terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Carol Moreira sobre Vin Diesel: 'Tanta polêmica mostra que precisamos falar sobre esse tipo de comportamento'


A youtuber Carol Moreira usou seu perfil no Facebook neste sábado (24) para se pronunciar sobre o polêmico episódio de assédio que sofreu ao entrevistar o astro hollywoodiano Vin Diesel.

"Muita gente me acusando e fazendo perguntas. Então vamos lá", diz ela no início do texto. Por meio de perguntas pontuais, a jornlista relata a sua visão do episódio.

Vin Diesel veio ao Brasil no início de dezembro para divulgar o novo filme da franquia Triplo X, na Comic Con Experience. Repórter da Warner Chanel, Carol conseguiu uma entrevista exclusiva com o astro.

No entanto, ela não contava com o comportamento machista do ator, que a interrompeu mais de uma vez para falar sobre a beleza da jornalista.

"Deus, como você é linda!"; "Quando isso deixou de ser uma entrevista e se transformou em 'eu te amo'?"; "Estou apaixonado por ela".

Assista à entrevista:


No esclarecimento postado no Facebook, Carol diz que em momento algum classificou o comportamento do ator como assédio. No entanto, salienta: "eu não gostei do comportamento dele na entrevista".

Em entrevista ao HuffPost Brasil, na última quinta (22), Carol falou sobre como se sentiu durante e após a entrevista:
"Na hora eu nem percebi o que estava acontecendo. Eu só queria que ele parasse para que eu pudesse continuar a entrevista. Eu só queria sair dali. Quanto terminou eu saí tremendo, respirei fundo e me acalmei."

No Facebook, ela detalhou tudo numa estrutura de perguntas e respostas. Em um dos trechos, Carol responde por que postou o vídeo mesmo descontente com a postura do ator.
"Porque eu tinha uma entrevista com o Vin Diesel! Vou apagar por causa do comportamento inconveniente DELE? Vou editar e esconder o que ele fez? Jamais! Ele sabia que tudo estava sendo gravado! Esse tipo de comportamento não deve ser incentivado. Muitas pessoas passam por situações constrangedoras no ambiente de trabalho e ninguém fala sobre isso."

Em seguida, ela esclarece por que apagou de suas redes sociais a foto que havia tirado com ele.
"Porque meu perfil estava cheio de gente me xingando, chamando de vagabunda, biscate, nariguda, que eu nem bonita sou... No desespero de TANTA GENTE me xingando gratuitamente (sem nem saber o que rolou) apaguei mesmo."

Em outro trecho, a youtuber fala sobre "consentimento".

Muitos seguidores a chamaram de "hipócrita" nas redes, já que em uma outra entrevista ela aceitou o convite do ator Jason Momoa para sentar-se em seu colo.
"Você não é hipócrita porque sentou no colo do Momoa? Eu dei todo meu consentimento à brincadeiras nos bastidores, ali era um painel ao vivo. O Momoa NUNCA atrapalhou meu trabalho pra falar da minha aparência. Ele fez uma zoeira e PEDIU pra eu sentar em seu colo. Aliás, eu sento no colo de quem EU QUISER. Isso não invalida que o Diesel fez."

A jornalista encerra o texto dizendo que não se fez de vítima nesse episódio. E que toda a polêmica - com repercussão internacional - revela a necessidade de se discutir o comportamento machista na sociedade.
"Falam que quero fama, dinheiro, sei lá mais o quê. E eu só apontei que EU NÃO GOSTEI. O que é direito total MEU. Nunca me fiz de coitada ou de vítima como estão acusando.
Se tá dando tanta polêmica é pq precisamos falar sobre esse tipo de comportamento. E quem fez a polêmica foi a mídia. Eu só postei meu vídeo normal, como qualquer outro. 
Toda mídia internacional achou que ele realmente errou, exagerou. E quem tá levando enxurrada de xingamentos e ódio? Eu!"

Leia o texto na íntegra: https://www.facebook.com/carolmoreiraaaa/posts/1285831884817278

Pelo Twitter, Carol Moreira avisou seus seguidores que se manterá longe das redes sociais nas próximas semanas. "Depois volto com tudo normal! Espero que entendam", escreveu.



Fonte: Jornal HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

Artigo - Estamos criando monstros


Por: Mônica Raouf El Bayeh

"- A criança que vocês adotaram não combinou muito porque ela é pretinha e lugar de preto é na África."

A “pretinha” que não combina é Titi. Uma menininha negra, linda, estilosa, filha de Giovana e Bruno Gagliasso. Titi não combina com seus pais? Que isso! Onde está escrito? Quem determina? Quem dita as ordens do coração? Combinação de amor não é de cor, é de alma.

Essa frase cruel foi postada no Twitter de Giovana Ewbank por um perfil falso feito por uma adolescente de quatorze anos. No perfil, o nome e a foto de uma prima. Que sofreu horrores. Foi ameaçada. E já não podia nem sair de casa.

A adolescente se incomodou? Não. Ao contrário. Se bobear, até gostou. Não era isso que ela queria? Zoar? Incomodar? Fazer sofrer? Conseguiu.

Como teve coragem de provocar pessoas que nada de mal lhe fizeram? Com que finalidade? Com a simples finalidade de acabar com o sossego de pessoas. Na ilusão de se vingar dos que, ela julga, serem mais felizes ou mais amados que ela.

Ela queria zoar. Fala sem culpa. Sem remorsos. Atacou tranquilamente porque se julgava bem escondida. Atitude dos covardes. Com a certeza de impunidade que seus quatorze anos de experiência lhe deram. É mergulhada em ressentimento e raiva que ela trama maldades. Ataca. Alfineta. E, escondida em perfil falso, aguarda o circo pegar fogo.

Um pequeno monstro de quatorze anos? Só mais um deles. Estamos cheios deles por aí. São os conhecidos coitadinhos.

Coitadinhos são filhos de pais que passam a mão na cabeça. Justificam falhas graves. Permitem de mais e dizem não de menos. Eles crescem fortes no adubo da impunidade. Vão deixando um rastro de destruição.

Nas escolas, coitadinhos agridem, xingam, destroem, destratam a todos. Você chama os pais. E descobre logo porque os filhos são assim.

Há os que chegam agressivos. E sorriem debochados defendendo seus filhos infratores. Fazem pouco caso de acusações graves. Negam fatos reais e importantes. Duvidam da sua palavra. Invertem o jogo. Acusam você. Você é que persegue o coitadinho. Aliás os professores são sempre os únicos responsáveis pelos erros dos coitadinhos.

Há os que se entristecem. Se encolhem. E dizem que já não sabem o que fazer. Se eles não sabem, o professor com quarenta vai saber?

Coitadinhos são sonsos. Mentem te olhando no olho. Com a cara limpa. Os pais, cúmplices, acreditam em tudo. Não estranham? Nem questionam? Não. Acreditar é mais fácil do que enxergar o monstro que criam.

Você dá dois meses para a criatura fazer um trabalho da sua matéria. Ele não faz. Você, para não se aborrecer com pedidos da coordenação, dá mais dois dias.

- Que tal? Até a próxima aula, pode ser?

Você já fala pedindo esse grande favor. Você cobra. Ele reclama ofendido. Não teve tempo. São pós-graduados em desculpas. Em enrolação.

Ele faz, rapidinho e nas coxas, um trabalho porco. Durante a sua aula. E em folha amassada de caderno. Ou então tem a cara de pau de vir colocar o nome em um trabalho que já tinha sido entregue por outros alunos. Se você não aceita? Mamãe liga. Papai vai na escola.

- Poxa, custa aceitar?

Pais de coitadinhos não educam o filho. Míopes, perdem tempo tentando educar o professor. Não punem o desleixado. Eles punem quem incomoda: o professor. Não é pelo bem das crianças que eles vêm reclamar. É para não serem perturbados.

Pressionam a coordenação. Que pressiona o professor, o lado mais fraco da corda, que, para não perder o emprego, cede.

As escolas deseducam. No medo de perder alunos e diminuir o lucro, fazem vista grossa. E você é obrigado a dar nota para quem nada fez. Não se espante se ele passar por você na escada e rir da sua cara. Provamos a todos que os piores são os verdadeiros vencedores.

Estamos vivendo um momento bem esquisito. Cercados por políticos sem ética, sem moral, sem um mínimo de empatia. Ricos, esbanjando às nossas custas. Fica parecendo, sim, que não há justiça. Que legal é levar vantagem. Que tudo pode. Infelizmente, tem podido, sim.

De coitadinhos crescidos, nosso congresso está cheio. Nossos coitadinhos pequenos têm todos os requisitos para seguir a carreira política no Brasil e serem bem sucedidos.

Lamentavelmente, o mundo tem se mostrando generoso com os perversos coitadinhos. Falta de punição também é prêmio. Recompensados, eles seguem se especializando. E vão crescendo. Expandindo suas maldades nas redes sociais. Quantos jovens já não se mataram por bullying? Estamos criando monstros.

É cruel ter filhos e não querer ter trabalho. Filho dá trabalho. É de pequenino, sim, que se torce o pepino. Educar exige tempo e dedicação. Exige que a gente se debruce em busca de soluções. Gasta tempo, energia, afeto.

Quando a gente se depara com uma situação desse tipo é a hora de parar. De repensar relações. Rever tempo, olhares, afetos. Em reiniciar e refazer. Vida é assim mesmo. A gente acha que está abafando e quando vê, deu bola fora. Acontece em qualquer família. Com a nossa também e o tempo todo.

Essa menina de quatorze anos está pedindo socorro. Essa pode ser uma forma dela dizer que está sofrendo. Que precisa ser mais olhada. Ela é mais uma criança enganada na falsa ilusão de que tudo pode. Que não há lei de retorno. Nada tem volta? Te enganaram, baby. Aguarde, meu bem.

Mas vida é mais do que isso. Mais do que sair atropelando, ofendendo. Zoando sem culpa, nem empatia. Espero que essa menina aprenda com o susto. Que reflita sobre o que vem fazendo. Ela é nova. Tem uma vida inteira para aprender e fazer diferente.

A punição de um filho é punição para os pais também. Porque o que dói em filho, dói em dobro na gente. Muitas vezes quando a vida pune, é uma chance de mostrar que a gente pode fazer melhor.

É preciso parar. Olhar. Enxergar. Dizer que ama. Ficar do lado, mesmo que eles digam que querem ficar sozinhos. É o olhar que enche a alma de afeto e de generosidade. É o olhar amoroso dos pais que ensina a gente a amar. Quando se cria, todo tempo é de recomeço. Que sirva de lição para todos nós.


Fonte: Portal Extra / Portal G1

O terrível mundo dos comentários na Internet



POÇO DE ÓDIO

Os psicólogos Justin Hepler e Dolores Albarracín, das universidades americanas de Illinois e da Pensilvânia, respectivamente, publicaram um estudo em 2013 que ajuda a explicar o ódio online. Eles pediram para voluntários indicarem, em uma escala, como se sentiam em relação a estímulos variados. O resultado dividiu as pessoas em dois grupos: abertas ao desconhecido e fechadas. O primeiro grupo tende a ser mais curioso. O segundo não gosta de nada. Isso cria um padrão de comportamento em que o que é avaliado é menos importante do que quem avalia. Os haters pertencem ao segundo grupo, pois odeiam o desconhecido – que permanece desconhecido por causa de outro fenômeno, o viés de confirmação. Esse conceito da psicologia cognitiva diz que tendemos a ignorar ou desprezar fatos que contradigam algo em que acreditamos.

Outro estudo, da Universidade do Estado de Ohio, mostrou que as pessoas passam 36% mais tempo lendo um texto se ele se alinha com sua opinião. “Você fica tão confiante na sua visão de mundo que ninguém consegue dissuadi-lo”, explica o jornalista americano David McCraney no livro Você Não é Tão Esperto Quanto Pensa. O conformismo de bater nas mesmas teclas alimenta o medo de absorver ideias novas – e vice-versa. No anonimato da internet, esse é o combustível para comentários inflamados de ódio e a razão da existência e proliferação dos haters. Para piorar, isso sustenta outra praga da internet, as teorias da conspiração. Se você procurar no Google apenas provas de que o homem não foi à Lua, vai encontrar várias – e se sentir aliviado por achar que está certo.

Mas e quando o anonimato recua e as pessoas mostram a cara? Uma TV americana, em parceria com a Universidade do Texas, fez o seguinte estudo: por 70 dias, ela lidou com 2,5 mil comentários postados em sua página no Facebook de diversas maneiras. Algumas vezes, um repórter famoso do canal interagia com as pessoas. Em outras, o perfil oficial da emissora respondia. Quando o repórter comentava, houve 15% menos insultos do que nos tópicos sem interação. O estudo concluiu que quando o lado de lá participa, como, por exemplo, ao elogiar comentários que acrescentam algo à discussão, as pessoas veem que atitudes têm consequências e que a internet, no fim das contas, é feita de pessoas.

Só que tem um problema: existem pessoas e pessoas. E algumas delas são trolls.


POR TRÁS DA TROLLAGEM

Os trolls apareceram na rede de fóruns Usenet nos anos 80. O termo vem da expressão trolling for suckers. Trolling é uma técnica de pesca em que linhas com iscas são deixadas na água e arrastadas a partir de um barco em movimento, à espera de peixes que as abocanhem. É isso o que o troll faz na internet, provocar e esperar alguém que se irrite. Hoje, o termo abrange diversos tipos de comportamento. Para a moderadora Bruna, o pior é aquele que conhece os limites do que pode ser publicado. Não ofende ninguém, mas é campeão de discórdia. “Eles entram numa notícia de uma celebridade só para falar mal dela e irritar os fãs. Você não pode chutá-los porque estão dentro das regras, mas muita gente se revolta e perde a linha – e no final elas acabam bloqueadas.”

Tom Postmes, professor das universidades de Exeter (Inglaterra) e Groningen (Holanda), pesquisa o comportamento online das pessoas há 20 anos e notou que o estilo troll está cada vez mais bem definido. “Eles querem promover emoções antipáticas de nojo e indignação”, diz. Segundo um estudo de 2013 do Centro de Pesquisa em Comunidades Online e Sistemas de E-Learning do Parlamento Europeu, na Bélgica, trolls têm muitas características em comum com pessoas que sofrem de um transtorno de personalidade antissocial. A causa seriam problemas de autoconfiança.
A internet é uma adolescente. Ela existe há 44 anos, mas começou a fazer parte da nossa vida para valer há no máximo 20. Então, estamos todos amadurecendo nosso comportamento. Lembra seus primeiros posts no Orkut, em blogs antigos ou logo que entrou no Facebook? Bateu uma vergonha? É normal. A web cresce assim. Aos poucos, a noção falsa de que há uma fronteira entre comportamento online e offline enfraquece. A internet não é uma terra amoral, onde vale tudo. Ela é uma extensão da sociedade. Para o bem e para o mal.
Bichos digitais


Como identificar os tipos de comentaristas na Internet

Extremista político

De direita ou de esquerda. Uns defendem o nazismo, outros chamam de nazista quem discorda deles. Também são vítimas fáceis dos trolls.

Povo da zoeira

Posta conteúdos engraçados em discussões alheias, muitas vezes mudando o rumo da conversa para algo mais anárquico. Finge-se de hater ao postar mensagens inflamadas só para confundir extremistas e conspiradores.

Sabichão

Sommelier de qualquer coisa, tem opinião formada sobre quase tudo. Gosta de insultar a suposta ignorância das pessoas ao redor.

Ista

Sonistas (fãs da Sony) e nintendistas (da Nintendo). Pessoas que defendem marcas de games como se estivessem em torcidas organizadas. O fenômeno ocorre em outros ramos, como tecnologia (Apple x Google x Windows) e fotografia (Nikon x Canon). São alvos fáceis de trolls, que detonam seus ídolos só para ver o circo pegar fogo.

Conspirador

Há muitas versões, como o dilmificador, que põe a culpa de tudo de errado no mundo no governo. Míssil derruba avião na Ucrânia? Culpa da Dilma. Outro tipo comum é o que duvida de tudo o que a “grande mídia” diz.

Monossilábico

Limita a participação a um “que legal” ou “que lixo”. É inofensivo e não acrescenta nada a nenhuma conversa.

Confuso

Xinga, mas é difícil dizer o quê e por quê. Dispara um repertório variado de clichês e preconceitos, mas não dá para saber que lado está defendendo.

Troll de raiz

Usa o anonimato para assediar outros usuários, seja de forma sutil seja de um jeito mais agressivo.

Fofo

Traz novas informações à discussão e está pronto para responder cordialmente a todos os outros tipos.


Fonte: Revista SuperInteressante

Exploração sexual de mulher é perfil do tráfico na América do Sul


A maioria das vítimas de tráfico na América do Sul são mulheres e meninas – 74% do total- e seu destino costuma ser a exploração sexual, segundo um relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) divulgado nesta quarta-feira em Viena.

No total, 57% das vítimas são destinadas à exploração sexual – em sua quase totalidade mulheres- e 29% ao trabalho forçado – em grande parte homens-, afirma o Relatório Global sobre Tráfico Humano 2016.

O tráfico humano consiste em transferir e reter uma pessoa pela força ou coerção, a fim de explorá-la, não só com fins trabalhistas ou sexuais, mas também para mendigar ou, inclusive, para o tráfico de órgãos e os casamentos forçados.

A maioria dos condenados -63%- por este crime são homens e, em grande parte, da mesma nacionalidade do país no qual foram processados.

Os dados da ONU se baseiam na informação de 5,8 mil vítimas registradas na América do Sul entre 2012 e 2016, e o relatório reconhece que é só “a ponta do iceberg” porque parte destes crimes não são detectados.

Este é o resumo da situação na América do Sul que é definida como “uma moderna forma de escravidão”, mas existem grandes variações em função dos países.

A maior parte dos casos de tráfico ilícito de pessoas ocorre dentro do país ou da região sul-americana, seguindo um padrão universal, desde zonas mais pobres a outras mais ricas.

Outra das características deste tipo de crime é a alta presença de menores, 40%, em grande parte meninas.

Existem grandes diferenças: assim, por exemplo, o documento afirma que o tráfico de menores é majoritária em países andinos como Equador, Peru e Bolívia, enquanto os adultos são as vítimas mais frequentes na Argentina, Chile e Uruguai.

Também pelo tipo de exploração existem variações. Desta forma, enquanto no Chile e na Bolívia a maioria das vítimas é destinada a trabalhos forçados, na Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai é mais comuns os abusos sexuais.

Na Argentina e na Venezuela foi detectado o mesmo número de pessoas destinadas à exploração sexual que a laboral.

Embora os homens costumem ser a maioria das vítimas desses trabalhos forçados, foram detectadas também vários casos de mulheres exploradas em tarefas domésticas.

O relatório detalha que duas vítimas, procedentes da Bolívia e Peru, caíram neste tipo de exploração na Argentina e Venezuela depois que foram captadas com promessas falsas de educação e oportunidades.

Outra das características regionais destacadas pela ONU é que uma elevada porção das vítimas acabam exploradas em outras tarefas fora da dois mais frequentes: abusos sexuais e trabalhos forçados.

Assim, 4% das vítimas detectadas entre 2012 e 2014 estavam destinadas a adoções ilegais e 2,5% a filmar material pornográfico.

Além disso foi detectado, em menor número, casos de tráfico para mendicidade e para casamentos forçados.

Embora existem várias rotas de trata e tendências, a ONU afirma que, em termos gerais, países como a Argentina, Chile e Uruguai são o destino deste tipo de crime, enquanto que Paraguai, Bolívia, Colômbia e Guiana são origem.

A maioria das vítimas de fora da região – 10% do total- procedem do Caribe, da República Dominicana, Cuba ou Haiti, lembra o relatório.

Por fim, 2% das vítimas estrangeiras detectadas na América do Norte e 3% registradas na Europa Ocidental procedem da América do Sul.

Nas América Central, 5% das vítimas procedem do sul do continente.


Fonte: Revista Exame

Tráfico de pessoas teve 63 mil vítimas no mundo entre 2012 e 2014, diz agência da ONU


Um total de 63,2 mil vítimas de tráfico de pessoas foram detectadas em 106 países e territórios entre 2012 e 2014, de acordo com novo relatório publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

As mulheres têm sido a maior parte das vítimas — frequentemente destinadas à exploração sexual — desde que a agência da ONU iniciou a coleta de dados sobre esse crime, em 2003. No entanto, essa participação caiu de 84% em 2004 para 71% em 2014, com o aumento do número de homens traficados para trabalhos forçados.

Um total de 63,2 mil vítimas de tráfico de pessoas foram detectadas em 106 países e territórios entre 2012 e 2014, de acordo com novo relatório publicado nesta quarta-feira (21) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

As mulheres têm sido a maior parte das vítimas — frequentemente destinadas à exploração sexual — desde que a agência da ONU iniciou a coleta de dados sobre esse crime, em 2003. No entanto, essa participação caiu de 84% em 2004 para 71% do total em 2014, segundo o documento.

Por outro lado, o percentual de homens traficados para trabalho forçado aumentou. Cerca de quatro em cada dez vítimas detectadas entre 2012 e 2014 foram destinadas ao trabalho forçado, enquanto 63% dessas vítimas eram homens, de acordo com o relatório.

As crianças permanecem como o segundo grupo mais afetado pelo crime depois das mulheres, representando de 25% a 30% do total no período analisado. Isso representa uma queda de 5 pontos percentuais em relação a 2011 devido a reduções do número de meninos vítimas desse crime em 17 países.

“A exploração sexual e o trabalho forçado permanecem como as formas mais proeminentes desse crime, mas as vítimas também estão sendo traficadas para serem usadas como pedintes, para casamentos forçados, fraudes ou produção de pornografia”, disse o diretor-executivo do UNODC, Yury Fedotov, no documento.

O relatório concluiu que enquanto as mulheres e meninas tendem a ser traficadas para casamentos e exploração sexual, homens e meninos são frequentemente explorados em trabalhos forçados no setor de mineração, como carregadores, soldados e escravos.

Enquanto globalmente, em média, 28% das vítimas desse crime são crianças, em regiões como África Subsaariana, América Central e Caribe, elas chegam a representar de 62% a 64% das vítimas, respectivamente.

Fedotov enfatizou a ligação entre grupos armados e o tráfico de pessoas, explicando como esses grupos frequentemente se engajam no tráfico de pessoas em seus territórios, coagindo mulheres e meninas a casamento ou escravidão sexual, e pressionando homens e meninos a atuar como trabalhadores forçados ou combatentes.

“Pessoas que escapam de guerras e perseguições são particularmente vulneráveis a se tornar vítimas do tráfico de pessoas”, disse Fedotov. “A urgência da situação dessas pessoas pode levá-las a tomar decisões perigosas de migração. O rápido aumento do número de sírios vítimas de tráfico de pessoas após o início do conflito parece ser um exemplo do papel dessas vulnerabilidades”, acrescentou.

O relatório também mostrou que o tráfico de pessoas e a migração regular têm fluxo semelhante em alguns países de destino em diferentes partes do mundo. Fatores que aumentam a vulnerabilidade ao tráfico humano durante o processo migratório incluem a presença de crime organizado transnacional no país de origem.

“Cerca de 158, ou 88%, dos países criminalizaram o tráfico de pessoas, em linha com o Protocolo” Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, disse Fedotov. “É um enorme avanço desde 2003, quando apenas 18% dos países tinham tais leis. No entanto, como enfatizado no último relatório, as taxas de condenações permanecem muito baixas, e as vítimas nem sempre recebem proteção e serviços nos países que são obrigados a fornecê-los”.

O chefe do UNODC também enfatizou que mais recursos são necessários para identificar e ajudar as vítimas de tráfico de pessoas, assim como melhorar as respostas jurídicas para detectar, investigar e processar os criminosos.

Mais de 500 fluxos de tráfico de pessoas foram detectados entre 2012 e 2014. Países no Oeste e Sudeste da Europa detectaram vítimas de 137 diferentes nacionalidades. Áreas afluentes — como Oeste e Sudeste da Europa, América do Norte e Oriente Médio — detectaram vítimas de um grande número de países do mundo todo.

As vítimas de países na África Subsaariana e Leste da Ásia são traficadas para uma ampla gama de destinos. Um total de 69 países reportou ter detectado vítimas da África Subsaariana entre 2012 e 2014, principalmente em nações da África, do Oriente Médio e no Oeste e Sudeste da Europa. Há também registros de fluxos de tráfico de pessoas da África para o Sudeste da Ásia e para as Américas.


América do Sul

A maior parte das 5,8 mil vítimas detectadas na América do Sul cujo gênero e idade foram informados entre 2012 e 2014 eram mulheres. Enquanto a maior parte era adulta (45%), as meninas também foram vítimas frequentes. Cerca de um quarto das vítimas eram homens, com maior frequência de adultos.

Além disso, mais da metade das 4,5 mil vítimas que tiveram a forma de exploração informada no período foi traficada para exploração sexual na região. Cerca de um terço foi traficada para trabalho forçado.

O Brasil reportou um grande número de vítimas, cerca de 3 mil por ano, por crimes como trabalho escravo e forçado. No entanto, segundo o UNODC, não está claro quantas dessas vítimas estavam em situação de exploração como resultado do tráfico de pessoas.

O país também é citado no relatório com um caso de um português que traficou mulheres brasileiras para serem exploradas sexualmente no país europeu. As vítimas foram enganadas por um esquema de dívida conectado a uma suposta “taxa de migração” que teriam que pagar pela viagem, uma prática frequente nesse tipo de crime.

Os fluxos de tráfico entre fronteiras na América do Sul ocorrem principalmente entre países vizinhos. Entre 2012 e 2014, vítimas traficadas da Bolívia foram detectadas na Argentina e no Chile, e vítimas do Paraguai foram registradas na Argentina. Cidadãos de Paraguai, Peru e Bolívia também foram registrados ou repatriados do Brasil. Vítimas colombianas foram detectadas no Equador e no Peru.


Conselho de Segurança aprova resolução

Na terça-feira (20), o Conselho de Segurança da ONU aprovou resolução para combater o tráfico de pessoas, condenando a prática que enfraquece o Estado de direito e contribui para outras formas de crimes organizados transnacionais que aumentam a insegurança e a instabilidade.

Em pronunciamento aos integrantes do Conselho, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a necessidade de garantir justiça às vítimas e assegurar a responsabilização dos criminosos. “Se o conflito dá oxigênio ao traficantes de pessoas, os direitos humanos e a estabilidade os sufocam”, disse Ban.

“Precisamos de uma liderança estratégica para acabar com a guerra, para a prevenção de conflitos e para a manutenção da paz”, acrescentou, observando o compromisso da ONU em apoiar os Estados-membros através de ações precoces e diplomacias preventivas.

O dirigente máximo da ONU também sublinhou a necessidade de diminuir o financiamento do terrorismo, de modo a promover a segurança para todos. “O Estado Islâmico do Iraque e do Levante [ISIL / Da’esh], o Boko Haram, Al Shabaab e outros grupos estão usando tráfico e a violência sexual como armas de terror — e como importantes fontes de receita”, disse.

Atualmente, vítimas desse tipo de crime na Síria, junto com mulheres e meninas do Iraque, da Somália e de outros países em conflito, são encontradas na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança pede aos países que ainda não o fizeram que ratifiquem e implementem a Convenção da ONU Contra o Crime Organizado Transnacional e o protocolo para prevenir, impedir e punir os responsáveis por tráfico humano.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).


Fonte: Portal da ONU

Artigo - Segurança pública e direitos humanos: a pergunta que fica para 2017


Por: Silvia Ramos*

E então dezembro trouxe um fato que pode ser considerado um laço de fita nos piores acontecimentos de 2016 no campo da segurança pública: o ministro da Justiça anunciou para um grupo de especialistas que em vez de um esperado e já tardio Pacto Nacional de Redução de Homicídios, o ministério estaria preparando um Plano Nacional de Segurança inspirado no objetivo de erradicar as drogas, no aumento de policiais, em mais recursos para a repressão e menos para melhorar as prisões. Entre outras medidas, o plano teria por objetivo exterminar a maconha no Brasil a partir de convênios com o Paraguai. Faltando cinco dias para o recesso de Natal, o presidente Michel Temer baixou medida provisória que transfere parte de recursos destinados ao Funpen (Fundo Penitenciário Nacional), verba prevista para construir e reformar unidades prisionais, para a segurança pública. A MP confirma que as intenções do ministro têm apoio no governo.

Pasmo e incredulidade são expressões fracas para descrever a reação de quem acompanha a área há tempos. Não há registros, desde a redemocratização iniciada no governo Sarney em 1985 – à exceção talvez de um ministro no governo Collor – de Ministério da Justiça tão retrógrado e assumidamente reacionário em termos de medidas e discursos sobre segurança e direitos. O estilo abertamente policialesco, a obsessão em entregar para as polícias fuzis recuperados de criminosos, o discurso da guerra às drogas, a ausência de medidas para conter a violência policial e de referências à matança de jovens negros das periferias que, como país, mantemos há duas décadas, assusta. Em relação às 58.467 mortes violentas, aos 584.361 encarcerados, um terço deles (36%) sem julgamento, às 3.345 pessoas mortas pelas polícias e aos 393 policiais mortos, só em 2015, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016, os planos do MJ prometem ser econômicos.

De todo modo, no contexto de espantos como Brexit, Trump ou o “não” ao acordo de Paz da Colômbia no referendo de outubro, as peripécias do Ministério de Justiça não deveriam causar tanta perplexidade. Se cada fenômeno tem características distintas, além de consequências incomparáveis, os retrocessos na área da segurança pública no Brasil são de certa maneira consistentes com a velha peleja da segurança com os direitos humanos.

Nos estados, a manutenção consistentemente alta de taxas de mortes violentas foi combinada, em 2016, com o surgimento de ondas de crescimento de criminalidade violenta (crimes contra a vida e crimes contra o patrimônio como assaltos e roubos). Em estados como Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, as crises financeiras e políticas fizeram surgir um personagem novo e um tanto assustador, um profissional de segurança radicalizado na defesa de salários e carreiras, invadindo Assembleias Legislativas, pichando muros, ameaçando cruzar os braços e instalar o caos nas ruas e nas cadeias.

No Rio de Janeiro, além disso, o fim dos Jogos Olímpicos combinou-se com a crise já antecipada do projeto das UPPs e ressurgiu com força a disputa armada por territórios entre facções do tráfico e com as milícias. As polícias demonstraram que não usaram o longo período de baixas taxas de violência letal para acumular expertise em inteligência ou capacidade de investigação e vêm demonstrando total incapacidade de antecipação aos ataques das facções e aos grupos de milícias. Os tiroteios diários voltaram às favelas. As mortes de moradores, criminosos, e policiais se multiplicaram.

Em alguns lugares do Brasil comandantes de polícia passaram a apoiar abertamente ações policiais violentas – tiroteios com morte de criminosos – como forma de ampliar a simpatia na tropa e mostrar firmeza diante da população. No caso do RS, policiais que executaram assaltantes à luz do dia no meio da rua e sob o foco das câmeras de vídeo, foram condecorados no pátio do quartel com a presença do governador. Esse episódio é típico do avanço da tese de que “bandido bom é bandido morto” dentro das políticas oficiais. Além do apoio tradicional de mais de metade da população aferido por pesquisas de opinião – como na pesquisa do Fórum Brasileiro e Datafolha em 2016 onde 57% dos entrevistados apoiavam essa frase – a ideia de que, se for criminoso, a polícia pode matar, vem ganhando espaço nas políticas de segurança.

No campo da Justiça, a tese de que profissionais de segurança pública não cometeram uso excessivo da força letal, como no massacre do Carandiru em 1992 ou no assassinato do menino de 10 anos Eduardo de Jesus na porta de sua casa no Complexo do Alemão em 2015, mas sim “legítima defesa”, foram chanceladas por instâncias do Judiciário estadual de SP e RJ em 2016 criando dois casos icônicos de um momento do Brasil. Um pacto silencioso entre o Judiciário e as PMs foi sacramentado, como se as Justiças estaduais mandassem um recado para as polícias: nas favelas ou nas cadeias, contra pobres e negros, o excesso de força pode ser justificado: “não vamos atrapalhar o serviço da polícia”. Pesquisa realizada pelo Cesec e divulgada em novembro de 2016 mostrou que os próprios membros do Ministério Público Federal são os primeiros a reconhecer que os MPs não cumprem suas missões constitucionais e exclusivas de controle externo das polícias.

No meio de um “annus horribilis” em que os direitos perderam para as políticas repressivas de segurança por um placar tipo sete a um, pelo menos alguns aspectos relevantes e positivos se destacam. Primeiro, cresceu o interesse sobre os dados da área de segurança. Em 2016, mais de 100 milhões de pessoas tiveram acesso a matérias, reportagens e números do Anuário de Segurança do Fórum Brasileiro só em jornais, rádios e TVs – sem contabilizar o acesso por redes sociais – constituindo um recorde em dez anos.

Em segundo lugar, o tema da violência contra a mulher, especialmente o tema da violência sexual parece ter tomado a cena brasileira de forma definitiva. O “estupro coletivo” de uma adolescente em uma favela carioca por jovens ligados ao tráfico local, em maio de 2016, mobilizou não apenas feministas e defensores dos direitos humanos. A pergunta do delegado carioca que atendeu a vítima (“você está acostumada a fazer sexo grupal?”) resultou no afastamento do titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. Em meio a polêmicas na internet o “Extra”, jornal impresso de venda em bancas, estampou uma capa histórica, brigando com seus leitores: “Houve estupro” (30/05/16). O jornal disse que recebeu milhares de críticas de leitores argumentando que “ela também não é santa”, “foi orgia, e não estupro” etc. O “Extra” respondeu a cada argumento e reafirmou sua decisão de chamar o fato de “estupro coletivo”.

Em setembro de 2016, eu vi Maria da Penha, a mulher ícone da campanha da violência contra as mulheres, ser aplaudida de pé durante vários minutos no Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em Brasília. No meio de mais de 500 policiais militares, delegados, agentes, pesquisadores e ativistas eu me dei conta: a violência contra a mulher não é uma agenda de esquerda, de direita, de conservadores ou progressistas. Tudo indica que aos poucos vem se tornado uma agenda do país.

Na minha opinião, a moral de 2016 é que uma pergunta deveria orientar as investigações de especialistas, jornalistas e pesquisadores em 2017: por que os temas dos direitos humanos provocam respostas tão reativas em parte expressiva da população e nas forças de segurança? Onde nós estivemos errando nas últimas décadas? Se não formos capazes de começar a responder a isso, tenho a impressão de que não seremos capazes de produzir respostas brasileiras à violência.


* Silvia Ramos é cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes.


Fonte: Portal Nexo

O que é e como é composta a dívida pública no Brasil


A dívida pública é formada pelo acúmulo de deficits ao longo dos anos, aumentando quando as receitas do governo são menores que suas despesas. Para cobrir a diferença, mais dinheiro é tomado emprestado. Isso é feito essencialmente por meio da emissão de títulos de dívida e de sua venda no mercado de capitais.

Investidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, residentes no Brasil ou não, adquirem títulos em troca do dinheiro emprestado.


A remuneração dos investidores da dívida pode estar atrelada a diversos indexadores, dependendo do título. A inflação, a taxa de juros e a taxa de câmbio são os mais comuns.

No passado, uma alta porcentagem da dívida era atrelada ao câmbio. Hoje, apenas 4,2% é.

Os títulos têm uma data de vencimento e nesse momento o investidor recebe o principal de volta. O prazo médio da dívida federal é de 4,7 anos e 17,4% do total vence em até 12 meses (precisando ser pago ou refinanciado no vencimento).

Deduzindo-se da dívida pública total (chamada bruta) os créditos do governo, principalmente as reservas internacionais e os créditos junto ao BNDES, tem-se o que se chama de dívida pública líquida. É como calcular o valor da dívida de uma pessoa subtraindo o que ela tem depositado no banco ou a receber de outras pessoas e empresas.


É comum que se examine a relação dívida/PIB ao se avaliar a saúde das finanças públicas. Essa relação compara a magnitude de tudo o que o país deve e quanto consegue produzir de riqueza por ano.

Por diversos anos, a dívida do governo central (que inclui o governo federal e o Banco Central) vinha caindo. Em 2014, essa trajetória se inverteu e a dívida começou a crescer.


Quando se junta as dívidas dos Estados e municípios e das empresas estatais à dívida do governo central tem-se a dívida do setor público. O gráfico acima mostra que também para ela o cenário é de reversão da tendência de queda, e as projeções do mercado são de crescimento contínuo nos próximos anos.

Nos casos em que a dívida pública de um país cresce sem previsão de retorno a uma trajetória sustentável, a percepção de risco pelo mercado aumenta e a taxa de juros demandada para investir em títulos daquele governo se eleva (mais risco, mais retorno). Assim, o custo de novos empréstimos e de rolar a dívida existente aumenta.


Outros fatores podem incrementar ou reduzir a dívida, como receitas e despesas extraordinárias (privatizações, por exemplo) e reconhecimento de novas dívidas ou ativos.

O resultado primário deixou, nos últimos anos, de colaborar para que a dívida se reduzisse, e passou a colaborar para que aumentasse.



Fonte: Tesouro Nacional e Banco Central. Projeções do Relatório Focus de 9/12/2016 / Portal Nexo / Jornal Brasil de Fato

Artigo - Ninguém é obrigado a gostar de você


Por: Hariana Meinke

É isso mesmo. As pessoas têm zero obrigação de gostar da gente, muito menos de querer a gente por perto. A gente tem muita dificuldade em lidar com a rejeição, né? E tá piorando. Acho que começa na infância… quando algum colega briga com a gente ou não deixa a gente andar junto ou qualquer coisa do tipo, a tendência dos nossos pais é dizer que aquela pessoa é boba, que ela não merece nossa amizade, que ela é chata ou qualquer outra variação de adjetivo que exclua a verdade: ela simplesmente não gosta de você. As pessoas podem ser boas, divertidas, legais e inteligentes e têm todo o direito de simplesmente não quererem você por perto. Tá tudo bem, você não precisa agradar todo mundo, mas de alguma forma isso é um tabu na infância e as pessoas crescem buscando aceitação e se frustrando com a rejeição.

As redes sociais pioraram tudo. Até aplicativo pra descobrir quem parou de seguir você existe. É uma obsessão por ser aprovado desde de sempre e a tecnologia veio só deixar isso ainda pior. Se a pessoa leu e não quis te responder? Sim, a internet também mostra! As pessoas podem até estarem loucas para acabar um relacionamento, mas se o outro toma a atitude primeiro, o ego ferido de não ser mais desejado fala tão alto que a pessoa até se confunde achando que agora até quer o outro de novo. Isso complica nossa vida, isso complica nossos relacionamentos e isso leva milhares de pessoas a consultórios. As pessoas tomam remédio pra lidar com a dor do não-ser-querido.

Simplifiquemos. Ninguém é obrigado a querer ninguém. E quem quer não é obrigado a sempre querer. Tá tudo bem… Quem já ouviu um “eu não gosto mais de você” sabe que não é a frase mais agradável do mundo, eu já ouvi uns anos atrás, mas foi depois dessa frase que eu parei minhas tentativas de dar certo com a pessoa que me disse essas palavras. Enquanto eu desconfiava que o relacionamento não ia bem por outras razões, tomei algumas providências, mas foi num almoço que ele olhou pra mim e disse que achava que não me queria mais porque não gostava mais de mim. Diante disso, tudo clareou, não tinha mais nada a ser feito. Eu não podia pedir pra ele gostar de mim de novo… isso não se pede. Ele gostou, não gostava mais, cabia a mim pagar meu risoto de camarão e ir pra casa lidar com esse fato.

Alguém não gostar de você não faz de você uma pessoa pior e quem não gosta de você também não é uma pessoa ruim por isso. Gostar tem que ser genuíno, tem que vir naturalmente, tem que ser leve, tem que ser suave. Gostar de alguém e esse alguém gostar de você é tão bonito, não vamos deixar isso feio e pesado transformando em obrigação. Reciprocidade é loteria! Aproveite enquanto ela existe, pode ser que acabe amanhã, pode ser que dure pra sempre, mas a gente não sabe…. então aproveite o bem-me-quer enquanto está no auge, quando vira mal-me-quer não há nada a ser feito. Isso vale pra namorados(as), amigos e até familiares, ninguém é obrigado a gostar de ninguém.

Não deixe que a reprovação de uma pessoa abale o que você pensa sobre si mesmo, não tente ser o que o outro quer, não sofra mais que o necessário. Você é incrível em todas as suas maneiras, mesmo que nem todo mundo que você quer, veja isso. Não diminua o tamanho de uma pessoa porque ela não te aprova, cada ser humano é singular e nenhum escolhe pelo quê o por quem seu coração se alegra, respeite a programação natural de cada pessoa e quando gostar de alguém que também gosta de você, agradeça.


Fonte: Facebook

Acordo Sykes-Picot na origem do caos no Oriente Médio


Divisão entre franceses e britânicos de territórios do antigo Império Otomano firmada há cem anos, durante a Primeira Guerra Mundial, gerou tensões e conflitos que só se agravaram com a passagem das décadas.

Assista o vídeo: http://dw.com/p/1IkdI

Há exatos cem anos, em 16 de maio de 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, a França e o Reino Unido partilharam entre si vastas áreas do Império Otomano, já antecipando a própria vitória e sem qualquer consulta aos habitantes da região. O tratado secreto dessa partilha ficou conhecido como Sykes-Picot, em alusão aos diplomatas que o negociaram, o inglês Mark Sykes e o francês François Georges-Picot.

Aos franceses caberia um território do sudeste da atual Turquia até o Líbano, passando pelo norte do Iraque e pela Síria. Os britânicos regeriam o sul e o centro do Iraque. As terras contidas entre esses dois territórios – englobando a atual Síria, a Jordânia, o Iraque ocidental e o nordeste da Península Árabe – seriam um reino árabe sob mandato anglo-francês.

Também a Alemanha desempenhou um papel pouco louvável nessa negociata. Aliada do Império Otomano, ela queria enfraquecer por meios militares os seus inimigos na Primeira Guerra. Juntamente com o califa de Istambul, autoridade religiosa suprema dos sunitas, os alemães conclamaram os árabes à jihad, a "guerra santa" contra os britânicos.

Estes, em contrapartida, selaram uma aliança com o xarife Hussein bin Ali, segunda maior autoridade religiosa depois do califa, na qualidade de guardião das cidades sagradas de Meca e Medina, na atual Arábia Saudita.


Domínio anglo-francês sob fachada árabe

Em outubro de 1915, Henry McMahon, alto comissário da Grã-Bretanha no Egito, fez uma oferta sedutora ao xarife Hussein: se os árabes apoiassem seu país, este os ajudaria a fundar seu próprio reino. "A Grã-Bretanha está pronta a reconhecer e apoiar a independência dos árabes dentro dos territórios nos limites e fronteiras propostos pelo xarife de Meca", declarava McMahon numa carta.

A aliança foi firmada. O líder dos árabes era o filho do xarife, Faiçal bin Hussein. Apoiado pelo agente britânico Thomas Edward Lawrence – conhecido como "Lawrence da Arábia" – ele conseguiu forçar a retirada dos otomanos.

Após o fim da Primeira Guerra, a nova ordem geopolítica no Oriente Médio foi negociada na Conferência de Paz de Paris, em 1919. Engajado pela causa árabe, Faiçal comentaria: "Estou confiante de que as grandes potências colocarão o bem-estar do povo árabe acima de seus próprios interesses materiais."

No entanto, ele se enganava. A França e a Grã-Bretanha se aferraram à divisão territorial já acordada: deveria haver Estados árabes, sim, mas sob influência anglo-francesa.

Como comentou o então ministro do Exterior britânico, George Curzon, a questão era ocultar os interesses econômicos de seu país atrás de uma "fachada árabe", "governada e administrada sob direção britânica, controlada por um maometano nato e, se possível, por uma equipe árabe".


Novos Estados, futuros conflitos

A importância dos pactos firmados durante a Conferência de Paris foi abrangente e de longo alcance. Além de resultar na fundação da Síria e do Iraque, um mandato da Liga das Nações ratificado em 1923 confirmava a criação de um novo Estado, o Líbano.

Outro mandato previa "o estabelecimento de um Lar Nacional para o povo judaico na Palestina", base para o futuro Estado de Israel. Em Paris, Faiçal declarara: "Eu asseguro que nós, árabes, não guardamos qualquer ressentimento étnico ou religioso contra os judeus, como o que infelizmente predomina em outras partes do mundo." Contudo, essa boa vontade logo fracassaria diante de uma realidade cruel.

Também em 1923, a Grã-Bretanha separou a Transjordânia da Palestina, criando as bases para a atual Jordânia. Já em 1899 os ingleses haviam transformado o Kuwait em seu protetorado. Após o fim da Primeira Guerra, o declararam "emirado independente sob proteção britânica".



Reflexos atuais

O resultado final de tais reviravoltas geopolíticas na região foi a série de guerras e conflitos que perdura até hoje: a crescente tensão entre israelenses e palestinos, ocasionalmente explodindo em guerras; a guerra civil libanesa de 1975 a 1990; a Guerra do Golfo; os choques, igualmente com características bélicas, nos territórios curdos da Turquia e do Iraque, mais tarde também na Síria.

Tudo isso culminou na fatal invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003. A má gestão que se seguiu endureceu os fronts de caráter religioso, redundando no nascimento da organização terrorista "Estado Islâmico" (EI). Além de ocupar territórios iraquianos, o EI se alastrou para a Síria, dilacerada pela guerra civil.

A rigor, nem todos esses desdobramentos remontam exclusivamente à divisão do Oriente Médio no início da década de 1920. No entanto, nessa época foi lançado o fundamento de uma nova ordem regional que se mostrou solo fértil para tensões geopolíticas, revoltas e guerras.


Fonte: Jornal Deutsche Welle (Alemanha) / Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Entenda acordo que obriga Odebrecht e Braskem a pagar US$ 800 mi nos EUA e Suíça


Procuradores dos Estados Unidos e da Suíça anunciaram na quarta-feira que as empresas brasileiras Odebrecht e Braskem concordaram em pagar ao menos US$ 800 milhões (R$ 2,6 bilhões) para encerrar investigações sobre as companhias nos dois países.

Segundo autoridades americanas, o valor será retirado da multa de ao menos US$ 3,5 bilhões (R$ 11,6 bilhões) prevista nos acordos de leniência que a Odebrecht e a Braskem fecharam no Brasil por sua participação no esquema de corrupção exposto pela Operação Lava Jato.

As multas foram negociadas conjuntamente por procuradores brasileiros, suíços e americanos. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, trata-se da maior punição da história para um caso global de corrupção.

A BBC Brasil elaborou perguntas e respostas sobre o caso:


Por que as empresas pagarão multas nos EUA e Suíça?

O Departamento de Justiça dos EUA diz que, além das irregularidades cometidas no Brasil, a Odebrecht admitiu ter pagado propinas em Angola, Moçambique, Equador, Peru, Panamá, México, República Dominicana, Argentina, Colômbia, Guatemala e Venezuela.

Não houve denúncias de pagamentos de propinas na Suíça nem nos EUA. As legislações dos dois países permitem, contudo, que autoridades locais processem empresas estrangeiras por atos de corrupção ocorridos em outras nações, desde que as companhias tenham algum vínculo com a Suíça ou com os EUA.

No caso suíço, contas no país teriam sido usadas pela Odebrecht e Braskem para transferir recursos destinados ou oriundos de propinas.

Nos EUA, dois funcionários da Odebrecht teriam atuado em Miami em projetos ligados ao esquema de corrupção (o governo dos EUA não deu detalhes sobre os projetos).

Autoridades americanas dizem ainda que algumas das empresas offshore (que podem ser usadas para encobrir origem de ativos) usadas pela companhia para manter e distribuir recursos não contabilizados foram criadas ou eram operadas por indivíduos nos EUA.

A Braskem, por sua vez, tem papeis negociados na Bolsa de Valores de Nova York por meio de American Depositary Receipts (ADRs), o que a sujeita à legislação anticorrupção americana.


Como o valor das multas será dividido?

O Departamento de Justiça americano diz que os EUA e a Suíça receberão, cada um, 10% da multa total que a Odebrecht concordou em pagar em seu acordo de leniência, com os 80% restantes ficando para o Brasil.

O valor final da multa ainda não foi fechado. O governo americano diz que a Odebrecht concordou que o valor apropriado para a multa era US$ 4,5 bilhões (R$ 15 bilhões), mas diz que a empresa afirmou ser capaz de pagar no máximo US$ 2,6 bilhões (R$ 8,7 bilhões) para os três países.

Os valores destoam da multa que o Ministério Público Federal brasileiro diz ter negociado com a empreiteira. No início de dezembro, procuradores afirmaram a jornalistas que a companhia havia concordado em pagar até R$ 6,7 bilhões aos três países ao longo de 20 anos.

Os juros que incidirão sobre o valor nesse período, porém, fariam o montante ultrapassar R$ 8,5 bilhões, o que pode explicar parte da diferença nos valores divulgados.

Até o fim de março, autoridades dos EUA e do Brasil farão uma análise das contas da Odebrecht para verificar qual valor ela poderá pagar. A decisão final sobre a multa deve ser anunciada em 17 de abril.

No caso da Braskem, o governo americano diz que a companhia concordou em pagar US$ 632 milhões (R$ 2,1 bilhões) de multa, dos quais 70% ficarão com o Brasil, 15% com os EUA e 15% com a Suíça.

O que ocorre se as empresas não cumprirem o acordo?

Pelo acordo fechado, a Odebrecht e a Braskem devem continuar a cooperar com autoridades dos três países, o que inclui fornecer informações sobre indivíduos envolvidos em condutas criminais.

Caso não paguem a multa ou deixem de colaborar com as investigações, as empresas e seus executivos podem sofrer sanções ainda mais duras.

No caso dos EUA, os procuradores podem levar o caso para a Justiça e pedir que a empresa seja banida do país, além de solicitar que seus executivos sejam extraditados para que cumpram pena em prisões americanas.


Há outras empresas brasileiras envolvidas na Lava Jato sob investigação no exterior?

Sim. Segundo uma reportagem publicada em maio pela agência de notícias Bloomberg, autoridades americanas estão investigando mais de dez empresas envolvidas na Lava Jato. Não há informações oficiais sobre as companhias, já que o governo americano mantém os casos sob sigilo.

Duas dessas empresas seriam a Petrobras e a Eletrobrás, que têm ações negociadas nos EUA. Não há informações sobre companhias brasileiras sob investigação na Suíça.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Brasil avança no cumprimento das metas de desenvolvimento da ONU

No dia 1º de janeiro de 2016, a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável entrou em vigor em todo o planeta. O documento contém 17 objetivos e 169 metas que deverão ser cumpridas pelos Estado-membros da ONU ao longo dos próximos 14 anos. Os compromissos assumidos pela comunidade internacional substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo período de vigência se encerrou em 2015.

No Brasil, uma força-tarefa foi criada em 2014, um ano antes da adoção da nova agenda, para discutir os desafios trazidos pelo acordo. O organismo contava com representantes do governo federal e de agências da ONU com atuação no país.

Os integrantes se dividiram em 16 grupos temáticos, que apontaram os indicadores nacionais existentes que poderiam ajudar o país a monitorar o cumprimento das metas. O resultado foi o lançamento de uma publicação em setembro de 2015 sobre estatísticas brasileiras. O documento foi considerado a primeira contribuição do Brasil para a implementação da Agenda 2030 a nível nacional.
Acesse aqui.

Ao longo de 2016, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mobilizou os governos de São Paulo, Minas Gerais, Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba, Bahia, Paraná e também do Distrito Federal a se comprometerem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com a agência, todas essas unidades federativas ou já adotaram estratégias locais para o tema, ou estão se preparando para alinhar suas políticas públicas à agenda da ONU.

Em outubro, o governo federal criou, por meio de decreto, a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com a participação de representantes dos governos municipais, estaduais e federal, bem como da sociedade civil, o organismo desenvolverá iniciativas para garantir o cumprimento dos ODS e acompanhar os resultados.

No Legislativo, foi criada uma frente parlamentar para a Agenda 2030. Lançado em novembro, o comitê é formado por 210 deputados e dez senadores que ficarão responsáveis por melhorar as leis do país tendo em vista as metas das Nações Unidas.

O Tribunal de Contas da União também tem trabalhado pela implementação dos ODS. A Agenda 2030 foi adotada como parâmetro para auditorias temáticas feitas pelo organismo.

Setor privado

Segundo o PNUD, a aproximação com o setor privado é fundamental para garantir que a implementação dos ODS ocorra em diferentes esferas da sociedade. Nas duas últimas edições do encontro anual Social Good Brasil (2015/16), a agência da ONU apresentou a Agenda 2030 para investidores e empresas que atuam diretamente em negócios de impacto social.

Por meio do Fórum Pacto Global, realizado em novembro, empresas privadas discutiram as relações entre suas atividades produtivas e a Agenda 2030. Uma pesquisa divulgada pela Rede Brasil do Pacto Global revelou que, das 800 corporações signatárias da iniciativa nacional, 41% delas já desenvolvem ações de desenvolvimento sustentável, e 35% estão em fase de planejamento para adequar operações aos ODS.


Fonte: Portal da ONU

Curso Latino-Americano Mulheres Negras e Dignidade Humana – 17 a 29 de janeiro


Mulheres negras no Brasil, no Caribe e noutros países das Américas, viveram singular trajetória marcada não só pela condição colonial, mas por sua migração forçada como escravas trazidas da África para o continente americano.

À dominação colonial e patriarcal juntou-se a radical desigualdade consagrada pela lei que suprimia todos os direitos da pessoa escrava e a submetia à total sujeição e arbítrio de seus senhores. As mulheres foram sexualmente violentadas e forçadas a gerar filhos e filhas para a escravidão. Não obstante, sobreviveram a essas violações que imprimiram em seus corpos e almas valores de resistência, preservação de sua espiritualidade e afirmação de sua dignidade.

Souberam transmitir o orgulho de sua raça; a generosa prática da partilha e da solidariedade na dor e nas necessidades e perseveraram na luta contra o racismo e as desigualdades.

A tarefa não terminou, pois persistem intoleráveis desigualdades e traços de racismo nas relações econômicas, políticas, sociais, culturais, religiosas e de gênero.

O Curso quer resgatar essa trajetória única das comunidades negras, reconhecer seus valores e reforçar suas lutas, com foco especial nas mulheres negras, em suas organizações e nas famílias que construíram com seus filhos, filhas, companheiros e vizinhança.


Objetivo

O Curso latino-americano e caribenho de Pastoral e Relações de Gênero tem por objetivo oferecer ferramentas para a reflexão das/os participantes, com o intuito de empoderá-los nas suas práticas. O curso combina diversos olhares: análise histórica, aportes bíblicos, teológicos e pastorais, sob o prisma das categorias de gênero, raça, etnia e classe social.


Metodologia

Privilegia-se a experiência de vida dos participantes. Busca-se combinar a reflexão pessoal com a do grupo, sistematizando-se as práticas de cada um e valorizando seus saberes.

Os participantes entram em diálogo com a contribuição de competentes assessorias nas diversas áreas do saber: História, Bíblia, Teologia, Pastoral, Comunicação Social, Políticas Públicas, Pedagogia da Educação Popular, entre outros.

Os diálogos e debates são resignificados com o apoio de exercícios corporais, danças circulares e momentos de espiritualidade. Visitas a casas de culto de matriz afro-brasileira, a museus e a projetos relacionados às temáticas do curso ajudarão na construção de novos conceitos, atitudes e práticas. Incentiva-se na convivência diária o diálogo inter-religioso e ecumênico.

O CESEEP e o GELEDES estabeleceram parceria para o Curso de Pastoral e Relações de Gênero de 2017, que será coordenado por responsáveis das duas instituições. Somaram, para tanto, sua experiência no campo da reflexão, da formação e de práticas de intervenção social.

Mais informações no site: http://novo.ceseep.org.br/?p=5341


Fonte: Portal Geledés / Portal do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular - CESEEP

Artigo - HATERS: a superexposição da barbárie interior


Por: Kalynka Cruz-Stefani*


“O grande acontecimento do século foi a ascensão
espantosa e fulminante do idiota.”, Nelson Rodrigues


Os haters… Bem que eles poderiam ser apenas personagens de livros, isto tornaria a vida on-line – e presencial – mais leve, palatável. Mas eles não são. Esses disseminadores do ódio são pessoas – aparentemente – extremamente infelizes e descontentes com elas mesmas. Enquanto me aprofundo nos mais diversos fóruns da internet, notadamente nos grupos do Facebook, descubro um mundo bastante diferente do que gostaria de encontrar como pesquisadora do amor. É no ódio que encontro os mais frequentes exemplos que tenho coletado para a minha tese. Por isso, neste post de hoje, decidi falar um pouco sobre o perfil desse personagem sombrio.

Antes quero esclarecer que é preciso distanciar-nos da polemização partidária, por este motivo este post não vai falar dos haters da política. Até mesmo porque acredito que estamos nos afogando nesses debates diariamente e por conta disso estamos todos saturados, sufocados, submersos. Quero apresentar-lhes aqui os haters descontextualizados deste objeto que transforma cidadãos comuns em disseminadores de ódio. No mais, na maioria das vezes os debates políticos são povoados na verdade pelos trolls (uma espécie de parente próximo dos haters). Os trolls têm como objetivo desestabilizar um debate, desmoralizar o opositor, fazer valer seu ponto de vista por meio da “destruição” do outro. Trolls são exemplos da moralina moderna, embora entre os trolls da política encontremos também haters.

Não importando a causa, haters, como o nome diz, são os odiadores, os cavaleiros negros do apocalipse-web, os dementadores[1] da vida digital. Eles não podem conviver com o sucesso, com qualquer tipo de felicidade alheia que difira daquilo que entendam culturalmente como verdade. Não se trata de inveja, de querer o que outro tem; é mais obscuro que isso. Trata-se de tentar destruir o outro por causa de sua aparência, por causa de uma ideia, ou maneira de ser e viver diferente da sua. Por motivos desconhecidos, os haters são responsáveis por espalhar mensagens desagregadoras, violentas, palavras de ódio, ou, na mais perfeita definição que pude pensar, haters são aqueles que, em crise ética, especializaram-se em, por meio da linguagem, desumanizar o outro, em um exercício de ruptura social, desamor e superexposição da barbárie interior. Desumanizar, como diria Morin, significa transformar em lixo, excremento, um ser humano apenas porque ele é diferente de quem desumaniza. Essa desumanização talvez seja o bálsamo psicológico de um hater. O outro merece ser odiado porque não é humano, é um nada, é algo que o incomoda, logo, torna-se um “inimigo” que não tem face, que não se assemelha a qualquer coisa que possa suscitar empatia. Um hater nunca vai se colocar no lugar do outro, ele não pode, porque o lugar que o outro habita é o motivo principal de seu ódio. Logo, na sua lógica, tudo é permitido.

A fórmula do hater mistura uma boa dose de bullying, humor perverso, violência verbal e assédio. Muitos famosos são vitimados por esse coquetel e, claro, encontramos muito mais estórias que envolvem haters e estes personagens públicos.

Demi Lovato, por exemplo, que teve uma adolescência transmitida on-line, com ênfase em suas crises existenciais, foi uma vítima constante dos haters. Uma busca no Google por Demi Lovato vai trazer à tona uma série de tumblrs que foram criados declaradamente para promover o ódio contra a cantora, assim como muitos outros.

Em recente comercial na TV, a cantora Anitta foi surpreendida por uma sequência de twitters agressivos que, apesar do humor que ela tentou dar à situação, deixaram-na em situação visivelmente desconfortável.

O cantor inglês James Blunt, em entrevista ao Globo, descreveu o que ele entendia do comportamento dos haters: “Eu realmente acho que essas pessoas vivem nas sombras. Ficam em seus quartos, provavelmente peladas, provavelmente solitárias, escrevendo algumas palavras de ódio”. Pode ser que James Blunt, por um lado, tenha alguma razão, mas, por mais tenebroso que possa parecer, o hater também pode ser o vizinho ao lado. Pode ser o cidadão supostamente comum e ilibado. Aquele amigo que ri de suas piadas, a cabeleireira falante, o médico talentoso, o patrão compreensivo. Mas, em que momento o cidadão comum se permite vestir a máscara do hater? Acredito que seja quando ele ganha o anonimato e também quando acredita que está fora do mundo real, longe fisicamente de suas vítimas.

Os haters de “artistas” citados anteriormente, apesar de causarem “danos” e protagonizarem verdadeiras guerras virtuais contra os fãs de um determinado artista e contra os próprios artistas, são apenas um pálido reflexo dos haters do cotidiano. Em minhas pesquisas na internet, em um exercício antropológico virtual, dedico-me integralmente a observar posts pessoais, comentários de reportagens, postagens em grupos, comportamentos sociais nas mais diversificadas esferas. Entre as comunidades que observo encontra-se, por exemplo, uma prosaica comunidade de culinária, onde, teoricamente, espera-se um ambiente mais colaborativo. No entanto, o que acontece com frequência é o exercício do ódio. É muito comum ver uma pessoa ser atacada porque seu trabalho é muito superior aos que costumam ser postados, ou muito inferior. Quando uma famosa boleira postou, por exemplo, a foto de um bolo que fez para o casamento de famosos, recebeu mais de 100 comentários. Entre eles, muitos que a atacavam com palavras de baixo calão e que desqualificavam seu trabalho. No extremo oposto, uma jovem mãe solteira declarou que gostaria de se tornar quituteira, recebendo também muitos insultos porque havia publicado a foto de seu trabalho “amador” e também porque escrevia em português “errado”.

Em outra comunidade, de brasileiros que moram no exterior, há frequentemente a presença de haters; entre eles, uma chamou minha atenção. Seu alvo eram as mulheres de um determinado biotipo que ela chamava de “gordas” e “inferiores” em relação às estrangeiras. Seu comportamento constrangedor era possivelmente motivado por um mal-estar com ela mesma. Seu discurso desumanizador e objetificador era embaraçoso e causava mal-estar mesmo em quem não estava envolvido.

A vontade que sentimos é realmente de nos afastar, bloquear, fugir desse tipo de comportamento que é a materialização do desligamento social. E o desligamento, segundo Morin, é resultado da ignorância, da barbárie, do desamor.

Espanta-nos perceber que são muitos e trafegam com muita facilidade os haters no mundo digital. Talvez cativos pelo anonimato eles pululem na web, sem a necessidade da máscara social. Eles causam, além do asco, medo do que o ser humano parece ter de mais sombrio dentro de si. Lembram-me muito os personagens do filme austríaco “Funny Game” (1997), pois eles entram em nossos mundos apenas para distribuir gratuitamente o ódio, a violência e o horror de uma existência sombria.

É preciso trazer à luz a ética, a religação. Para isso, nos ensina Morin, faz-se necessária a volta da responsabilidade com o outro, da inteligência, da iniciativa, da solidariedade e do amor. Quem irá, por isso, lutar?

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* Os exemplos citados neste artigo fazem parte do corpus da minha pesquisa de doutorado, ainda inédita.

[1] Personagens do livro Harry Potter, de J. K. Rowling, que sugam a felicidade e disseminam a tristeza.



* Kalynka Cruz é professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará. Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (PUC-SP). Atualmente é Doutoranda em Sociologia, na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS/ Paris) onde desenvolve pesquisa sobre o amor no ciberespaço, tendo como diretores de tese os Professores Doutores Edgar Morin e Pierre-Antoine Chardel. Palavras chave: ciberespaço, cognição, alteridade, afetividade, amor.


Fonte: Blog Sociotraumas

Cresce o suicídio de jovens no Brasil


Em relatório sobre prevenção ao suicídio da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2014, foi apontado que mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Ele coloca o Brasil como oitavo país com maior número de suicídios. Segundo dados divulgados em 2013 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), a faixa etária que apresenta maior crescimento no número de mortes por suicídio no país é a de jovens entre 10 e 19 anos, representando 1% do número de mortes anual entre crianças e adolescentes. Discutir o aumento torna-se ainda mais necessário quando analisado que países desenvolvidos obtiveram uma queda na taxa de suicídio na juventude.

O relatório da FLACSO aponta que os principais motivos que levam jovens a cometer suicídio são sexualidade, gênero, abusos, uso de drogas e superproteção.

Wolf Singal, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, relata que o quadro de suicídio tem particularidades que complicam o tratamento. “O suicídio tem características ‘clandestinas’, essa peculiaridade dificulta perceber o quadro”. Porém, o psiquiatra orienta formas de detecção. “Existe uma construção até chegar ao comportamento final de suicídio. Geralmente, a pessoa dá sinais, como mudanças de comportamento repentinas”.

Da mesma forma que comportamentos, atos específicos também podem indicar um quadro de suicídio. Wolf diz: “Tal estado psicológico pode aparecer, também, através de atitudes como mudança de testamento, bilhetes confusos, reflexões sobre o significado da vida”. O psiquiatra reforça que a vontade de cometer suicídio faz parte de um quadro reversível, mas é preciso que as pessoas não subestimem o problema.

Carlos Correia, coordenador nacional de divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV), explica que a prevenção do suicídio passa diretamente por um novo modelo de pensar. “Um primeiro passo para a prevenção do suicídio seria o hábito de autoconhecimento. De olhar pra dentro de si, começar a se perceber melhor”. Carlos acredita que tal iniciativa é importante para reverter o quadro de suicídio, pois aumenta a possibilidade de compartilhar esse estado com seu círculo de convivência. “As pessoas querem ser escutadas, por isso é fundamental que a pessoa seja ouvida. Muitas pessoas entram em contato com o CVV, pois estão cansadas de que minimizem os problemas dela. Só que um grão de areia é uma montanha intransponível naquele momento. Então nós oferecemos um momento de carinho e respeito, para que a pessoa possa refletir sobre suas intenções e se acalmar”, completa Carlos.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, pelo telefone 141. Caso sua cidade não conte com um posto de atendimento do CVV, basta entrar em contato pelo atendimento realizado por chat, Skype e e-mail. Essas e mais informações estão disponíveis no site www.cvv.org.br.


Fonte: Portal do Observatório do Terceiro Setor

OEA condena Brasil por não prevenir trabalho escravo e tráfico de pessoas


A Corte Interamericana de Direitos Humanos, uma instituição judicial autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA), responsabilizou internacionalmente o Brasil por não prevenir a prática de trabalho escravo moderno e de tráfico de pessoas. A sentença do caso “Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde Vs. Brasil” foi dada nesta semana em um processo que durou cerca de três anos. O Brasil é o primeiro país condenado pela OEA nessa matéria. A indenização deve somar US$ 4,7 milhões.

O Brasil tem um ano para pagar cada uma das 128 vítimas resgatadas durante fiscalizações do Ministério Público do Trabalho na Fazenda Brasil Verde, no sul do Pará, nos anos de 1997 e 2000. Somente nessa fazenda, mais de 300 trabalhadores foram resgatados, entre 1989 e 2002. Em 1988, houve uma denúncia da prática de trabalho escravo na Fazenda Brasil Verde, no Pará, e o desaparecimento de dois adolescentes que teriam tentado fugir.

Além disso, a própria OEA, a partir das informações prestadas pelas denunciantes, fala em “um contexto no qual dezenas de milhares de trabalhadores foram submetidos ao trabalho escravo”. A maioria das vítimas é do sexo masculino, negra, tem entre 15 e 40 anos e morava em cidades pobres, marcadas pela falta de oportunidades de trabalho. Ninguém foi punido e o caso foi levado à OEA pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

A sentença também determina que sejam reabertas as investigações sobre as violações cometidas contra esses trabalhadores, o que abre precedentes para a reabertura de casos já arquivados aqui e nos demais países da América Latina. De acordo com a cientista social Beatriz Affonso, diretora do Cejil para o Programa do Brasil, a decisão é fundamental para o combate desse tipo de crime no país, onde existe um padrão sistemático de não realização de justiça nos casos de trabalho escravo, ainda que existam provas.

— Muitos casos ficaram parados para decisão e acabaram prescrevendo. O sistema de Justiça não atuava com a diligência necessária para que os casos pudessem tramitar na Justiça. Por isso a Corte determinou que a prescrição não pode ser obstáculo para investigação e responsabilização de crime de trabalho escravo, considerado crime gravíssimo — disse Beatriz.


Pacto de erradicação

No caso da Fazenda Brasil Verde, de criação de gado, ninguém foi responsabilizado criminalmente nem os trabalhadores indenizados por dano moral coletivo ou individual por terem sido submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, ameaça, servidão por dívidas e cárcere privado.

A Secretaria Especial de Direitos Humanos reconheceu a sentença da Organização dos Estados Americanos (OEA), que condenou o Brasil por violações ao direito de não ser submetido à escravidão e ao tráfico de pessoas, às garantias judiciais e ao direito à proteção judicial, em prejuízo de trabalhadores resgatados numa propriedade rural no Pará.

"A Secretaria reconhece, ainda, a legitimidade da Corte como órgão jurisdicional e legítimo intérprete da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, e que exerce um papel de grande relevância na proteção dos direitos humanos na região", diz a secretaria em nota.

De acordo com a pasta, a sentença da Corte de Direitos Humanos representa uma oportunidade para reforçar e aprimorar a política nacional de enfrentamento ao trabalho escravo tanto em relação ao conceito quanto à investigação, ao processamento e à punição dos responsáveis pelo delito.

"Neste sentido, recordamos que em 13 de dezembro último foi lançado o Pacto Federativo para a Erradicação do Trabalho Escravo, com a adesão de 14 unidades federativas: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins", frisou a secretaria, que completou:

"A sentença poderá catalisar esforços para a manutenção do conceito contido na normativa nacional e o aprimoramento da política de prevenção e erradicação do trabalho escravo".


Fonte: Jornal O Globo

Combate ao trabalho forçado nos EUA exige proteção de migrantes sem documentos, alerta especialista


“Muros, cercas e leis criminalizando a migração irregular não previnem tráfico humano”, alertou a relatora especial da ONU sobre esse tipo de crime, Maria Grazia Giammarinaro, após visita oficial aos Estados Unidos. A especialista pediu que o novo governo do país continue com políticas e leis já existentes para proteger vítimas de tráfico e trabalho forçado.

Após visita oficial aos Estados Unidos, a relatora especial da ONU sobre tráfico de pessoas, Maria Grazia Giammarinaro, pediu nesta semana (20) às autoridades norte-americanas que criem ações mais efetivas para deter os casos de tráfico humano associados à exploração do trabalho e a formas contemporâneas de escravidão. A especialista também solicitou que o governo forneça às vítimas remédios e indenizações.

De acordo com Maria, os Estado Unidos têm um número impressionante de leis e iniciativas para prevenir e combater esse tipo de crime, incluindo a Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico e Violência de 2000, que foi reautorizada e alterar por quatro emendas.

“Esse é um indicativo de compromisso contínuo para lidar com as formas emergentes de tráfico de pessoas e adotar uma abordagem centrada nas vítimas”, ressaltou.

Ela também reconheceu a recente Lei de Justiça para as Vítimas de Tráfico de 2014, que reforça ainda mais o papel dos sobreviventes no fornecimento de informações e aconselhamento para o governo. “Peço que a nova administração garanta que essas medidas cruciais continuem”, afirmou.

Lembrando que as ações norte-americanas contra o tráfico de pessoas têm focado nos crimes relacionados à exploração sexual, a especialista pediu medidas mais coordenadas para melhorar a proteção das populações vulneráveis e identificar situações de exploração do trabalho, mendicância forçada e articulada, tráfico para remoção de órgão, entre outros.

“Para identificar o tráfico e proteger os direitos das pessoas traficadas, é necessário adotar uma abordagem preventiva e minimizar as vulnerabilidades de pessoas expostas a esse tipo de crime, especialmente os migrantes sem documentos”, ressaltou.

“Muros, cercas e leis criminalizando a migração irregular não previnem tráfico humano”, acrescentou a especialista, que disse que essas medidas aumentam os riscos para os que fogem de conflitos ou vivem na extrema pobreza.

A relatora afirmou ainda que “o visto temporário para os trabalhadores migrantes, na agricultura ou em outros setores, que vincula cada trabalhador a um determinado empregador, os expõe ao risco de exploração e de tráfico, pois eles são impedidos de denunciar atrocidades por medo de perderem o emprego ou o status de residência”.

Maria também chamou a atenção para a importância da prevenção, especialmente em relação ao tráfico de mão de obra utilizada em cadeias de abastecimento.

“Parabenizo o governo por sua política de tolerância zero contra o tráfico voltado à exploração do trabalho em compras públicas com contratos federais. Agora, serão necessários esforços consideráveis ​​para implementar e fazer cumprir essas medidas”, disse.

No que se refere ao tráfico para fins de exploração sexual, ela pediu às autoridades competentes que suspendam a prática de prender pessoas que se dedicam à prostituição, especialmente mulheres, meninas e LGBTs. “Eles são potenciais vítimas do tráfico. No entanto, o medo de ser processado, detido e expulso é um grande obstáculo a denúncia”, alertou.

Segundo a especialista, é preciso banir também a detenção de crianças. “Peço aos estados que ainda não o fizeram que aprovem a lei que protege os menores sexualmente explorados contra acusações e detenção.”

“Preocupo-me com o fato de que em alguns estados há uma escassez de serviços e abrigos para as vítimas. Peço o aumento do financiamento de organizações sem fins lucrativos e agências públicas que prestam serviços a essas pessoas, especialmente (para as que trabalham com) soluções duradouras de habitação”, acrescentou.

A necessidade de coerência entre a política de luta contra o tráfico e a política de imigração também foi outro ponto destacado pela especialista. Maria solicitou que os pedidos de auxílio à imigração das pessoas traficadas sejam acelerados e que os requerentes possam trabalhar enquanto aguardam uma decisão final.

Em 2015, 75% dos casos relatados nos EUA estavam relacionados ao tráfico para exploração sexual; 13%, ao tráfico para trabalho; e 3%, a ambos. Os outros 9% não foram especificados.

Segundo a relatora especial, mulheres e meninas, trabalhadores migrantes, crianças desacompanhadas e separadas de seus responsáveis, pessoas que fogem de conflitos, jovens que fogem de casa, indígenas americanos, pessoas LGBTI e trabalhadores domésticos enfrentam risco considerável de serem explorados no trabalho e também sexualmente.


Fonte: Portal da ONU

Campanha da ONU lança apelo às famílias de pessoas LGBTI


A Livres & Iguais no Brasil, campanha das Nações Unidas pela igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, pessoas trans e intersex (LGBTI) lança neste fim de ano o vídeo “Nosso presente é o amor”. O material faz uma apelo a todas as famílias para que aceitem, respeitem e acolham seus filhos e filhas LGBTI: a discriminação não pode começar em casa.


Os depoimentos de “Nosso presente é o amor” foram gravados em uma manhã de inverno em Brasília. Com o apoio da coletiva Corpolítica e do grupo Mães Pela Diversidade, a campanha promoveu um encontro de pessoas LGBTI, seus pais e mães para discutir a importância do apoio familiar. Com histórias de superação e empoderamento, o vídeo mostra que, em se tratando das famílias, o amor e o afeto são capazes de superar todos os obstáculos.

Rebecca Religare tem 30 anos, vive em Brasília (DF) e é ativista dos movimentos negro e LGBT. Como mulher negra e lésbica, já sofreu diversas discriminações e quebrou muitos tetos de vidro para chegar onde está. No mundo acadêmico e profissional, acumulou inúmeras conquistas: é funcionária pública concursada, formada em Letras e está concluindo um mestrado em Sociologia e uma graduação em Direito na Universidade de Brasília. Mas uma das primeiras barreiras que ela precisou vencer foi dentro da própria casa.

Não foi nada fácil quando Rebecca se abriu com a família em relação à sua orientação sexual. Em setembro de 2009, foi expulsa de casa após uma discussão. “Eu lembro até hoje. Estava de vestido, com uma mochila com os livros. Tinha voltado da UnB e ido a um show com minha namorada na época”.

Rebecca sobreviveu com determinação e resiliência. Morou na casa de vários amigos e deu aulas particulares para se sustentar enquanto não passava em um concurso público. A aprovação veio dois meses depois. Disso tudo, sua maior conquista foi a liberdade para viver sua vida e ser feliz do jeito que queria e precisava.

A reconciliação com a família demorou um pouco mais. Foram cinco anos para que Rebecca e a mãe reatassem os laços. “Hoje eu e minha família estamos bem melhor. Minha mãe já trata minha companheira, Mariana, como sua nora. Ela frequenta a minha casa e eu frequento a casa dela, com a família.”

Rebecca tem propriedade para afirmar o quão difícil pode ser o processo de “sair do armário”. “Quando a gente sai do armário, a nossa família também sai. Ou, pior, ela se vê na necessidade de sair. E não é fácil para nenhuma das partes.”

Muitas vezes, é a consciência da homofobia e da transfobia, da violência e discriminação que aguardam os filhos e filhas na rua que torna a saída do armário mais difícil para os familiares. Priscila Morégola, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/DF, diz que a situação é muito difícil para a família. “Todos sofrem, mas todo mundo vai entendendo como ajudar. Às vezes a família sofre mais não é pela saída do armário em si, mas pelo medo de o que o filho irá sofrer fora de casa.”

Avelino Mendes Fortuna, 60 anos, viúvo e agrimensor aposentado, conhece com profundidade as dores da LGBTI-fobia: seu filho foi assassinado em 2012, em um crime com sinais claros de fundo homofóbico. Lucas Fortuna era jornalista, ativista LGBTI e árbitro esportivo. Ele tinha apenas 28 anos – e apesar de ter sido mais um jovem a entrar para as estatísticas da LGBTI-fobia no Brasil, Avelino se recusou a deixar a memória do filho desaparecer. Desde então, é também ativista pelos direitos humanos das pessoas LGBTI.


Rebecca sabe que sua história de superação pessoal – e mesmo o final redentor com a família – pode ser exceção e não é a realidade de muitas outras pessoas LGBTI. “Cada um tem um jeito, e eu não digo que quando eu saí de casa foi a coisa mais maravilhosa do mundo. Mas em face de algo com o que eu não conseguia mais lidar, eu consegui reagir a várias coisas. E sei que isso também afetou a minha família.”

A discriminação e a violência sofridas no ambiente familiar, ou mesmo o corte de relações, impõe um sofrimento emocional e psicológico que muitas vezes impele as pessoas LGBTI a uma situação de vulnerabilidade e marginalização, inserindo-as em um ciclo de exclusão social e de pobreza.


Especialista independente

A ONU reconhece que a orientação sexual e a identidade de gênero, reais ou percebidas, são fatores importantes que estruturam, informam e reforçam desigualdades e impactam negativamente a fruição plena dos direitos humanos da população LGBTI.

Em 1994 o primeiro órgão das Nações Unidas pronunciou-se oficialmente, reconhecendo que a orientação sexual poderia ser considerada base para discriminação, vedada pelo direito internacional dos direitos humanos. Tratava-se do caso Toonen vs. Austrália, no qual o Comitê de Direitos Humanos recomendou a revogação de legislação que criminalizava relações consensuais entre adultos do mesmo sexo na Tasmânia.

Desde então muitos avanços já foram feitos. Em 2016, a ONU criou um cargo de especialista independente voltado para a proteção contra a violência e a discriminação motivadas por questões de orientação sexual e identidade de gênero.

Vitit Muntarbhorn foi apontado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para o cargo, cujo mandato é de três anos, para monitorar a situação de pessoas LGBTI no mundo inteiro, investigando violações de direitos humanos e avaliando a implementação de mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos já existentes. Apesar de ainda não dispor de uma legislação específica que tipifique e preveja uma punição a crimes de ódio de fundo LGBTI-fóbico, o Brasil foi um dos signatários da proposta.

Em discurso proferido no Conselho da Europa, em Estrasburgo, em novembro deste ano, o especialista independente definiu os cinco temas prioritários do mandato: descriminalização; despatologização; reconhecimento de status; liberalização cultural e incentivo à empatia por meio de processo educacional; e socialização sensível aos direitos humanos, da infância em diante.

“O turbilhão de violência e discriminação, em suas múltiplas formas, frequentemente inicia-se em casa, na escola, na comunidade e no ambiente ao redor, com violações reproduzindo violações”, disse Vitit Muntarbhorn. Ele é professor de direito internacional em Bangkok e já trabalhou em diversas Comissões da ONU.


Saindo do armário

Mães Pela Diversidade é um grupo de mães e pais de pessoas LGBTI que perceberam que se aliar ao enfrentamento à discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero era a melhor forma de garantir os direitos e a segurança dos seus filhos e filhas. Avelino Mendes, também integrante do grupo, carrega consigo uma mensagem poderosa e direcionada especialmente aos pais: “O pai que não sai do armário é co-responsável pela assinatura do atestado de óbito do filho”.

O grupo acolhe mães e pais que têm dificuldade para aceitar filhos e filhas LGBTI, além de também atender lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex que se veem em uma situação difícil em casa. “O mais importante no nosso trabalho é a construção de redes de atenção e acolhimento, pois nem sempre as famílias estão tão presentes e as pessoas muitas vezes têm necessidades imediatas, como nos casos de violência grave em que é preciso intervir”, diz Mônica, integrante do grupo.

Produtora e professora de música em Brasília, Mônica é mãe de quatro mulheres e as gêmeas Guaia e Marina são lésbicas. “A acolhida familiar é fundamental para a estrutura da pessoa. Se você tem uma família que não te aceita, é muito pouco provável que você tenha força e energia para se colocar para a sociedade como um todo. O núcleo familiar, seja ele qual for, é essencial para dar essa força. E isso não só para as pessoas LGBTI, mas para qualquer outra pessoa”, afirma Mônica.

Segundo Guaia, o apoio da mãe foi essencial quando teve o primeiro relacionamento com outra mulher, cuja família era conservadora. “A acolhida que eu tinha em casa me fortaleceu diante dessa situação e dizer que eu não iria aceitar ser escondida”, ela diz.


Ângela, mãe de Thaís e também parte do Mães Pela Diversidade, destaca o papel fundamental que as famílias de pessoas LGBTI devem ter no combate à discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero. Para ela, rejeição e violência não podem começar em casa. “A família deve amar, acolher, respeitar. E lutar para que seus filhos e filhas tenham direitos iguais, tenham segurança, possam ser quem são e amar quem desejam. Pais e mães precisam rever seus preconceitos e entender a necessidade urgente do apoio para seus filhos e filhas LGBT”, afirma.


Ana Carolina tem 33 anos, é formada em Serviço Social e atua como gestora pública, coordenando um Centro de Referência Especializado da Diversidade Sexual, Étnico-Racial e Religiosa. Ela se identifica como lésbica não-binária e é filha de Ana Maria. “O respeito sempre esteve na nossa casa. É muito emocionante ter uma mãe como a minha, um pai como o meu e uma irmã, e formarmos essa família”. Ana Carolina diz que se emociona ainda mais quando a mãe se refere a Cíntia, sua companheira, como mais uma filha.


Patrícia, jornalista e pesquisadora em Brasília, é também mãe de Bruno, gay e estudante, que se abriu para ela em 2015, quando tinha apenas 15 anos. A partir daí, ambos se engajaram na promoção dos direitos das pessoas LGBTI. Bruno, que está no ensino médio, começou um movimento para discutir gênero e orientação sexual na escola.

“Minha militância vem do fato de eu ser homossexual. Não é que o meu grito seja maior que o dos outros. É uma questão de respeito por quem morreu para eu poder estar aqui hoje e andar na rua de mãos dadas com meu namorado”, ele diz.

E Patrícia, que hoje também é uma Mãe Pela Diversidade, diz que o filho nunca teve problemas em saber quem era e sempre esteve confortável na própria pele. “Todo mundo tem suas idiossincrasias e seus tabus, mas nós tentamos viver com o mínimo de hipocrisia possível”, diz.

“Ele está virando a pessoa que achávamos que ele ia virar. Uma pessoa atenta ao mundo e às coisas que podem ser melhoradas. Tenho orgulho dele”, afirma Patrícia.

Livres & Iguais é a campanha da Organização das Nações Unidas pela promoção da igualdade de direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas trans e intersex.

Iniciativa inédita e global da ONU, reconhece que orientação sexual e identidade de gênero atuam como fatores que estruturam desigualdades sociais e impactam negativamente a fruição plena dos direitos humanos das pessoas LGBTI.

Implementada no Brasil desde 2014, a campanha possui parcerias com a Prefeitura de São Paulo e com o estado de Minas Gerais, e conta com Daniela e Malu Mercury como suas Campeãs da Igualdade.

Saiba mais aqui.


Fonte: Portal da ONU

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