quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogo da 'Baleia Azul' e seus desafios: cinco dicas para a prevenção de pais e alunos

Foto: Arnaldo Sobrinho (PMPB / Whatsapp)

Mensagens trocadas por alunos de escola da zona sul de João Pessoa no WhatsApp explicam como funciona o jogo


O jogo da 'Baleia Azul', que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. Há pelo menos dois casos de morte sob investigação policial, em Mato Grosso e na Paraíba, além de uma tentativa de suicídio, no Rio de Janeiro, que supostamente podem ter relação com o jogo.

O que atualmente está sendo conhecido como "jogo" na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente.

Segundo o presidente da Safernet, Thiago Tavares, o jogo foi um “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia que se espalhou a partir de 2015. “Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que, sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. O jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.”

Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. - Thiago Tavares, Safernet

Tavares lembra que o "efeito contágio" tem suas consequências reais, e não virtuais. “O efeito contágio é um fenômeno muito anterior à internet, e particularmente comum entre adolescentes e jovens.”

O G1 ouviu especialistas que dão dicas de como lidar com o tema:


1. Fique atento à mudança de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.

“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, diz.


2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”.

“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.


3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”, afirma Elizabeth.

Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”

Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”


4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, diz Elizabeth.


5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.

Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidade da vida. No Colégio Fecap, que fica na Região Central de São Paulo, essa ideia virou projeto escolar: a turma de alunos do ensino médio técnico de programação de jogos digitais começou a criar uma espécie de “contra-jogo” da Baleia Azul.

“O jogo ainda está sendo produzido pelos alunos. Eles estão se reunindo e debatendo a questão. Serão 15 desafios de como desfrutar melhor da vida e celebrá-la”, conta o professor Marcelo Krokoscz, diretor do colégio.

Durante o curso, os estudantes aprender a aplicar linguagens de programação para criar jogos para computadores, videogame, internet e celulares, trabalhando desde a formação de personagens, roteiros e cenários até a programação do jogo em si. Segundo Krokoscz, a ideia é que o jogo, ainda sem prazo de lançamento, esteja disponível on-line para o público em geral.

Ele afirma que o objetivo é a ajudar os jovens a verem o lado bom da vida. “Impacta mais fortemente nossos alunos a partir do momento que eles mesmos criam um jogo a favor da vida.”


Fonte: Portal G1 

ONU e UE lançam na quarta-feira (19) iniciativa para combater tráfico de pessoas e contrabando de migrantes

Foto: Martine Perret (ONU)
Vítimas de tráfico humano


Na próxima quarta-feira (19), será lançada no Brasil a Ação Global para Prevenir e Combater o Tráfico de Pessoas e o Contrabando de Migrantes (GLO.ACT). Evento acontece às 10h30, na Casa da ONU, em Brasília. A GLO.ACT é uma iniciativa conjunta de quatro anos (2015-2019) da União Europeia (UE) e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC).

O projeto, implementado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), reafirma que a luta contra o tráfico de seres humanos e o contrabando de migrantes é da maior importância para a UE e para as Nações Unidas no seu conjunto.

A GLO.ACT é uma resposta coordenada ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes e visa reforçar a resposta da justiça penal em 13 países estrategicamente selecionados na África, Ásia, Leste europeu e América Latina. São eles Bielorrússia, Brasil, Colômbia, Egito, Quirguistão, Mali, Marrocos, Nepal, Nigéria, Paquistão, Laos e Ucrânia.

O representante do UNODC na Bolívia, Antonio De Leo, lembra que “o Relatório Global do UNODC sobre o Tráfico de Pessoas, de 2016, mostrou que os traficantes continuam a se beneficiar das fraquezas em nossa resposta coletiva de justiça criminal”.

“A natureza globalizada desses crimes tem impactos devastadores em nossas comunidades compartilhadas”, acrescenta.

O embaixador João Gómes Cravinho da Delegação da União Europeia no Brasil destaca que “o mundo mudou e a cooperação transfronteiriça na luta contra os crimes transnacionais é mais importante que nunca”. O Brasil, a UE e o UNODC “somos antigos parceiros que há décadas trabalham pelos interesses conjuntos”, ressalta o dirigente.

Segundo Cravinho, a GLO.ACT “visa programar respostas nacionais efetivas nas áreas e instituições que trabalham contra o tráfico e o contrabando de pessoas”.

A GLO.ACT trabalhará com os países selecionados, incluindo o Brasil, no desenvolvimento e implementação de respostas nacionais abrangentes de combate ao tráfico e contrabando de pessoas, garantindo a adoção de uma abordagem dupla de prevenção e proteção.

Além da assistência dada às autoridades governamentais, a iniciativa também beneficiará diretamente as organizações da sociedade civil, bem como atenderá vítimas de tráfico e contrabando de migrantes. Existem seis respostas-chave aplicadas ao projeto que se relacionam com:
  • Estratégia e desenvolvimento de políticas públicas
  • Assistência legislativa
  • Fortalecimento de capacidades
  • Cooperação regional e inter-regional
  • Proteção e assistência às vítimas de tráfico de pessoas e migrantes contrabandeados
  • Assistência e apoio às crianças vítimas de tráfico de pessoas e migrantes contrabandeados
A cerimônia de lançamento terá a presença do secretário nacional de Justiça e Cidadania, Astério Pereira dos Santos; do embaixador da Delegação da União Europeia no Brasil, João Gomes Cravinho; do coordenador de projeto da OIM, Marcelo Torelly; do representante do UNODC na Bolívia, Antonio De Leo; da oficial de projeto da GLO.ACT do UNODC Brasil, Fernanda Fuentes; e do oficial de programa do UNODC Brasil, Nívio Nascimento.

Para mais informações ou solicitações da mídia, por favor, contate:

Fernanda Patricia Fuentes Munoz
Oficial Nacional de Projetos
GLO.ACT Brasil
www.unodc.org.br
fernanda.fuentes@unodc.org

Acesse um documento informativo sobre a GLO.ACT clicando aqui (em português).


Fonte: Portal da ONU

Tráfico humano: Resgate de milhares de mulheres mostra o auge da exploração na Espanha

Foto: Paco Puentes (El País)
Uma mulher que chegou à Europa, vítima do tráfico de seres humanos.


Em apenas cinco anos, a polícia resgatou 5.675 vítimas de tráfico de pessoas que estavam sendo submetidas à exploração sexual ou de trabalho pela força. A grande maioria eram mulheres que tinham sido arrancadas de seu país de origem com enganos ou violência e, quando chegavam à Espanha, eram forçadas à prostituição em condições de cruel escravidão. O relatório da polícia que mostra esses números revela que estão começando a dar fruto as políticas de perseguição do tráfico de seres humanos, mas também mostra a magnitude de uma atividade criminosa multinacional que já atinge quase o mesmo volume, em termos do dinheiro que move, que o tráfico de drogas ou de armas.

Se as 4.500 mulheres resgatadas e as 3.000 prisões realizadas neste período são apenas a ponta do iceberg, como dizem os especialistas, podemos inferir a magnitude do desafio se quisermos erradicar esse tipo de escravidão e as máfias que lucram com ela. O Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado, dependente do Ministério do Interior, estimava no ano passado em 23.000 as mulheres em risco de escravidão sexual. Esses dados revelam a necessidade de revisar tanto os meios destinados à perseguição das máfias como o marco legislativo em que a prostituição ocorre. Os limitados meios disponíveis para proteger tanto as vítimas quanto os denunciantes são um fator de impunidade. Levando em conta a brutalidade com que essas máfias agem, apenas a garantia de proteção pode encorajar denúncias.

Não é por acaso que a Espanha ocupa o primeiro lugar na Europa e o terceiro no mundo, depois de Tailândia e Puerto Rico, de acordo com as Nações Unidas, na demanda relativa de prostituição. A existência de uma demanda em ascensão estimula a atividade das máfias em nosso país e se torna um fator de criminalidade com um grande poder de corrupção ligado à lavagem de dinheiro.

Diferentes estudos demonstraram a crescente banalização da prostituição na Espanha. É surpreendente que muitos jovens recorram com frequência a ela como mais um elemento de diversão. Alguns países penalizam os clientes da prostituição. Desde que a Suécia tomou essa decisão, pela primeira vez, há 18 anos, sete outros países da Europa, sendo os últimos a França e a Irlanda, adotaram diferentes fórmulas de penalidade. Isso é especialmente importante no caso da prostituição forçada. Aqueles que pagaram para fazer sexo com uma mulher que trabalha como escrava sexual também são responsáveis, porque sem clientes não haveria negócio. É necessário abrir um debate sobre essa questão. Na recente reforma do artigo 187 do Código Penal, o Partido Popular introduziu no Senado uma emenda que favorece o lenocínio. Além de lucrar através da exploração da prostituição de outra pessoa, para que haja crime é exigido agora que seja em “condições vexatórias, desproporcionais ou abusivas” ou “uma situação de vulnerabilidade pessoal ou econômica”, condições difíceis de provar.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Artigo - 'As pessoas fingem que se importam com fetos. Quando temos aborto espontâneo vemos que não'

"Pessoas que sabem que eu perdi meus filhos me perguntam quando serei mãe"


Por: Kiwi Bertola


As pessoas fingem que se importam com fetos. Isso é uma grande mentira, ninguém dá a mínima pra eles. A questão é que obrigar a mulher a ser mãe é uma forma de controle, e ter controle sobre as pessoas é bom. Ou você tem dinheiro (outra forma de controle) pra abortar seguramente ou morre, pois a morte também é... controle. É só isso. Eu perdi dois filhos: o Tomás, com quase sete meses de gestação, e a Amora, com três meses de gestação. Ninguém da minha família (fora eu e meu marido) conta essas crianças. Nossos amigos não contam essas crianças.

Pessoas que sabem que eu perdi meus filhos me perguntam quando serei mãe, porque, pra elas, ter engravidado e parido bebês mortos não me torna mãe. Só vale bebê vivo, aí você tem o aval, o carimbinho da maternidade.

Quantas mulheres que vocês conhecem sofreram abortos e perdas gestacionais? Quantas deram nomes a esses bebês? Cadê os túmulos desses fetos? Não existem. E nos atestados de óbitos estão lá aos montes: natimorto. Sem nome nem sobrenome. E quando tem atestado de óbito, porque uma gestação de três meses não te dá o direito de ter um documento desses.

Que sociedade cruel é essa que acredita que fetos são tão seres humanos quanto eu ou você e ao mesmo tempo não oferece um túmulo, um nome, um atestado de óbito? É porque de fato, lá no íntimo, ninguém acredita nisso.

Quando eu falo que sou mãe de dois filhos as pessoas acham que sou biruta. Estranham que dei nome pra Amora. 'Mas você não perdeu com três meses? Por que deu nome?'

Perguntem às mulheres que perderam bebês quem se importou com eles. No hospital não queriam me deixar ver meu filho, pois ele era um feto (sim, foi isso que disseram).

A médica disse que não tinha problema se meu filho caísse na privada (onde me colocaram pra parir) porque ele já estava morto. É esse o respeito que um ser humano merece?

Quando fiz ultrassom pra ver se tinha de fato sofrido um aborto na gestação da Amora a médica me disse: 'Que bom seu útero tá limpinho. Aquilo tudo já saiu, nem vai precisar de curetagem'. AQUILO.

Perguntem às mulheres que sofreram abortos espontâneos o tratamento VIP que tiveram no hospital. Nem consigo contar quantas vezes ouvi 'Logo nasce outro' (como se fosse fácil substituir pessoas) ou 'Fica triste não, perder assim é normal'. Você fala assim de uma pessoa que perdeu um filho de 18 anos? Não. De um filho de 1 ano? Não. Mas de feto? Feto pode. Posso dar um milhão de exemplos de como a sociedade não considera fetos pessoas, tenham eles alguns dias ou 38 semanas.

Se ter filhos fosse absolutamente tão incrível e maravilhoso quanto a sociedade quer que a gente acredite, não tinha tanta criança abandonada no mundo! Só deve ser mãe quem quer. Homens já escolhem não ser pais por meio do abandono. Deixem as mães escolherem também, mas de uma forma mais digna que simplesmente virar as costas. Não sejam hipócritas.


Fonte: Revista AzMina / Jornal HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

Artigo - 10 coisas que você precisa aprender, se o seu crush é HIV positivo



Por: Matheus Emílio


1. Para começar, você sabe a diferença entre HIV e Aids? É sempre bom lembrar que HIV é o vírus e a AIDS é a doença causada pelo vírus, sendo assim ter HIV não é a mesma coisa que ter Aids.

2. Você ainda pensa que a Aids é uma “doença gay”? Se for o caso, esta na hora de você se atualizar. Diferentemente do estigma criado no início da década de 80, quando a Aids surgiu, já esta mais que comprovado que independente da orientação sexual, todos podem contrair o vírus HIV.

3. Se você se afastar do seu crush, apenas por ele ter a sorologia positiva para o HIV, significa que o que você sente é menor que o tamanho de um vírus.

4. O fato dele ter HIV não significa que ele irá te transmitir o vírus! Já ouviu falar sobre CARGA VIRA INDETECTÁVEL? Estudos comprovam que se nenhum dos parceiros tiverem outra IST (infecção sexualmente transmissível) e a pessoa HIV positiva estiver há mais de 6 meses com a carga viral (quantidade de vírus no sangue) indetectável, tendo um tratamento eficaz, as chances de transmissão são próximas de 0. Até hoje, cientificamente, nunca foi comprovado nenhum caso de transmissão, por alguém que esteja com a carga viral indetectável. Casais sorodiscordantes (quando um tem HIV e o outro não), podem e devem ter uma vida sexual normal.

5. Não é porque o crush tem HIV e está em tratamento, que vocês deixarão de se prevenir não é mesmo? Se vocês quiserem, a camisinha ainda pode fazer parte do relacionamento.

6. Pesquisas apontam que a expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV e fazem tratamento é quase a mesma das pessoas que não tem HIV. Então nem tente argumentar que “você fica inseguro pois tem medo dele morrer logo”.

7. Não pense que você estará sendo a pessoa mais incrível do mundo, apenas por se relacionar com alguém que é HIV positivo. Você estará apenas fazendo a sua parte, afinal um vírus não deve ser o ponto de decisão para uma pessoa gostar ou não da outra.

8. Se a pessoa não te falou que tem HIV antes, isso não significa que ela não confia em você. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa e ninguém quer sair por aí com uma plaquinha escrito “EU TENHO HIV”, se vangloriando por isso. Respeite e compreenda o momento que cada um tem para falar sobre esse assunto, até mesmo porque o sigilo é um direito das pessoas que vivem com HIV/Aids.

9. Dialogue com seu crush, seja sincero, tire suas dúvidas. Se preferir, procure também um especialista em algum centro de atendimento especializado em HIV/Aids. Não são apenas as pessoas HIV positivo que tem direito a conhecer sobre o vírus. Você também pode se informar!

10. Não julgue a vida sexual do seu crush. Ter HIV não é sinônimo de promiscuidade. Apague essa ideia.


Fonte: Portal Gay1

terça-feira, 18 de abril de 2017

Mudança nas leis revela 5.600 casos de escravidão na Espanha

Código de barras e preço tatuados no pulso de uma vítima romena, em 2012.


As autoridades espanholas libertaram 5.695 pessoas da condição de escravidão, como vítimas de tráfico e principalmente por exploração sexual ou trabalhista, entre 2012 a 2016, segundo o Ministério do Interior do país europeu. Após as mudanças legais de 2010 e 2015, que deram impulso à luta contra esse grave problema, este é o primeiro retrato fiel de um fenômeno muito ignorado. Um negócio que já quase supera o tráfico de drogas e o de armas, segundo o Relator Nacional para o Tráfico de Seres Humanos. Só em 2016, estima-se que havia 23.846 pessoas em situação de risco, e no caso da exploração sexual a maioria estava em casas de prostituição. Os especialistas concordam que a situação não mudará se não houver um debate sério sobre a exploração sexual na Espanha.

Em 2000, observa o Ministério Público, não houve um só caso registrado de violência de gênero em Madri, mas isso não significa que o problema não existisse. Simplesmente não havia vontade de vê-lo, nem os instrumentos adequados. Uma lei de 2004 alterou de repente essa realidade, porque trouxe a questão à tona. Com o tráfico de seres humanos e a escravidão pura – na forma principalmente de escravidão sexual ou trabalhista – está ocorrendo o mesmo. Empurrada pela UE (o convênio de Varsóvia é de 2005) e pela preocupação mundial, a Espanha introduziu pela primeira vez esse delito no seu código penal em 2010. Outra reforma, em 2015, afinou o olhar com novas premissas. O resultado dessa lenta manobra de sensibilização, que aglutina forças de segurança, promotores, juízes e ONGs, reflete-se em um relatório do Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado (CITCO) do Ministério do Interior, ao qual o EL PAÍS teve acesso. Pela primeira vez, fotografa o fenômeno com uma perspectiva de cinco anos e revela como ele esteve invisível aos nossos olhos. E é brutal: 4.430 vítimas de tráfico e exploração sexual, ou só deste segundo delito, entre 2012 e 2016. Se forem somadas as de exploração trabalhista, perseguida com mais afinco desde 2015, sobem para 5.675 pessoas. E 20 casos adicionais são de outros tipos de tráfico. Só em 2016, o dado mais recente, o total de vítimas chega a 1.046.

Cada caso é uma história de terror, e há algumas sentenças impactantes. Além da exigência da dívida contraída com a viagem, que frequentemente nunca termina de ser paga, sempre há um componente de violência e ameaça que aprisiona as vítimas e as impede de pedir ajuda. Estão isoladas e frequentemente não falam espanhol. Em Figueres (Catalunha), a irmã do traficante custodiava o bebê de uma mulher romena, obrigada a se prostituir numa rotatória de La Jonquera. Em outro caso, o delinquente mandou o filho da vítima, de 3 anos, para a ilha de Ibiza, e só a deixava vê-lo pelo Skype se mandasse o dinheiro. No drama das nigerianas, a viagem pelo deserto pode durar mais de um ano, são estupradas pelo caminho, ficam grávidas e depois perdem seus bebês. Em outros casos, a chantagem é com ameaças à família que fica no país de origem. Chegam a queimar suas casas, a dar surras e inclusive a matar.

São especialmente graves os casos de menores achadas em boates e apartamentos usados para prostituição. “Cada vez acolhemos mais menores, ou muito jovens que eram menores quando foram captadas”, observa Marta González, diretora do Projeto Esperança, uma das principais ONGs que ajudam a resgatar vítimas. A proteção aos menores vítimas do tráfico é outro ponto frágil do sistema. Não há centros de acolhida específicos para eles, e o fato de ser competência dos governos regionais gera disfunções. Igualmente assustadores são os casos de vítimas com deficiências: há alguns meses, a Polícia resgatou num apartamento de Madri uma garota com deficiência mental, após saber da sua existência pelos comentários jocosos de um fórum de usuários de prostituição na Internet. Em 2012, uma vítima romena que conseguiu escapar e foi de novo capturada acabou amarrada a um aquecedor, teve o cabelo raspado e seu preço tatuado no pulso, com um código de barras. Mostravam-na às suas colegas de apartamento para que vissem o que podia lhes acontecer.

O tráfico humano, que em nível internacional surge oficialmente na Convenção de Palermo da ONU, em 2000, implica uma captação a partir de uma mentira, a transferência a outro país ou lugar e uma finalidade de exploração final com supressão de liberdade. Inclui formas menos conhecidas, como a exploração trabalhista, ainda subestimada. A luta contra ela na Espanha mal começou, enfrenta lacunas legais e já está revelando cenários inesperados. Neste caso, as vítimas costumam ser homens, de origem rural, destinados a oficinas têxteis, restaurantes, bares de kebab ou wok, e no caso das mulheres a bares e serviço doméstico. Só nestes dois anos foram presas 534 pessoas, mas os especialistas detectam problemas de definição legal: “A lei precisa de uma reforma profunda que esclareça conceitos, porque é muito difícil determinar o que é exploração trabalhista pura e o que são condições abaixo das normas. Age-se e há sentenças, mas é preciso maior clareza legislativa. É uma finalidade do tráfico sem definir”, afirma Enrique López Villanueva, do gabinete do Relator Nacional contra o Tráfico, figura criada em 2014. As outras formas de tráfico introduzidas em 2015, mais raras, porém também muito difíceis de combater, são para a realização de delitos, como furtos ou narcotráfico, a mendicância, os casamentos forçados e tráfico de órgãos.

No entanto, o tráfico com fins de exploração sexual compõe a esmagadora maioria, e suas vítimas são mulheres em 96% dos casos. Romenas, chinesas, brasileiras e nigerianas são as nacionalidades mais frequentes das vítimas, ludibriadas de diversas maneiras. O lover boy no caso romeno, um rapaz que seduz a vítima com a promessa de uma vida melhor, ou o vodu nas nigerianas, por incrível que pareça. Sempre se repete o mesmo relato: os traficantes fecham o acordo no povoado da vítima com um ritual mágico, no qual eles ficam com um pacotinho que leva o seu nome. Contém restos de pelo púbico, de unhas ou de sangue menstrual, e sela que é de sua propriedade. Esse mecanismo é suficiente para aterrorizar as vítimas e impedi-las de denunciar. Entram em cena grandes diferenças culturais. E as próprias vítimas não têm consciência da sua condição. Mas os estereótipos ocultam um dado a mais: há muitas vítimas espanholas de tráfico, que em alguns anos ocupam as primeiras posições por nacionalidade, e é cada vez mais frequente o tráfico interno, dentro do país.

Por que isso não acaba? Segundo uma dúzia de especialistas consultados, porque é um negócio, e porque não interessa aos políticos. Na Espanha há 1.700 casas de prostituição que movimentam 5 milhões de euros (16,5 milhões de reais) por dia, segundo dados policiais, além do dinheiro de publicidade, incluindo jornais. “O tráfico não pode se desvincular da exploração final. Por isso depende de como se regule o delito final: se a cafetinagem for livre, é um paraíso para os traficantes. Não se pode perseguir com eficácia o tráfico sem proibir a exploração sexual comercial”, diz Joaquín Sánchez Covisa, procurador da sala de estrangeiros e um dos magistrados de referência neste campo.

Chefes de combate ao tráfico humano do Corpo Nacional de Polícia e da Guarda Civil, promotores e juízes especializados e as ONGs que trabalham com as vítimas concordam que é preciso proibir a cafetinagem, que ninguém deveria poder lucrar com a prostituição de um terceiro. Na Espanha, qualquer pessoa pode viver da prostituição alheia, e só se castiga quando há violência, coação ou uma situação abusiva, mas isso é quase impossível de provar se a vítima não denunciar. E é muito raro que denunciem. As investigações são complexas, exigem cooperação internacional e se baseiam em escutas.

É absurdo pensar que é livre uma mulher que trabalha 24 horas e, ao final de um ano, não tem conta, nem dinheiro, nem propriedades, nem paga o aluguel do apartamento onde mora, nem pode rejeitar um cliente”, afirma Beatriz Sánchez, a procuradora que em 2012 conseguiu condenar o chefe romeno Ioan Clamparu, vulgo Cabeça de Porco, o maior cafetão do tráfico na Europa. Pegou 30 anos de cadeia. Ela opina que o sistema está muito atrás dos traficantes em termos de meios e orçamento, e que os recursos de proteção às vítimas e testemunhas são muito deficientes. Também em alguns casos são problemáticos os intérpretes linguísticos, quando vítimas ou suspeitos falam em dialetos de seus países de origem.

O fato é que, diante de alguns casos flagrantes, basta o bom senso e uma sensibilidade mediana: “Você acredita que uma paraguaia que não fala castelhano, só guarani, vai vir até aqui porque quer um apartamento de Bilbao onde vive presa as 24 horas?”, argumenta outro promotor. Os corpos policiais realizaram em 2016 mais de 2.500 inspeções em locais de prostituição, 73% deles em clubes. Entre 2012 e 2016, prenderam 3.000 pessoas por tráfico e exploração sexual, e desarticularam 277 quadrilhas.

A última reforma do código penal, em 2015, esteve a ponto de punir totalmente a cafetinagem, o que significaria o fechamento de clubes e inclusive a proibição da publicidade erótica. O texto passou no Congresso (câmara de deputados), mas no Senado uma mão, a do Partido Popular, retocou o projeto e associou a cafetinagem ao conceito de exploração, o que abre uma margem de interpretação e continua dificultando a prova. Introduziu-se a “vulnerabilidade” da vítima como um critério adicional de limitação, mas continua sendo muito vago, embora as forças de segurança estejam usando esse caminho em suas operações, à espera de que o Tribunal Supremo se manifeste.

“Em grande medida é um problema de demanda. Enquanto não a resolvermos, não acabaremos com o problema. Não digo proibir ou legalizar, é preciso regular, legislar. Os cafetões se aproveitam do vazio legal”, observa Enrique López Villanueva, do gabinete do Relator Nacional contra o Tráfico. “Você fecha um clube por tráfico, ele reabre dois dias depois e volta a ter clientes”, confirma María Gavilán, juíza substituta da Comunidade de Madri, especializada neste tema e ligada à Associação de Mulheres Juízas Espanholas (AMJE). Uma ordem da UE de 2011 indica expressamente aos países membros que eles devem estudar a possibilidade de medidas para criminalizar o uso de serviços de vítimas de tráfico. Muitos especialistas propõem que o tráfico humano precisaria de uma lei integral, como a de violência de gênero, para que o problema fosse enfrentado com eficácia, embora esse seja um ponto de discussão.

Villanueva toca em outro tema tabu: a Espanha é um destino de turismo sexual, “embora não seja algo que se reconheça nem seja fácil de abordar”. Por exemplo, os clubes de La Jonquera, na fronteira com a França, constituem o maior prostíbulo da Europa. “Avançou-se muitíssimo em nível normativo, mas na prática há dificuldades, falta avançar muito na sensibilização, e seria importante que também chegasse ao Poder Judiciário”, observa Marta González, do Projeto Esperança. A cooperação entre forças policiais e ONGs que fazem trabalho de campo deu um salto enorme, com uma instrução específica de junho de 2016, e os promotores também estão muito bem formados. A especialização de profissionais e a conscientização coletiva são decisivas, porque o grande passo é saber identificar os casos de tráfico quando se tem um pela frente.

É difícil solicitar a opinião das casas de prostituição. No passado, existiu uma associação de empresários destes locais, chamada ANELA, que não está mais ativa, e atualmente não há uma organização como tal que represente o setor. Um deles, no entanto, aceitou falar, e ele mesmo esclarece que sua opinião não é absolutamente representativa. “Você pode estranhar, mas sou a favor de abolir a cafetinagem e a prostituição. Entretanto, sendo realista, não acredito que eles vão acabar, e enquanto isso acho que se deve regularizar, e que não exista um vazio jurídico do qual as máfias se aproveitem”, diz Alberto Martínez, que tem três boates em Barcelona, vai abrir uma em Madri e está há 20 anos neste negócio. Na Catalunha, a prostituição é parcialmente regularizada, os clubes devem ter licença e estão cadastrados. Esse empresário é a favor de conduzir uma atividade “limpa e transparente”, mas admite que neste negócio há máfias e más práticas. “A imagem do setor é muito negativa, é assim, compreendo que coloquem todos no mesmo saco”, aceita.

“A Espanha é o terceiro país em demanda por prostituição, segundo a ONU, atrás da Tailândia e de Porto Rico, e a chave é a demanda”, aponta Rocío Mora, diretora da Apramp, outra ONG de referência. Para ela, é uma obviedade que “são muito poucas as mulheres que se prostituem, que estão aí porque querem, a imensa maioria é de vítimas de tráfico ou exploração sexual”. Ela enumera indícios de que por trás dessas garotas há uma organização: elas vivem trancadas em apartamentos ou clubes onde almoçam e jantam, e inclusive as que estão na rua recebem comida e lenha para as fogueiras. “Há mulheres que logo depois de chegarem ao aeroporto já aparecem na rua Montera de Madri e não sabem nem em que cidade estão”, denuncia. A Apramp tem equipes, formadas por sobreviventes do tráfico, que percorrem as ruas em busca de vítimas: em 2016 resgataram 1.259, que entraram em seus programas para refazer suas vidas.

Katy, nome fictício de uma brasileira sobrevivente do tráfico, que agora trabalha para a Apramp, diz: “Você acha que um dia terminará [de pagar], mas a dívida não diminui, só cresce. Eu gerei dinheiro suficiente para ter uma vida acomodada, mas roubam isso da gente. E você está sozinha, neste ofício não existem amigos. É estranho que um cliente tenha sensibilidade. Dizem: ‘Não quero escutar problemas, para isso fico com a minha mulher’. É muito raro que uma mulher esteja nisto porque quer. A profissão mais antiga do mundo não é a prostituição, é olhar para o outro lado”.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Empresa brasileira cria embalagem sustentável que não agride o meio ambiente e é comestível


Imagina se as embalagens dos produtos que nós compramos fossem benéficas para o meio ambiente e para nós também, a ponto de poderem ser comestíveis? Parece impossível, mas elas existem, sendo que algumas empresas no Brasil já investem nesse tipo de material. Uma delas é a Oka Bioembalagens.

A empresa de Botucatu, interior de São Paulo, produz essas embalagens, que podem ser ingeridas ou compostadas graças à sua composição: fécula de mandioca e água. A combinação desses dois ingredientes com algumas fibras resulta em embalagens sustentáveis que suportam temperaturas de até 200ºC e também são isolantes térmicas.

Basicamente, são embalagens naturais, sem aditivos químicos e biodegradáveis. Se forem para a terra, serão transformadas em composto; na água, alimentarão os peixes. E também podem ser usadas como ração animal.

Os produtos da Oka podem ser considerados uma revolução porque se preocupam com uma questão que não recebe a devida atenção; o lixo. Além de questionarmos a procedência daquilo que compramos – alimentos, cosméticos, roupas e produtos – é importante nos preocuparmos com o destino do que consumimos, afinal, tudo está ligado em um ciclo.

As bioembalagens também são uma alternativa para o nosso país, em um cenário de falta de incentivo da reciclagem e da logística reversa por parte das empresas. É uma maneira de incentivar uma produção e consumo lixo zero.

Há embalagem para ovos, bandejas, velas, copos, potes e estojos. A média de tempo que uma embalagem plástica leva para se decompor no meio ambiente varia entre 100 a 400 anos, enquanto as bioembalagens fazem o mesmo processo entre 100 e 400 horas.

A Oka está aos poucos entrando no mercado alimentício, sendo que já fez parceria com empresas como a Fazenda da Toca, que distribui produtos orgânicos, e restaurantes como o Le Manjue em São Paulo, contribuindo para um consumo sustentável.

A empresa já ganhou diversos prêmios, entre eles o Ecodesign Fiesp, em 2002 e 2004 e o Idhea Brasil 2010 – Bioembalagens. Incrível, não?


Fonte: Portal Follow the Colours

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Artigo - 13 Parágrafos de Alerta sobre 13 reasons why para pais, educadores e profissionais de saúde



Por: Luís Fernando Tófoli


Lançada no fim de março, a série 13 reasons why, da Netflix, conquistou popularidade rapidamente e ensejou uma infinidade de análises e comentários sobre o principal (e delicado) conteúdo abordado na trama: o suicídio de uma adolescente. A produção da cantora Selena Gomez inspirada homônimo no livro de Jay Asher - expandido e transposto para as telas pelas mãos do premiado dramaturgo Brian Yorkey - narra as razões pelas quais uma colegial diz ter sido levada a tirar a própria vida. Gravadas em fitas cassetes e enviadas postumamente, as mensagens responsabilizam os colegas de convívio pelo desfecho trágico.

O tom de culpabilização coletiva e a abordagem crua - com direito a cenas explícitas de estupro e do próprio ato do suicídio - despertaram reflexão sobre a forma de tocar no assunto em uma produção audiovisual. Enquanto houve quem ressaltasse a tentativa benéfica de promover uma conscientização sobre a influência de bullying, assédio, machismo, violência e omissão na decisão de se matar, surgiram ponderações em torno do impacto nocivo provocado pelo tratamento dispensado ao tema central pelo seriado.

As críticas negativas veem na "glamourização" do suicídio e na utilização do autoextermínio como instrumento de vingança fatores de propensão ao chamado efeito Werther - termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo a novas ocorrências. Pessoas fragilizadas psicologicamente seriam mais inclinadas a vivenciar de forma negativa a forma como o suicídio é representado em 13 reasons why.

Psiquiatra, professor-doutor do Departamento de Psicologia Médica e psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luís Fernando Tófoli elaborou 13 parágrafos para alertar sobre a série. O texto elenca fatores de risco, condena a abordagem do programa sob a luz da academia e faz advertência a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Veja a lista elaborada pelo professor:


1. A alardeada série da Netflix, “13 Reasons Why”, baseada em um livro homônimo de Jay Asher (publicado no Brasil como “Os 13 Porquês”), aborda uma série de questões sérias: bullying no ensino médio, machismo, LGBTfobia, abuso sexual e, de uma forma geral, a difícil missão de adolescer. A série, porém, é focada em uma questão central, pivô de toda a história: o suicídio de uma jovem de 17 anos, Hanna Baker, que faz 13 gravações em fitas cassetes, apontando o dedo as pessoas que a desapontaram em seu calvário na High School de uma pequena cidade americana.

2. Eu me vi na obrigação de assistir a todo o seriado para poder trazer algumas informações para pais e profissionais de saúde e educação. Não vou me estender na qualidade artística, até porque não é minha função aqui, eu penso. No entanto, afianço que apesar da tensão que prende a assistência até a resolução do mistério, os episódios são longos e cansativos demais. A sensação final é de ser chantageado a aguentar a narrativa arrastada só para poder saber por qual razão o protagonista e bom-moço Clay Jensen foi incluído nas fitas de Hannah.

3. A razão principal pela qual eu escrevo estes parágrafos é para focar na questão crucial de uma peça de ficção construída sobre um suicídio adolescente. O suicídio está entre as principais causas de morte na adolescência, competindo com acidentes causados por veículos e, no caso de países como o Brasil, violência armada. Como um agente de formação no campo da Psiquiatria e da Saúde Mental, me vejo na obrigação de fazer alguns comentários – e, porque não, alguns alertas – sobre esta série.

4. Há sinais preocupantes de que as taxas de suicídios de jovens estão crescendo no mundo e no Brasil. O país, aliás, está na contramão das estatísticas no mundo: também os índices gerais estão subindo – e já o estavam antes da crise econômica – ao invés de cair. Há várias hipóteses sobre o que pode estar levando isso a acontecer, mas acho que o mais importante é frisar que nunca tivemos uma campanha nacional responsável de prevenção do suicídio – apesar do reconhecidamente importante papel do voluntariado do CVV-Centro de Valorização da Vida – e de haver documentação sobre formas de se fazer essa política pública de maneira eficiente.

5. Meu ponto principal neste texto não é estragar a série ou dar spoiler, e sim de que pais, educadores e adolescentes estejam cientes de que o programa tem o potencial de causar danos a pessoas que estão emocionalmente fragilizadas e que poderão, sim, ser influenciadas negativamente. Não é absurdo inclusive considerar que, para algumas pessoas, a série possa induzir ao suicídio. Portanto, pessoas em situações de risco deveriam ser desencorajadas a assistir a série. Não estou sozinho nisso, já há pelo menos um crítico no Brasil, o Pablo Villaça, que explicitamente está recomendando que não se assista ao seriado (https://goo.gl/Z2Op17).

6. O principal erro da série é, de longe, mostrar o suicídio de Hannah. A cena, que acontece no episódio final, é absolutamente desnecessária na narrativa e claramente contrária ao que apregoam os manuais que discutem prevenção de suicídio e mídia. Chega a ser absurdo que os autores da série ignorem completamente o que indicam explicitamente as recomendações da Sociedade Americana para Prevenção do Suicídio, que foram publicadas após a morte do ator Robin Williams (https://goo.gl/vAQkg6) e cheguem à cara de pau de tocar (não neste episódio) a música “Hey, Hey”, de Neil Young, que foi citada na carta suicida do músico Kurt Cobain (https://goo.gl/droI3I).

7. É verdade que as recomendações são em geral destinadas à imprensa, mas chega a ser absurdo que os realizadores de uma produção sobre o tema não tenham se informado sobre os impactos do que é conhecido como ‘efeito Werther’ – cujo nome vem de uma obra de arte e não de uma ação de imprensa. O efeito é baseado no suposto impacto de Os Sofrimentos do Jovem Werther, livro do século XVIII que alçou Goethe à fama (https://goo.gl/2h4N8U).

8. Embora o aumento de suicídios na Alemanha atribuídos ao livro jamais possa ser objetivamente medido, há já um consenso entre suicidologistas de que o fenômeno sofre contágio pela mídia e de que há maneiras pelas quais ele não deva ser retratado. Uma delas, e na qual a série fracassa desgraçadamente, é em não romantizar ou embelezar um suicídio. Evitar a divulgação de cartas suicidas é outro ponto – e é desnecessário dizer que a série toda é uma enorme carta suicida, que embora ficcional, é ouvida pela voz da protagonista, a narradora póstuma da história.

9. Outro problema sério da história, especialmente para os sobreviventes (esse é o termo utilizado para os parentes e entes queridos de quem se suicida), é a ideia da culpabilização do suicídio. Grande parte da tensão da série gira em torno de quem é a “culpa” pelo suicídio de Hannah: ela, seus amigos, a escola (que é processada pelos pais da menina), a sociedade. Os especialistas entendem que a busca por culpados é dolorosa e improdutiva. O suicídio é, na sua imensa maioria das vezes, um ato complexo, desesperado e ambíguo, e achar que ele possa ter responsabilidade atribuível é equivaler sua narrativa à de um crime. Embora isso seja compreensível em uma peça de ficção, isso é muito deletério na discussão do tema no mundo real, onde ele de fato os suicídios acontecem.

10. Dois fatos chamam a atenção ainda, como erros essenciais da produção. Um é não tocar a questão do adoecimento mental, uma vez que a maioria das pessoas que se suicidam apresentam transtornos mentais. O suicídio de Hannah é discutido – como sói frequentemente aos americanos, um povo obcecado pela pretensa liberdade de escolha – como uma “opção”, esquecendo que na grande maioria das vezes a pessoa está aprisionada por um cenário falseado de opções causado pelo seu estado mental. O outro fato é a impressão passada pela narrativa – em especial no último episódio – de que buscar por ajuda é inefetivo, quando isso pode ser a diferença, literalmente, entre a vida e a morte.

11. Ainda sobre pedir ajuda, a divulgação da série pretende vender a ideia de conscientização – contando, no Brasil, inclusive com o apoio do CVV. Durante todos os 13 episódios que assisti no Netflix, no entanto, não há qualquer sinal, indicação ou legenda que aponte a hotline do CVV no Brasil (141) ou o seu site (http://www.cvv.org.br) para pessoas que necessitem de apoio e estejam assistindo a história. Após o fim da trama há um extra, meio documentário, meio making of que fala sobre prevenção de suicídio, mas seria necessário, no mínimo, divulgar meios de socorro no início e no fim de cada episódio.

12. Nunca é demais lembrar que indagar uma pessoa sobre seu risco de suicídio não aumenta a chance dele acontecer e pode ser a atitude salvadora em diversos casos. Isso é particularmente importante para profissionais de saúde e de educação, que têm muito medo de fazer essa pergunta. Na maioria das vezes, para um potencial suicida, essa pode ser a oportunidade de compartilhar seu desespero e abrir a chance para uma ajuda efetiva.

13. Concluindo, a premissa de “13 Reasons Why” é excelente: discutir a crueldade cotidiana dos jovens (que me parece ser a mesma crueldade dos humanos, embora em uma fase particularmente frágil da vida) e como ela pode nos afetar de forma devastadora, em alguns casos. No entanto, infelizmente, por negligência ou por pura arrogância, a série acaba fazendo provavelmente um desserviço maior do que sua beneficência. A oportunidade perdida de se discutir suicídio de uma forma cuidadosa se perdeu em meio ao hype, infelizmente.

Parágrafo adicional motivado por alguns comentários (considerem como a 14ª gravação, rs): 14. Gostaria de frisar que não defendo de maneira alguma a censura ou a proibição da série, e muito menos que se evite o debate das questões seríssimas do bullying, da violência de gênero e do estupro. A questão é de, sem querer ofender quem amou a série, refletirmos juntos se alguns cuidados poderiam ser tomados para evitar o prejuízo a pessoas fragilizadas. Elas são a minoria da população, mas o impacto já foi medido e mais de um estudo sobre o efeito Werther. A pergunta aqui é: será que o meu entretenimento vale a vida de alguém? Será que ao recusar ao olhar os vacilos da produção da série eu não estarei contribuindo de alguma forma para o suicídio de alguma Hannah da vida real? 

Grato a todo mundo pelo interesse.


Fonte: Jornal Diário de Pernambuco

Natal é a cidade mais violenta do Brasil, diz ranking mundial

Foto: Canindé Soares
Na décima posição em ranking de ONG mexicana, Natal é a cidade mais violenta do Brasil


A capital potiguar é a 10ª cidade mais violenta do mundo. É o que revela um ranking elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. A lista, que possui 50 cidades, inclui 19 cidades brasileiras. Destas, Natal é a primeira, com 69,56 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Belém e Aracaju aparecem em seguida, como as cidades brasileiras mais violentas. Os dados são referentes a 2016.

"Das 50 cidades da lista, 19 estão no Brasil, 8 no México, 7 na Venezuela, 4 nos Estados Unidos, 4 na Colômbia, 3 na África do Sul, 2 em Honduras, 1 em El Salvador, 1 na Guatemala e 1 na Jamaica", afirmou a ONG.

A lista inclui ainda Feira de Santana (15º), Vitória da Conquista (16º), Campos dos Goytacazes (19º), Salvador (20º), Maceió (25º), Recife (28º), João Pessoa (29º), São Luís (33º), Fortaleza (35º), Teresina (38º), Cuiabá (39º), Goiânia (42º), Macapá (45º), Manaus (46º), Vitória (47º) e Curitiba (49º).


2017

Não são apenas os números de 2016 que preocupam. Em 2017, a violência segue desenfreada no Rio Grande do Norte. De 1º de janeiro até 2 de abril, foram contabilizados 622 homicídios no estado - uma média de um assassinato a cada três horas e meia. De acordo com o Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO), é o maior índice de violência já registrado na história do estado. Ainda segundo o instituto, estes números representam um aumento de 28,78% no número de assassinatos em comparação com igual período de 2016, quando 483 pessoas foram vítimas de crimes letais intencionais.


Medidas governamentais

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Caio Bezerra, afirmou que a quantidade homicídios no Rio Grande do Norte vai diminuir. "Nós vamos reduzir esses números. Inclusive, observamos uma diminuição em março, em relação ao mês de fevereiro", declarou. Em nota oficial, a Sesed listou medidas que já foram tomadas para diminuir os índices de violência:

"A Sesed fortaleceu a Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Foi elevada em 20% a capacidade do sistema Guardião, responsável pelas interceptações telefônicas, contribuindo diretamente no trabalho do setor de inteligência da Sesed e investigações da Polícia Civil. O Plano Nacional de Segurança, que tem como objetivo reduzir os índices de homicídios dolosos, conta em Natal com 120 policiais no trabalho ostensivo das ruas e ainda os peritos criminais e a polícia investigativa colaborando na elucidação dos casos junto à DHPP."

Caio Bezerra atribuiu a maioria dos assassinatos ao tráfico de drogas. De acordo com ele, entre 65% e 70% são crimes relacionados de alguma forma ao tráfico. "Essas são informações a partir de investigações oficiais em locais de crime. Não é que estejamos usando isso como desculpa, mas precisamos observar esses dados até para termos um diagnóstico e focarmos no problema".

O secretário falou que, pelos dados oficiais da Sesed, até o dia 31 de março deste ano foram 599 crimes letais de violência intencional. Caio Bezerra disse ainda que não contesta os dados do OBVIO, que faz levantamento estatísticos de CLVIs no estado, e aponta, até esta quinta-feira (6), 642 homicídios no Rio Grande do Norte. A Sesed ressalta também que os dados se referem, além de Natal, a outras 13 cidades da região metropolitana da capital, tais como São Gonçalo do Amarante, Parnamirim e Ceará-Mirim.


Ranking Mundial

Ainda sobre o ranking da ONG mexicana, com 130,35 homicídios por 100 mil habitantes, Caracas, na Venezuela, aparece no topo da lista das cidades mais violentas do mundo. Em seguida vem Acapulco, no México, e San Pedro Sula, em Honduras. Ainda de acordo com a ONG, a repetição da posição da capital venezuelana por dois anos seguidos confirma a crise criminal no país.

Em relação a 2015, duas cidades brasileiras deixaram o ranking no ano passado: Porto Alegre e Campina Grande.

Segundo a ONG, os níveis de violência na América Latina não são uma surpresa e refletem a impunidade. No Brasil, ela atinge 92% dos homicídios, na Venezuela, El Salvador e em Honduras, chega a 95%.

A lista da ONG é baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes e analisa municípios com mais de 300 mil habitantes.
  1. Caracas (Venezuela) – 130,35 homicídios/100 mil habitantes
  2. Acapulco (México) – 113,24
  3. San Pedro Sula (Honduras) – 112,09
  4. Distrito Central (Honduras) – 85,09
  5. Victoria (México) – 84,67
  6. Maturín (Venezuela) – 84,21
  7. San Salvador (El Salvador) – 83,39
  8. Ciudad Guayana (Venezuela) – 82,84
  9. Valencia (Venezuela) – 72,02
  10. Natal (Brasil) – 69,56
  11. Belém (Brasil) – 67,41
  12. Aracaju (Brasil) – 62,76
  13. Cape Town (África do Sul) – 60,77
  14. St. Louis (EUA) – 60,37
  15. Feira de Santana (Brasil) – 60,23
  16. Vitória da Conquista (Brasil) – 60,10
  17. Barquisimeto (Venezuela) – 59,38
  18. Cumaná (Venezuela) – 59,31
  19. Campos dos Goytacazes (Brasil) – 56,45
  20. Salvador e RMS (Brasil) – 54,71
  21. Cali (Colômbia) – 54,00
  22. Tijuana (México) – 53,06
  23. Guatemala (Guatemala) – 52,73
  24. Culiacán (México) – 51,81
  25. Maceió (Brasil) – 51,78
  26. Baltimore (EUA) – 51,14
  27. Mazatlán (México) – 48,75
  28. Recife (Brasil) – 47,89
  29. João Pessoa (Brasil) – 47,57
  30. Gran Barcelona (Venezuela) – 46,86
  31. Palmira (Colômbia) – 46,30
  32. Kingston (Jamaica) – 45,43
  33. São Luís (Brasil) – 45,41
  34. New Orleans (EUA) – 45,17
  35. Fortaleza (Brasil) – 44,98
  36. Detroit (EUA) – 44,60
  37. Juárez (México) – 43,63
  38. Teresina (Brasil) – 42,84
  39. Cuiabá (Brasil) – 42,61
  40. Chihuahua (México) – 42,02
  41. Obregón (México) – 40,95
  42. Goiânia e Aparecida de Goiânia (Brasil) – 39,48
  43. Nelson Mandela Bay (África do Sul) – 39,19
  44. Armenia (Colômbia) – 38,54
  45. Macapá (Brasil) – 38,45
  46. Manaus (Brasil) – 38,25
  47. Vitória (Brasil) – 37,54
  48. Cúcuta (Colômbia) – 37,00
  49. Curitiba (Brasil) – 34,92
  50. Durban (África do Sul) – 34,43

Fonte: Portal G1

Número de moradores de rua com curso superior cresce 75% em 1 ano no RJ


Moradores de rua dormem em frente à Defensoria Pública; muitos se arrumam ali antes de irem trabalhar



No período de 2015 a 2016, o número de moradores de rua com ensino superior completo aumentou de 40 para 70, representando um crescimento de 75%, de acordo com dados estatísticos do Programa de Apoio e Inclusão Social à População de Rua. O estudo é da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, órgão da Prefeitura do Rio.

No Centro, área de maior concentração de moradores em situação de rua, muitos deles dormem por ali para ficar perto do trabalho. Sem dinheiro para passagem e aluguel, acordam bem cedo e se arrumam debaixo de marquises, como a do prédio da Defensoria Pública, e em becos.

"Conheço engenheiros, ex-gerentes financeiros de multinacional, advogados. Muitos morando na rua. E não por causa de droga. Uns usam droga, mas para muitos o motivo é outro. É o pessoal que está aí por causa da vida mesmo, da crise”, disse ao G1 um morador de rua.


Ele pediu para ter a imagem preservada para manter a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho. Com curso superior e experiência no mercado marítimo em empresas de offshore – termo da língua inglesa que significa "afastado da costa", ou o trabalho embarcado –, ele conta que a crise financeira que atingiu o mercado levou ele e outros profissionais com curso superior completo a morar nas ruas do Rio.


Número triplica de 2013 para 2016

Índices do levantamento mostram ainda que o número total de moradores de rua vem aumentando ano a ano: saltou de 5.580, em 2013, para quase 15 mil em 2016. Praticamente triplicou em três anos.

O morador aposta no fim da corrupção e na reativação da economia para voltar ao mercado de trabalho.

“Solução é difícil, mas é tentar formas de reativar a economia a qualquer custo para o pessoal voltar, inclusive eu, para o mercado de trabalho. Não vão conseguir debelar essa corrupção totalmente, mas, pelo menos, não chega aos níveis em que estava no último governo. É preciso que o contexto do Brasil melhore."

O taxista Jorge Claudio Guilhermino trabalha ao lado das sedes da Defensoria Pública e do Ministério Público. Ele diz observar o comportamento dos moradores de rua há, pelo menos, dois anos. Segundo ele, muitos acordam cedo para ir trabalhar.

“Muitos deles trabalham. Por volta das 5h30 da manhã eles pegam suas mochilas e vão para o trabalho. Há quase dois anos que venho observando. E vem aumentando gradativamente o número de moradores de rua”, comenta o taxista.


Guilermino conta ainda que muitos moradores procuram os taxistas para desabafar e contar os motivos pelos quais foram parar na rua. "Pela conversa, muitos têm o grau de cultura bem elevado", diz.

De acordo com a prefeitura, a cidade do Rio tem, atualmente, 38 abrigos próprios, 22 conveniados e dois Hotéis Acolhedores, destinados a quem quer apenas pernoitar. Com o aumento da população de rua, as 2.177 vagas disponíveis não são suficientes para atender quase 15 mil pessoas.

Com curso superior, homem desempregado vive nas ruas do Rio


Café da manhã solidário

Uma das iniciativas para atender os moradores de rua é o Projeto Voar, feito por voluntários de diversas frentes religiosas, que se reúnem uma vez por semana para oferecer a primeira refeição do dia aos moradores de rua.

Em uma praça no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, voluntários levam sucos, café, sanduíche e roupas. Em filas organizadas, essa população é alimentada e ainda ouve palavras de incentivo durante a ação solidária do grupo. Segundo o advogado e voluntário Chrisóstomo Telésforo, muitos possuem empregos e estão na rua de forma transitória.


Pedido por doações

Os voluntários do Projeto Voar contam ainda que o alimento oferecido gratuitamente não é suficiente para alimentar toda a população de rua.

“O grupo se esforça muito para fazer o trabalho. Mas aumentou muito a população de rua. Nós atendemos mais de 300 moradores. O café consiste em frutas, café com leite, chocolate, água, suco e sanduíche. Fazemos isso com muito sacrifício. O que a gente pede é que venham até a gente trazendo sua contribuição", diz uma voluntária.

Chrisóstomo Telésforo diz que conhece gente que conseguiu arrumar um emprego, como, por exemplo, cozinheiro e segurança, e pôde sair das ruas.

“Muitas pessoas estão na rua e querem sair. Eles usam a rua como forma transitória. Assim que eles arrumam esses empregos com carteira assinada, eles conseguem, em pouco mais de um mês, dormir em um alojamento. Ou arrumam um lugar para ficar”, diz o advogado.


O pintor Luiz Cláudio Nascimento, de 46 anos, veio de Minas Gerais para o Rio com o sonho de trabalhar na construção civil no estado. Segundo ele, tem dia que não é possível ir trabalhar por falta de dinheiro.

“Eu trabalho, sou pintor de parede. Às vezes não é possível ir trabalhar por não ter como comprar a passagem. Banho, por exemplo, é muito difícil. Eu tomo banho no meu trabalho. É muito difícil ficar na rua. Eu estou só esperando juntar meu dinheirinho para ir embora”, conta Luiz Cláudio.

O idoso Waldecir Pereira é morador de rua e também ajuda o grupo com trabalho voluntário. Para ele, quem mora na rua só não se alimenta e não trabalha se quiser.

“Quem tá na rua e disser que passa fome é mentira. Só se não correr atrás de nada mesmo. Se não trabalhar e não correr atrás, aí passa fome. Até trabalho tem. Cata lata, cata papelão, alguma coisa a pessoa tem que fazer para poder se manter na rua."

Café da manhã é oferecido por voluntários todas as segundas-feiras em praça no Flamengo

Café, sanduíche e suco são distribuídos por voluntários do projeto 'Voar'

Moradores de rua recebem a primeira refeição do dia de graça no Flamengo


Fotos: Bruno Albernaz (Portal G1)


Fonte: Portal G1

Artigo - Por que achamos que ser magro é bonito?




Por: Priscila Bellini



Novo produto genial ajuda a perder 12 quilos em 4 semanas. Sopa detox, suco detox, água detox. Dieta da sopa, da lua, do pepino, da batata doce, pra secar a barriga. Em um passeio rápido pelas notícias e listas engraçadas em sites de entretenimento, não é nada difícil pinçar alguns exemplos de uma obsessão pela magreza. As palavras-chave, ali em cima, não enganam – a gente acha exemplos demais, até. Mas por que queremos tanto emagrecer? Por que achamos que magreza = beleza?

A preocupação com o ponteiro da balança está longe de ser apenas uma preocupação com a saúde. Essa neura com o peso não vem dos tempos mais remotos. Basta espiar as obras de arte dos séculos passados e ver que a figura feminina idealizada ali concentrava mais gordura do que as top models de hoje. O quadril largo, as coxas generosas, o rosto mais cheinho eram traços pra lá de valorizados nas musas – o que você pode conferir na obra que abre essa nota, As Três Graças, de Peter Paul Rubens, feita em 1635.

Ainda que o padrão em si tenha mudado pra valer, a lógica por trás dele permanece. “Os padrões que aparecem ao longo da História são, como regra, acessíveis a poucos”, aponta a psicóloga Joana de Vilhena Novaes, Coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza e representante da Fundação Dove para a Autoestima no Brasil.

Quando fazer as três refeições básicas diariamente era um luxo e morrer de fome era um destino comum para as pessoas, a gordura alcançava status de privilégio. Agora, já que temos mais comida à disposição, mais jeitos de conservá-la e nossos armários ficam carregados de biscoitos, salgadinhos e similares, comer é fácil. Portanto, não é de estranhar que as modelos extremamente magras sejam colocadas em um pedestal. É mais difícil ser muito magra com tantas calorias à disposição.

O corpo magro e jovem também exige cada vez mais procedimentos estéticos e cirurgias para atingir a dita “perfeição” – ou, pra ser mais direto, exige grana, que vira mais um obstáculo. Imagina só o dinheiro necessário para bancar o 1,5 milhão de cirurgias plásticas realizadas anualmente só no Brasil, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética.

Mas não é essa a única explicação que surgiu para a mudança nos padrões. Uma delas veio do livro O Mito da Beleza, da jornalista americana Naomi Wolf, publicado na década de 90. A sacada dessa publicação foi relacionar o novo modelo com a emancipação das mulheres, quando tantas delas assumiram postos de trabalho e quando seus direitos passaram a ser assegurados. Em poucas palavras, Naomi defende que há mecanismos que dominam a mulher na sociedade – e, depois de se libertar de um deles, surgiu outro, o tal mito da beleza.

E daí viriam os sacrifícios todos, as dietas malucas, as técnicas cirúrgicas incrementadas a cada mês – justamente porque a sociedade passou a pregar que os malabarismos eram necessários para que as mulheres fossem aceitas. E os dados trazidos pela autora assustam, já que demonstram como, pouco a pouco, o problema avançou e tomou forma. As modelos passaram a ser 23% mais magras do que uma mulher padrão (e não mais 8%, como costumava ser, com as moças mais cheinhas).

De 1966 e 1969, a porcentagem de alunas que se consideravam gordas saltou de 50 para 80%. Com a onda de dieta ganhando força, Naomi Wolf comparou as calorias que “deveriam” ser ingeridas para alcançar o corpo perfeito – 800, 1.000 calorias diariamente. Para ter uma ideia, no gueto de Lodz, em 1941, em pleno nazismo, os judeus se alimentavam de rações que tinham de 500 a 1.200 calorias por dia. Não é à toa que chegamos a extremos de magreza por aí.

Hoje, só no Brasil, um terço das meninas que estão no 9º ano do Ensino Fundamental já se preocupam com o peso, de acordo com uma pesquisa de 2013 do IBGE. A nível global, a probabilidade de que uma moça com idade entre 15 e 24 anos morra em decorrência de anorexia é 12 vezes maior que por qualquer outra causa. O Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry constatou que cerca de 60% das alunas no ensino médio já fazem dieta. A preocupação com a balança chega a atingir meninas com 5 anos de idade.


E não é à toa que as vítimas mais comuns sejam as mulheres. A nutricionista Paola Altheia, responsável pelo blog Não Sou Exposição, vai além para explicar a tendência. “Enquanto a moeda de valor masculina na sociedade é dinheiro, poder e influência, a das mulheres é a aparência”, crava. Para a ala feminina, essa pressão toda desemboca em não apenas um modelo estético, mas um modelo de vida. Para ser linda e desejada, para ter um marido perfeito, o emprego dos sonhos, você só tem que ser… magra. Simples né?

Mas nem tanto: um dos casos clássicos foi o da dieta da princesa, que fez muito sucesso há algum tempo atrás – no caso, era a princesa Kate Middleton, esposa do Príncipe William, do Reino Unido. Ela, como toda princesa deve ser, é bem magra. O corpo vem de um sacríficio que Kate teve de fazer: o regime incluía muitas proteínas e quase nada de carboidrato. Já dá para perceber que não é lá muito saudável. O que repercutia no imaginário feminino era muito mais a idealização da princesa: a dieta era só mais um modo de alcançá-la.

E essa estrutura se repete por aí. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (a Unifesp), em 2002, analisou o valor nutricional de 112 dietas que apareciam nas revistas brasileiras à época. Resultado: só uma delas atendia a requisitos mínimos para garantir a nutrição da pessoa, e a maioria esmagadora era cilada, prejudicando a saúde da pessoa que buscava a boa forma.


Com a ascensão da internet, a coisa piorou. Tumblr, Facebook, Instagram, Twitter e as outras tantas redes sociais colaboram para a obsessão por corpos cada vez mais magros. Esses sites espalham com uma velocidade assustadora ideias sobre a imagem corporal que atingem pessoas do mundo todo, de todas as idades, até mesmo aquela priminha de 12 anos que dá os primeiros passos na web.

Exemplos disso são os desafios, que rodam por aí, a fim de “comprovar” que determinada pessoa é magra. Se você consegue cumpri-los, parabéns, você é uma vencedora. Se não, feche a boca. O mais recente é o “collarbone challenge“, que começou na China. Mulheres têm que enfileirar o maior número possível de moedas na clavícula, as famosas “saboneteiras”. Quanto mais moedas, mais enxuta a moça é.

Já o “bellybutton challenge” quer que as mulheres encostem no umbigo passando o braço por trás do corpo. Mas atingir tal proeza não é só uma questão de ser ou não magra: fatores como flexibilidade e estrutura óssea também entram em jogo. Encostar no umbigo não é indicativo de nada: muito menos de que alguém está magro ou gordo.

A gravidez, que antes era um território seguro, aparentemente entrou no jogo. A nova moda é a “mãe fitness”, com barriga pequena e sarada (mesmo com o volume extra, já que abriga um bebê). Se uma mulher “comum” já se sentia fracassada por não conseguir voltar ao seu peso original – ao contrário das famosas, como vemos por aí -, imagine agora que a obrigação de ser sarada também afeta o período gestacional.

São mais e mais imagens (muitas vezes retocadas) que ditam um modelo só. “A imagem da modelo alta, magra, longilínea, caucasiana, sem rugas, celulites, manchas ou mesmo poros é incessantemente repetida, como uma norma. Esta é a origem do sentimento de inadequação”, reforça Altheia.


A constatação também aparece no livro de Naomi Wolf, que citamos lá em cima. “Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina”. Qualquer mulher que desobedeça um padrão, voluntariamente ou involuntariamente, é taxada de feia, estranha ou desleixada. Afinal, o corpo da mulher está aí para ser observado.


Fonte: Revista SuperInteressante

Os homens na Holanda, incluindo policiais e políticos hetero, estão andando de mãos dadas na rua pela melhor razão


Diversos homens holandeses, em sua maioria heterossexuais, resolveram juntos aderir a um movimento simbólico que vem tomando conta do país: depois que um casal homossexual foi espancado em uma cidade do interior por simplesmente estar de mãos dadas, políticos e até policiais da Holanda passaram a sair de mãos dadas, como gesto de solidariedade, resistência e repúdio à violência.

A campanha é clara e direta, pelo fim da violência e da homofobia. A campanha se espalhou pelo mundo, e em Nova Iorque, membros da equipe holandesa da ONU também se fotografaram de mãos dadas, nas ruas da cidade. As diversas fotos do movimento foram sendo compartilhadas com a hashtag #allemannenhandinhand.

Até o primeiro ministro aderiu à campanha, lembrando que a Holanda foi o primeiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2001 – e que a violência não pode, portanto, manchar o histórico libertário que tanto se afirma como uma virtude do país, e um norte para o futuro igualitário e livre que o mundo merece, e precisa.


Fonte: Portal Hypeness

Castelinho reabre como sede de ONG para moradores de rua no centro de SP

Castelinho da rua Apa será inaugurado como sede de ONG voltada para moradores de rua


Quando as portas do Castelinho da rua Apa, no centro de São Paulo, forem abertas na manhã desta quinta (6), mais um capítulo será acrescentado à sua história centenária de disputa por herança, ocupação, abandono, restauração, e o crime misterioso que o fez ficar conhecido.

O imóvel, que passou por décadas de abandono após a morte de seus moradores, reabre como sede da ONG Clube de Mães do Brasil, fundada em 1993 pela ex-moradora de rua Maria Eulina Hilsenbeck para assistir pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Desde a década de 70 tentando usar a área do Castelinho como casa do projeto, que já ocupava o imóvel anexo a ele, Maria Eulina conseguiu restaurar o espaço com verba do FID (Fundo Estadual de Interesses Difusos) e realizar o sonho que tinha desde quando vivia nas ruas e passava noites no imóvel.

O pé direito alto, elementos medievais e ladrilhos foram mantidos ou reproduzidos fielmente pelos restauradores a partir de fotos da época e do projeto original, de 1910. Quando começou a ser restaurado, o imóvel, de 180 m² e dois andares não tinha telhado ou assoalho em alguns cômodos e poucas peças originais restaram.

Próximo ao teto da cozinha, o detalhe que passa por toda a parede do cômodo foi restaurado, mas uma parte original foi deixada como lembrança de que se trata de uma construção histórica.

"Foram mãos e mãos me ajudando. Comigo não existiu isso do 'aconteceu', do 'caiu do céu'. Foi uma luta muito grande, anos de espera batendo em portas fechadas. Era sempre não", conta.


Projetos

Os doze cômodos divididos dão espaço suficiente para abrigar todos os projetos que a ONG vai oferecer. As oficinas de corte e costura, modelagem, bordado, artesanato e marcenaria já oferecidas no anexo, além do 'Projeto Ecoarte', cujo foco é a produção de objetos sustentáveis para venda, ganharão mais espaço.

"Nós colocamos na mesma sala moradores de rua, empregadas domésticas, gerentes de loja, professores, porque essa coisa toda de desigualdade, categorias sociais, é tão boba. Tão sem sentido. Eu gosto muito da vida compartilhada", diz Maria Eulina.

A grande novidade é a cozinha industrial, onde alunos de escolas municipais vão aprender sobre alimentação saudável e orgânica. Os produtos serão recebidos de hortas orgânicas e uma criação de tilápias mantida pela ONG em Poá (SP).

Um novo projeto, a "Cozinha Refúgio", pretende ceder a cozinha para refugiados no fim da semana. Nas noites de encontros, essas pessoas poderão resgatar sua cultura através da cozinha, artesanato e integração com a comunidade.

Para manter as despesas da manutenção do castelo, Maria Eulina pretende alugá-lo temporariamente para eventos corporativos e escritórios compartilhados. No resto do tempo, ele funcionará como o ponto de cultura e atenção que ela sempre planejou.

"Ele não é só meu, é nosso, da cidade, de todo mundo. É das crianças que passam pelo Minhocão [Elevado Presidente João Goulart] e gritam que amam o Castelinho. Eu acredito que quando se tem amor, esperança, fé, quando se acredita no coletivo, tudo acontece", afirma ela, que aprovou o resultado da restauração. "Ele está lindo, lindo, muito lindo".

História
Na noite de 12 de maio de 1937, após uma discussão por causa dos negócios da família, o empresário Álvaro César dos Reis, então com 45 anos, foi encontrado morto no imóvel ao lado do irmão Armando, 42, e da mãe, Maria Cândida, 73. Álvaro foi apontado como o autor dos crimes que logo depois se suicidou.

Desde então, o Castelinho da rua Apa, localizado nas esquinas da rua Apa com a avenida São João, passou para as mãos do governo federal, virou ferro-velho e acumulou uma série de histórias sobrenaturais ligadas ao crime dos Reis. Nesse meio tempo, ficou em ruínas nos anos 70 e, na década de 80, foi invadido por moradores de rua.

Construído entre 1912 e 1917, o prédio foi tombado pelo Conpresp (órgãos de preservação municipal). Desde março de 1997, o espaço foi cedido ao Clube de Mães do Brasil, que utilizava o anexo do imóvel desde então.

A inauguração do Castelinho original será realizada nesta quinta, a partir das 10h, com apresentação de uma peça musical do Theatro São Pedro. O evento é aberto.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo

A escravidão dos brasileiros começou com a “descoberta” do Brasil

“Índios soldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos”, tela de Jean-Baptiste Debret


O litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil no começo do século XVI. Como o objetivo dos colonos era a obtenção de lucro e exploração na nova terra, a opção pela escravidão indígena foi quase que imediata.

O primeiro contato com os índios brasileiros foi o escambo. Os portugueses ofereciam objetos como espelhos, cordas, apitos e facas em troca de trabalho.

Com o estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, os colonos precisavam de grande quantidade de mão de obra. Muitos senhores de engenho recorreram à escravização de índios. Eles organizavam expedições que invadiam as tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para sequestrarem os indígenas jovens e fortes para levarem-nos até o engenho. Muitos estupros de índias ocorreram também.

O auge da escravidão indígena no Brasil foi no período inicial da colonização, entre os anos de 1540 e 1580.

A falta e o alto custo dos escravos africanos fizeram com que os colonos optassem pelos índios primeiro. O uso dos nativos como escravos teve forte oposição dos jesuítas, que entraram em conflito com os colonos da região. Foi somente em 1682, com a criação da Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão, que a mão de obra indígena começou a deixar de ser usada, sendo substituída pelos escravos africanos.

Havia até um mercado de negócios com escravos indígenas. Comerciantes organizavam expedições de captura indígena para lucrar com a venda destes escravos aos senhores de engenho.

Os portugueses aproveitaram também a rivalidade entre as tribos e faziam alianças: em troca de apoio militar, recebiam índios adversários capturados como recompensa das tribos aliadas.

Mas a escravidão indígena não deu muito certo, sendo substituída pela africana por vários motivos. Um deles é que, mesmo recebendo castigos físicos, alguns índios se recusavam a trabalhar como escravos. O contato com os colonos trouxe várias doenças para os brasileiros, que adoeceram e morreram. Jesuítas também fizeram uma forte campanha na época contra a escravidão indígena. Mas o lucro com o tráfico de escravos africanos foi o grande motivo da diminuição da escravidão indígena.

A escravidão indígena só foi proibida no Brasil em 1757, em um decreto do Marquês de Pombal.

Mas a escravidão indígena continua no país. Um exemplo disso é que em 2012 uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Funai resgatou 41 indígenas kaingang em condições análogas à de escravo, em Bom Jesus (RS). Eles eram submetidos a condições degradantes no cultivo de maçãs. Entre eles estavam 11 adolescentes de 14 a 16 anos. Os alojamentos estavam em péssimas condições; havia apenas dois banheiros para os 41 trabalhadores; e as famílias, inclusive crianças, se apertavam em um espaço mínimo. Além disso, a fiação elétrica estava solta, o frio entrava pelas frestas, a água era armazenada em garrafas pet e havia comida estragada por todo o lugar.


Fonte: Portal Observatório do Terceiro Setor

305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros


Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.

As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.

Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.

No "Caderno Temático: Populações Indígenas", o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.

O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).

Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.


'Retomadas'

Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.

Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas "retomadas", quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.

Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.

Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.

Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.

O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).

O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.

Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).

A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.

Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o "Atlas Nacional do Brasil Milton Santos".


Cultura indígena

O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.

Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que "o indígena ainda é aquele de 1500". Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.

"Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995."

Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.

"Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?"

Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.

"Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada."


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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