sexta-feira, 14 de abril de 2017

A escravidão dos brasileiros começou com a “descoberta” do Brasil

“Índios soldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos”, tela de Jean-Baptiste Debret


O litoral brasileiro era repleto de tribos indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil no começo do século XVI. Como o objetivo dos colonos era a obtenção de lucro e exploração na nova terra, a opção pela escravidão indígena foi quase que imediata.

O primeiro contato com os índios brasileiros foi o escambo. Os portugueses ofereciam objetos como espelhos, cordas, apitos e facas em troca de trabalho.

Com o estabelecimento dos engenhos de açúcar no nordeste do Brasil, os colonos precisavam de grande quantidade de mão de obra. Muitos senhores de engenho recorreram à escravização de índios. Eles organizavam expedições que invadiam as tribos de forma violenta, inclusive com armas de fogo, para sequestrarem os indígenas jovens e fortes para levarem-nos até o engenho. Muitos estupros de índias ocorreram também.

O auge da escravidão indígena no Brasil foi no período inicial da colonização, entre os anos de 1540 e 1580.

A falta e o alto custo dos escravos africanos fizeram com que os colonos optassem pelos índios primeiro. O uso dos nativos como escravos teve forte oposição dos jesuítas, que entraram em conflito com os colonos da região. Foi somente em 1682, com a criação da Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão, que a mão de obra indígena começou a deixar de ser usada, sendo substituída pelos escravos africanos.

Havia até um mercado de negócios com escravos indígenas. Comerciantes organizavam expedições de captura indígena para lucrar com a venda destes escravos aos senhores de engenho.

Os portugueses aproveitaram também a rivalidade entre as tribos e faziam alianças: em troca de apoio militar, recebiam índios adversários capturados como recompensa das tribos aliadas.

Mas a escravidão indígena não deu muito certo, sendo substituída pela africana por vários motivos. Um deles é que, mesmo recebendo castigos físicos, alguns índios se recusavam a trabalhar como escravos. O contato com os colonos trouxe várias doenças para os brasileiros, que adoeceram e morreram. Jesuítas também fizeram uma forte campanha na época contra a escravidão indígena. Mas o lucro com o tráfico de escravos africanos foi o grande motivo da diminuição da escravidão indígena.

A escravidão indígena só foi proibida no Brasil em 1757, em um decreto do Marquês de Pombal.

Mas a escravidão indígena continua no país. Um exemplo disso é que em 2012 uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Funai resgatou 41 indígenas kaingang em condições análogas à de escravo, em Bom Jesus (RS). Eles eram submetidos a condições degradantes no cultivo de maçãs. Entre eles estavam 11 adolescentes de 14 a 16 anos. Os alojamentos estavam em péssimas condições; havia apenas dois banheiros para os 41 trabalhadores; e as famílias, inclusive crianças, se apertavam em um espaço mínimo. Além disso, a fiação elétrica estava solta, o frio entrava pelas frestas, a água era armazenada em garrafas pet e havia comida estragada por todo o lugar.


Fonte: Portal Observatório do Terceiro Setor

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