascida a 20 de Março de 1915, em Cotton Plant, Arkansas. Filha de Willis Atkins e Katie Bell Nublin, apanhadores de algodão. A sua mãe tornou-se pastora evangélica, cantando e tocando para a sua congregação. É através da sua mãe e pela sua mão que a pequena Rosetta Nublin faz a sua primeira actuação aos 4 anos, acompanhada pela guitarra, cantou o conhecido tema gospel Jesus is on the mainline. Aos 6 anos de idade, segue a sua mãe, que abandonou o seu pai e migrou para norte.

Durante a juventude com a sua mãe, fez digressões em circuitos evangélicos. Influenciada pelo seu meio e pela energia de Chicago, uma cidade que fervilhava a Blues e Jazz, a jovem Rosetta misturava o Gospel com os ritmos seculares, o que, juntamente com o seu engenho com a guitarra, tornaramna
bastante popular. A forma como tocava transpirava Blues e impressionou muitos. Rosetta era também uma das poucas mulheres negras a tocarem guitarra na década de 20 do século passado. Casou-se
com Thomas A. Thorpe, um pastor evangélico abusivo e controlador que se aproveitara do talento e da popularidade de Rosetta. Decide divorciarse, mantendo o nome do exmarido, mas alterando a grafia para Tharpe, nome pelo qual ficou conhecida. Muda-se para Nova Iorque com a mãe, onde conquistou o sucesso e actuou no prestigiado Cotton Club, ao lado de Cab Calloway, para um público mais mundano. O que gerou polémica junto do seu fiel público-base.



Faz história, quando, em 1938, se torna na primeira cantora gospel a assinar por uma grande discográfica, a Decca Records. Um contrato controverso, pois impunha que Rosetta cantasse tudo o que o seu manager propunha. Os temas Rock Me e The lonesome Road conquistam as tabelas Pop em Outubro do mesmo ano. A irmã Rosetta era uma superestrela. Apesar do malestar entre a comunidade gospel causado por músicas como Tall Skinny Papa, ninguém conseguia ficar indiferente ao seu estilo particular.

Durante os anos que se seguiram, somou sucessos. Todos queriam ver e ouvir a prodigiosa irmã, percorreu os Estados Unidos da América, encheu salas de espetáculos, é uma das poucas vozes
femininas negras a animar os soldados norteamericanos, durante a guerra. Grava Down by the Riverside e Strange Things Happening Every Day, num período onde a segregação era a norma, denotam que as normas são algo que Rosetta nasceu para quebrar e foi assim que foi a sua vida. Depois de um segundo casamento falhado, é ao lado de Marie Knight que grava Up Above My Head, uma música sublime. Pouco se sabe sobre esta parceria que terminou abruptamente, após uma tragédia familiar ocorrida com Marie. Rosetta continua a sua carreira e, em 1951, a todos surpreende, quando é anunciado o seu casamento, o terceiro, com Russel Morrison, oficializado no estádio Griffith, em Washington D.C, perante uma audiência de vinte e cinco mil pessoas. Morrisson, seu marido e agente, acompanha-a até ao fim dos seus dias.

É com o aparecimento de jovens vindos do delta do Mississippi que surge o Rock n’ Roll e Elvis é coroado como rei do novo género musical. Rosetta, a mulher que vinte anos antes começou a fazer estes ritmos mantem-se fiel a si, mas a sua popularidade e o seu brilho ofuscam-se pelos novos artistas.


Até que um dia recebe uma chamada de Chris Barber, que a convida a embarcar numa nova digressão, desta vez, no Reino Unido. Para um público que nunca tinha visto ao vivo, uma verdadeira artista Gospel como Rosetta aparece como algo do outro mundo. Era diferente, cativante, fervilhava energia e alma. Ela e a guitarra eram apenas uma. A actuação de 1964 em Manchester, gravada num dia frio e chuvoso na estação de comboios, é a prova disso.

A irmã Rosetta estava de regresso e conquista o público europeu. Em 1968, Katie Bell falece e esta perda marcou bastante a cantora. Após este acontecimento e depois de ter sido diagnosticada com diabetes, Rosetta Tharpe actua pela última vez em Copenhaga, em 1970. Mais tarde, teve que amputar uma perna e, em 1973, abandona este mundo.

Rosetta Tharpe é uma inspiração para Etta Jones, Johnny Cash, Little Richard, entre outros. O seu legado é enorme, marcou a história da música, marcou gerações e apaixona todos aqueles que a ouvem, isto derivado à alma que possuía, à sua energia e poder.

Em 2004, Down by the Riverside entra para a National Recording Registry, da biblioteca do congresso norteamericano. Em 2007, entra para o Blues Hall of Fame e, em 2008, o governador Edward Rendell declara o dia 11 de Janeiro o dia da Sister Rosetta Tharpe, no estado da Pensilvânia. No seu discurso, destacou a lendária cantora, a pioneira que levou o Gospel para a cena mainstream.

A força da natureza como foi apelidada por Bob Dylan continua viva entre todos aqueles que a seguiram e na sua discografia.


Fonte: Portal Repórter Sombra (Portugal)

9 sinais de Câncer na Próstata que nenhum homem deve ignorar


O câncer de próstata é, entre os homens, o segundo tumor que mais causa mortes no Brasil.

Por isso é de grande importância identificar de forma precoce o câncer, pois teremos mais chances de lutar contra o tumor.

Os primeiros sinais do câncer de próstata podem passar despercebidos, e muitos dos sintomas acabam sendo confundidos com outras doenças.

Conheça nove sinais da presença do câncer de próstata:

1. Dificuldade de urinar
Este sintoma é facilmente confundido com infecção urinária.
O homem que tem câncer de próstata pode sentir desconforto, coceira, além de demorar a conseguir urinar.

2. Aumento da frequência urinária
Há um grande aumento na vontade de urinar, principalmente à noite.
Este sintoma pode ser confundido com o diabetes, cuidado!

3. Dores na região lombar
É muito comum sentir dores na região inferior das costas.
Muitas vezes, essas dores são associadas a dores musculares e acabamos não dando a importância devida.
Faça um exame médico caso as dores na região lombar se estendam até as coxas e quadris.

4. Dores na uretra
Há dores intensas na uretra e na bexiga com sensação de queimação.
A dor é parecida com aquela que sentimos quando a urina é presa.

5. Diminuição da força da urina
Há uma grande dificuldade em conseguir terminar de urinar.
Este sintoma também é confundido com a infecção urinária.

6. Dores nas costas enquanto se faz xixi
Este é um sintoma bem comum e a dor é intensa.

7. Sangue nos fluidos
Devido à presença de sangue, é notável a mudança de cor da urina, da pré-ejaculação e do sêmen.

8. Dificuldades durante o sexo
O câncer de próstata provoca dores intensas na hora da ejaculação e grande dificuldade de ereção.

9. Dores nos ossos
Devido à presença de células malignas no organismo, ocorrem inflamações pelo corpo que provocam dores intensas nos ossos e nas articulações.
Sentir dores nas coxas, costas e pelve é muito comum e é bastante confundida com a dor no nervo ciático.

ATENÇÃO! Recomendamos que você procure um médico urgente caso sinta algum dos sintomas acima. Pode não ser nada. Porém é muito importante investigar.

Fonte: Portal Dicas Caseiras

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