domingo, 24 de julho de 2016

Data internacional celebra negritude feminina


Em 25 de julho é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra. Em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, realizou-se o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, ocasião em que duas decisões foram tomadas: a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do 25 de julho como o Dia da Mulher Afro-latina-americana e Caribenha. A data fortalece o feminismo e visa consolidar a resistência das mulheres negras às opressões de gênero e étnico-raciais nas regiões em que vivem. O objetivo é também ampliar as organizações que elaboram estratégias para enfrentar o racismo e o sexismo, sofrido por mulheres que passam ainda por situações de discriminação de classe social, etnia e religiosidade.

Na Universidade de Brasília, elas são mães, professoras, estudantes, servidoras e tantas outras mulheres que se esforçam, todos os dias, para superar os obstáculos, apesar das desigualdades sociais existentes. Ao ingressar na instituição, as alunas regulares fazem uma declaração de etnia, que permite traçar o perfil racial discente da UnB.


Com a finalidade de combater situações de discriminação, a Universidade de Brasília lançou a campanha UnB Diversa e Plural, com ações que visam promover tolerância e respeito às diversas identidades de gênero, raça e orientação sexual, entre outras.

Abaixo, uma série de relatos dessas mulheres passa as impressões sobre o que é ser uma negra na sociedade brasileira.

A mestranda em História, Layra Sarmento lembra que na História do Brasil há poucos relatos a respeito de mulheres negras e reforça que, nas escolas, são raras as aulas que citam líderes quilombolas. "Quando essas heroínas são mencionadas, o relato se resume à situação de escravidão", declara a estudante.

A escritora cearense Jarid Arraes, cordelista que aborda a ancestralidade feminina em seus textos, avalia que o quase esquecimento das mulheres negras na História é algo que contribui para a pouca visibilidade da população negra. Por esse motivo, pensa que as meninas negras, via de regra, crescem acreditando no mito de que não há boas referências intelectuais nas quais possam se espelhar. E, para descobrirem seus referenciais, é preciso que mergulhem num labirinto de pesquisas individuais. Jarid afirma que elas necessitam juntar peças de um enorme quebra-cabeça para, ao final, descobrirem que pouquíssima informação foi registrada a respeito de mulheres como as líderes quilombolas Dandara dos Palmares e Tereza de Benguela.

"Ser uma mulher negra no Brasil é 'pular uma fogueira' todos os dias, porque o racismo estruturante em nossa sociedade impossibilita que grande parte das mulheres negras brasileiras tenham acesso às políticas públicas básicas, como saúde e educação de qualidade. O racismo institucional é um dos 'fatores determinantes' para a exclusão e a ascensão social. Porém, apesar de todas as mazelas impostas às nossas vidas, sinto muito orgulho em ser uma mulher negra".

Maria das Dores Almeida (Durica), amapaense, professora, pós-graduada em História da Cultura Africana e Afro Brasileira. Na UnB, cursa o Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto aos Povos e Terras Tradicionais. Há 17 anos milita no Movimento de Mulheres Negras Brasileiras, no Instituto de Mulheres Negras do Amapá, na Rede Fulanas, nas Negras da Amazônia Brasileira e na Articulação Nacional de Mulheres Negras Brasileiras.


"Ser mulher negra é um desafio constante. Não esmorecemos jamais frente às dificuldades, e muitas vezes somos surpreendidas com ataques que vêm de onde nem esperamos. Sinônimo de luta, em minha opinião, é trilhar o campo do conhecimento, pois, conhecendo nossos direitos, é possível avançar assegurando que esses, tanto de ordem individual quanto dos grupos que representamos, sejam minimamente assegurados. Carrego em meu legado ancestral o desejo de avançar, vislumbrando a possibilidade de ainda poder viver em uma sociedade justa e igualitária. De índole nobre e guerreira, sigo sob o signo da resistência, na luta pela valorização do povo negro do Brasil e do mundo".

Miriam Aprígio, professora, historiadora e quilombola da Comunidade de Luízes em Belo Horizonte (MG), cursa mestrado em Sustentabilidade na UnB. É militante desde a juventude nas pautas étnico-raciais.


"Para mim, uma mulher negra é forte física e mentalmente, é confortável em sua pele. Uma mulher que acredita ser linda por completo, apesar dos chamados padrões de beleza da sociedade, como ter cabelos lisos, olhos azuis, nariz estreito, pele clara e quanto mais magra, melhor. Uma mulher que usa as pedras que atiram nela para construir sua fundação e que acredita que ela é tudo, pois foi criada com perfeição, mesmo que a sociedade diga que ela é não é nada".

Ficenca Raquel Eliza nasceu no Suriname e é quilombola do povo N’djuká. Graduada em Administração Pública, cursa mestrado em Sustentabilidade junto aos Povos e Terras Tradicionais, no Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB.


"A universidade, o mercado de trabalho, as relações afetivas, o consumo... tudo vem com um imenso carimbo: 'negra'. Logo, não confiável, incompetente, feia, não educada, sexualmente disponível, incapaz de convívio social 'civilizado'. Nenhuma positividade acompanha a adjetivação 'mulher negra forte'; somos fortes para suportar toda a perversidade do racismo à brasileira (na saúde, na educação, no mercado de trabalho). Em tempos como o atual, o racismo veste sua roupa de gala e nos ataca diuturnamente. Tememos perder nossos filhos e filhas, nossos companheiros e companheiras, devido à existência de uma arma permanentemente apontada para nossas cabeças. 'Somos alvo'. Mas, estar – historicamente – nessa condição nunca nos impediu de atuarmos no sentido de fortalecer a comunidade negra onde quer que estejamos e com os meios que temos".

Joelma Rodrigues, 48 anos, nasceu em Brasília. É doutora em História e leciona nos cursos de Licenciatura em Educação do Campo e no Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto aos Povos e Terras Tradicionais da UnB. Suas pesquisas têm como foco as intersecções entre raça e gênero, a partir da perspectiva do feminismo negro e do mulherismo africano. Atualmente, é coordenadora das questões negras da Diretoria de Diversidade da Universidade de Brasília (DIV).


"Ser mulher e negra, para mim, é um desafio, porque, em nossa sociedade, somos vítimas de opressão em dose dupla: enfrentamos o machismo e o racismo, diariamente. Somos inferiorizadas, mas não abaixamos a cabeça diante das dificuldades. Somos mulheres de luta, mesmo que o preconceito tente nos derrubar. E nossa luta constante vai muito além do que querer um lugar no âmbito profissional ou social. É, acima de tudo, querermos ser respeitadas como seres humanos. Somos sinônimos de resistência. Precisamos nos unir, ainda mais, para combater o racismo. Não podemos mascará-lo como algo inexistente. O padrão de beleza imposto pela mídia nos obriga a ser quem não somos e quem não queremos ser. Mas isso não nos impede de ser quem somos em nossa essência. Somos beleza, somos cultura, somos amor. Nós queremos igualdade de direitos e representatividade".

Priscilla Sena, 23 anos, moradora de São Sebastião (DF). Estuda Letras e ingressou na Universidade de Brasília pelo sistema de cotas raciais. É ativista cultural e integrante do Movimento Cultural Supernova. Luta contra o racismo e ama seu cabelo black.


"Ser mulher negra é uma questão de se tornar negra. Em uma sociedade que demonstra por todos os meios midiáticos que estamos fora dos parâmetros de beleza, ser negra é resgatar uma segunda identidade e se enxergar livre das amarras sociais que insistem em nos perseguir. Ser uma mulher negra é se descolonizar todos os dias para o enfrentamento cotidiano. É resistir aos ataques de sexualização e objetificação sobre os nossos corpos negros. Ser negra é resgatar nossas origens, amar as nossas raízes e traçar novas rotas de sobrevivência".

Ana Caroline Gomes, 24 anos, moradora do Gama. É estudante de Teoria Crítica e História da Arte. É produtora cultural, dançarina e rapper.


"Sempre penso que ser mulher negra é viver plenamente, sem medo de ousar e jamais me submeter a critérios da sociedade, que ditam o que devemos fazer com nossos cabelos e determinam o que é bonito ou não. Ser mulher negra, pra mim, é ter orgulho de quem sou; é não usar ou ser algo para agradar um padrão determinado pela sociedade".

Layane Soares Nunes, 20 anos, nascida em Valparaíso de Goiás (GO). Entrou na UnB, no curso de Arquitetura e Urbanismo, pelo sistema de cotas raciais e se orgulha disso. Está inscrita no Programa de Iniciação Científica e participa do Grupo AfroAtitude. Em 2016, participou do Encontro Nacional de Estudantes e Coletivos Negros, no Rio de Janeiro (RJ).


"Ser uma mulher negra é ser forte, é resistir às opressões de uma sociedade racista e patriarcal. É ser mãe e pai, mesmo estando só. É ser alvo do desrespeito e se manter firme. É subir, mesmo com tudo te empurrando pra baixo. É ser cansada, negada e objetificada. É ser a segunda opção para aqueles que não enxergam o valor do corpo negro feminino. Ser mulher negra é sofrer com tudo isso e, ainda sim, subsistir mais forte a cada dia".

Hallana Moreira, 20 anos, estudante de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Ela ingressou na instituição por meio das cotas para negros.


"Acho que ser mulher negra é ser uma pessoa comum. Não acredito que a cor da minha pele ou o meu gênero deva ser empecilho para alcançar meus objetivos. E é com esse pensamento que levo minha vida. É apenas ao interagir com o mundo de alguma forma que sou lembrada de que não sou apenas alguém, não sou apenas uma mulher, mas, sim, sou uma mulher negra. Com isso, o caminho que sigo acaba sendo um pouco peculiar. Por essa razão, ser uma mulher negra também significa um trabalho constante para derrubar as diversas barreiras e preconceitos que surgem com o rótulo, sem, com isso, perder a força e o otimismo".

Janiele Custódio, 23 anos, formada em Engenharia de Produção na UnB. Passou direto da graduação para o doutorado em Engenharia de Sistemas na George Washington University, Estados Unidos, que inicia neste semestre.


"Ser mulher negra é ser igual à mulher branca, 'só que não'. Ser mulher negra é tentar transcender as barreiras do padrão e assumir suas raízes sem ser desrespeitada ou taxada como adepta de uma 'modinha'. É estar inserida em uma realidade etnocêntrica, conviver com a falta de representatividade e tentar se enquadrar dentro do que a sociedade assume como bonito, desvalorizando seu maravilhoso DNA. Ser mulher negra é ter sua intelectualidade questionada devido à distorção histórica dos negros e ser vista como inferior à mulher branca até que se prove o contrário. As pessoas chegam a ficar impressionadas quando um negro, por exemplo, assume algum bom cargo. É nascer com o genoma tão 'diferentemente igual' ao de todas as outras mulheres".

Krissya Norrana, 20 anos. Estuda Ciências Biológicas e mora em Planaltina.

>> Veja aqui mais depoimentos


Mercado

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda das mulheres negras brasileiras não corresponde à metade da recebida pelos homens brancos e equivale a cerca de 56% dos rendimentos das mulheres brancas. O desequilíbrio se repete em relação a situação educacional; inserção no mercado de trabalho; acesso a bens duráveis e tecnologias digitais; condição de pobreza e situações de violência doméstica.



Os dados estão registrados no livro Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil editado pelo Ipea, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a ONU Mulheres em 2013.


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

UnB avança posições entre universidades dos BRICS


A Universidade de Brasília melhorou seus índices e recuperou duas colocações no QS University Ranking: BRICS 2016, que avalia anualmente as 250 melhores instituições de ensino superior do bloco dos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). A lista foi divulgada pela consultoria internacionalQuacquarelli Symonds, especializada em educação e estudos no exterior, em colaboração com a agência de notícias russa Interfaz. Da 53a posição em 2015, a UnB voltou à 51a, e permanece entre as cem mais bem conceituadas.

No topo do ranking, encontram-se cinco universidades chinesas: Tsinghua (1a), Peking (2a), Fundan (3a), Science and Tecnology of China (4a) e Shangai Jiao Tong (5a). Das que entraram na classificação da consultoria, 54 são brasileiras – entre elas, Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas, Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília, que é a oitava melhor entre as nacionais, segundo a lista.


Neste ano, a Universidade já havia atingido a marca da nona melhor da América Latina em outro ranking elaborado pela mesma companhia. O reitor da UnB, Ivan Camargo, acredita que a avaliação reflete as melhorias alcançadas na qualidade da instituição. “É muito bom ver que a UnB está crescendo, melhorando. O nosso objetivo é sempre esse: crescer, em termos acadêmicos, e se tornar uma universidade cada vez melhor”, afirma. E completa: “A Universidade de Brasília tem potencial para ser a melhor da América Latina e nós vamos chegar lá”.


Critérios

Acompanhar os progressos efetivados pelos cinco países que compõem o BRICS em relação ao ensino superior e comparar a evolução de universidades de locais que partilham de semelhanças nas conjunturas socioeconômicas são os principais objetivos da avaliação realizada pela QS.

Para estabelecer o comparativo, metodologia semelhante à aplicada nos demais rankings elaborados pela QS foi utilizada, com a inclusão de algumas especificidades relativas aos países envolvidos nesta avaliação.


Foram considerados os seguintes indicadores, cada um representando um percentual do score total: reputação acadêmica (30%), reputação como empregadora (20%), relação entre estudantes e docentes (20%), professores com PhD (10%), número de publicações de docentes (10%), citações por artigos (5%), professores internacionais (2,5%) e estudantes internacionais (2,5%). As instituições poderiam alcançar, em cada um, o máximo de cem pontos.

A UnB atingiu a pontuação total de 66,1, com melhor desempenho no quesito professores com PhD, no qual alcançou a nota 91,7. Outros dois destaques da instituição se deram em relação à reputação acadêmica, avaliada com 87,1 pontos, e a reputação como empregadora, com 73,1 pontos.

>> Veja o desempenho da UnB na avaliação


Arte dos infográficos: Igor Outeiral (Secom - UnB)


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

Empregadas domésticas usam internet para denunciar abuso de patrões


Em dois dias, a página Eu Empregada Doméstica já ultrapassou 60 mil curtidas no Facebook. Criada pela paulista Joyce Fernandes, de 31 anos, a campanha reúne denúncias das profissionais sobre abusos e humilhações cometidas por seus patrões.

Ex-empregada doméstica, ela inaugurou a série de denúncias com um relato pessoal de seu último emprego na área, em 2009: "Joyce, você foi contratada pra cozinhar pra minha família e não pra vc. Por favor, traga marmita e um par de talheres e se possível coma antes de nós na mesa da cozinha; Não é por nada tá filha, só pra gente manter a ordem da casa".

Os relatos viralizaram na rede e, através da hashtag #EuEmpregadaDoméstica, centenas de mulheres começaram a compartilhar suas experiências. Aos poucos, os textos estão sendo postados na página.

Confira alguns deles:



Também historiadora, Joyce é conhecida na cena rapper em Santos (SP) com o nome artístico Preta Rara. Em suas músicas, como a primeira em parceria com Negra Jack, "Falsa Abolição", ela canta sobre as dificuldades de ser negro e mulher negra no Brasil e sobre os recaldos na escravidão na sociedade.



Fonte: Jornal Brasil de Fato

UNAIDS no Brasil recebe prêmio de direitos humanos por lutar contra discriminação de LGBTs


O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil recebeu na semana passada (14), em Belo Horizonte, o Prêmio de Direitos Humanos e Cidadania LGBT de 2016 do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais — também conhecido como Grupo Cellos.

A premiação reconhece instituições, iniciativas e personalidades que contribuíram para a visibilidade e fortalecimento do movimento de gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans na sociedade mineira. A agência da ONU foi homenageada por apoiar a diversidade sexual por meio da campanha #ZeroDiscriminação.

“O reconhecimento à iniciativa #ZeroDiscriminação não é apenas para o trabalho do UNAIDS, mas principalmente às milhões de pessoas que abraçaram essa causa e que fazem da borboleta, símbolo da campanha, também um símbolo do respeito, da diversidade e da transformação positiva que queremos ver no mundo”, afirmou o assessor de comunicação do UNAIDS, Daniel de Castro, durante a premiação.

Em edições anteriores, o prêmio do Grupo Cello foi concedido a personalidades como a Ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, e ao deputado Nilmário Miranda, chefe da Secretário estadual de Direitos Humanos, Cidadania e Participação Social de Minas Gerais.

Parceiros influentes do movimento LGBT, como o Canal das Bee, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), a Fundação Perseu Abramo, entre outros, também já foram reconhecidos pela premiação.

Em 2016, além do UNAIDS, o Cellos homenageou o programa Transvest – um pré-vestibular para travestis e transexuais, a ativista trans Keila Simpson, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, e a coordenadora do programa Transcidadania da cidade de São Paulo, Symmy Larrat, entre outros organismos e indivíduos.


Debate sobre HIV, Aids e populações vulneráveis

A entrega dos prêmios foi uma das atividades da Jornada pela Cidadania LGBT de Belo Horizonte, organizada pelo próprio Grupo Cellos dos dias 13 a 16 de julho. O evento incluiu um seminário sobre os desafios atuais da epidemia de Aids e os riscos enfrentados por populações-chaves.

Castro alertou que “a discussão sobre HIV e Aids dentro dos debates sobre direitos da população LGBT precisa ser abordado de forma a evitar o estigma e a discriminação que tanto marcaram as populações vulneráveis no início da epidemia”.

“Não podemos deixar ninguém para trás e a população LGBT está entre a populações mais vulneráveis ao HIV porque, entre outros fatores, ainda sofre discriminação e muitas barreiras para acesso aos serviços de saúde, como prevenção, tratamento e cuidados.”

Saiba mais sobre as atividades desenvolvidas pelo Grupo Cellos.


Fonte: Portal da ONU

Catioro Go convida pessoas a capturar cães abandonados


A febre do Pokémon Go está tomando proporções gigantescas nos países onde o jogo está disponível. Basta um passeio pelas redes sociais para se deparar com vídeos de centenas de pessoas correndo em locais públicos atrás das criaturinhas virtuais. Imagine então essa quantidade de gente capturando animais reais nas ruas, faria uma grande diferença, não?

Essa é a campanha que a Prefeitura Municipal de Esteio, no Rio Grande do Sul, resolveu fazer ao convidar as pessoas a se ocuparem de outro game: o Catioro Go.

A brincadeira, divulgada nas redes sociais da instituição, desafia as pessoas a encontrar e levar para casa um cãozinho de rua. As imagens mostram montagens de cães no game da Nintendo, enquanto a mensagem diz: “Enquanto Pokémon Go não chega ao Brasil, desenvolvemos o Catioro Go! Temos muitos bichinhos em nosso Canil Municipal, com diferentes habilidades, aguardando por um treinador que possa lhes dar muito carinho e ajudá-los a evoluir“

Segundo informações da Prefeitura, o número de interessados aumentou bastante desde o lançamento do post no Facebook. Esperamos que haja muitos Ashs no Rio Grande do Sul.


Fonte: Revista Exame

UIT: 3,7 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à Internet no mundo


Novos dados divulgados nesta sexta-feira (22) pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostraram que 3,7 bilhões de pessoas permanecem sem acesso à Internet no mundo, apesar da queda dos preços dos serviços de telecomunicações globalmente.

A projeção da UIT é que até o fim do ano, mais da metade da população mundial, ou 3,9 bilhões de pessoas, estarão sem acesso Internet.

O relatório “ICT Facts & Figures 2016” mostrou que a penetração da Internet é de 81% nos países desenvolvidos, de 40% nos emergentes e de 15% nos países mais pobres. Isso ocorre apesar de, no consolidado, os países em desenvolvimento responderem pela maior parte dos usuários (2,5 bilhões), comparados aos países desenvolvidos (1 bilhão).

Na abertura por região, o relatório apontou que o percentual de indivíduos utilizando a Internet é de 79,1% na Europa, de 65% nas Américas e de 66,6% nos países da Commonwealth. Os indicadores caem na Ásia/Pacífico, que tem 41,9%, nos Estados Árabes, com 41,6%, e na África, que tem o menor indicador mundial, com 25,1%.

A nova edição do documento da UIT mostrou que a cobertura celular está agora disseminada, com 95% da população global — ou 7 bilhões de pessoas — vivendo em áreas cobertas ao menos pela tecnologia 2G. As redes avançadas 4G se espalharam mais rapidamente nos últimos três anos e atingiram quase 4 bilhões de pessoas atualmente — correspondente a 53% da população global.

No entanto, enquanto o número de assinaturas de Internet móvel continua crescendo em taxas de dois dígitos nos países em desenvolvimento para atingir uma penetração próxima de 41%, globalmente esse avanço desacelerou. No mundo, o número total de assinaturas de banda larga móvel deve atingir 3,6 bilhões até o fim de 2016, comparadas a 3,2 bilhões em 2015.

A penetração da banda larga móvel é de 76,6% na Europa, de 78,2% nas Américas e de 53% nos países da Commonwealth. Nos Estados Árabes, é de 47,6%, na Ásia/Pacífico, de 42,6%, e na África, de 29,3%.

A banda larga fixa, por sua vez, teve crescimento mais forte nos países desenvolvidos. As assinaturas de banda larga fixa globalmente devem atingir cerca de 12 a cada 100 habitantes em 2016, com Europa, Américas e países da Commonwealth tendo as taxas mais altas de penetração (30%, 18,9% e 15,4%, respectivamente). O forte crescimento da China também está impulsionando a banda larga fixa na Ásia e Pacífico, onde a penetração deve superar 10% até o fim deste ano.

Os serviços de banda larga móvel ficaram mais baratos que os serviços de banda larga fixa, com uma média de preço para um plano básico de banda larga fixa duas vezes mais caro que a média de preços de um plano comparável de Internet móvel, de acordo com o relatório.


Desigualdades permanecem

Enquanto quase 1 bilhão de lares no mundo têm acesso à Internet (sendo que, desse total, 230 milhões estão na China, 60 milhões na Índia e 20 milhões nos 48 países menos desenvolvidos do mundo), os números de acesso domiciliar revelam a amplitude da desigualdade digital, com 84% dos domicílios conectados na Europa, comparados a 15,4% no continente africano.

Além disso, as taxas de penetração são mais altas entre homens em todas as regiões do mundo. As desigualdades globais de gênero no uso da Internet subiram de 11% em 2013 para 12% em 2016. As maiores discrepâncias estão na África, com 23%, e as menores, nas Américas, com 2%.

No início de 2016, a capacidade da Internet internacional atingiu 185 mil gigabits por segundo, frente a 30 mil gigabits em 2008. No entanto, essa capacidade é distribuída desigualmente no mundo, com a falta de banda sendo um dos principais problemas nos países menos desenvolvidos.

“O acesso a informação e tecnologias de comunicação, particularmente a banda larga, tem o potencial de servir como um importante acelerador da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, disse o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao.

“A interconectividade global está crescendo rapidamente. No entanto, é preciso fazer mais para acabar com a desigualdade digital e levar mais da metade da população global que não utiliza a Internet para a economia digital”, completou.

“O ano de 2016 marca o ano em que a comunidade internacional está embarcando na implementação dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas. A UIT, dado o tremendo desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, tem papel-chave na facilitação dessas conquistas”, disse Brahima Sanou, diretor do escritório de telecomunicações da UIT.

Acesse aqui o relatório completo (em inglês).


Fonte: Portal da ONU

Ajustes no orçamento podem ser feitos sem prejudicar mais pobres no Brasil, diz Banco Mundial


Um novo documento do Banco Mundial mostrou que, no Brasil, a lacuna entre despesas e receitas públicas precisará ser fechada em algum momento, sob o risco de as dívidas saírem de controle, afetando a economia e os serviços à população.

As despesas primárias do governo correspondem a 37% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as receitas primárias somam 36% do Produto Interno Bruto (PIB). O pagamento de juros, não contabilizado nas despesas primárias, correspondeu a 12,5% do PIB em 2015.

Os ajustes no orçamento podem ser feitos sem prejudicar os 40% mais pobres do país. Segundo o recente Diagnóstico Sistemático de País (SCD, na sigla em inglês) para o Brasil, os programas e serviços voltados a essa parcela da população custam apenas 7% do PIB, ante os 5% gastos com subsídios dados às empresas, e fazem diferença para quem mais precisa.

Já os subsídios e o atual sistema de previdência beneficiam mais os ricos do que a população de baixa renda, informa o documento. Isso os transforma em fortes candidatos a reestruturação.

Hoje, quase um terço dos gastos públicos (28%) vai para a previdência. “Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014, vemos que os gastos com a previdência deixam a distribuição de renda ligeiramente mais desigual”, explica Martin Raiser, diretor do Banco Mundial para o Brasil.

Uma questão importante é o tempo de contribuição necessário para receber o salário integral versus o período em que os aposentados recebem o benefício: em média, 35 e 22 anos, respectivamente.

Em geral, os brasileiros começam a fazer aportes para o sistema de previdência aos 25, aposentam-se aos 60 e têm expectativa de vida de 82 anos. Além disso, a contribuição do Regime Geral fica, excluindo os planos simples e rurais, entre 28% e 31% dos salários, enquanto a aposentadoria para uma pessoa com essas características equivale a aproximadamente 85% do último salário.

Entre as maneiras de aliviar o problema, está aumentar o tempo de contribuição. Por exemplo, um trabalhador que se aposente aos 65 anos – caso tenha boa saúde –, em vez de aos 60, conta com experiências e conhecimentos valiosos para passar às novas gerações. “O efeito nas vidas das pessoas pode ser benéfico e o impacto fiscal é 100% positivo”, comenta Raiser.


Financiamento a baixo custo

O Brasil gasta com subsídios às empresas o equivalente a 5% do PIB. Embora o valor seja menor que o dedicado às pensões e aposentadorias, também acaba dando vantagem aos mais ricos.

Isso porque as empresas beneficiárias da maior parte dos subsídios não são as pequenas, gerenciadas por pessoas de baixa renda, mas as grandes, que contratam trabalhadores mais bem qualificados e não necessariamente geram empregos de qualidade para os pobres.

Levando-se em conta que os subsídios são dados a baixo custo – em um país em que o custo dos financiamentos é alto – e têm disponibilidade limitada, o novo documento leva à pergunta: será que eles estão indo para quem realmente necessita?

Já os programas e serviços voltados aos mais pobres, que recebem o correspondente a 7% do PIB, promovem benefícios reais. Entram nessa conta iniciativas como o Bolsa Família, além de educação primária e secundária e saúde pública. Por isso, o novo relatório não aponta a necessidade de corte, mas de um uso mais eficiente dos recursos destinados a tais serviços, de modo a melhorá-los continuamente.


Fonte: Portal da ONU

As prostitutas também são mulheres trabalhadoras


Muito me surpreenderam os ataques públicos de um grupo de mulheres da CUT contra o "PL Gabriela Leite", projeto de lei que regulamenta o trabalho das/dos profissionais do sexo e o distingue do crime de exploração sexual; projeto construído democrática e participativamente pelas prostitutas organizadas e apresentado por mim, a pedido delas, na Câmara dos Deputados. (Leia a posição das mulheres da CUT clicando AQUI)

E muito mais me surpreenderam as declarações maliciosas da secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva (gostaria que ela lembrasse que as prostitutas que escreveram o projeto também são mulheres trabalhadoras), que disse que eu estou "pressionando" minha amiga e parceira de lutas, a deputada Érika Kokay, para que assuma a relatoria do projeto. A deputada Érika é uma pessoa de convicções e não permite que ninguém a pressione; mas me parece que, ao contrário do que foi dito, essa declaração contra o projeto é que pretende ser uma forma de pressão (inútil) contra ela, para que não assuma a relatoria ou se pronuncie contra o projeto para não contrariar um setor do seu partido.

Sim, do partido, porque é claro que essa declaração de algumas mulheres da CUT é, na verdade, uma declaração de algumas mulheres do PT contra um parlamentar do PSOL que faz oposição de esquerda ao governo Dilma - declaração que tem um olho no cálculo eleitoral para 2014. As mulheres da CUT nunca me procuraram para conversar sobre o Gabriela Leite — como, em outras ocasiões, já me procuraram para apoiá-las em outras lutas das quais também faço parte, como a luta pela legalização do aborto e contra o assédio moral no mercado de trabalho —, como também não procuraram o movimento das prostitutas; o que, sem dúvidas, teria feito se tivesse um interesse real - e não apenas partidário - em debater essa reivindicação da categoria que eu, como deputado de um partido de esquerda que quer representar os interesses da classe trabalhadora e não tem medo de fazê-lo mesmo quando envolve temas "polêmicos", decidi defender no Congresso.

É lamentável que as mulheres da CUT não levem em conta o trabalho que eu faço em outras frentes contra a exploração sexual de mulheres e crianças ou as emendas que destinei para políticas que deem oportunidade para mulheres prostitutas pobres que desejem deixar de ser prostitutas.

E é lamentável que não respeitem também a liberdade das mulheres prostitutas que querem continuar sendo prostitutas e ter seus direitos reconhecidos.

É curioso que as mulheres da CUT, por um moralismo não assumido, atentem contra as liberdades individuais e contra o direito de uma mulher de dispor sobre seu corpo, colocando-se ao lado do discurso dos fundamentalistas que impulsionam projetos para criminalizar o trabalho sexual, como o PL-377/2011 do deputado fundamentalista João Campos, o mesmo que defendia a bizarra lei de "cura gay".

É chocante que as mulheres da CUT não enxerguem o óbvio: que a prostituição como atividade praticada por uma pessoa adulta e capaz é diferente da exploração sexual (esta, sim, é um crime a ser enfrentado; seja quando vitima mulheres, seja quando vitima crianças e é chamada equivocadamente de "prostituição infantil") e que o Gabriela Leite - elaborado por mulheres prostitutas organizadas politicamente (quem melhor para falar em nome delas do que elas mesmas?) - diz respeito à prostituição como exercício da liberdade individual ou ao meio de sobrevivência de uma pessoa adulta, e a distingue da exploração sexual, inclusive apontando os meios de enfrentamento desse mal (a exploração sexual).

O "PL Gabriela Leite" - que leva o nome dessa saudosa lutadora, querida amiga, exemplo de luta e inspiração para mim e para muitos e muitas, recentemente falecida - é uma iniciativa das próprias trabalhadoras sexuais organizadas. Durante a minha campanha, elas me procuraram para debater esse assunto e colocar suas reivindicações em minha agenda, e eu assumi o compromisso de tocar essa pauta na Câmara, caso fosse eleito — eu eu honro minhas promessas de campanha, mesmo que impliquem num custo político por contrariar o senso comum, os preconceitos e os lobbys das corporações. Já deputado, mantive reuniões com trabalhadoras sexuais, tanto mulheres heterossexuais quanto travestis e transexuais, de diferentes estados, e também consultei a opinião dos garotos de programa — mas, como eles não estão organizados, não participaram como coletivo da redação do projeto. Tenho pelos trabalhadores e trabalhadoras sexuais o mesmo respeito — e o mesmo compromisso de acompanhar suas lutas — que por qualquer outro trabalhador ou trabalhadora.

O "PL Gabriela Leite" como todo projeto, pode ser melhorado com o debate, mas este precisa ser honesto e qualificado, sem baixarias e, sobretudo, deve incluir aqueles e aquelas que são sujeitos políticos dessa luta. Devemos deixar atrás a arrogância de pensar e decidir em nome de quem que nem sequer convidamos a participar de uma discussão que diz respeito a sua vida. Quando Gabriela me trouxe essa demanda e eu comecei a me reunir com as prostitutas em diferentes estados e cidades, a dialogar com elas e a ouvir suas experiências de vida e suas reivindicações, ficou claro para mim que eu sabia muito pouco e precisava aprender. Aprendi com elas e estou muito agradecido! Um representante do povo precisa ouvir, não apenas falar! Tem aspectos do projeto que eu só entendi depois de ouvi-las, e gostaria que aqueles que fazem ataques tão levianos tivessem a mesma disposição e humildade.

O debate sobre a prostituição, tanto no movimento feminista quanto no movimento LGBT, está longe de acabar. Não há uma opinião comum, nem no Brasil, nem no mundo. Há quem seja a favor da regulamentação do trabalho sexual (como eu) e há quem seja abolicionista e considere que toda forma de prostituição é uma forma de "mercantilização do corpo da mulher" — esquecendo, aliás, a prostituição masculina.

Eu defendo que todos e todas nós sejamos donos do nosso próprio corpo e, pelo mesmo motivo que sou a favor do direito das mulheres a decidir sobre a interrupção voluntária da gravidez, sou contra a criminalização dos usuários de drogas atualmente ilegais, sou a favor do direito das pessoas trans a fazerem cirurgias de transgenitalização e/ou tratamentos hormonais (se assim o desejarem!) e a ter seu nome e sua identidade reconhecida (independentemente do que façam com o corpo), sou a favor da morte digna e da autodeterminação sobre o fim da própria vida; também considero que toda pessoa adulta e capaz tem direito a decidir livremente se quer exercer a prostituição.

Considero que há uma parte da esquerda e do feminismo que tem uma posição conservadora e moralista sobre o uso do corpo e sobre a sexualidade (moralista e, inclusive, machista!), pela qual comete a contradição ideológica de defender o direito da mulher a abortar mas, ao mesmo tempo, pretender que o Estado tutele o corpo dela quando se trata da prostituição. Se o trabalho sexual é uma forma de mercantilização do corpo, qualquer trabalho que envolva o corpo também é! O que é que diferencia o pênis, a vagina ou o ânus das partes do corpo que usamos em outros trabalhos considerados "braçais", a não ser os tabus que interditam a sexualidade e querem escondê-la sob uma redoma sombria e custodiada por demônios?

"Eu sou mulher, mãe, filha, avó e puta", dizia Gabriela Leite, desafiando o sentido pejorativo e preconceituoso da palavra. Já é hora de que nos assumamos: veados e sapatões, putas, negros, macumbeiros, nordestinos, favelados, latino-americanos, sem medo nem vergonha de dizer quem somos, sem medo nem vergonha de sermos felizes.

O Estado deve combater a exploração sexual e o tráfico de pessoas e garantir que ninguém seja obrigado/a (por um proxeneta, pela máfia ou por circunstâncias sociais) a exercer a prostituição. E, da mesma maneira, o Estado deve reconhecer os direitos daquelas pessoas que decidem se dedicar ao trabalho sexual, sejam do gênero masculino ou feminino. Sei que, por dizer isso, posso ser tachado de "liberal". Ora, não tenho medo de ser "liberal" para defender o direito ao aborto ou à prostituição, da mesma maneira que, para defender os interesses da classe trabalhadora, não tenho medo de ser socialista.

Porém, essa discussão ideológica (teórica), que é muito interessante e deve ser feita, não pode ter mais destaque que os anseios humanos, reais, marcados no corpo, daqueles e daquelas que, como as prostitutas que me procuraram quando eu era, ainda, candidato (e elas acreditaram que, se eleito, poderia ser dos poucos que topariam, sem medo nem vergonha, defender as putas), precisam de nós para ter garantidos seus direitos fundamentais.


Fonte: Jornal Carta Capital

“Nós estamos aqui”: Rihanna, Alicia Keys e outros artistas participam de campanha contra o racismo nos EUA


Infelizmente, nos dias atuais o racismo ainda é bastante predominante no mundo. Todos os dias homens e mulheres negros sofrem com o racismo e são mortos, e o Estados Unidos é um dos pioneiros nos casos.

Com isso, grandes personalidades da indústria americana se juntaram em uma campanha denominada “We Are Here” (Nós estamos aqui), que é liderada por Alicia Keys.

O vídeo da campanha se chama “#23Maneiras que você poderia ser morto por ser negro na América”, mostrando 23 casos de mortes por racismo que de fato ocorreram nos Estados Unidos.


Assista ao vídeo da campanha abaixo:



Fonte: Portal Geledés

"GPS para cegos" criado por estudante pernambucano vence concurso mundial


Os óculos inteligentes criados pelo pernambucano Marcos Antônio da Penha, 27, foram os vencedores do WSYA 2014 (World Summit Youth Awards), na noite de quarta-feira, 17 de junho. Com a finalidade de auxiliar pessoas com deficiência visual a se locomoverem, o dispositivo competia com mais 18 projetos em seis categorias.

O estudante de ciências da computação contou a Folha de S.Paulo como foi receber o resultado. "Eu fiquei feliz demais. Não conseguia parar de gritar." Para o presidente do WSA (World Summit Award), Peter Bruck, o projeto do brasileiro "é realmente um salto em inovação tecnológica".

Chamado de PAW (Project Annuit Walk), o protótipo desenvolvido pelo grupo de pesquisas WearIt, do qual Marcos participa, localiza objetos num ângulo de 120º e calcula o melhor trajeto. Além disso, é possível mapear os pontos mais críticos de uma cidade, onde exista mais obstáculos.

Tecnologias "vestíveis"
O grupo trabalha na criação de tecnologias "vestíveis", acopladas ao próprio corpo, para resolver problemas simples do cotidiano. Dentro desse ramo, os pesquisadores viram na tecnologia assistiva, voltada para um público com algum tipo de deficiência, um nicho de mercado.

Entre os concorrentes dos óculos inteligentes estavam uma iniciativa guatemalteca para reduzir a gravidez na adolescência, um aplicativo indiano de caronas e um documentário dinamarquês sobre a vida nas favelas.

"Eu acho que ele combinou duas coisas de uma maneira muito particular, é realmente um salto em inovação tecnológica. Ele combinou computação com tecnologia de apoio a pessoas com deficiência num modelo de negócio social", destacou Bruck em entrevista à Folha.


Fonte: Portal EcoD / Jornal Folha de São Paulo

Gênio brasileiro e inventor da Fossa Biodigestora é desconhecido da população


O médico-veterinário e gênio brasileiro Antonio Pereira de Novaes é um ilustre desconhecido da população.

Novaes é o inventor da Fossa Séptica Biodigestora e do Clorador Embrapa, duas invenções de grande importância social e ambiental e, por isso, ganhou o prêmio Banco do Brasil de Tecnologia Social em 2003.

A genialidade de Novaes e sua importância para o país sem dúvida está na Fossa Séptica Biodigestora, inspirado em biodigestores de países asiáticos. Veja só: é uma tecnologia de baixo custo de instalação, fácil manutenção, promove o saneamento do excremento humano e, parece mentira, produz um ótimo adubo líquido. O ciclo completo.

Um exemplo acontece na Fazendinha Belo Horizonte, no Município de Jaboticabal (SP), onde o adubo orgânico gerado pela Fossa Séptica Biodigestora é utilizado para irrigar os 6.500 pés de noz macadâmia. O pomar produz anualmente cerca de 70 toneladas de macadâmia em casca, que são destinadas ao mercado brasileiro.

Um recente levantamento, coordenado pelo engenheiro civil da Embrapa Instrumentação, Carlos Renato Marmo, revelou que já foram implantadas mais de 11 mil unidades da Fossa Séptica Biodigestora. A fossa foi adotada em mais de 250 municípios brasileiros, nas cinco regiões do País, gerando benefícios para 57 mil pessoas.

Simples e genial, podendo ser associada a outras tecnologias ambientais, como o Clorador e o Jardim Filtrante, a Fossa Séptica Biodigestora substitui as fossas negras, protegendo a saúde dos moradores do campo e sem a necessidade da construção de redes de esgoto, de custo astronômico. Ela também promove a proteção ambiental ao evitar que dejetos contaminem solo e corpos d’água. Para Marmo, a população beneficiada é muito maior do que as 57 mil, pois o saneamento básico apresenta impactos não só no campo como também nas cidades.

Outro estudo realizado pela pesquisadora da Embrapa, Cinthia Cabral da Costa, e pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Joaquim José Martins Guilhoto, demonstraram que a construção desse sistema de saneamento básico poderia reduzir, anualmente, cerca de 250 mortes e 5,5 milhões de infecções causadas por doenças diarreicas. Comprovaram também que cada R$1,00 investido na adoção dessa tecnologia poderia retornar para a economia R$4,69. Bingo!

O mais incrível é que esse tecnologia, embora criada com sustentabilidade, baixo custo, fácil aplicação e replicabilidade, possui um enorme potencial para adoção em todo o País. Dos 5.570 municípios do território nacional, apenas 4,45% adotaram as tecnologias sociais. O levantamento sinaliza que o acesso aos serviços de saneamento básico na área rural ainda é um dos principais desafios para vencer a crise sanitária que afeta a qualidade de vida e a saúde de milhares de pessoas no campo. A tecnologia tem eficiência comprovada na biodigestão dos excrementos e na eliminação de agentes patogênicos.

A montagem de um conjunto básico da tecnologia, projetado para uma residência com cinco moradores, é feita com três caixas d´água de 1.000 litros (fibrocimento, fibra de vidro, alvenaria, ou outro material que não deforme), tubos, conexões, válvulas e registros. A tubulação do vaso sanitário é desviada para a Fossa Séptica Biodigestora. As caixas devem ficar semienterradas no solo e a quantidade de caixas deve aumentar proporcionalmente ao número de pessoas na família.

É uma tecnologia também que dificulta a corrupção e o superfaturamento, já que tem interesse social e é de domínio público. A Embrapa apenas orienta a instalação e disponibiliza informações para a montagem, por meio de sua página na internet ou contatos via “Fale conosco” da Embrapa.

O gênio brasileiro Antonio Pereira de Novaes trabalhou durante 30 na Embrapa. Além de médico veterinário e pesquisador, foi também violonista, mestre de banda, compositor de dobrados, entre outras atividades sociais. Ele poderia ter recebido em vida as honras de suas invenções, mas morreu em 2011 e quem sabe se faça ainda jus à herança que deixou aos brasileiros.


Fonte: Jornal Carta Campinas

Mostra usa arte contemporânea para reviver as mães negras do Brasil escravocrata


Referências na arte produzida no Brasil do século 19 ao início do século 20, as conhecidas imagens das amas de leite negras ressurgem em uma exposição inaugurada na tarde deste sábado (23) na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, na mesma zona portuária da cidade que guarda, em locais e sítios arqueológicos, a memória da escravidão no Brasil.

A mostra Mãe Preta é resultado de um ano e meio de pesquisas feitas pelas artistas visuais Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, a partir da reprodução de uma obra de Rugendas (1802-1858), que retrata uma mulher escravizada e seu filho de colo.

Forçadas a alimentar as crianças brancas, as mães pretas eram obrigadas a deixar seus filhos sem o único alimento disponível e, em alguns casos, abandonados à própria sorte. Em sua pesquisa, Isabel e Patricia encontraram uma vasta bibliografia e um acervo de imagens do século 19, base para o trabalho que utiliza a arte contemporânea para uma discussão sobre maternidade, racismo, sexismo e exclusão social, sofridos pela mulher negra no Brasil até os dias de hoje.

“O trabalho de observação e descobertas das artistas é revelado em alguns momentos da mostra, e fica mais evidente na série de assemblages-fotográficas, na qual utilizam recursos como lentes de aumento e objetos que remetem às matrizes africanas”, explicou o curador da mostra, Marco Antonio Teobaldo.

Segundo ele, o objetivo do recurso é “reiterar ou minimizar a presença de determinados personagens e detalhes, que muitas vezes podem passar desapercebidos num primeiro olhar, mas que nesse caso são amplificados”.

A exposição foi concebida especialmente para o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), onde está localizado o sítio arqueológico do cemitério no qual milhares de africanos escravizados recém-chegados ao país foram enterrados à flor da terra, na primeira metade do século 19.

Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa trabalham juntas há mais de uma década e realizaram a exposição Banco de Tempo na Galeria do Lago/Museu da República, em 2012, com livro lançado em 2015. Em sua pesquisa, a dupla busca criar maneiras de relacionar lugares históricos e arquivos de imagens a debates atuais por meio da arte contemporânea.

A exposição Mãe Preta fica em cartaz até 25 de setembro e pode ser vista de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. A entrada é franca. A Galeira Pretos Novos de Arte Contemporânea fica na Rua Pedro Ernesto, 32/34, na Gamboa, zona portuária do Rio.


Fonte: Portal Agência Brasil

domingo, 17 de julho de 2016

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 26 anos


O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completou 26 anos na última quarta-feira (13). O Eca é a principal legislação para proteção da infância e adolescência no Brasil, a partir da sua aprovação foi garantida a doutrina da proteção integral aos direitos da criança e do adolescente, adequando a legislação nacional à Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas.

Em alusão à data, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, realizou audiência pública sobre os 26 anos do Estatuto e o papel do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), em Brasília.

O presidente do Conanda, Fábio Paes, e a vice-presidente do colegiado, Ana Lúcia Starling, participaram do debate.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Por que a França tem sido alvo de tantos ataques?


A França é um dos países ocidentais que mais têm sido alvo de atentados ligados ao radicalismo islâmico nos últimos tempos. Apenas em 2015, o terrorismo matou 149 pessoas e deixou centenas de feridos, segundo dados do parlamento francês.

Isso sem contar os vários projetos de atentados interceptados a tempo pelos serviços de inteligência do país: mais de dez desde os ataques de janeiro de 2015, de acordo com as autoridades.

Em março deste ano, por exemplo, a polícia prendeu um suspeito nos arredores de Paris que detinha um importante arsenal de armas de guerra, dezenas de quilos de material explosivo e milhares de bolinhas de aço, que ampliam o impacto destrutor de bombas.

Na noite desta sexta-feira, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou que o autor do atentado na noite de quinta-feira em Nice, o franco-tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, "é, sem dúvida, ligado ao islamismo radical". Na manhã deste sábado o grupo autointitulado Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela atrocidade.

"A França é hoje, claramente, o país mais ameaçado. Um dos números da revista em francês do Estado Islâmico, Dar al Islam, tinha a manchete: 'Que Alá amaldiçoe a França'", afirmou Patrick Calvar, diretor-geral do Departamento Geral de Segurança Interna (DGSI) da França, o serviço de inteligência do país, a uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os atentados de 2015.

Há várias razões que explicam por que a França se tornou um alvo constante de ataques.

A primeira delas são as recentes operações militares em países como a Síria e o Iraque, contra o Estado Islâmico, e no Mali, que também visam radicais islâmicos.

Outra razão é o fato de a França ter a maior comunidade muçulmana da Europa, estimada em 6 milhões de pessoas, o que corresponde a quase 10% de sua população.

Essa população imigrante ou nascida na França de origem estrangeira sofre há décadas problemas de integração e é, em boa parte, desfavorecida socialmente.

Residem em áreas que concentram uma população imigrante de baixa renda, o que cria verdadeiros guetos e favorece o comunitarismo, acirrando o sentimento de exclusão social.

Nessas periferias consideradas problemáticas, as taxas de desemprego são maiores do que a média nacional.

Os autores dos últimos atentados e projetos de ataques na França têm um perfil semelhante: fracasso escolar e profissional, com "bicos" ou empregos de baixa qualificação, condenações na Justiça por crimes de violência, tráfico ou roubo. E, em boa parte dos casos, radicalização na prisão.

A França é o país europeu de onde mais saíram jovens para se aliar ao Estado Islâmico na Síria ou no Iraque.

Segundo o governo, cerca de 1,8 mil franceses estariam implicados em movimentos jihadistas nos dois países. Em torno de 600 ainda estariam neles. Desse total, mais de 200 são mulheres, número que vem crescendo nos últimos meses.

Durante muito tempo, inclusive após os atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo e o supermercado judaico, em janeiro de 2015, clérigos muçulmanos ainda faziam livremente discursos considerados radicais.


Lei da laicidade

O modelo do multiculturalismo adotado em outros países europeus não é aplicado na França em razão da lei da laicidade, de 1905, que determina a separação entre o Estado e a Igreja.

Dessa forma, o Estado francês não pode oferecer serviços públicos específicos para determinada comunidade religiosa ou financiar a construção de mesquitas.

Foi com base nessa lei que foi aprovada, em 2004, a proibição de usar símbolos religiosos nas escolas públicas ou ainda, em 2010, o uso do niqab (véu islâmico que deixa apenas os olhos à mostra). Orações em grupo nas ruas foram proibidas em 2011.

Quando essas leis foram aprovadas no país, líderes de grupos islâmicos radicais proferiram ameaças contra o país.

A lei da laicidade sempre suscita discussões polêmicas na França, como a questão de servir ou não carne de porco (não consumida por muçulmanos) nas cantinas escolares.

A cultura laica do Estado francês é utilizada por radicais islâmicos como uma espécie de arma de propaganda para reafirmar a identidade muçulmana e reforçar, ao mesmo tempo, o sentimento de exclusão de muitos jovens.

"Nós sabemos que o Estado Islâmico planeja novos ataques e que a França é claramente visada", ressaltou Calvar aos parlamentares.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Pesquisa identifica comportamentos de risco em universitários


Em sua pesquisa de doutorado na Universidade de Brasília, a pedagoga e doutora em Ciências da Saúde, Yone Oliveira, elaborou e aplicou questionários para identificar quais os comportamentos de risco que universitários com idade entre 18 e 24 anos possuem e qual a frequência com que eles ocorrem. O trabalho foi feito com estudantes de uma universidade particular do entorno do DF. Os resultados, segundo a pedagoga, são preocupantes.

Os comportamentos que mais chamaram atenção foram o consumo de álcool e a atuação no trânsito. Cerca de 47% dos jovens – a maior parte deles, homens – afirmaram consumir bebidas alcoólicas e 53,6% dos respondentes disseram que andaram, na condição de passageiros, em veículo conduzido por motoristas alcoolizados.

No trânsito, outros problemas foram identificados. A maioria dos entrevistados demonstrou andar constantemente acima da velocidade da via e 19% dos jovens apontaram a moto como meio primário de locomoção. "A moto é um dos meios de transporte mais perigosos atualmente e, mesmo assim, seu uso tem se multiplicado na América do Sul. Isso acontece por ser um meio de trasporte barato, tanto para aquisição, como para manutenção".

De acordo com os últimos estudos em relação a motos realizados pelo Detran-DF, as motos contribuem mais para o número de acidentes graves no trânsito do que para o crescimento da frota de veículos do país. Os acidentes com motocicletas em que há morte de envolvidos crescem em relação àqueles ocorridos com outros veículos. Para se ter uma ideia, de 2011 para 2012, aumentaram 28%, enquanto houve queda de 13% no número de acidentes em que não havia moto envolvida.



Outra questão observada na pesquisa de Yone Oliveira foi a violência contra si e contra terceiros: 9,5% dos jovens afirmaram já terem tido desejo de suicídio e 6,2% tentaram suicidar-se. Esses números, segundo ela, são muito altos quando comparados aos de outras faixas etárias. A pesquisadora revela que mais mulheres planejaram e tentaram se matar, porém mais homens apresentaram o desejo de suicídio.


Entre os jovens de 18 a 24 anos, também foi observada a preocupação com o peso. A pesquisadora constatou que mulheres tendem a controlá-lo por meio da alimentação, e homens, por meio de práticas desportivas. Ou seja, hábitos alimentares saudáveis foram constatados mais em mulheres, porém, elas também apresentaram com maior frequência casos de vômito provocado ou de uso de laxantes para emagrecer. Os homens afirmaram praticar com mais frequência exercícios físicos como corridas, caminhadas, levantamento de peso e outros esportes, no entanto, é mais comum entre eles o excesso de peso.

Essa diferença entre os gêneros é explicada pela pedagoga pelo fato de mulheres sentirem a necessidade de resultados mais imediatos, principalmente por sofrerem maior pressão social em relação aos seus corpos.



Apesar de a pesquisa ter sido feita com alunos de uma universidade específica, a orientadora do trabalho, professora Lenora Galdolfi, explica que esse quadro se repete em outros locais. "Acredito que se os mesmos questionários fossem aplicados em outras universidades do DF poucos números mudariam", afirma.

De acordo com Yone Oliveira, esses comportamentos entre universitários acontecem pela sensação de liberdade de muitos jovens, tanto os que saem de casa para estudar como os que não saem, mas passam a ser menos controlados pela família. Passar a morar sozinho pode levar a uma sensação de isolamento e solidão que acarretam a autoflagelação e as tentativas de suicídio, segundo a pesquisadora. É nessa época, também, que as pessoas começam a dirigir e a ter a própria renda. Além disso, o ingresso em uma faculdade pode trazer grande pressão para adaptação rápida a um novo ambiente. Yone ressalta que todos esses fatores contribuem para o consumo menos regrado de álcool e a direção mais perigosa.



Um ponto levantado pela pesquisadora foi que essas estatísticas não fogem da tendência mundial. No entanto, explica que sua tese também busca refletir qual é o papel das universidades perante a esse fatos. “A universidade, como espaço de formação de profissionais, faz uma preparação dos jovens para a sociedade. Os espaços de recreação e as palestras devem ser de preparação não só para profissões, mas também para a vida", conclui.


Arte infográficos: Anna Soares (Secom - UnB)


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

O mundo seria mais pacífico se não houvesse religião?


Religião e guerra são dois temas que muitas vezes se cruzam.

Desde as Cruzadas em 1095 até hoje em dia, vimos inúmeros conflitos travados em nome da fé.

E enquanto muitos acreditam que as guerras explodiriam se não houvesse a religião e que a fé é, na realidade, uma grande promotora da paz, para outros a guerra e a religião não podem se separar.

Nesta reportagem, um historiador analisa o caso do grupo que se autodenomina Estado Islâmico; mostramos três conflitos que normalmente são associados à religião, mas também têm outras causas; e falamos de trechos de livros religiosos que se referem a conflitos.


Justin Marozzi, historiador e jornalista

Desde muito tempo, a guerra e a religião se encontram em uma relação complicada e, muitas vezes, tensa.

Mas será que a religião alguma vez é a causa principal de uma guerra? Ou simplesmente um veículo utilizado para incitar as tropas, dividir sociedades e saquear países?

A causa original de qualquer guerra ou conflito é complexa e cheia de nuances, e há muitos fatores em jogo, como poder, ideologia, dinheiro, território e identidade.

Ocasionalmente, esse causa original até é esquecida, se perde ou é mal interpretada.

Na Irlanda do Norte, por exemplo, um conflito de 30 anos parecia dividir a sociedade em grupos religiosos: os unionistas protestantes contra os republicanos católicos.

De fato, o problema era mais territorial, com visões distintas sobre a identidade e sentimento de pertencimento nacional em sua essência. Os unionistas queriam permanecer no Reino Unido e os republicanos queriam voltar a ser parte da República da Irlanda.

Alguns especialistas acreditam que a religião nunca é a causa das guerras. Já outros dizem que a religião tem um papel de protagonismo na instigação da violência e do conflito.

A campanha do grupo autodenominado Estado Islâmico, por exemplo, criou uma violência generalizada que sacrificou milhares de inocentes, de todas e de nenhuma fé, em muitas partes do mundo.

O EI pratica uma versão extrema do Islã, e não pensa duas vezes antes de derramar sangue para lograr seus objetivos.

Sua causa imediata é a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, durante a qual seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, foi preso.

Ao mesmo tempo, havia uma luta de poder em Bagdá entre duas facções do Islã: o governo dirigido por xiitas e os sunitas privados de representação.

Estes últimos se uniram a insurgentes anti-governo.

O EI aproveitou a situação e ganhou território na Síria e no Iraque.

Com esta situação política de fundo, podemos responsabilizar somente a religião por este conflito violento?

Especialistas como o ex-oficial da CIA e psiquiatra forense Mark Zeiman diriam: "Não, não se trata da fé, sim da indignação emocional e moral, o que leva às pessoas a se unir a grupos como o EI."

Mas eu tenho outro ponto de vista.

Depois de passar a maior parte da última década vivendo em meio a conflitos e escrevendo sobre muitos dos países mais assolados pela guerra, meu parecer é que não se trata de anti-imperialismo.

Trata-se se pintar o mundo de negro.

Com sua interpretação extremista do Islã, para este núcleo duro de crentes, o motivo é puramento religioso.


Histórias de guerras

Esses três conflitos são muitas vezes interpretados como tendo causas religiosas.

Mas será que é isso mesmo?

Os historiadores Marozzi e Aaron Edwards resumem fatores que, para eles, precisam ser levados em conta quando se pensa nessas guerras.

Guerra da Bósnia

No início da década de 1990, a Iugoslávia se desintegrou diante de uma série de guerras civis.

Depois da Eslovênia e da Croácia se separarem, a Bósnia teve seu referendo de independência, o que levou a um conflito entre muçulmanos, sérvios (predominantemente cristãos ortodoxos) e croatas (predominantemente católicos).

Com um forte apoio do governo sérvio e grupos extremistas de Belgrado, os bósnios sérvios estavam determinados a ficar no que restava da Iugoslávia e ajudar a estabelecer uma grande Sérvia.

A guerra foi, então, principalmente um conflito territorial, alimentado por nacionalismo e divisões étnicas.

Os enfrentamentos foram amargos, os bombardeios indiscriminados, houve violações massivas sistemáticas e limpeza étnica.

Esta limpeza étnica obrigou comunidades inteiras a deixarem seus lares em operações cuidadosamente planejadas.

O incidente mais notório resultou no assassinato de quase 8 mil homens e meninos bósnios muçulmanos em Srebrenica em 1995, meses antes do fim da guerra.

Afeganistão

Quando os Estados Unidos foram atacados em 11 de setembro de 2011, foram considerados culpados a Al Qaeda e seu líder Osama Bin Lader, que previamente havia dito que os EUA haviam declarado "a guerra contra Deus, seu mensageiro e muçulmanos" e havia pedido a todos os muçulmanos que "cumprissem a ordem de Deus de matar os americanos".

Depois do 11 de setembro, os dirigentes do Talebã do Afeganistão foram acusados de proteger a Al Qaeda e Bin Laden.

Os EUA, apoiados por aliados, invadiram o país.

O objetivo alegado era desmantelar a Al Qaeda e impedir que tivessem uma base segura para suas operações, tirando os talebãs do poder no Afeganistão, onde eles aplicavam uma rígida interpretação da lei islâmica.

Depois do Afeganistão, a "guerra contra o terror" se expandiu com a invasão ao Iraque, justificada com argumentos que em sua maioria foram desacreditados.

Alguns começaram a considerar a "guerra contra o terror" com uma guerra do Ocidente contra o Islã.


Estado Islâmico

O chamado Estado Islâmico emergiu dos escombros da invasão do Iraque e da guerra civil síria, e pratica uma forma extrema de islamismo no qual sangue é derramados com objetivos políticos e religiosos.

O grupo conquistou território na Síria e no Iraque e assumiu a responsabilidade por ataques em várias partes do mundo, como Tunísia, Líbano, França e Bélgica.

Ele rechaça a democracia, considerando-a como uma ideologia ocidental desencaminhada, e tenta desafiá-la não apenas atacando o que chama de governos apóstatas (não crentes) do Oriente Médio e África do Norte, mas também as democracias liberais centrais do Ocidente.

O grupo advertiu outros grupos jihadistas do mundo que eles têm de aceitar sua autoridade suprema para erradicar os obstáculos para restaurar o reino de Alá Terra e defender a comunidade muçulmana contra infieis e apóstatas.

Aaron Edwards, historiador e escritor

O historiador e escritor Aaron Edwards reuniu uma mostra de citações relacionadas à guerra e o conflito em escrituras sagradas. Clique para vê-las.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

UNAIDS e parceiros vão promover respeito às minorias e prevenção do HIV nas Olimpíadas


No Rio de Janeiro, cerca de 30 voluntários participaram na última terça-feira (12) de um treinamento para a campanha do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) que vai promover o respeito à diversidade e a prevenção do HIV durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

A iniciativa vai mobilizar o público que frequentar os live sites das competições — locais criados pelo Comitê organizador das Olimpíadas para a transmissão das competições e outras atividades na Zona Portuária e em Madureira. Os espaços são abertos a todas as pessoas.

“Estes dois pontos específicos (da cidade) contemplam públicos muito diversos e igualmente importantes para as mensagens que queremos passar”, explica Adele Benzaken, diretora do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DDAHV) — principal parceiro que realiza a campanha em conjunto com a agência da ONU.

Um dos pontos do projeto é o incentivo à realização da testagem para o HIV, bem como a defesa dos direitos das pessoas vivendo com o vírus.

“A campanha é inclusiva, fala de coisas que são comuns a todas as pessoas, independentemente de sua raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, religião, ideologia política, classe social, deficiência, nacionalidade e tantos outros elementos.”

Também estão previstas ações na Casa Brasil, no Pier Mauá, e nas ‘casas’ de países parceiros — instalações montadas especialmente para os Jogos e espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro. A campanha também será desenvolvida nas redes sociais.

“Aproveitamos mais uma vez a oportunidade de utilizar o poder de união do esporte para passar mensagens de zero discriminação”, explicou a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, durante o treinamento realizado na sede do Grupo Pela Vidda — parceiro do UNAIDS que, ao lado da AHF Brasil, ficará responsável pela capacitação dos voluntários.

“Nossa meta é tocar as pessoas no Rio de Janeiro que estão vivendo as Olimpíadas de perto e também as que estão conectadas de alguma forma pelas redes sociais, já que contaremos com uma plataforma online com a missão de fazer esta ponte entre o que está acontecendo no Rio e o resto do Brasil e do mundo.”

“Vamos trazer para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos a experiência das ações feitas durante a Copa de Mundo de 2014, dentro da campanha Projeta o Gol, liderada pelo UNAIDS e realizada com diversos parceiros, muitos dos quais também estão juntos desta vez”, disse o presidente do Pela Vidda-RJ, Marcio Villard.

“Mas agora, até em função do contexto atual que temos em nosso país e no mundo, vamos apostar também em outros elementos que vão além da prevenção e da testagem (para o HIV), para poder alcançar e sensibilizar o maior número possível de pessoas e voltar a alimentar esperança e a confiança na humanidade.”

Nos últimos anos, tanto no Brasil, quanto ao redor do mundo, uma onda de extremismo e polarização no campo político e das ideias tem exacerbado a violência contra os mais vulneráveis – minorias, pessoas LGBTI, refugiados, pessoas vivendo com HIV, entre outras populações.

Na maioria das vezes, tais ações não apenas culminam em violações dos direitos humanos, como contribuem para alimentar a percepção de que diversas conquistas acumuladas nesta área nas últimas décadas podem estar ameaçadas.

A campanha quer ser uma resposta a esse cenário, promovendo atitudes e sentimentos que reforçam a importância do respeito, da tolerância e da solidariedade.

O projeto conta com o apoio da União Europeia e outras agências da ONU, como o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Além do primeiro treinamento realizado no início da semana (12), os voluntários contarão com outros encontros preparatórios sobre temas relacionados à prevenção e testagem para HIV e à abordagem do público em grandes eventos.

Um guia do voluntário também será produzido e usado em outras ocasiões para além dos Jogos, já que a campanha acontecerá em diversos momentos até o final de dezembro.


Visitas preparatórias

No início de julho, representantes do UNAIDS e do DDAHV estiveram no Rio para visitar os locais onde a campanha será realizada.

Juntamente com o Grupo Pela Vidda, visitaram a região entre a Praça XV e a Praça Mauá, onde será instalada a Pira Olímpica — como é chamado o live site do Porto Maravilha, ainda em suas obras finais — e o Parque de Madureira, onde o organismo parceiros já realiza ações frequentes de mobilização social para prevenção e testagem.


Fonte: Portal da ONU

UE e agência da ONU promovem educação para crianças afetadas pela violência na América Central


A União Europeia e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançaram o projeto “Educação em Emergências” para tornar possível o acesso de mais de 9 mil crianças que vivem nos centros de acolhimento e abrigos de El Salvador, Guatemala e Honduras a atividades educativas e de proteção.

A UE contribuiu com 700 mil euros para apoiar o projeto, que se somaram aos 500 mil euros que, em 2015, foram destinados ao ACNUR para beneficiar cerca de 11 mil crianças na Guatemala e no México.

Para os meninos e meninas que vivem nos países do Triângulo Norte da América Central (El Salvador, Guatemala e Honduras), algumas atividades normais, como ir à escola ou jogar futebol em seus bairros, podem significar riscos de vida.

As crianças enfrentam todos os dias altos níveis de violência e são diretamente afetadas por ameaças, recrutamento forçado, deslocamento, confinamento, falta de acesso a serviços básicos e violência de gênero.

Por meio de programas de educação, sensibilização e proteção, o projeto “Educação em Emergências” de 2016 contribuirá para o desenvolvimento das crianças e aumentará a segurança nos países da região.

Além disso, mais de 500 funcionários públicos e trabalhadores da sociedade civil serão capacitados para atuar de acordo com as necessidades de educação e proteção das crianças. No total, aproximadamente 30 mil pessoas receberão material de sensibilização e incentivo.

A verba é parte de um total de 52 milhões de euros designados em 2016 pela União Europeia para projetos de educação voltados às crianças que vivem em áreas afetadas por emergências.

“Também pretendemos levar o projeto para El Salvador e Honduras a fim de conseguir o mesmo resultado sobre os mecanismos de proteção que alcançamos na Guatemala, onde o ACNUR foi o principal condutor e incentivador”, disse Vicente Raimundo, diretor do Escritório regional para a América Central, México e Caribe da Direção-Geral de Ajuda Humanitária e Proteção Civil da Comissão Europeia (ECHO).

“Para que estas crianças e adolescentes da América Central possam construir seu futuro, é essencial que tenham acesso à educação e proteção em locais seguros”, disse Andrés Ramirez, representante do escritório regional do ACNUR na América Central, Cuba e México.

O projeto da UE e do ACNUR será implementado nos departamentos de Usulután, San Miguel, Santa Ana e San Vicente em El Salvador, assim como nos departamentos de Petén e Quetzaltenango na Guatemala, e nos departamentos de Tegucigalpa, Francisco Morazán e Cortés em Honduras.


Crianças estão entre as vítimas mais vulneráveis

A União Europeia, junto com seus Estados membros, é um dos principais doadores para a ajuda humanitária a nível mundial. Por meio da Ajuda Humanitária e Proteção Civil da Comissão Europeia (ECHO), a UE apoia especificamente projetos educacionais para crianças em situação de emergência.

As crianças estão entre as vítimas mais vulneráveis durante e imediatamente após as crises. Elas correm alto risco de serem separadas de suas famílias e de sofrerem deslocamento forçado.

De acordo com as Nações Unidas, atualmente existem cerca de 9,9 milhões de crianças refugiadas, e estima-se que 19 milhões tenham sido forçados a se deslocar dentro de seu próprio país devido aos conflitos.

As iniciativas do “Educação em Emergências”, financiadas pela UE, possibilitam às crianças ter acesso a escolas, onde podem aprender em um ambiente saudável, recebendo apoio psicológico para superar suas experiências traumáticas.

Até o final de 2016, mais de 3,8 milhões de crianças terão recebido ajuda em 46 países ao redor do mundo, algum deles na América Latina, como é o caso da Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Venezuela.


Fonte: Portal da ONU 

Human Rights: crianças afegãs trabalham em condições perigosas


Milhares de crianças afegãs, algumas com apenas oito anos, trabalham em condições perigosas, apesar de a lei afegã proibir isso, denunciou a organização Human Rights Watch (HRW). Além disso, metade dos menores que trabalham no Afeganistão se veem obrigados a abandonar a escola, segundo relatório publicado nesta quinta-feira.

A HRW acusa o governo de não aplicar a lei que proíbe que menores trabalhem em setores perigosos e de ter cessado seus esforços de modificar a lei trabalhista para conformá-la às normas internacionais. "Aqui, as crianças trabalham dos dez, as vezes desde os 8, até os 15 ou 16 anos. Levantam às 3 da manhã e trabalham até a noite. Elas se queixam de dores. Mas o que podem fazer? Precisam ganhar a vida", afirma aos autores do estudo o chefe de uma fábrica de tijolos em Cabul.

"De acordo com a lei afegã, os menores entre 15 e 17 anos podem trabalhar em setores nos quais não correm riscos, que representam uma forma de aprendizagem e se não trabalharem mais de 35 horas por semana", afirmou à AFP Ahmad Shuja, representante da HRW em Cabul. A extrema pobreza no Afeganistão, um dos países mais pobres do mundo e onde a taxa de desemprego em 2016 foi de mais de 40%, obriga os menores a trabalhos perigosos.


Fonte: Jornal Correio Braziliense

OAB reconhece a identidade de gênero e aprova o uso do nome social em documentos da entidade


Uma luta da sociedade civil que teve apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania (SEDH/MJC) agora é reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Resolução do Conselho Federal da OAB publicada no Diário Oficial da União do dia 5 de julho reconheceu a identidade de gênero de travestis e transexuais no âmbito da entidade e regulamentou o uso do nome social no registro da Ordem. A medida alterou parágrafos do Regulamento Geral do Estatuto da OAB e definiu nome social como a "designação pela qual a pessoa travesti ou transexual se identifica e é socialmente reconhecida”.

As mudanças abrangeram a inclusão do campo "nome social" na carteira e cartão de identidade profissional dos advogados, bem como no cadastro nacional das sociedades de advogados. A Resolução também previu a possibilidade de utilização do nome social para identificar candidatas e candidatos nos processos de eleição dos diferentes Conselhos que constituem a entidade. As disposições entrarão em vigor 180 dias após a publicação no Diário Oficial.

A SEDH/MJC cumprimenta a OAB e reforça a importância dessa medida, que é vital para que indivíduos pertencentes ao universo transgênero tenham respeitados seus direitos decorrentes dos princípios da igualdade e dignidade humana. A iniciativa da OAB alinha-se ao Decreto nº 8.727, de 28 de abril de 2016, que estabeleceu o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional e foi assinado durante a 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos. Com o Decreto, a pessoa travesti ou transexual passou a poder requerer, a qualquer tempo, a inclusão de seu nome social em documentos oficiais e nos registros dos órgãos e das entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

domingo, 10 de julho de 2016

Abrinq lança cartilha para alertar sobre trabalho infantil durante as Olimpíadas


O Brasil deve receber cerca de 350 mil turistas estrangeiros durante os Jogos Olímpicos. Como acontece em todos os grandes eventos, existe o risco de crianças e adolescentes ficarem expostos a práticas proibidas de trabalho infantil, como venda de alimentos, bebidas ou produtos esportivos, ou de serem usados para a exploração sexual.

Para combater essas situações e engajar a sociedade, a Fundação Abrinq lançou a cartilha "Olimpíadas 2016 – Juntos na proteção das crianças e adolescentes", com dicas e orientações sobre como denunciar .

Saiba mais na entrevista que o Revista Brasil fez com a gerente executiva da Fundação Abrinq, Denise Cesario.

O Revista Brasil é uma produção das Rádios EBC e vai ao ar, de segunda a sábado, às 8h, na Rádio Nacional AM Brasília. A apresentação é de Valter Lima.


Fonte: Rádios EBC

Com Brexit, Reino Unido registra alta acentuada nos crimes de ódio


Mais de 3 mil crimes e incidentes de ódio foram registrados pela polícia britânica de 16 a 30 de junho neste ano, um aumento de 42% em comparação ao mesmo período de 2015, segundo dados do Conselho Nacional da Polícia.

De acordo com o site da polícia que registra casos desse tipo - o True Vision -, o crime de ódio pode ser definido como ofensas feitas a uma pessoa por causa de critérios relacionados a raça, religião, orientação sexual ou deficiência.

O período em que a alta foi verificada inclui o fim da campanha e as primeiras reações ao resultado do plebiscito no qual a maioria da população votou pela saída do Reino Unido da União Europeia, realizado no dia 23 de junho.

Dois dias depois da votação, em 25 de junho, a onda de crimes de ódio atingiu seu auge: foram relatados 289 casos na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte.


'Inaceitável'

O subcomandante da polícia Mark Hamilton classificou como "inaceitável" essa alta acentuada.

"Isso mina a diversidade e a tolerância, que todos nós deveríamos estar celebrando", disse.

"Todos têm o direito de se sentir seguros e orgulhosos sobre quem são, e ninguém deveria fazê-los se sentir vulneráveis ou sob algum risco."

A polícia britânica foi obrigada a divulgar os números semanalmente depois de o site True Vision evidenciar o aumento nos registros de crime de ódio.

"O serviço policial não vai tolerar esse tipo de abuso. Mas nós precisamos primeiro nos conscientizar de que esses crimes estão acontecendo para que possamos investigar", alertou Hamilton, sobre a necessidade de que as vítimas façam as denúncias.

No total, foram reportados 3.076 crimes e incidentes de ódio na segunda metade de junho. Na mesma época de 2015, foram 2.161 - ou seja, 915 casos a mais.

Segundo o Conselho Nacional da Polícia, a maioria dos crimes denunciados foi de "violência contra a pessoa", o que inclui assédio e agressão comum, além de abusos verbais, cusparadas e xingamentos.


'Voltem para seus países'

No mês passado, o premiê David Cameron condenou incidentes como abusos verbais destinados a minorias étnicas e chamou de "desprezível" um grafite feito em uma área habitada pela comunidade polonesa em Hammersmith, em Londres.

O caso está sendo investigado como crime de ódio.

Na última quarta-feira, um galpão ao lado da casa de uma família polonesa foi incendiado em Plymouth, no sul do país.

Ninguém ficou ferido, mas o fogo causou muitos estragos na casa - a família recebeu um aviso dizendo que deveria "voltar para a Polônia".

O pai e as duas irmãs mais novas de Ewa Banaszak, de 22 anos, estavam na casa no momento do incêndio.

"Tem sido um período muito turbulento depois do plebiscito. As pessoas ficam nos dizendo que devíamos voltar para nosso país", contou.

"Já tínhamos ouvido outros tipos de xingamento no passado, mas aumentou bastante agora."

A família tem recebido apoio do governo e da polícia, afirmou Ewa.

Pó branco

Enquanto isso, policiais da divisão antiterrorismo estão investigando casos de envio de pó branco a centros muçulmanos, mesquitas e outros prédios do governo em Londres.

Um dos destinatários era o lorde Ahmed, muçulmano que faz parte da Câmara dos Lordes. O pó estava em uma carta com mensagem de ódio e levou a um alerta de segurança no Parlamento.

A polícia londrina disse que três dos pacotes que chegaram na quinta-feira já foram analisados e não são nocivos ou suspeitos.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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