domingo, 28 de agosto de 2016

Filho de 'clã político' e sob investigação: a cara do Senado que votará o impeachment


O perfil predominante entre os membros do Senado é o de um homem, branco, com curso superior (Direito é o mais comum), investigado pela Justiça e com boas chances de ser membro da bancada ruralista.

Muitos são também parte de dinastias políticas de longa data e muitos chegaram à Casa sem receber voto nenhum, por serem originalmente suplentes.

É o que revela a análise feita pela BBC Brasil de dados - como sexo, formação e número de mandatos - dos 81 senadores.

O levantamento descobriu ainda que a maioria dos parlamentares tem longa carreira política, com passagens pela Câmara e cargos no Executivo.

Além disso, 56% dos que votarão o impeachment da presidente Dilma Rousseff respondem a acusações como improbidade administrativa e corrupção passiva em tribunais, segundo a ONG Transparência Brasil.

Abaixo, conheça algumas das características de destaque entre os senadores.


80% do Senado é composto de homens brancos

A votação do impeachment na Câmara dos Deputados já tinha mostrado que a grande maioria da Casa é formada por homens brancos.

No Senado, não é diferente. Dos 81 senadores, 62 são homens brancos, seis são homens negros, e 13 são mulheres.

Os números contrastam com a realidade da sociedade brasileira: de acordo com os dados mais recentes do IBGE, 54% da população é negra 51% são mulheres.

A idade média dos senadores é 60 anos. Um em cada quatro é formado em Direito. E segundo o site do Senado, 69 membros da Casa têm curso superior completo.

"Isso é um retrato do poder" disse à BBC Brasil Maria do Socorro Braga, coordenadora do Núcleo de Estudo dos Partidos Políticos Latino-Americanos na Ufscar. "Faz parte da nossa cultura política, que é elitista."


56% dos senadores são citados na Justiça ou em Tribunais de Contas

Entre os 81 senadores que votarão o impeachment, 45 (56%) têm ocorrências na Justiça ou em Tribunais de Contas por suspeitas ou acusações que vão de improbidade administrativa (em sua maioria) a corrupção passiva, passando por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, segundo levantamento do projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil.

Os partidos com o maior número de senadores citados são: PMDB (12), seguido por PSDB (7), PT (5), PR (4) e PP (4).

"É uma contradição muito grande e uma alta deslegitimação desse processo. Vivemos um momento em que a classe política está sendo muito questionada porque cada vez se tem mais informações sobre isso (políticos acusados de crimes ou improbidades). Há um descrédito da população em relação a seus representantes", disse Braga.

"Tem políticos de todos os partidos envolvidos. Essa contradição nos mostra que temos uma democracia com baixa qualidade. A médio e a curto prazo, uma consequência disso é o apartidarismo."


Senadores vêm de 'dinastias' políticas e têm longa carreira política

Apesar de mais da metade dos senadores estarem em seu primeiro mandato, a maioria tem longa carreira política - ou já foi deputado por mais de uma vez ou exerceu cargos importantes no Executivo, como o de governador.

Segundo o cientista político Manoel dos Santos, vice-coordenador do Centro de Estudos Legislativos da UFMG (federal de Minas Gerais), a carreira - e a projeção conseguida por ela - é necessária para conseguir votos, pois o senador é eleito pelo número de votos no seu Estado. Na Câmara, para ser eleito, o candidato depende não apenas dos votos que recebe, mas também dos recebidos por seu partido ou coligação.

"(No Senado), só vai bem quem tem de fato muito voto. São pessoas de patrimônio político extenso, por isso está cheio de ex-ministros."

A experiência pesa na hora da indicação do partido para participar das eleições.

"A grande disputa é conseguir montar sua chapa e sair como candidato da coligação. São sempre grandes nomes", diz a pesquisadora da Transparência Brasil, Juliana Sakai.

Muitos deles carregam também sobrenomes de peso. Dados da Transparência Brasil mostram que 60% dos senadores têm parentes na política, mais do que os deputados (49%).

Entre os "clãs" mais numerosos na política estão os de Cássio Cunha Lima (5 parentes), do presidente do Senado, Renan Calheiros (4 parentes), e o de Jader Barbalho (3 parentes).

Para a cientista política da Ufscar Maria do Socorro Braga, "são verdadeiras oligarquias". "(Antes) era mais forte do que hoje, mas ainda existe. Praticamente em todo Nordeste, quem está assumindo são filhos e netos. Essa é uma característica que acaba afetando a ampliação e a maior integração de outros setores."

Segundo Braga, as famílias acumulam poderes econômicos e de comunicação, detendo meios de informação.

"Por que (Fernando) Collor foi eleito depois de passar anos inelegível? Se você vai para Alagoas, as rádios, os jornais da região são todos dele e acabam ajudando."


Bancada ruralista é predominante

Quase 30% do Senado é ruralista. A informação é do Projeto Excelências, da Transparência Brasil. A bancada é uma das maiores na Casa, ao lado do grupo formado por concessionários de rádio e TV (23,5%). A bancada dos sindicalistas é a terceira, mas fica afastada das duas primeiras, com 11%.

Para Braga, os números mostram um desequilíbrio dos interesses representados no Senado, que seria "muito fechado" e "exclusivo".

"É bastante elitista. Causa espécie você ver que é uma elite que não está sensível às características socioeconômicas do Brasil, marcado por extrema desigualdade social."

Já o cientista político Manoel dos Santos vê os ruralistas como um "segmento legítimo da sociedade".

Santos afirma que muitos Estados brasileiros têm forte economia agrícola e estariam representados por esses parlamentares.

Da mesma forma, um Brasil majoritariamente conservador também teria um Legislativo pouco adepto a mudanças.

"Parlamentos são sempre um pouco mais conservadores do que os membros do Executivo, pela distribuição de preferência dos eleitores (por Estados). Nossa sociedade é conservadora. Há também um neoconservadorismo se projetando, ligado a questões religiosas. Não acho um problema. Tem que ter representatividade de fatores liberais e conservadores", diz.


16% dos senadores chegaram a cargo sem receber voto

As eleições para o Senado Federal são majoritárias, ou seja, só são eleitos os senadores que recebem a maioria dos votos diretos, enquanto na Câmara as eleições são proporcionais e candidatos menos votados têm chances de ocuparem as cadeiras por conta do quociente eleitoral.

Ainda assim, é possível chegar ao Senado sem receber voto algum, por causa do sistema de suplência. 16% dos senadores chegaram ao cargo sem receber voto.

Quando se elege um senador, o suplente é eleito junto. Muitos suplentes que compõem a chapa dos senadores são financiadores das campanhas ou familiares (esposa, filho, neto, etc). Existe até uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que visa impedir que cônjuges ou pessoas com vínculo sanguíneo possam compor as chapas dos senadores, mas ela está parada na Câmara desde 2013.

"Há pessoas (no Senado) que não têm nenhuma representatividade. Cai algo que é fundamental numa democracia. (O Senado) É uma Casa muito conservadora e representa apenas alguns setores, que são os que financiam as campanhas", afirmou a professora da Ufscar.

Em oito anos de mandato, é muito comum o senador eleito deixar o posto para ocupar outro cargo - às vezes no governo federal, como ministro, às vezes em um governo estadual ou municipal. Com isso, o suplente (que, em geral, não é conhecido pelo eleitorado) acaba assumindo a cadeira em seu lugar.

Por exemplo, dos 54 senadores que foram eleitos em 2010 para um mandato que teria oito anos, 20 acabaram deixando suas funções temporariamente em 2014 para concorrer a eleições em outros cargos - para governador, principalmente.

Atualmente, existem 13 suplentes - o equivalente a 16% do Senado - ocupando as vagas de senadores eleitos pelo voto.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Mais de 35% dos atletas da Paralimpíada são vítimas de acidentes


Dos 285 atletas brasileiros que participarão dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro 2016, 101 (35,4%) sofreram algum tipo de acidente, seja de carro, moto, com arma de fogo ou de trabalho. Os dados são de um levantamento feito pela Agência Brasil com base em informações fornecidas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

Entre os acidentados, grande parte (49) é vítima de acidente de trânsito (carro, moto ou atropelamento). Outros 12 atletas têm sequelas de lesões feitas por armas de fogo, seja em acidentes ou assaltos. Nove ficaram paralisados depois de acidentes em mar ou piscina e seis sofreram acidentes de trabalho. Também há atletas que sofreram outros tipos de acidentes, como quedas, acidentes esportivos e até ferimento por ataque de cachorro.

Um dos casos de atletas acidentados é o do ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube Bruno Landgraf, atleta da vela adaptada, que chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira de futebol nas equipes Sub-17 e Sub-20. Em 2006, o jogador sofreu um acidente de carro na Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, e teve um deslocamento na coluna, que o deixou tetraplégico. O judoca Harley Arruda, que ganhou medalha de bronze nos dois últimos jogos Parapan-Americanos, perdeu a visão dos dois olhos em 1999, em um acidente com arma de fogo.

Outros 89 atletas paralímpicos brasileiros têm algum problema congênito que causou deficiências como cegueira ou má formação de membros. É o caso da multimedalhista do atletismo Terezinha Guilhermina, que nasceu com retinose pigmentar, uma doença congênita que provoca a perda gradual da visão.

Também há na delegação brasileira 67 atletas que tiveram alguma doença que deixaram sequelas, como a poliomielite, que afetou 13 atletas. Um deles é o nadador André Brasil, que teve poliomielite aos três meses de idade, por causa de uma reação à vacina, o que deixou uma sequela na perna esquerda.

Entre os atletas paralímpicos brasileiros também há 28 que tiveram paralisia cerebral por causa de complicações no parto. Este é o caso da maioria dos atletas da seleção de Futebol de 7, que é uma modalidade específica para atletas com paralisia cerebral.

Dos 24 atletas do vôlei sentado que vão participar da Paralimpíada, 16 têm sequelas de acidentes, a maioria acidentes de trânsito. Na opinião do presidente da Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, Amauri Ribeiro, o esporte é a melhor ferramenta para garantir a reinserção dos deficientes físicos, especialmente no caso de acidentados. Para ele, mesmo que a pessoa não se torne um atleta, a prática de esporte é fundamental para o resgate da autoestima.

“O que eu testemunhei nesses meus 12 anos de trabalho com eles é que o esporte, principalmente no caso do vôlei, foi a melhor ferramenta de reinserção dessas pessoas a um convívio normal após o acidente, em função de o esporte ser uma ferramenta que acelera bastante a recuperação dessas pessoas. Então, elas vêm a praticar o esporte, colocam uma prótese, voltam a trabalhar, a estudar. Isso é uma coisa que acompanhamos em vários atletas que tiveram esse tipo de problema com acidentes”, disse.

Neste ano, o Brasil terá a maior delegação da história do país em Jogos Paralímpicos. Serão 285 atletas, sendo 185 homens e 100 mulheres, além de 23 acompanhantes (atletas-guia, calheiros e goleiros), e 195 profissionais técnicos, administrativos e de saúde.

Os Jogos Paralímpicos 2016 serão transmitidos pela TV Brasil, em parceria com emissoras da Rede Pública de Televisão dos estados. O evento, que ocorre de 7 a 18 de setembro, terá a presença de 4.350 atletas de 160 países, competindo em 22 modalidades.

A cerimônia de abertura está marcada para o dia 7 de setembro.


Fonte: Portal Agência Brasil

71 mil brasileiros concentram 22% de toda riqueza e têm 65,8% do total dos rendimentos isentos

Que o Brasil é um país desigual estamos cansados de ouvir. Dados das declarações de imposto de renda divulgados neste mês pela Receita Federal ajudam a conhecer melhor a distribuição de renda e riqueza no país e mostram que menos de 1% dos contribuintes concentram cerca de 30% de toda a riqueza declarada em bens e ativos financeiros.

De 2012 para 2013, o número de brasileiros com renda mensal superior a 160 salários mínimos (maior faixa da pirâmide social pelos critérios da Receita) caiu de 73.743 para 71.440.

Esta pequena elite - que corresponde a 0,3% dos declarantes de IR - concentrou, em 2013, 14% da renda total e 21,7% da riqueza, totalizando rendimentos de R$ 298 bilhões e patrimônio de R$ 1,2 trilhão. Isso equivale a uma renda média individual anual de R$ 4,17 milhões e uma riqueza média de R$ 17 milhões por pessoa. (VEJA TABELA ABAIXO)

Se adicionarmos a este grupo aqueles com renda mensal acima de 80 salários mínimos, chega-se a 208.158 brasileiros (0,8% dos contribuintes), que respondem sozinhos por 30% da riqueza total declarada à Receita.

                                      Declarações de IR por faixa de renda - ano calendário 2013
Faixa de rendimentoNº de declarantesRiqueza em bens e direitos (em R$ bilhões)
Até 1/2 salário mínimo1.268.688  91,710 (1,6%)
1/2 a 1 salário mínimo   518.341  28,848 (0,5%)
1 a 2 salários mínimos1.075.827  63,828 (1,1%)
2 a 3 salários mínimos2.692.915 162,665 (2,8%)
3 a 5 salários mínimos7.882.026 489,764 (8,4%)
5 a 10 salários mínimos7.300.376 757,644  (13%)
10 a 20 salários mínimos3.522.174 863,635  (14,8%)
20 a 40 salários mínimos1.507.344 946.215  (16,2%)
40 a 80 salários mínimos    518.567 703,606   (12,1%)
80 a 160 salários mínimos    136.718 453,223    (7,8%)
> 160 salários mínimos       71.4401.264,340  (21,7%)
Total26.494.4165.825,478  (100%)





























Receita libera pela 1ª vez tabelas com dados do IR

Os pesquisadores do Ipea Sérgio Wulff Gobetti e Rodrigo Octávio Orair destacaram em artigo publicado na sexta-feira (31), no jornal "Valor Econômico", que os dados disponibilizados pela primeira vez pela Receita são um "presente à democracia" e mostram um avanço em termos de transparência.

Para a produção de seu livro best-seller "O Capital Século XXI", o economista francês Thomas Piketty pediu acesso aos dados sobre a evolução da riqueza e imposto de renda no Brasil, mas não recebeu.

Procurada pelo G1, a Receita Federal informou que a novidade é que, além do relatório anual padrão sobre as declarações de imposto de renda das pessoas físicas, foram disponibilizadas também as tabelas em Excel com os dados dos relatórios do ano calendário 2007 ao 2013, atendendo a um pedido de pesquisadores e visando aumentar a transparência da divulgação dos dados. Ainda não há previsão, no entanto, da data da divulgação dos dados referentes ao IR do ano calendário 2014.

Super-ricos no Brasil

As tabelas da Receita mostram o número de declarantes distribuídos por 11 faixas de renda, além de informações como valores de rendimentos (isentos e tributáveis) recebidos e a soma do patrimônio declarado em cada uma das camadas da pirâmide social.

É possível saber também o número de contribuintes que receberam dividendos e a distribuição dos declarantes por ocupação. Clique aqui para ir à pagina da Receita Federal


Evolução do topo da pirâmide

Apesar do número dos ocupantes do topo da pirâmide social ter recuado em 2013, os dados da Receita mostram que a riqueza concentrada por essa faixa de contribuintes tem se mantido relativamente estável nos últimos anos. Em 2007, eram 66.596 pessoas com renda mensal superior a 160 salários mínimos, concentrando 15,8% da renda total e 22,2% da riqueza declarada.

Os dados revelam ainda que quem está nas camadas mais altas paga menos impostos, proporcionalmente à sua renda. Em 2013, do total de rendimentos da faixa que recebe acima de 160 salários mínimo, 35% foram tributados. Na faixa dos que recebem de 3 a 5 salários, por exemplo, mais de 90% da renda foi alvo de pagamento de imposto.

"O Brasil possui uma carga tributária equivalente à média dos países da OCDE, por volta de 35% do PIB, mas tributa muito pouco a renda, principalmente dos mais ricos, e sobretaxa a produção e o consumo", afirmam os pesquisadores do Ipea.


Medidas para corrigir distorções

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) defende que a tributação sobre o lucro e o patrimônio é mais justa do que aquela que incide sobre o consumo e vendas e vem cobrando há anos uma maior desoneração das faixas dos contribuintes com menor renda.

Em sua passagem pelo Brasil no final do ano passado, Piketty defendeu um imposto mais alto sobre heranças com instrumento para diminuir o abismo entre os mais ricos e mais pobres Brasil.

Levantamento feito pelo G1 em janeiro apontou que a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas tem apoio de pelo menos 59,8% dos deputados.


As pessoas mais ricas no Brasil têm 65,8% do total dos rendimentos isentos

As pessoas mais ricas do país, que ganham mensalmente mais de 160 salários mínimos, pagam muito pouco imposto de renda. Os dados divulgados no mês passado pela Receita Federal, em sua página da internet, mostram que esse grupo de cidadãos paga ao leão apenas 6,51% de sua renda total.

Isto ocorre porque 65,8% da renda total (quase dois terços) são rendimentos considerados isentos e não tributáveis pela legislação brasileira do Imposto de Renda (IR), como é o caso dos lucros e dividendos, por exemplo. Esse grupo de contribuintes é muito pequeno: são apenas 71.440 pessoas, que representam 0,3% do total de contribuintes do IR ou 0,05% da população economicamente ativa do país. Este é o topo da pirâmide social brasileira.



Os rendimentos desses 71.440 cidadãos atingiram R$ 297,93 bilhões em 2013 – o que dá uma renda per capita de R$ 4,170 milhões por ano. Isto significa que eles foram responsáveis por 14% de toda a renda declarada pelos contribuintes ao fisco. Só para lembrar, 26.494.416 pessoas apresentaram declaração de imposto de renda naquele ano.

Essas pessoas que ganham mais de 160 salários mínimos por mês tinham, em 2013, um patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão. Se o valor for dividido pelo número desses contribuintes, o patrimônio líquido médio individual é de R$ 16,88 milhões. O patrimônio líquido é a diferença entre os bens e direitos declarados ao leão menos as dívidas e ônus.

O impressionante é que o patrimônio líquido desse pequeno grupo de cidadãos correspondia a 22,7% de toda a riqueza em bens e ativos financeiros declarada ao fisco por todos os contribuintes brasileiros em 2013.

O número de pessoas muito ricas variou ao longo dos últimos anos, de acordo com os dados das declarações de imposto de renda das pessoas físicas (DIRPF), divulgados pela Receita Federal no fim do mês passado. Em 2011, eles eram 80.930 – foi a maior quantidade da série apresentada pela Receita, que começa em 2007. A menor quantidade da série ocorreu em 2009, quando “apenas” 64.646 pessoas informaram ganhar mais de 160 salários mínimos por mês (o que dá R$ 126,08 mil).

Outro dado que consta das DIRPF é a natureza da ocupação dos contribuintes. O maior valor de bens e direitos foi declarado ao fisco pelos proprietários de empresas ou firmas individuais ou empregador-titular. Esse grupo, formado por 4.399.557 cidadãos, informou ao fisco possuir R$ 2,292 trilhões em bens e direitos – o que daria um valor per capita de R$ 520,9 mil. É importante observar que os valores de alguns bens, como casas e apartamentos, não são corrigidos monetariamente.

Os dados da Receita não apresentam as ocupações dos contribuintes por faixa de renda. Assim, não é possível saber com exatidão quais são as atividades de trabalho do grupo mais rico de pessoas do país. Esses dados, certamente, estão nos arquivos da Receita.

Os dados não especificam também a composição desse grupo por gênero e nem por grau de escolaridade. É possível saber, no entanto, que são pessoas que possuem grande participação acionária em empresas, dado o grande valor de lucros e dividendos que recebem.


Fonte: Portal G1 / Revista Valor Econômico / Portal Controvérsia

Artigo - Dez anos do fracasso da lei de drogas no Brasil


Por: César Muñoz Acebes*

Nesta mesma semana, dez anos atrás, o Brasil aprovava uma lei destinada a distinguir perigosos traficantes de drogas dos simples usuários. Ao substituir penas de prisão por serviços comunitários, entre outras medidas, para usuários de drogas ilícitas e aumentar as penas para o tráfico, a nova lei buscava reduzir o número de pessoas presas por posse de drogas e enfraquecer as organizações criminosas.

Nada disso aconteceu.

Em 2005, 9% das pessoas presas respondiam por crimes relacionados a drogas - essa taxa agora é de 28%, e entre mulheres, 64%.

A Lei 11.344 de 2006 tem contribuído para o aumento explosivo da população carcerária do Brasil na última década. Mais de 620.000 presos se amontoam em estabelecimentos construídos para uma capacidade total de cerca de 370.000 pessoas.

Vejamos o caso de "Roberto" (assim chamado para respeitar sua identidade).

Roberto é um jovem preso no complexo prisional do Curado, em Recife, que conheci quando ali estive no ano passado.

A polícia o prendeu em junho de 2013 por tráfico de drogas após encontrar 15 gramas de maconha, no valor de 50 reais, em um matagal ao lado de um campo de futebol onde Roberto estava jogando com os amigos.

No julgamento, um policial disse que as drogas estavam a 2 ou 3 metros de Roberto, mas um outro policial disse que elas estavam entre 15 e 20 metros de distância.

A única prova contra ele era o testemunho da outra pessoa acusada de tráfico de drogas no caso: uma criança que disse que Roberto era o dono da droga.

A mãe de Roberto me disse que ele a ajudava em uma loja de sapatos onde ela trabalhava e usava parte do dinheiro que recebia para comprar maconha para fumar, mas que ele não era traficante.

Apesar das frágeis evidências contra ele e a pequena quantidade de drogas envolvida, o juiz condenou Roberto a quatro anos e dois meses de prisão por tráfico de drogas.

Após a lei de 2006, muitos usuários foram simplesmente processados criminalmente como traficantes, já que a lei não fixa uma quantidade mínima de drogas para diferenciar usuários de traficantes.

A lei não serviu para enfraquecer as organizações criminosas e, na última década, o Brasil experimentou um aumento dos crimes violentos.

Estudos feitos por Luciana Boiteux, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Maria Gorete Marques de Jesus e Marcelo da Silveira Campos, ambos da Universidade de São Paulo, constataram que a lei é principalmente usada para punir pessoas como Roberto pela posse de pequenas quantidades de drogas, que são ou usuários ou pequenos traficantes, que as organizações criminosas podem substituir facilmente.

Na prisão, eles podem ser recrutados pelas próprias organizações criminosas que a lei se propunha a combater. A mãe de Roberto me disse que outros presos o pressionavam para se juntar a uma facção.

Conceitualmente, a lei de 2006 foi um avanço ao estabelecer que as pessoas não devem ser presas por uso de drogas. Mas ela teve consequências muito prejudiciais que não haviam sido antecipadas.

E ela não foi longe o suficiente porque ainda considerou o uso de drogas um delito.

A criminalização do uso, produção e distribuição de drogas alimenta o crescimento de organizações criminosas e enche as prisões de pessoas que não deveriam estar lá.

O Brasil deve descriminalizar a posse de drogas para uso pessoal e olhar para outras maneiras, além da criminalização, de regular de forma eficaz a distribuição de drogas.


* Cesar Muñoz Acebes é pesquisador da Human Rights Watch no Brasil


Fonte: The Huffington Post (EUA) - HuffPost Brasil

Olimpíada: cobertura da mídia sobre atletas reforçou sexismo, revela estudo


Hoje, mulheres de todos os cantos estão unidas, a uma só voz, na luta contra a violência que, infelizmente, ainda é uma triste realidade na vida de grande parte das mulheres do mundo.

Hoje, 26 de agosto, é o Dia Internacional da Igualdade feminina. A data foi instituída para conscientizar a população mundial sobre todas as formas de discriminação sofridas pelas mulheres.

Na certeza de que a violência física é apenas a face mais visível entranhada na cultura da violência contra a mulher porque deixa marcas, Viva Maria gostaria de falar, especificamente, da marca deixada pela cobertura comercial dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A jornalista Débora Prado da Agência de Notícias Patricia Galvão fez uma análise sobre o comportamento da mídia na Olimpíada do Rio e seu olhar enviesado sobre as nossas atletas.

Clique aqui para baixar e ouvir a entrevista na íntegra.


Fonte: EBC Rádios / Portal Agência Brasil

Inca faz apelo por doadores de sangue para pacientes com câncer


Por causa da diminuição no número de doadores, o banco de sangue do Instituto Nacional de Câncer (Inca) passa por situação crítica, que pode prejudicar o tratamento de pacientes que precisam de transfusão regularmente durante o tratamento oncológico. De acordo com a instituição, desde o feriado de Tiradentes, em 21 de abril, o volume de doações vem caindo, de uma média diária de 70 para 30 doadores.

— É de extrema importância o INCA ter estoque de sangue e plaquetas para que o tratamento dos pacientes prossiga e que a possibilidade de uma transfusão seja assegurada. Situações de urgência não podem esperar e precisamos estar abastecidos para garantir que o nosso paciente seja assistido adequadamente — ressalta Iara Motta, chefe do Serviço de Hemoterapia do INCA.

As transfusões regulares de sangue e plaquetas fazem parte da rotina de muitos pacientes oncológicos. Por mês, o Inca realiza mais de 1,5 mil transfusões de hemocomponentes. A falta de doadores pode colocar em risco esses tratamentos.

Por isso, o Inca faz um apelo por novos doadores. Qualquer pessoa em boas condições de saúde, entre 16 e 69 anos e pesando mais de 50 quilos pode doar. Não é preciso estar em jejum, apenas evitar alimentos gordurosos três horas antes da doação. Pessoas com febre, gripo ou resfriado, assim como grávidas e mulheres no pós-parto, não podem doar temporariamente.

Homens podem doar sangue até quatro vezes por ano e mulheres, até três. Os doadores devem comparecer ao banco de sangue do Inca, na Praça da Cruz Vermelha, 23, com documento oficial com foto. Menores de 18 anos só podem doar com consentimento formal dos responsáveis. Pessoas que tomaram vacina contra a gripe H1N1 devem esperar período de 48 horas antes de doar.


Fonte: Portal EXTRA / Portal G1

Geração Mãe promove palestras on-line gratuitas


Temas pertinentes à maternidade e aos filhos, como sexualidade na gravidez e mitos e verdades sobre o parto em casa, serão abordados por profissionais renomados de todo o país entre 27 de setembro e 4 de outubro

Formar uma família e ter filhos pode ser uma das decisões mais importantes e bonitas na vida de alguém. Mas é também, sem dúvida, a mais difícil e a que exige maior responsabilidade. Ajudar nessa incrível jornada sempre foi o principal objetivo do Geração Mãe, rede de apoio mútuo na internet, de colaboração e troca de experiências entre mães de todo o país. E foi justamente pensando nesse apoio que o grupo organizou o primeiro Encontro On-line, entre 27 de setembro e 4 de outubro, com palestras totalmente gratuitas sobre temas pertinentes à maternidade e à criação dos filhos. Para participar é preciso se inscrever no site www.encontroonlinegeracaomae.com.br.

O objetivo, segundo a ginecologista e obstetra Flávia Maciel de Aguiar F. Mendonça, idealizadora do projeto Geração Mãe, é a divulgação de informações de qualidade que permitam que as mulheres possam se preparar para fazer escolhas sobre a gestação, o parto e todos os aspectos da maternidade de forma consciente, visando à inclusão de todos os níveis socioculturais. “Nós já realizamos rodas de gestantes, rodas de amamentação e bate-papos sobre criação de forma presencial nas cidades onde temos representantes de nossa equipe. Mas, como nosso grupo é nacional e temos mulheres de todas as regiões do Brasil participando ativamente das discussões nos grupos na internet, estamos organizando o encontro on-line”, explica.

As palestras on-line, que irão oferecer passos, dicas, práticas e técnicas em todas as áreas, da gestação ao pós-parto, serão ministradas por uma equipe de profissionais que atuam na assistência humanizada às gestantes, parturientes e puérperas.

Entre as palestrantes confirmadas estão as ginecologistas e obstetras Melania Amorim, que falará sobre como evitar uma cesárea desnecessária; Bernadette Bousada, que abordará o parto pélvico; e Flávia Junqueira, que vai dará uma palestra sobre sexualidade na gestação. Haverá ainda um bate-papo com doulas sobre as fases do trabalho de parto, os mitos e verdades sobre parto domiciliar e a rede de apoio no pós-parto; além de um debate envolvendo profissionais de saúde sobre atividade física durante a gravidez e ganho de peso nesta fase, além de dicas sobre como organizar o quarto do bebê e de como otimizar o guarda-roupa da mãe durante a gestação. A programação completa das palestras, com dia e horário de cada uma, está disponível no site www.geracaomae.com.br.


Sobre o Geração Mãe

Idealizado em 2011 pela ginecologista e obstetra Flávia Maciel de Aguiar F. Mendonça e por 16 amigas, todas grávidas na época, o Geração Mãe nasceu batizado como “Gravidinhas e Mãezinhas”, uma rede de apoio mútuo na qual elas poderiam se conectar umas às outras para falar sobre maternidade. Hoje rebatizado e reformulado, o Geração Mãe possui uma página no Facebook, aberta para todas as pessoas que queiram curtir e compartilhar informações referentes ao mundo da maternidade e dos filhos; um grupo fechado na mesma rede, no qual apenas mulheres podem participar e falar abertamente sobre assuntos ligados ao seu universo; e ainda um site, o www.geracaomae.com.br, considerado o mais completo portal de maternidade da web.

O endereço conta com 25 colunistas que escrevem sobre os mais diferentes temas e disponibiliza informações sobre parto, amamentação, criação e educação dos filhos, saúde da mulher e das crianças, paternidade, entre outros importantes assuntos.

Atualmente, o grupo Geração Mãe, em todos os seus canais, é um dos principais veículos brasileiros de informação sobre temas como parto, amamentação e maternidade.

As redes sociais e o site Geração Mãe são acessados por milhares de pessoas de todo o Brasil e dos quatro cantos do mundo. É possível conferir a página no Facebook pelo endereço www.facebook.com/geracaomae e solicitar a autorização para entrar no grupo de mulheres do Geração Mães pelo link www.facebook.com/groups/geracaomae/.


Fonte: Portal SEGS

Queda de Dilma ou é golpe de Estado ou é farsa


Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.

Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.

Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um "crime perfeito". O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.

Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um "golpe de Estado" fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).


"ARTIMANHA", "FARSA", "GOLPE": AS OPINIÕES DE DILMA SOBRE O IMPEACHMENT

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Inimiga número um de parte dos brasileiros

Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os "anos felizes" de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o "povo", que queria mais do que "pão e circo". Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.

O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d'água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação "Lava Jato", seu herói, e da presidente sua inimiga número um.

A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.

O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.

O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma "mudança de governo" para barrar a operação "Lava Jato".

Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.


Tradução: UOL Notícias


Fonte: Le Monde Diplomatique (França)

Mulheres que Fizeram a História: Lucille Ball, atriz do "I Love Lucy" foi a primeira mulher a ter poder entre produtores de Hollywood


Lucille Désirée Ball, mais conhecida como Lucille Ball, foi uma famosa atriz e empresária norte americana, lembrada pelo público devido à suas inúmeras participações em filmes e principalmente no seriado cômico "I Love Lucy" [1951 à 1957], o qual foi exibido durante muitos anos no Brasil.

Lucille Ball nasceu em Jamestown, Nova York em 06/08/1911.

Com a intenção de se tornar uma atriz, ela deixou a escola aos 15 anos, e tentou, sem sucesso, entrar na escola de teatro em Nova York. Destemida, Lucille conseguiu um emprego como garçonete enquanto procurava trabalhos como modêlo ou de corais de shows da Broadway. Moderadamente bem sucedida nessas atividades, ela foi escolhida para ser a modelo de cartaz para os cigarros Chesterfield em 1933, quando ela ficou conhecida nacionalmente pela primeira vez, e chamou a atenção de Hollywood.

Lucille começou com pequenas participações em pequenos papéis em filmes de baixo orçamento, mas o seu sucesso inicial levaria a peças maiores e melhores, chegando a aparecer em mais de 60 filmes no final dos anos 1940.

A paixão foi tão grande que Lucille Ball se casou com Arnaz mais tarde naquele mesmo ano.
Como tanto Lucille Ball, como Desi Arnaz eram do meio artiístico, seus horários de shows, filmagens e gravações coincidiam com frequência, e os recém-casados muitas vezes se encontravam em lados opostos do país no final da semana.

Este era um problema por causa do tempo necessário para viagens de longa distância nos dias que antecederam os aviões a jato.

O jovem casal decidiu que a melhor coisa a fazer para que seu casamento desse certo, era se eles pudessem trabalhar juntos.

Então ofereceram à Lucille Ball uma própria série de TV em 1950, mas ela recusou, a menos que seu marido Desi Arnaz pudesse ser a co-estrela da produção.

A produtora concordou, e a televisão acabou sendo uma dádiva de Deus para o casal.

Eles formaram sua própria companhia de produção chamada "Desilu" (Desi + Lucille).

Arnaz descobriu que ele tinha uma habilidade executiva natural, e foi logo reunindo todos os recursos para o novo projeto, que se tornaria "I Love Lucy", que de 1951 até 1957 foi o show mais popular na televisão, e Lucille Ball ficou firmemente estabelecida como uma megastar.

Trabalhar na frente das câmera durante de sua segunda gravidez, fez de Lucille Ball a primeira mulher grávida a aparecer na televisão.

Quando o nascimento muito divulgado de seu filho, Desi Arnaz Jr., ocorreu no show em janeiro de 1953, a história recebeu mais cobertura da imprensa do que a posse do presidente Eisenhower na época.

"I Love Lucy" ganhou mais de 200 prêmios, cinco Emmys e o respeito e adoração do país.
Depois de 179 episódios de "I Love Lucy", Ball e Arnaz decidiram encerrá-lo para iniciar um novo projeto.

Na sequência começaram a gravar outro programa, chamado "The Lucy-Desi Comedy Hour", que não demandava o mesmo tempo e atenção de seus trabalhos anteriores, permitindo desta forma que Desi Arnaz fosse capaz de dedicar mais em casa trabalhando com a produtora "Desilu".

Até o final da década de 1950, a Desilu se tornou uma empresa poderosa e respeitada, produzindo esses vários programas de TV de sucesso como "Star Trek" e "Missão Impossível".

Após 20 anos de casamento, Ball e Arnaz se divorciaram em 1960.

Enquanto Arnaz caiu na bebida e raramente era visto em público novamente, Lucille Ball pegou um empréstimo de US$ 3 milhões e comprou a metade da Desilu de seu ex-marido, sendo então a única proprietária.

A Desilu era então a maior unidade de produção de televisão do mundo, fazendo com isso Lucille Ball a primeira mulher na história de Hollywood a deter uma posição tão poderosa.

Em 1962, incentivado por fãs, Ball reprisou seu papel como 'Lucy' em uma nova série de TV, que ela estrelou em "The Lucy Show" [1962 - 1968].

Essa nova série foi produzida com com sucesso por 6 anos, apresentando também sua ex-"I Love Lucy" co-estrela, Vivian Vance.

Quando "The Lucy Show" saiu do ar, Lucille Ball não perdeu tempo em reformatar o show e estrelar outra série baseada no mesmo personagem.

"Here's Lucy" [1968 - 1974] , foi escolhido instantaneamente pelas redes e foi exibido em horário nobre, até 1974.

Foi durante este mesmo período que Lucille Ball ganhou elogios por sua aparição na Broadway em "Wildcat".

Na esteira desse sucesso, Lucille fez uma parceria com Bob Hope em dois longas-metragens e co-estrelou com Henry Fonda no aclamado pela crítica, "Yours, Mine and Ours".

Apesar de ter feito o papel de uma ruiva desmiolada, Lucille foi nada do tipo na vida real.

A Desilu Productions continuou a crescer e prosperar sob a sua liderança, sendo que em seguida realizou a aquisição da RKO Studios, onde ambos Ball e Arnaz tinham anteriormente trabalhado como contratados.

Em 1967 Lucille Ball vendeu a Desilu Productions para a Gulf & Western por US $ 17 milhões.
Lucille Ball se casou em 1968, tendo Gary Morton como seu segundo marido.

Morton, um ex-comediante, trabalhou com Lucille para ajudar a criar a "Lucille Ball Productions".
No final dos anos 70 e início dos 80, Lucille fez aparições apenas esporádicas na TV, geralmente como a estrela convidada.

Em 1985 ela interpretou uma mulher sem-teto de Nova Iorque no filme de TV, "Travesseiro de Pedra".

Sua última tentativa de uma nova série de comédia "Life with Lucy", foi um fracasso.

Lucille Ball passou grande parte do resto de sua vida fora dos holofotes.

Sua última aparição pública foi no 1989 na Academy Awards.

Uma semana depois de passar por uma cirurgia cardíaca, em 26 de abril de 1989, Lucille Ball sofreu uma ruptura de aorta e morreu.

Ela tinha 77 anos de idade.

Lucille Ball deixou dois filhos.

Desi Arnaz morreu de câncer em 1986.

Hoje em dia, "I Love Lucy" é distribuído em mais de 80 países e continua sendo um dos programas de TV mais populares e queridos de todos os tempos.


Maridos:
Gary Morton (19 November 1961 - 26 April 1989)
Desi Arnaz (30 November 1940 - 4 May 1960) (divorciada) - 2 filhos (Desi Arnaz Jr. e Lucie Desiree Arnaz).


Causa da Morte:
Lucille Ball faleceu em 26/04/1989, aos 77 anos de idade no Hospital Cedars-Sinai em Los Angeles (EUA), devido à ruptura de uma aorta do seu coração durante uma cirurgia cardíaca."


Sepultamento:
Forest Lawn Memorial Park - (Hollywood Hills).
Los Angeles - California - USA.
Plot: Columbarium of Radiant Dawn, Court of Remembrance.
Local: Columbarium of Radiant Dawn - Court of Remembrance.


Fonte: Portal Além da Imaginação

Brasil avançou no combate à fome, mas agora tem 54% da população com sobrepeso


A incidência de nanismo associado à subnutrição no Brasil caiu de 19% em 1989 para 7% em 2007. O avanço foi um dos destaques do levantamento feito pelo Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA), que reuniu dez fatos sobre nutrição no Brasil.

O organismo internacional — fruto de uma parceria entre a agência da ONU e o governo brasileiro — ressalta que, num período similar, de 1986 a 2006, o aleitamento materno exclusivo para bebês de até seis meses aumentou de 2% para 39%.

Outra conquista é o combate ao uso e preparação pouco conscientes dos alimentos — em 2007, as taxas de desperdício foram estimadas em 2%.

Nem todos as mudanças, porém, foram positivas. O sobrepeso em adultos e a obesidade alcançaram um patamar de 54% e 20%, respectivamente, e a tendência é de crescimento, alerta o Centro de Excelência.


Políticas pela nutrição

O Centro lembra que, nas escolas públicas brasileiras, alunos recebem ao menos uma refeição por dia. O fornecimento de comida é parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Desde 2009, ao menos 30% dos alimentos adquiridos pela iniciativa devem ser comprados de pequenos agricultores, fortalecendo a agricultura familiar e aumentando o acesso a produtos nutritivos e frescos.

O órgão ligado ao PMA também chama atenção para a adoção em 2010, na Constituição brasileira, do direito humano à comida. Com a medida, o Brasil se tornou um dos apenas três países do mundo a garantir a alimentação enquanto direito fundamental.

A lei nacional estabelece que todo cidadão “seja livre” da fome e da malnutrição e tenha acesso a alimentação adequada e saudável.

Outro ponto positivo foram as regulações mais rígidas adotadas em 2015 pelo país para o mercado de substitutos do leite materno, mesmo com a resistência da indústria.

O Centro de Excelência elogiou ainda a publicação de diretrizes alimentares pelo governo, em 2014. O objetivo é encorajar pessoas a evitar alimentos ultraprocessados e consumir produtos naturais, integrais e com menores quantidades de aditivos e conservantes.

Pobreza

De acordo com o organismo do PMA, o combate à fome durante as últimas décadas foi possível devido à mobilização da sociedade civil, à alocação de recursos para a nutrição e a compromissos políticos traduzidos em ação concreta.

No entanto, o Centro alerta que, mesmo tendo conquistado melhorias na distribuição de renda, o Brasil ainda enfrenta pobreza generalizada e a insegurança alimentar e nutricional continua a ser um problema em algumas comunidades.


Fonte: Portal da ONU

Violência doméstica: 4 mil mulheres do campo fazem denúncia no 1º semestre do ano


Dos 68 mil relatos de violência contra mulheres de todo o país recebidos entre janeiro e julho deste ano pelo Ligue 180, serviço oferecido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, cerca de 4 mil vieram do campo. Na maior parte dos casos, as ligações partiram de agricultoras que sofrem agressões físicas e morais dentro de casa, e que lutam com a vergonha e o medo de denunciar. Os casos acontecem mesmo com a vigência da Lei Maria da Penha, que completa dez anos neste mês e garante o direito à proteção das vítimas.

A produtora aposentada Marta Pereira da Silva, da zona rural de Luziânia (GO), por exemplo, relata um histórico de abusos ocorridos ao longo de mais de 30 anos por seu ex-marido. “Um dia ele me falou que queria me bater como batia em um homem. Nesse dia eu fiquei toda inchada, toda machucada”, conta ela.

Marta diz que as agressões continuaram mesmo depois da separação, quando ele invadia a casa durante a noite. “O que mais me doeu foi ter ouvido ele falar ao meu filho que só não me matava por ser mãe dele. De certa forma, eu devo a minha vida aos meus filhos”.

Do total de mulheres do campo atendidas no semestre pela Central de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência – Ligue 180, cerca de 1000 correm risco de morte. E a maioria convive com a violência dentro de casa durante anos.

“Como vencer isso? Denunciando. Elas não têm que ficar dentro das suas casas sendo agredidas pelos seus maridos, sendo xingadas, humilhadas, ultrajadas, tendo uma vida de miséria”, resume Marta Pereira da Silva

De janeiro a julho deste ano, a central do Ligue 180 atendeu mais de 555 mil ligações, 133% a mais que no mesmo período do ano passado.  A maior parte ainda é pra buscar informações. Mas do total de atendimentos, quase 68 mil foram relatos de violência, sendo 34 mil de violência física e 21 mil, psicológica. Desses relatos, 38 mil viraram denúncias, com a busca de proteção para a mulher na Justiça.

A secretária de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes, diz que quase 60% das vítimas são mulheres negras ou pardas, e que grande parte das denúncias parte de quem sofre a violência. Apesar disso, o número de homens que relatam as agressões vem aumentando. Segundo ela, quase 20% dos denunciantes são do sexo masculino – filhos, vizinhos e parentes das vítimas.

“Nós queremos chegar a um número maior, porque essa não é uma luta só da mulher, é uma luta da sociedade. A  mulher é protagonista, sim, mas nós temos que estar juntos”, diz a secretária.

O movimento de mulheres camponesas estimula agricultoras a quebrarem o silêncio e contarem suas histórias. Mas a estrutura que é oferecida para receber as vítimas ainda é frágil. Segundo Iridiani Seibert, da direção nacional do Movimento de Mulheres Camponesas, muitas vezes, ao fazer a denúncia, elas sofrem uma segunda violência, sendo tratadas com desconfiança ou insensibilidade pelo delegado que as recebe.

“Existem outras formas de violência, que são mais imperceptíveis, que são a violência psicológica, a violência moral, a violência que vem da dependência econômica, que é muito forte no meio rural”, afirma.

Foi pensando nos filhos, que Marta Pereira da Silva adiou a decisão de denunciar o homem que a agredia. Somente em 2014, com a denúncia feita, a Justiça determinou uma medida protetiva, impedindo que o ex-marido se aproximasse.

“Eu me arrependo. Se eu pudesse voltar dez anos, iria viver minha vida com mais dignidade”, afirma a agricultora.


Fonte: Portal Canal Rural

Apesar da evolução nos últimos 20 anos, esporte feminino é subestimado no Brasil


Neymar ganha próximo de R$ 80 milhões de reais anuais pelo Barcelona. Marta, apenas R$ 2 milhões. Os dois jogadores de futebol são apenas um exemplo das diferenças entre homens e mulheres no mundo esportivo, refletida nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além do lado financeiro, as agressões verbais são mais fortes do lado feminino como nos casos de Rafaela Silva, durante Londres-2012, que sofreu ataques racistas, e Joanna Maranhão, nesta edição olímpica, que recebeu ofensas sexuais nas redes sociais.

O investimento para a Olimpíada de 2016 mostrou inúmeras diferenças ente os dois gêneros. O futebol é o maior expoente, mas o vôlei e o hóquei na grama mostram que o Brasil está longe de superar uma desigualdade secular no mundo esportivo. No esporte favorito do país, a Rede Globo investe R$ 1,5 bilhão em direitos de transmissão pelo quadriênio (2016 a 2020) do Campeonato Brasileiro masculino, enquanto as meninas recebem apenas R$ 10 milhões da Caixa Econômica para disputarem um torneio nacional.

Outro exemplo é o hóquei de grama, esporte que o Brasil disputa pela primeira vez na Olimpíada, que não terá o time feminino por falta de investimento. Enquanto isso, apesar das derrotas, o masculino teve aporte de R$ 1,1 milhão e treinamentos no exterior.

No vôlei feminino, modalidade bicampeã olímpica, a premiação do Grand Prix pelo título foi de US$ 200 mil (R$ 660 mil), valor abaixo do recebido pelo time de Bernardinho pelo vice-campeonato na Liga Mundial — US$ 500 mil (R$ 1,65 milhão). Na época da conquista, a jogadora Sheila desabafou sobre a situação: “É uma sacanagem. Pronto, já respondi. É um absurdo. Falamos isso desde o meu primeiro Grand Prix. É injusto. E ainda pagavam US$ 250 mil (R$ 825 mil), mas diminuíram”.

Fora do Brasil, a seleção americana conquistou três Copas do Mundo e quatro medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, mas recebe menos que os homens nas premiações pagas pela Federação. No último mundial da categoria, as campeãs levaram US$ 3,5 milhões (R$ 10 milhões) contra US$ 9,5 milhões (R$ 30 milhões) pela classificação às quartas de final no Brasil, em 2014, da equipe masculina. Hope Solo e Alex Morgan, principais atletas do time, lideraram um protesto contra a diferença de valores ao longo de 2016.


Agressões verbais são comuns nas redes sociais


Em 2012, Rafaela Silva cometeu uma infração e foi desclassificada na primeira luta do judô. A enxurrada de agressões verbais passaram de qualquer limite: racismo, sexismo e até ataques aos familiares da lutadora. Quatro anos depois, Joanna Maranhão não obteve o resultado aguardado pelos “torcedores” e foi obrigada a ler pessoas desejando que ela sofresse abuso sexual.

Após terminar sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Joanna fez um longo e emocionante desabafo em entrevista para o SporTV: “A gente dá duro todo dia. Vocês sabem disso, mas o Brasil é um país machista, um país racista, um país homofóbico, um país xenofóbico. Não estou generalizando, mas essas pessoas existem, infelizmente. E aí, quando elas estão atrás de um computador, elas se acham no direito de fazer essas coisas. Todo mundo tem direito de discordar de meus posicionamentos políticos que são da minoria. Eu não faço parte da maioria. Mas a minha formação, a minha história, fez com que sentisse uma necessidade de me posicionar politicamente. E eu não vou parar. O que eu puder fazer para melhorar meu país de alguma forma, eu vou fazer”.

A diferença entre homens e mulheres acontece também nesse momento. Quantas vezes um jogador não é chamado de “pipoqueiro” pela torcida, mas ninguém deseja que ele sofra ataques sexuais — inúmeras vezes, as esposas ou filhas são o alvo. No caso feminino, o racismo (que também acontece com os homens), comentários ofensivos são pesados, diretos e de uma forma para derrubar a agredida.

Segundo estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil tem 13 mulheres mortes por dia e cinco são agredidas a cada hora. No entanto, essa contagem não leva em consideração aquelas que sofrem ataques verbais ou nas redes sociais.


Fonte: Portal Yahoo! Esportes

Imagens mostram vida dentro de bordel em um dos países mais pobres do mundo

Kajol e um cliente. Ela acha que tem 17 anos, mas não sabe ao certo qual é a sua idade. Foi casada durante 9 anos e tem um filho de 6 meses. Sua tia a vendeu ao bordel e ela foi obrigada a retomar a rotina de clientes quando seu bebê tinha apenas duas semanas.


Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo. Sua população, de cerca de 157 milhões de pessoas segundo dados do Banco Mundial, vive em condições muito precárias, e uma parte importante dela (mais de 30%) vive abaixo da linha da pobreza.

Além disso, os salários são miseráveis e as condições de trabalho são semelhantes à escravidão, com jornadas extremamente longas que superam, com folga, as oito horas diárias.

Um dos aspectos mais surpreendentes sobre o país é que a prostituição é completamente legalizada, mesmo com uma população majoritariamente muçulmana (mais de 90%). A fotógrafa Sandra Hoyn viajou a Bangladesh para documentar esta realidade.

Ela visitou o bordel de Kandapara e fotografou suas residentes. Situado na cidade de Tangail, o local abriga mais de 700 profissionais do sexo. Hoyn teve que ganhar a confiança das prostitutas e, com o tempo, conseguiu fotografá-las em um ambiente mais íntimo.

Ela confessa que uma das experiências mais difíceis foi ver uma menina de 15 anos que não queria fazer sexo com um cliente. Ele havia chegado ao bordel com quatro amigos, e todos queriam ter relações sexuais com a menor.

O projeto se chama “The Longing of Others” (“Os Desejos dos Outros,” em tradução livre). Mais informações podem ser obtidas no site de Sandra Hoyn


Veja outras imagens do bordel

Papia, de 18 anos, com dois clientes no bordel. Seus pais morreram cedo e ela se casou muito jovem. Passou um tempo na prisão devido ao consumo de heroína, e lá conheceu uma mulher que a levou ao prostíbulo.

Mulheres esperando clientes nas portas do bordel.

O bordel de Kandapara é o mais antigo e o segundo maior do país. Ele existe há 200 anos e mais de 700 prostitutas vivem no local com seus filhos.

Assim é a vida dentro de um bordel em um dos países mais pobres do mundo.

Dipa, de 26 anos, está chorando. Ela está grávida de dois meses de um cliente do bordel.

Preservativos usados no exterior do bordel de Kandapara.

Bebês gêmeos de 5 meses descansam na cama. Uma prostituta de 20 anos deu à luz. Eles ainda não têm nome.

Pakhi, de 15 anos, e Mim de 19. As duas são prostitutas neste bordel.

Um cliente tenta beijar a bochecha de Priya

Mim toma banho no prostíbulo.


Fotos: Sandra Hoyn


Fonte: Portal Yahoo! Notícias

Grupo promove ‘Grito de Paz’ no calçadão da Ponta Negra neste domingo


O aumento no número de crimes de abuso e exploração sexual infantil e a sensação de impunidade motivou um grupo de manifestantes a sair da zona de conforto e promover, neste domingo, às 9h, na Ponta Negra, Zona Oeste, a segunda edição do “Grito de Paz”.

Segundo o publicitário e organizador do ato, Ely Barbosa, 36, durante a caminhada até a praia da Ponta Negra os manifestantes pedirão punições mais rigorosas aos casos de crimes de abuso e exploração sexual infantil. “Estamos cansados de ver tantos casos e crimes bárbaros, estaremos vestidos de branco numa caminhada e faremos um manifesto totalmente pacífico. Vamos cantar o hino nacional e também queremos fazer ecoar esse grito na nossa nação”, disse.

Para Barbosa, os números o balanço apresentado pela SSP, de que 300 crianças foram vítimas só nos quatro primeiros meses deste ano, não representam a realidade. “Além de muitas denúncias não serem concluídas, a maioria nem sequer chega até as autoridades, disse.

O publicitário explicou que o clamor da sociedade quanto aos crimes de exploração sexual e a necessidade de haver ações mais efetivas na punição devem chegar ao poder público para que eles sejam sensibilizados. “Queremos ser a voz daqueles que não têm voz para que para que ele possa ter acesso a Justiça, principalmente nos casos de abuso intra-familiar, que normalmente oprime e inibe denúncias”.

A expectativa dos organizadores é que cerca de 400 pessoas, entre amigos e famílias de vitimas, participem do Grito de Paz. O ato é realizado pelos grupos de ações sociais “Por Amor” e “Abrigo Coração de Pai”.


Segunda edição


Essa é a segunda edição do Grito de Paz, que iniciou as atividades em agosto do ano passado, após os organizadores se indignarem com a onda de casos de violência entre assassinatos e estupros. “Estamos atentos aos índices de violência desde o ano passado e sempre que for preciso nós vamos nos mobilizar para cobrar punições, sempre que for preciso iremos às ruas”, disse.

A administradora de empresa, Patrícia Cavalcante, 32, que confirmou presença no ato, disse que manifestações como essa devem ocorrer sempre para que os governantes tomem atitudes mais efetivas e até alterem leis para que os criminosos sejam punidos e pensem duas vezes em voltar a cometer crimes. “Eles têm que ver que nós estamos conformados e não podemos ser omissos diante de tanta crueldade que está assolando o País”, disse.


A ‘pressão popular’ tem poder, apontam especialistas

A delegada Juliana Tuma, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Crianças e ao Adolescente (Depca), ressaltou a importância de atos como o Grito de Paz serem realizados. Para ela, é em eventos como esse que se caminha para a sensibilização.

Para Tuma, alguns casos de exploração não são registrados porque as vítimas tem medo de contar aos pais e o evento contribui positivamente para alertar sobre a importância de denúncias serem feitas e dos pais ficarem atentos aos filhos. “Esses crimes precisam ser denunciados para que os criminosos sejam punidos e possam servir de exemplo”.

O advogado Stanley Braga acredita que não existe nada mais poderoso que a voz da sociedade para cobrar que a justiça seja aplicada contra criminosos que abusam de menores. “Pressões ideológicas e políticas, discussões e mobilizações são meios válidos e mais eficazes para que a justiça seja aplicada. Não existe nada, socialmente falando, mais poderoso que a mobilização popular”.


Crimes aumentaram

Segundo os organizadores do evento, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, divulgou que, nos quatro primeiros meses do ano, cerca de 300 crianças sofreram abusos e exploração sexual. Um aumento de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. O grupo pretende se reunir com autoridades para discutir os crimes contra crianças e também apresentar propostas.


Fonte: Jornal A Crítica

'Não deixar uma mulher trabalhar é violência'


14 em cada 100 mil mulheres são assassinadas anualmente em El Salvador. 11 em cada 100 mil, nas Honduras.

A média anual de mortes violentas de mulheres no México se aproxima dos 2.000. Na Argentina, há cerca de 50 ataques sexuais contra mulheres por dia. No Brasil, este número chega a 15 ataques diários.

A ONU Mulheres (organismo das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento da Mulher), 14 dos 25 países com o maior número de feminicídios e agressões contra a mulher pertencem à América Latina.

No Brasil, o crime de feminicídio foi tipificado em 17 de dezembro de 2014. Em comentário à Sputnik Mundo, Mabel Simois, presidente da organização uruguaia Casa da Mulher, disse que, apesar dos números desconcertantes, o problema está ficando menos grave.

"A violência de gênero sempre existiu. O que acontece é que as mulheres antes não falavam nada, não denunciavam. Agora, ela se animam. Ao ter leis, policiais especializados, sentem-se mais seguras. Eu não acredito que o índice de violência seja maior do que em outros tempos, acredito que a gente adquiriu direitos. Outra coisa a se ter em conta é que antes não possuíamos números. A coisa começou a se quantificar há muito poucos anos. E agora existem até formulários especiais para denúncias de gênero", disse Simois.

Não se trata só de violência física ou assédio. Há um tipo de violência moral que se chama descriminação, lembra a presidente da Casa da Mulher:
"É muito comum encontrar mulheres que não podem conseguir trabalho. Não deixar uma mulher trabalhar é violência. É deixá-la sem opções, na rua. É violência te obrigar a fazer algo que você não quer ou não te deixar fazer o que você quer. É também violência que ganhemos menos que os homens cumprindo as mesmas responsabilidades".

Segundo dados de organizações internacionais, 23% das mulheres brasileiras trabalham 40 horas por semana sem serem remuneradas. Só 5% dos homens vivem tal situação. Na Colômbia, a diferença é parecida: 32% das mulheres trabalham 50 horas por semana grátis, contra 9% dos homens.

O problema da violência contra as mulheres ganhou destaque no Brasil em meados do ano corrente, quando foi revelado o escândalo com o estupro coletivo no Rio de Janeiro de uma menina de 16 anos. O país todo se mobilizou em defesa dos direitos da mulher e o resto do mundo se juntou à manifestação de solidariedade.

Fonte: Jornal Sputnik News

Michel Temer exclui 10 milhões de famílias do Bolsa Família


Se a proposta de meta fiscal do governo interino de Michel Temer vier a ser implementada, os programas sociais deverão ser fortemente atingidos. O Programa Bolsa Família (PBF), especialmente, deixará de atender a 10 milhões de famílias pobres que necessitam do benefício. A estimativa é do estudo Os impactos do Plano Temer nas políticas sociais: o caso do Bolsa Família, lançado hoje (25) pela Fundação Perseu Abramo (FPA), em São Paulo. Trata-se do primeiro de uma série que será produzida a partir do monitoramento da Fundação sobre as políticas de Temer.

Conforme destacou o presidente da FPA, o economista Marcio Pochmann, na era Temer, o sistema público deverá voltar-se fundamentalmente aos 5% mais pobres. Isso porque, segundo o documento “Uma Ponte para o Futuro”, do PMDB, esse percentual não estaria inserido na economia e reside em comunidades isoladas, esparsas, somente para os quais os equipamentos e serviços públicos e programas de sustentação de renda devem ser descentralizados. Assim, não haveria necessidade do programa nas regiões metropolitanas.

Segundo as informações oficiais do IBGE e disponíveis na Pnad de 2014, o contingente dos 5% mais pobres seria de 3,4 milhões de famílias, equivalendo a cerca de 12,2 milhões de pessoas. O rendimento médio dessas famílias era de apenas R$ 176 mensais (R$ 5,87 por dia para família ou R$ 1,63 per capita ao dia). Para o ano de 2014 e o mesmo parâmetro de pobreza, contabilizava-se pela Pnad o contingente de 14,3 milhões de famílias de pobres. Pelo PBF, 13,9 milhões de famílias eram atendidas em abril de 2016, o que equivalia a cobertura de 97,3% dos pobres estimados pelas informações do IBGE de 2014.

“As pessoas das regiões urbanas, onde há grandes bolsões de extrema pobreza, deverão ser as mais afetadas por mudanças no programa. Em São Paulo, o estado mais rico, a pobreza está nos grandes centros, em bairros que concentram as famílias mais pobres”, destacou Pochmann. Ele lembrou ainda posicionamento do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), para quem o país não tem condições de manter os direitos que a Constituição garante, entre eles, a universalidade do acesso à saúde.

Em 2015, enquanto deputado federal relator do Orçamento Geral da União, Barros propôs oficialmente o corte de R$ 10 bilhões de recursos para o Bolsa Família, levando à retirada de 23 milhões de pessoas do programa de transferência de renda, sendo 11 milhões de crianças e adolescentes de até 18 anos. “Agora ministro, ele vive defendendo a repactuação, como na Grécia, que cortou as aposentadorias”, disse.

Segundo o estudo, a implementação da proposta do Plano Temer vai afetar a todas as regiões. Porém, o Centro-Oeste, que atualmente possui a maior cobertura nacional pelo programa, passaria a ter a menor proporção de cobertura, com apenas 20% das famílias assistidas (137,7 mil famílias). Na sequência, a região Norte, com 21,2% (370 mil famílias), região Sul, com 21,8% (236 mil), Sudeste, com 22% (843 mil famílias), e Nordeste, com 25,9% (1,8 milhão de famílias).

Todos os estados serão prejudicados, porém, a situação será mais grave no Amapá (16,1% de cobertura e somente 9,5 mil famílias atendidas), Rio de Janeiro (16,3% e 133,3 mil famílias), Distrito Federal (18,2% e 20,1 mil famílias), e Paraná (19,3% e 86,3 mil famílias atendidas). Não existem estados os quais possam ser enquadrados como pouco prejudicados.

Na região Centro-Oeste, 20% das famílias que necessitam do benefício serão excluídas. No Nordeste, só um quarto delas será beneficiada. Serão 7 milhões de pessoas desassistidas só no Nordeste.

A Bahia, hoje o estado com maior número de bolsistas, deverá ter 1.3 milhão de famílias excluídas. Em São Paulo, o segundo, será 1,1 milhão. Minas Gerais, 1 milhão de famílias, Ceará, 840 mil, e Pará, 700 mil famílias.

Apenas a região Nordeste contará com 5,1 milhões de famílias em situação de pobreza não atendidas. As regiões Sudeste com 3 milhões, Norte com 1,4 milhões, Sul com 850 mil e Centro-Oeste com 550 mil, completam o quadro da possível tragédia social que se avizinha.

Do conjunto das 10,5 milhões de famílias passíveis de exclusão pela proposta do Plano Temer, 49,6% pertencem à região Nordeste, 25,5% ao Sudeste, 12,9% ao Norte, 6,5% ao Sul e 5,5% ao Centro-Oeste. E da economia dos R$ 20,9 bilhões, 51,7% deixarão de ir para a região Nordeste, 23,1% ao Sudeste, 14,5% ao Norte, 5,8% ao Sul e 5% ao Centro-Oeste.

“Impacto social significativo, com agravamento da situação de uma população vulnerável, com baixa escolaridade, com história de exclusão social. Haverá aumento da pobreza, subnutrição, violência, com maior impacto sobre o sistema de saúde. E evasão escolar, já que a frequência à escola é condição para recebimento da bolsa. Poucos estados mantiveram seus programas de transferência de renda, desarticularam-os, reunindo-se em torno do programa federal. Há cidades em que mais da metade da população está na pobreza”, disse o economista.

Pochmann lembrou que nos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff as políticas sociais foram mantidas mesmo durante a grave crise de dimensão global iniciada em 2008. “O Brasil rompeu com o padrão governamental de internalizar medidas recessivas, como era desde 1981. Com isso, não houve corte de gastos sociais, o que permitiu proteger melhor a população em geral, sobretudo a situada na base da pirâmide social”, disse.

Inovador ao reunir várias políticas de transferência de renda, o Bolsa Família é reconhecido e premiado no Brasil e no exterior. Pagando um benefício em média de R$ 160, é responsável por retirar 36 milhões de pessoas da linha de pobreza e ainda é um mecanismo que estimula economias regionais. De acordo com dados do Ipea, para cada R$ 1 gasto com o Bolsa Família, são adicionados ao PIB R$ 1,78.

Segundo Pochmann, é assim porque a família pobre precisa gastar uma parcela maior de sua renda mensal do que outras classes econômicas. “Assim, os R$ 27,6 bilhões gastos em 2015 com transferência aos beneficiários incrementou o PIB do mesmo ano em R$ 49,2 bilhões”, disse. “Enquanto os Estados Unidos comprometem 2% de seu PIB em programas focalizados, o Bolsa Família respondeu em 2015 por 0,46% do PIB brasileiro.


Fonte: Jornal Pragmatismo Político

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