segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O preço da violência: quanto os brasileiros pagam por não viverem em paz?

A cada ano, cerca de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil


A cada ano, cerca de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil, o que equivale a uma taxa de 29 homicídios por 100 mil habitantes, números excepcionalmente altos para um país que não está em guerra, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Para tentar entender o custo econômico que a violência impõe aos brasileiros, a BBC Brasil conversou com especialistas que organizam diferentes estudos sobre o assunto.

Os levantamentos apontam impactos que podem oscilar de 3,78% a 13,5% de toda a riqueza produzida anualmente, dependendo dos fatores avaliados. Mas independentemente da proporção percentual, trata-se de centenas de bilhões de reais saídos dos bolsos dos brasileiros.

Na última sexta, foi divulgado um relatório do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que estimou o gasto com violência em 16 países da América Latina e Caribe.

O estudo mostrou que em 2014 o crime custou ao Brasil 3,78% do seu PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a US$ 124 bilhões (R$ 386 bilhões).

Segundo o relatório, os gastos públicos com crime são seis vezes maiores do que os investimentos com o programa social Bolsa Família, por exemplo.

O estudo ressalta ainda que seu cálculo é conservador - avalia o impacto dos homicídios em 0,23% do PIB, enquanto um estudo do pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, sugere 0,61%. "O custo dos homicídios pode ser consideravelmente mais alto que as nossas estimativas", diz o documento.

Para Cerqueira, o banco se ateve a estimativas modestas porque é necessário encontrar uma referência padronizada entre todos os países pesquisados para poder traçar um comparativo.

"Talvez, para acomodar todas essas nações, eles não cheguem a calcular muitos detalhes, como nós fizemos em outros estudos", sugere.

O economista contribuiu para o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que na edição de 2014 estimou o gasto do Brasil com segurança em 5,4% do PIB. Nessa soma entram policiamento, prisões e unidades de medidas socioeducativas - mas ficam de fora investimentos militares, por exemplo.

Cerqueira afirma que os valores mais atuais excedem essa estimativa: "Pelos meus cálculos, o custo da violência hoje está em 5,9% do PIB. Desses, 1,4% é gasto com segurança, 0,4% é gasto com sistema prisional. Outros 2,5% é o custo intangível, que tem a ver com as mortes por homicídios. Além disso tem 1,6%, que é a soma dos custos com segurança privada e com seguro."


Índice mundial

O principal estudo mundial sobre o tema, o Índice Global da Paz, inclui o orçamento das Forças Armadas em seu cálculo.

O ranking anual é publicado pelas ONGs Vision of Humanity e Instituto para Economia e Paz. De acordo com a última edição, o Brasil está na posição 105 entre 162 países - um retrocesso em relação à centésima posição obtida em 2015.

O relatório serve de base para um estudo mais detalhado, chamado O Valor Econômico da Paz, que afirma que a violência custa ao mundo anualmente US$ 13,6 trilhões, ou US$ 1.876 dólares por pessoa, em valores ajustados por paridade de poder de compra.

Desse montante, US$ 1,79 trilhões estão relacionados a homicídios, tipo de violência preponderante na América Latina e no Brasil.

Esse levantamento explora o conceito de "preço" da violência em custos diretos e indiretos e avalia que o Brasil perdeu em 2016 mais de US$ 338 bilhões - ou seja, mais de R$ 1 trilhão - com o problema.

Por esse cálculo o Brasil, desperdiça cerca de 13,5% do seu PIB com violência. Na média são US$ 1.640, ou R$ 5.140, para cada cidadão ao ano.

Nesse número estão contabilizados gastos diretos com orçamento militar, policial, judicial e em saúde pública, além de perdas indiretas como o prejuízo da queda em produtividade de sobreviventes traumatizados.

O cálculo também estima a redução do desenvolvimento econômico gerado pelo conflito prolongado e pela perda de vidas produtivas.

"A violência contínua destrói o capital humano e físico, o que por outro lado restringe o ambiente de negócios, dificultando a construção de uma paz duradoura", explica Camilla Schippa, pesquisadora do instituto.

Segundo ela, o homicídio custa muito caro para países emergentes, como o Brasil e o México.

"As empresas precisam investir na proteção de seus funcionários com câmeras de segurança, guardas, seguros, etc. É um custo que torna o país menos competitivo, pois esse dinheiro poderia estar indo para aumento de produção, pesquisa e desenvolvimento. Nosso relatório mostra que altos níveis de violência afetam negativamente o investimento estrangeiro direto, o turismo e afins."


Perda econômica

Mas o modo como os custos diretos estão avaliados nesse levantamento não são necessariamente uma perda econômica, avalia o professor Paulo dos Reis, diretor do curso de Relações Internacionais da PUC-SP.

"No caso do Brasil, não estamos em guerra com nenhum país, mas há um custo enorme de administração dessa violência. Gastos com presídio, com toda a infraestrutura de segurança pública, com a manutenção do nosso parque militar, tudo isso faz parte da avaliação", diz.

"O relatório parte do pressuposto de que isso tudo seria um desperdício de dinheiro, mas essa é apenas uma perspectiva. Certamente há outra perspectiva mais esclarecedora, que é a seguinte: não se tratam de gastos errados, ou desperdício, é simplesmente uma questão de prioridades", acrescenta.

"Obviamente, em situações de violência há grupos que ganham com isso. Ou seja, existe gente lucrando, realmente ganhando muito dinheiro com essas dimensões da violência social."

Em resposta à crise penitenciária, o presidente Michel Temer anunciou R$ 900 milhões para ajudar na construção de presídios em 25 unidades da federação.

"O estudo tem uma proposta política de apontar o que seria uma irracionalidade do gasto público de não investir em capacidade produtiva", diz. "Mas quando olhamos a situação e pegamos as empresas privadas que fornecem serviços, veja bem, elas estão lucrando. Há agentes, pessoas, instituições, grupos que lucram em situações que esse relatório avaliaria como desperdício de dinheiro."

O levantamento afirma que existe um equilíbrio ideal entre a necessidade de se gastar com segurança para garantir a paz e o aporte irracional de recursos em militarização.

"Nenhum país que investe menos de 0.8% do seu PIB em segurança interna está entre os 42 mais bem colocados no ranking. Por outro lado, nenhum país que investe mais de 2% do seu PIB em segurança está entre os 20 mais pacíficos", diz o documento.

"Compreender o nível ideal de contenção da violência é importante para melhorar os níveis de paz", acrescenta.

"Sem dúvida, a violência é um negócio. Não só do lado de segurança, mas também do lado ilícito do mercado de drogas. Mercado ilícito e crime organizado só funcionam se existir corrupção do Estado. Tem muita gente ganhando de todos os lados", reforça Cerqueira, do Ipea.


Custo para a indústria

Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado em novembro, avaliou que as empresas perdem quase 4,2% do seu faturamento com o problema.

"A cada ano R$ 130 bilhões deixam de ser investidos na produção industrial em função da violência no país", afirmou à BBC Brasil Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da entidade.

A estimativa está baseada em relatório de 2009 do Banco Mundial, com valores corrigidos para 2016. O montante representa o volume que a indústria de transformação gasta com custos de segurança privada e perdas decorrentes de vandalismo e roubo de carga.

"A CNI foi estudar isso por causa da produtividade. Como o Estado não entrega o serviço de segurança pública, você tem empresas que precisam absorver esses custos. Ao invés de investir em uma nova máquina, o empresário tem que investir em uma cerca elétrica, em uma escolta armada. É como burocracia, é difícil se precificar esse custo."

Segundo a entidade, a demanda por segurança privada está crescendo - entre 2004 e 2014, os empregos no setor tiveram uma alta média de 7,2% ao ano.


Soluções

Cerqueira, do Ipea, concorda com a ligação entre a violência acarreta e uma piora no cenário econômico do país. Para ele, a educação é a solução a longo prazo.

"A redução de 1% na taxa de desemprego e evasão escolar dos homens jovens, de 15 a 29 anos, contribui para o recuo da taxa de homicídio de 2,5%", exemplifica.

Autor do Mapa da Violência, o professor e pesquisador Júlio Jacobo Weiselfisz reforça essa recomendação: "Até hoje a humanidade não inventou melhor forma de mecanismo de inclusão social e mitigação da violência que a própria educação".

Em um levantamento que relaciona nível escolar com a criminalidade, Jacobo concluiu que jovens na faixa de 15 a 19 anos de idade têm uma taxa de homicídio de 44 por grupo de cem mil habitantes - muito superior à média geral de 29.

E dentro desse grupo, a diferença entre os indivíduos com maior e menor educação é brutal.

"Jovens de 15 a 19 anos de idade com 0 a 3 anos de estudo (analfabetos ou com alfabetização deficitária) têm 4.473% mais chances de morrerem assassinados do que aqueles que têm pelo menos 12 anos de estudo (finalizaram o Ensino Médio ou mais)", afirma o estudo.

"De forma proporcional ao tamanho de ambos os universos, para cada um jovem com estudo superior que é vítima de homicídio, morrem outros 46 analfabetos", completa.

"Todos os trabalhos são unânimes em apontar que a educação é o grande caminho de saída do crime. A médio e longo prazo, se não tivermos educação de qualidade para um grande contingente de pessoas, que estão marginalizadas no sistema econômico, a gente não vai dar conta. Somente policiamento e coerção não adianta", diz Cerqueira.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Jovem branca com câncer gera polêmica ao usar turbante e ativista negra comenta o assunto


A paranaense Thauane Cordeiro, diagnosticada com leucemia mieloide aguda, gerou polêmica em Curitiba ao usar turbante. O item é um símbolo de identidade e luta do movimento negro. Careca e branca, a jovem andava pelas ruas de Curitiba quando foi abordada por uma mulher negra numa estação de transporte. Ela contou o episódio no Facebook e o post viralizou.

Com mais de 60 mil curtidas e 20 mil compartilhamentos, a postagem narra a conversa que Thauane teve com a mulher que a repreendeu. “Comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo ‘olha lá a branquinha se apropriando dá (sic) nossa cultura’, enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca”, ela escreveu.

Na conversa, Thauane tirou o turbante e mostrou que era careca. “Isso se chama câncer”, contou. “Saí e ela ficou com cara de tacho”. A jovem curitibana usou a hashtag “VaiTerTodosDeTurbanteSim para encerrar o desabafo.


O episódio reacendeu o debate sobre apropriação cultural. Mais do que um mero adereço, o turbante tem um forte significado de empoderamento para as mulheres negras. As africanas usavam turbante para proteger a cabeça do sol. No Brasil, as escravas colocavam o item nos cabelos.

Veja o comentário da ativista negra Gabi Oliveira sobre esse assunto, do canal do Youtube Papo DePretas:



Fonte: Portal Metrópoles / Youtube

Governo federal lança Campanha Nacional de Proteção a Crianças e Adolescentes no Carnaval


Ação tem como foco o enfrentamento a cinco violações de direitos: trabalho infantil, violência sexual, uso de álcool e outras drogas, desaparecimento de crianças e meninos e meninas em situação de rua


Em períodos de festas populares como o carnaval aumentam os riscos para situações de violência contra crianças e adolescentes, que ficam mais vulneráveis em grandes aglomerações. Para sensibilizar e alertar a sociedade, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA) lança a Campanha Nacional de Proteção a Crianças e Adolescentes no Carnaval. Com o tema Respeitar, Proteger, Garantir – todos juntos pelos direitos da criança e do adolescente, a ação divulga os principais canais de denúncia: Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e o aplicativo Proteja Brasil. A iniciativa conta com a parceria do Ministério do Turismo, Infraero, Frente Nacional dos Prefeitos, União Europeia e Childhood Brasil.

A expectativa é conscientizar a população a denunciar qualquer situação de violação de direitos, especialmente a violência sexual, o trabalho infantil, o uso de álcool e drogas e crianças em situação de rua, que são as mais recorrentes em festas populares. Além disso, busca alertar os pais e responsáveis para importância de prevenir o desaparecimento de meninos e meninas.

“A Campanha pretende promover uma mudança cultural no país, a partir do esclarecimento do conceito “violação de direitos da criança e do adolescente” e foi elaborada partindo da premissa de que a prevenção e a denúncia são ações cotidianas e de responsabilidade de todos. Assim, as peças impressas e audiovisuais são atemporais e podem ser utilizadas nas diversas festas populares realizadas anualmente no Brasil”, destacou a secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Claudia Vidigal.

As peças publicitárias estão disponíveis para download no site www.sdh.gov.br e podem ser utilizadas por qualquer instituição governamental e da sociedade civil. A SNDCA também enviará material para distribuição nas cidades brasileiras consideradas centros carnavalescos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife.


Carnaval 2017 - Faça o download da peças


Fonte: Portal da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

5 razões por trás da crise de segurança pública no Brasil

Tropas do Exército brasileiro atuam no Espírito Santo durante greve de PMs


Desde o último sábado, várias cidades no Estado, incluindo a capital Vitória, viraram palco de um alto número de assassinatos, furtos, tiroteios e arrastões, com mais de 120 mortes.

A paralisação começou com um protesto de mulheres de policiais militares que se posicionaram diante das portas dos batalhões para impedir a saída das viaturas. Elas reivindicam reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho.

A crise no Espírito Santo acontece pouco depois de rebeliões que terminaram em massacres em presídos nas regiões Norte e Nordeste e após ameaças de greve e paralisações de polícias em outros Estados do Brasil, no que especialistas consultados pela BBC Brasil chamaram de "uma mesma crise da arquitetura institucional que organiza a segurança pública brasileira".

Eles elencaram os principais fatores por trás do problema:


1. Limbo sócio-jurídico

Para começar, há um vácuo jurídico acerca do tema segurança pública, avalia Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

"Nossa Constituição não diz o que é segurança pública, nenhuma lei diz que segurança pública é proteger a população ou investigar criminoso, só diz por quem a segurança vai ser exercida", disse ele à BBC Brasil.

"Então segurança é um conceito que ganha significado no dia a dia da prática policial. Se olharmos para a história das instituições policiais hoje, muitas estão reguladas por outro conceito de segurança, que é a manutenção de um modelo de ordem pública, de uma situação em que o Brasil tem um inimigo interno. A lógica é que o tráfico é o inimigo a ser combatido e deixamos de lado uma série de problemas ligados à preservação da vida", explica.

Para Lima, um bom conceito de segurança pública seria prevenção, investigação e punição de responsáveis por atos de violência e criminalidade e administração de conflitos para garantir direitos básicos da população para que ela possa exercer outros direitos da cidadania, como sair de casa, ir ao médico e trabalhar.


2. Precariedade do sistema penitenciário

As rebeliões em várias unidades prisionais do Brasil nas primeiras semanas de 2017 que provocaram mais de 130 mortes evidenciaram a precariedade do sistema penitenciário.

Atualmente o Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo, com 622 mil detentos e apenas 371 mil vagas, de acordo com o Ministério da Justiça. De 2000 para cá, a população carcerária mais que dobrou de tamanho.

"O problema de fundo é que o Brasil encarcera muito e encarcera mal. O país adotou uma política de guerra às drogas, qualquer um que é pego com drogas é preso. Se o menino entra um contraventor, vai para a universidade do crime. Não é pelo encarceramento que se causa melhoria da segurança", disse à BBC Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo, autor do Mapa da Violência e coordenador de estudos sobre Segurança Pública da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

E ainda há o problema da guerra entre facções criminosas dentro das prisões.

"Todos sabem que há facções dentro das prisões, facções violentas que dominam o sistema carcerário. Estamos de crises em crises que podemos chamar de anunciadas e para cada período desses o governo cria um plano que nunca se concretiza", diz Waiselfisz.


3. Reformas que não saem do papel

Este é outro problema apontado por ambos os especialistas em segurança pública.

"O plano nacional de segurança pública de hoje é (semelhante ao) de 2002, então temos uma série de reformas que se discutem mas não foram concretizadas até hoje, como reforma do código penal, desmilitarização da polícia, mais recursos para políticas públicas", explica Waiselfisz.

Para Lima, esse problema está ligado a uma desconexão de instituições que compõem o sistema de segurança pública.

"Como não há uma clareza sobre o que é segurança pública, quem dá sentido a isso são as instituições, em especial a polícia, mas também tribunais, delegacias, Ministério Público. Cada uma faz um pedaço em uma profunda desconexão tanto administrativa quanto republicana, envolvendo judiciário com executivo e defensoria", diz.

"Nesse quadro de baixíssima eficácia institucional, que afeta a resolução do que poderíamos pensar como segurança pública, ninguém se sente dono do problema, fica um jogo político de empurra com uma baixíssima governância da vida pública", afirma.


4. Falta de investigação

O estudo "Diagnóstico da Investigação de Homicídios no Brasil", realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e divulgado em 2012, apontou que a média nacional de resolução de homicídios é de apenas de 5%. No Reino Unido, esse número é de 93%.

"Não temos pesquisas, não temos polícia técnica judiciária e sofremos com um deficit impressionante de investigação e ocorrência. As polícias não prestam contas e têm dificuldade de construir uma relação de confiança com a população", afirma Waiselfisz.

Segundo o sociólogo, a ineficiência da polícia em termos de investigação está ligada a outro fator que explica a crise de segurança pública, que é a falta de recursos.


5. Recursos

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016, o Brasil gasta 1,5% do PIB em segurança pública, um pouco menos dos gastos da França na área (1,7% do PIB). "Precisamos de muito mais dinheiro", afirma.

Outro problema é a forma como esse valor é repassado.

"Os mecanismos de finanças precisam ser revisados. Atualmente esse dinheiro é repassado por convênios, mas o custo do repasse é caro porque passa por impasses burocráticos. A segurança precisa de dinheiro constante e planejamento, o comandante precisa saber quanto dinheiro vai receber a cada ano para pensar em um plano de trabalho. Isso não acontece hoje", explica o especialista.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

‘Dia sem mulher’: o mundo se prepara para uma greve internacional feminina

Foto: Sait Serkan Gurbuz (AP)
Manifestante na Marcha das Mulheres, em janeiro


“Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”. Cecilia Palmeiro, uma das porta-vozes de “Ni Una Menos”, resume assim por que o grupo de mulheres convoca no próximo 8 de março uma greve nacional feminina na Argentina. Eles não serão as únicas a se levantar e deixar seus postos de trabalho voluntariamente para “protestar contra o feminicídio, a exploração no trabalho/econômica e a desumanização e desierarquização das mulheres”. Mulheres de outros 30 países também planejam fazer a greve, prevendo um histórico Dia da Mulher. Grupos feministas da Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e EUA confirmaram a convocatória que tem o objetivo de deixar escritórios, lojas, fábricas ou qualquer trabalho sem a presença do sexo feminino para protestar contra as desigualdades de gênero e a violência machista.

“A ideia é se apropriar da greve como ferramenta política para expressar as nossas demandas e intervir concretamente na ordem da produção”, conta por e-mail esta acadêmica, doutora em Literatura Latino-americana. Ela explica que a greve de 8 de março começou a ser planejada depois do forte movimento argentino de mulheres de 19 outubro – a chamada quarta-feira negra contra os 200 assassinatos anuais por violência machista no país – e da segunda-feira negra de 3 de outubro na Polônia, quando milhares de mulheres pararam e protestaram contra a restritiva lei de aborto impulsionada pelo Executivo polaco, que depois foi rechaçada pelo Parlamento pela pressão das marchas. “Entramos em contato com as companheiras polonesas e coreanas, que também tinham parado, para construir uma articulação internacional”, conta.

O protesto internacional é inspirado no Dia Livre das Mulheres islandesas de 1975, quando 90% das cidadãs deixaram seus postos de trabalho em 24 de outubro desse ano para protagonizar uma grande manifestação nas ruas do país e marcar um ponto de inflexão na luta pela igualdade de direitos. “Com esta greve demos visibilidade para o trabalho doméstico não remunerado e para o fato de que as mulheres ganham, em média, quase 30% menos que os homens pelas mesmas tarefas. Com nosso trabalho invisibilizado em casa e desvalorizado no mercado, as mulheres sustentam a economia capitalista mundial”, explica. A greve, como explica, “permite uma reapropriação do nosso tempo. Uma oportunidade para ensaiar uma divisão mais equitativa do trabalho”.

As anglo-saxãs se inspiraram nelas e entenderam bem. Angela Davis e outras ativistas do mundo acadêmico assinaram no The Guardian desta semana a carta Mulheres dos Estados Unidos, vamos fazer greve. Vamos nos unir e assim Trump verá nosso poder, uma carta na qual chamavam à ação para “construir uma greve geral contra a violência masculina e em defesa dos direitos reprodutivos”. Sua ideia é “mobilizar as mulheres, incluindo as transgênero” para construir “um novo movimento feminista internacional com uma agenda expandida: antirracista, anti-imperialista, anti-neoliberal e anti-heteronormativo”.

As ativistas querem se distanciar dos últimos anos marcados pelo marketing do falso empoderamento e da dominação do corporativismo feminista. Uma vertente que dominou a conversa cultural, inclusive nos meios de comunicação, e que esteve empenhada em fabricar líderes com slogans publicitários através de “ideólogas” como Sheryl Sandberg e outras CEO do mercado ou políticas conservadoras que enfiavam suas camisetas “Isso aqui é uma feminista”, enquanto aplicavam as regras do livre mercado às políticas da mulher. Como bem resume em tom cômico a comediante britânica Bridget Christie em A Book for Her (Um Livro para Ela) “o feminismo conservador poderia ser resumido da seguinte forma: Para mim, funcionou, então por que não funcionaria para todo mundo?, ah sim, e quando eu chegar no alto a primeira coisa que vou fazer é colocar obstáculos a todas que tentem seguir meus passos”.

As ativistas norte-americanas também estão profundamente decepcionadas com essa tendência e, após o sucesso esmagador da Marcha das Mulheres de 21 de janeiro – apenas em Washington marcharam cerca de 500.000 pessoas –, se sentiram encorajadas para definir o início de uma nova era na luta pela igualdade. “O feminismo do Lean in (lema de Sheryl Sandberg) e suas variantes não funciona para a maioria de nós, para aquelas que não têm acesso à autopromoção individual e cujas condições de vida só podem ser melhoradas com políticas que defendem e assegurem os direitos reprodutivos e garanta os direitos trabalhistas. Tal como vemos, essas novas ondas de mobilização feminina devem ser direcionadas para todas essas preocupações de maneira frontal”, conta Davis em sua carta.

As norte-americanas, especialistas em batizar tudo, se permitiram rotular essa nova onda global como a do Feminismo do 99%. Um termo que se distancia das raízes capitalistas dos últimos anos e enfatiza os direitos sociais, com a simbologia herdada dos protestos de Occupy Wall Street contra o 1% que sustenta a riqueza global.

“Está claro que a resistência à agenda radical de Trump será liderada por mulheres corajosas lutando pelo nosso futuro”, tuitava recentemente a senadora californiana Kamala Harris. No próximo 8 de março mulheres de todo o mundo vão deixar seus trabalhos para provar isso.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Reforma do ensino médio poderá entrar em vigor apenas em 2020, dizem estados


Aprovada nessa quarta-feira (8), a reforma do ensino médio poderá ser implementada apenas em 2020 e ainda assim, não deve chegar imediatamente a todas as escolas. A previsão é dos estados e das escolas particulares. Isso porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), elemento fundamental para a implementação da reforma ainda está em discussão no Ministério da Educação (MEC).

"Quem entra nos holofotes agora é a Base, o início da implantação da reforma é atrelado à Base". A BNCC do ensino médio será definida pelo MEC e encaminhada para a aprovação do Conselho Nacional de Educação (CNE), para depois retornar à pasta para homologação. "Se isso ocorrer no segundo semestre, teremos até 2020 para iniciar o processo. Claro que vai depender de grande discussão, de várias definições. Começa agora uma etapa de discussão nos estados de como se dará a implementação", diz.

A reforma do ensino médio define que as escolas devem passar a oferecer opções de itinerários formativos para os estudantes. Eles deverão optar por uma formação com ênfase em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou formação técnica.

Parte da formação (40%) será voltado para a ênfase escolhida e o restante do tempo, para a formação comum, definida pela Base Nacional Comum Curricular. Os estados devem começar a implementar o novo modelo no segundo ano letivo subsequente à data de publicação da BNCC. Isso pode ser antecipado para o primeiro ano, desde que com antecedência mínima de 180 dias entre a publicação da Base Nacional e o início do ano letivo – ou seja, caso aprovada no primeiro semestre, poderia começar a vigorar em 2019.

A diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, acredita que a reforma deve ser implementada em 2020 porque não há tempo hábil, sobretudo para o setor público se adequar. As escolas, segundo ela, precisam ter os projetos político-pedagógicos encaminhados às secretarias de educação para começarem a implementar as mudanças. "O setor [privado] é mais ágil na mudanças, mas no final depende da secretaria de educação, que define as normas e as propostas a serem implementadas. De qualquer maneira, vamos fazer a melhor proposta e prestar o melhor serviço", diz.

Atualmente, o ensino médio tem 8,1 milhões de matrículas, a maioria em escolas públicas (87%) da rede estadual (80%), ou seja, a implementação da MP recairá principalmente sobre os estados. A reforma se estende a todas as escolas, ou seja, a rede particular também terá que se adequar.

Em termos de implementação cada estado poderá definir a melhor forma de ofertar os itinerários formativos. As escolas particulares estudam parcerias entre si. Uma das possibilidades é que um conjunto de escolas próximas ofertem cada uma um itinerário e atenda também os estudantes das demais.


Mudanças

A reforma do ensino médio define ainda que as escolas devem ampliar a carga horária para 5 horas diárias - atualmente a obrigação é 4 horas diárias - em cinco anos. A intenção é que progressivamente ampliem a carga horária para 7 horas diárias, para ofertar educação em tempo integral.

Segundo o presidente do Consed, Fred Amâncio, mais da metade dos estados ainda têm a carga horária de 4h. Já nas esocolar particulares, segundo Amábile, a maioria já está adequada à nova regra.

“Será um desafio para os estados, cada um vai ter que fazer o seu planejamento”, diz Amâncio. O financiamento será um dos grandes entraves, segundo ele, uma vez que vários estados enfrentam crises e endividamento. “Sabemos que a reforma tem um impacto [no orçamento]. Isso impacta no tempo de implementação da reforma. Cada estado vai depender das suas contas, não é questão apenas de vontade”.

O governo federal já anunciou duas principais linhas de auxílio aos estados. Uma delas é o Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral oferece, para o ensino médio, R$ 2 mil a mais por aluno por ano para ajudar os estados. A ajuda, que seria por até quatro anos, foi prorrogada para dez anos.

Outra linha é o MedioTec destinado a ofertar formação técnica e profissional a estudantes do ensino médio. Ao todo, serão ofertadas 82 mil vagas. Segundo Amâncio, isso fará com que a ênfase em ensino técnico seja a primeira a entrar em vigor nas escolas. Nessa semana foi feito um workshop em Brasília para os secretários estaduais. A expectativa é que o programa comece a funcionar no segundo semestre.


Fonte: Portal Agência Brasil

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários


Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.


Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".

A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

"São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."


Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

"Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade", diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

"Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor."

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.


'Tradição bacharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a "geração do diploma" estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

"O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes", diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: "Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing", ele exemplifica. "Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas."

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários", diz o consultor.

Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

"Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área", acredita.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Em vídeos satíricos, europeus respondem a Trump e ‘brigam’ pelo 2º lugar


Desde que surgiu na campanha presidencial americana e, até depois dela, ao tomar posse no cargo, o republicano Donald Trump tem bradado o lema “American First”, ou a “América em primeiro lugar”. Com ele, Trump promete proteger os EUA “dos estragos dos outros países” que “roubaram” os empregos dos EUA.

A Holanda encontrou uma maneria cômica para dar uma resposta a Trump. Um vídeo produzido por um programa de uma TV holandesa e publicado no Youtube fala o que presidente deveria considerar: a “Holanda em segundo”. No vídeo, um narrador, o comediante Greg Shapiro, personifica Trump, com sua voz e seus jargões “great”, “wonderful” e explica que, “tudo bem a América em primeiro, mas será que daria para a Holanda ser o segundo?”.


Desde então, surgiu uma brincadeira e vários países começaram a copiar a ideia com vídeos na internet em uma espécie de “campanha” pelo segundo lugar. Um deles é o de Portugal: “Esqueçam os holandeses. Eles são mais laranjas do que você!”, provocam:


Veja outras versões (em inglês): http://everysecondcounts.eu/


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Deputados aprovam urgência de projeto que reduz punições a partidos


O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (07) a tramitação em regime de urgência para o Projeto de Lei 4424/2016, que altera a Lei dos Partidos Políticos. Na prática, a proposta revoga uma resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que prevê a punição de partidos que não apresentarem suas prestações de contas anuais e que restringe o funcionamento de comissões provisórias nos Estados e municípios.

Além desta questão pontual, o cientista político Vitor Oliveira, do Pulso Público, ressaltou que outros itens do Projeto colocam em risco a transparência partidária e a possibilidade de medidas posteriores da Justiça Eleitoral para aumentar a vigilância sobre os recursos públicos destinados aos partidos.

Ele destaca o dispositivo que modifica o caput do artigo 3º da Lei dos Partidos, onde o texto atual diz que "é assegurada, ao partido político, autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento". A nova redação, mantém o texto anterior e inclui mais um trecho: "e gestão financeira de seus recursos, nos limites estabelecidos em seu estatuto".

Durante a votação ocorrida nesta tarde, o deputado Hildo Rocha (PMDB/MA) afirmou que seria um absurdo que partidos não prestem contas de gastos com recursos públicos. "Peço aos líderes que leiam bem o que será colocado para votação", disse aos colegas.

Em resposta, o deputado Espiridião Amim (PP/SC) disse que "não se trata de facultar ao partido não prestar contas, mas quem tem que responder é o gestor, que errou e tem que ser responsabilizado. Esse mecanismo já existe e deve ser executado. Agora condenar o partido político por um erro de gestor me parece ser equivocado".

O deputado Zé Geraldo (PT/PA) afirmou que “não se pode fazer com que os partidos não funcionem se houver uma falha na prestação de contas. (...) O tesoureiro do partido precisa responder por aquelas falhas, mas a vida partidária precisa continuar e sem fundo partidário não tem como. De repente por uma coisa pequena, o partido para de funcionar. Uma nova gestão de partido não pode pagar pelo erro da anterior”.

A pressa dos partidos acontece porque a norma do TSE passará a valer a partir de março deste ano. Aprovada em dezembro de 2015, ela foi suspensa por um ano em 3 de março de 2016, após partidos pedirem mais tempo para se ajustar às novas regras.

Pelo projeto, de autoria do ministro dos Transportes, deputado licenciado Maurício Quintella (PR-AL), os partidos que não apresentarem as suas prestações de contas anuais ou tiverem suas contas rejeitadas não poderão ser punidos com a suspensão do registro partidário.

"Eventual sanção a órgãos partidários, seja em relação à desaprovação de contas partidárias, omissão ou contas julgadas como não prestadas, não impedirá ou trará qualquer óbice ao regular funcionamento partidário", diz um artigo da proposta.

O argumento principal de Quintella ao justificar o projeto é que o TSE, ao editar a norma, "exorbitou o seu poder regulamentador e fez inovação no ordenamento jurídico e, por consequência, publicou regras desprovidas de legalidade".

O projeto também propõe alterar a Lei dos Partidos Políticos para dar "autonomia" às legendas. Prevê, por exemplo, que as legendas poderão funcionar por meios de comissões provisórias por "tempo indeterminado" e que, nesse caso, os membros do colegiado provisório deverão ser "indicados e designados" pelo "órgão hierarquicamente superior", ou seja, pelo diretório ou comissão provisória superior.

"O partido político poderá se constituir em órgãos de direção estadual, distrital ou municipal definitivos ou provisórios, por tempo indeterminado, nos termos do que prevê seu respectivo estatuto", diz um dos artigos do projeto.

Pela resolução do TSE, as siglas só poderão manter comissões provisórias em cidades ou Estados por até 120 dias. Pela nova regra da Corte eleitoral, o poder e a influência dos presidentes de partidos diminui. Isso porque a existência de diretórios obriga que o processo de escolha de candidatos em eleições ocorra em convenções partidárias, por meio de votação dos filiados. Já as comissões provisórias permitem que as indicações sejam feitas diretamente pelos dirigentes partidários, que representam um grupo restrito de integrantes da legenda.

O projeto também inclui na Lei dos Partidos que as legendas terão autonomia para definir a "gestão financeira de seus recursos, nos limites estabelecidos em seu estatuto". Estabelece também que as agremiações terão autonomia para "definir o cronograma das atividades eleitorais de campanha e executá-lo em qualquer dia e horário, observados os limites estabelecidos em lei".


Fonte: Revista Infomoney / Jornal Agência Estado

Artigo - Entrada VIP só para mulheres não é benefício, e sim machismo!


Por: Nathalia Marques*


Entrada Vip só para mulheres;

Mulherada paga meia entrada;

Homens 100; Mulheres 60


Aposto que, ao procurar uma balada hétero, você já se deparou com alguns dos anúncios descritos acima e pelo menos uma vez na vida pensou, ou ainda pensa “Nossa, entrada vip pra mulher, que ótimo, me dei bem!”. É, miga, se você ainda pensa assim, sinto dizer, mas não: o preço diferenciado não é benefício, é machismo.

Quando uma balada pratica preços diferenciados e oferece Entrada VIP para as minas, ela não está sendo “legal” com as mulheres, e sim usando uma tática perversa para atrair público – e nessa tática as mulheres são iscas.

A ideia é a seguinte: mulheres ganham entrada VIP ou pagam menos, logo a probabilidade de ter muitas mulheres é alta. Homens héteros vão para baladas em busca de mulheres, logo, se em uma balada haverá muitas mulheres, isso acaba se tornando um atrativo para eles.

Para piorar a situação, ainda há outra consequência dessa tática. Ao não pagar por suas entradas, as mulheres acabam consumindo mais bebida alcoólicas e, consequentemente, ficando mais vulneráveis. Vamos ser honestas, vulnerabilidade de mulheres em baladas interessa a quem? HOMENS, que podem se aproveitar do fato para cometer as mais variadas formas de abuso contra essas mulheres. Ou você vai dizer que nunca ouviu o caso de alguma mina que foi estuprada dentro de uma balada?

O que quero dizer com tudo isso é que, quando uma mulher paga menos, ou ganha entrada VIP para entrar em uma balada, ela está, na verdade, sendo objetificada. E, mesmo que um(a) organizador(a) de uma casa noturna, na sua “inocência”, não tenha essa intenção e possua um milhão de argumentos para justificar a diferença de preço, o cenário não muda, uma vez que isso continua sendo uma prática machista e que contribui não apenas para a objetificação, mas também para situações abusivas que podem comprometer a integridade física das mulheres.

Por isso, é muito importante questionar esse tipo de situação. Vale lembrar, para algumas mulheres que continuam achando que isso é benefício, que, quando estamos na luta pelo fim do machismo – e, como consequência, pela construção de uma sociedade igualitária – questionar e denunciar práticas desiguais é um dever, mesmo que isso esteja aparentemente nos “beneficiando”.


* Nathália Marques é jornalista de formação, blogueira de viagem por opção, feminista por necessidade e leitora assídua por paixão.


Fonte: Portal Lado M

Donald Trump tem chances reais de sofrer impeachment

Foto: Carlos Barria (Reuters)
Donald Trump: o site de apostas Paddy Power estima em 2 para 1 as chances de um impeachment até 2020


Nem bem começou e já há quem quer que termine. Antes mesmo de completar três semanas no cargo, o impeachment do presidente americano Donald Trump já é considerado como uma pauta no horizonte da política dos Estados Unidos.

Um grupo de democratas tenta fazer do tema uma pauta do partido. Jornais e revistas têm publicado artigos e reportagens sobre o assunto. A petição “Impeach Donald Trump Now” elenca argumentos para a retirada de Trump e já conta mais de 500.000 assinaturas. Há diversas petições no site da Casa Branca pedindo que o presidente divulgue seus impostos e suas relações comerciais pessoais – o objetivo é detectar conflitos de interesse que, no limite, levem a uma saída forçada do presidente.

O site de apostas Paddy Power estima em 2 para 1 as chances de um impeachment. E até mesmo republicanos duvidam da capacidade de Trump de terminar o mandato. Em um artigo escrito para a revista The Atlantic, Eliot Cohen, ex-consultor de Condoleezza Rice durante o governo de George W. Bush, argumenta que “não seria a menor surpresa se a gestão não terminasse em 4 ou 8 anos, mas muito antes disso, com um impeachment”.

Inimigos não faltam: Trump já comprou brigas dentro e fora dos Estados Unidos. Proibiu imigrantes muçulmanos, demitiu a procuradora-geral, cancelou o Tratado Trans-Pacífico, ameaçou o México com a construção do muro, comprou uma briga cambial com a Alemanha e até desligou o telefone na cara do primeiro ministro australiano Malcolm Turnbull.

Um de seus mais famosos apoiadores, o empresário Peter Thiel, costumava dizer que “o problema com os opositores de Trump é que eles o interpretam de maneira literal, mas não séria; e o problema com seus apoiadores é que eles o interpretam de maneira séria, mas não literal”. Até aqui, o melhor guia para a política trumpista tem sido exatamente o que Trump havia dito que iria fazer. Mas ele pode continuar assim até 2020?


O caso pró-impeachment

Embora o governo tenha menos de um mês, já há quem defenda que determinadas atitudes de Trump violam leis americanas que poderiam balizar uma moção de impeachment. O deputado democrata Joaquin Castro, por exemplo, questiona se o presidente não interferiu na autonomia de outros poderes quando baniu imigrantes muçulmanos de entrarem nos Estados Unidos — esta foi uma das ações do governo mais questionadas.

Para ele, há a possibilidade de Trump ter instruído a Agência de Proteção de Fronteira a ignorar ordens judiciais contra seu mandato executivo. “Se o presidente instruiu a Agência de Proteção de Fronteira a ignorar ordens da justiça contrárias ao seu mandato executivo ele deveria receber uma repreensão. Se fizer de novo deveria ser retirado do governo” escreveu Castro no Twitter.

Outros motivos incluem a própria relação do presidente com seus negócios particulares — o republicano deixou as organizações Trump para seus filhos em um truste, no qual eles teoricamente não podem discutir negócios. Além do fato de Trump nunca ter disponibilizado sua declaração de imposto de renda. Alguns deles giram em torno da Cláusula dos Emolumentos, um adendo da constituição americana que proíbe alguém que ocupa um cargo público de ter interesses financeiros ou receber presentes e títulos de outros países.

Para Ajay Chaudhary, professor da Universidade de Columbia e diretor do Instituto Brooklyn de Pesquisa Social, ainda é cedo para argumentar pelo impeachment do presidente. “No atual momento é muito improvável que o impeachment aconteça, seja pelas ordens executivas de Trump ou pela Cláusula dos Emolumentos. Não há quase nada em que se possa apoiar um processo de crime político agora”, afirma.


Construindo a oposição

Um processo desses não tomaria lugar tão facilmente. Trump está fortalecido: segundo o jornal New York Times 48% dos americanos aprovaram a medida de banir imigrantes de países de maioria muçulmana. E seu partido tem maioria no Congresso, o que dificultaria o processo de impeachment de caminhar pelas vias legais.

Esperar que o governo enfraqueça é o que parece ser a única alternativa da oposição. Em um evento realizado pelo banco Credit Suisse em São Paulo, o ex-ministro de Relações Exteriores do México, Jorge Castañeda, argumentou que essa é a opção do país para lidar com as provocações de Trump. “O México é a criança mais fraca na turma, logo Trump vai mexer com ele primeiro. A opção é esperarmos que ele esteja mais fraco, com menos apoio, com a imagem desgastada e com a oposição democrata minimamente fortalecida para termos chances de nos defendermos melhor de suas políticas”, disse.

Os democratas começam a procurar por maneiras de deslegitimar a gestão de Trump e enfraquecer seu poderio político. Um boicote em massa está programado para o dia 28 de fevereiro, quando acontece uma sessão conjunta do presidente com o Congresso, onde Trump irá fazer o famoso Discurso de Estado da União. O propósito é fortalecer o partido para as eleições de meio de mandato — nos Estados Unidos uma parte dos congressistas é eleita a cada dois anos — e tentar conquistar a maioria na Câmara. “Eu realmente acredito que se tivermos a maioria podemos dar entrada em um processo de impeachment”, disse o deputado democrata Ted Lieu ao site Politico.

Segundo o professor Chaudhary nem mesmo esse processo é simples. Ele lembra que os democratas precisam passar por algum tipo de reconstrução interna caso queiram se colocar como uma oposição real aos republicanos. “A coalizão republicana não deve ser enfraquecida tão cedo. Eles têm o controle do Congresso e da presidência da Câmara e podem tocar uma agenda econômica conservadora. Para os democratas terem alguma chance é preciso que se fortaleçam como um partido de força econômica, além de força social”.

Trump já afirmou que a verdadeira oposição a seu governo é a mídia. Mas analistas discordam que a imprensa apoiaria um impeachment caso não houvesse uma base legal sólida e acusações contundentes.


Impeachment nos Estados Unidos

O processo de impeachment americano é muito parecido com o brasileiro. Primeiro, as acusações passam por uma comissão de justiça na Câmara que julga os procedimentos legais da questão. Depois, vai a plenário da Câmara, onde o caso precisa de maioria simples.

Lá, como cá, o julgamento é feito no Senado, onde precisa do voto de 67 dos 100 senadores. Até hoje, nenhum presidente foi condenado no Senado, embora outros já foram julgados. Mais recentemente, no final de 1998, Bill Clinton teve duas moções de impeachment encaminhadas após o escândalo de seu envolvimento com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. As acusações, de perjúrio e obstrução de justiça, foram aprovadas pela Câmara.

No Senado, Clinton foi inocentados por todos os 45 democratas e 5 republicanos em ambas as acusações, resultando no apoio de pelo menos metade dos senadores. Exatos 130 anos antes, o ex-presidente Andrew Johnson também foi inocentado pelo Senado, após acusações de que teria violado uma lei da época que impediria o presidente de remover civis nomeados a cargos políticos sem aprovação do Senado. Richard Nixon renunciou enquanto seu processo de impeachment corria pela Câmara, em 1974, acusado estar envolvido e tentar abafar o caso Watergate, em que a CIA teria invadido computadores e escritórios democratas para obter informações privilegiadas a mando da presidência.

Lá, como cá, o processo é essencialmente político. Clinton se safou porque a economia estava no rumo certo. Se os mirabolantes planos de Trump derem conta da promessa de fazer o país crescer 4%, ele certamente ficará onde está independentemente dos impropérios e conflitos de interesse. Mas, se a economia patinar, é melhor ele colocar o topete de molho.


Fonte: Revista Exame

Artigo - Por que cidadãos saqueiam lojas quando não há PM nas ruas?


Eletrodomésticos furtados pela população são devolvidos em delegacia no ES



Por: Mirthyani Bezerra


Um morador de Cachoeiro Itapemirim, no interior do Espírito Santo, afirmou ontem ao UOL que "por impulso" levou para casa uma máquina de lavar de uma loja Dadalto que estava sendo saqueada. Acabou procurando uma delegacia depois para devolver o produto.

Como ele, muitos capixabas também se sentiram na liberdade de entrar em lojas para saquear produtos, os mais variados, depois que a notícia de que não havia mais policiais militares nas ruas dos municípios do Espírito Santo começou a se espalhar.

Desde o dia 4 de fevereiro, um movimento de familiares tem impedido que policiais militares saiam dos seus batalhões, o que paralisou as atividades da Polícia Militar do Estado. Os saques do ES não são um fato inédito, basta lembrar o que aconteceu em Pernambuco e na Bahia em 2014, também durante paralisação de policiais militares.

Esse "impulso" sentido pelo capixaba entrevistado pelo UOL é um reflexo de um "efeito bocejo"-- quando uma pessoa abre a boca seguindo o gesto de outra pessoa, num movimento em cascata --, segundo Bruno Paes Manso, cientista político e pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP (Universidade de São Paulo). Esse fenômeno social é parecido com o que acontece em casos de linchamentos e enfrentamento de torcidas organizadas, por exemplo, quando o comportamento de massa se sobrepõe ao individual.

"São comportamentos de multidões, quando os freios morais estão suspensos e as pessoas agem por emoção, no calor dos acontecimentos. Depois ela volta para casa, vê a geladeira que foi saqueada e cai na real. Percebe que talvez tenha feito um juízo diferente da realidade, que pode ser presa, que os vizinhos podem pensar mal", explica.

Segundo Paes Manso, saques são comuns em momentos traumáticos, de violência extrema. "Em condições normais, as pessoas não entram na loja para saquear porque tem polícia por perto", diz.
"Não tem a ver com a ausência de polícia, mas com a suspensão das normas do dia a dia causada por algum evento traumático [no caso do ES, a violência gerada pela paralisação da PM]" Bruno Paes Manso, cientista político

Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), afirma que a condição de anonimato é essencial para que esse comportamento de massa aconteça. "Se eu for sozinho, eu vou ser identificado. Se eu sou anônimo, se estou espalhado na multidão, me sinto imune", explica.

É o conceito de "difusão da responsabilidade", como explica Ignácio Cano, coordenador do LAV (Laboratório de Análises de Violência) da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). "A lógica é que já que o fato está acontecendo, a pessoa vai lá levar a parte dela sem se responsabilizar. É o que acontece com quem participa de um linchamento, por exemplo", compara.


Saques mostram que algo não anda bem na sociedade

Esse estado de "anomia", que é quando lei e a regra não prevalecem mais como norma de orientação da conduta, traduz o sentimento social profundo de que algo não está bem na sociedade, na opinião de Sérgio Adorno, professor titular em sociologia da USP e coordenador científico do NEV.

"Esses atos de saque são protestos coletivos. Existe uma crise de liderança nesse país, não tem um modelo, um comportamento a serem seguidos. Quem tem retidão moral na nossa sociedade? Como é o comportamento das pessoas públicas?", questiona.

A ideia é corroborada por Esther Solano. Segundo ela, o Brasil vive uma crise de legitimidade generalizada nos entes públicos e o caos vivido no Espírito Santo demonstra a falta de capacidade do Estado em gerar confiança nas pessoas. "Muitas pessoas pensam que o governo faz o que quer, então elas também se sentem na liberdade de fazerem o que querem", diz.

Solano acrescenta que esse sentimento causa um "encorajamento coletivo" para fazer algo que o cidadão não faria no âmbito individual. "Esse encorajamento não é necessariamente negativo. Ele pode motivar ações coletivas positivas, como protestos, quando as pessoas que pensam de maneira semelhante, apoiam a iniciativa, se sentem identificadas com ela, se sentem refletidas no outro", afirma.


Cabe ao Estado garantir uma convivência respeitável

Esse comportamento coletivo não é "privilégio" do Brasil. "Saques acontecem em sociedades em períodos de grave crise. Aconteceu na Europa no final do século 19, nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século 20", afirmou Adorno.

O sociólogo diz ainda que é preciso ter cuidado ao analisar esses momentos de crise. "Violência é uma linguagem social e tentar entendê-la é uma tarefa complexa. Tem que ir com cuidado para não acabar criando um ambiente que acentue as desigualdades no país, para não associar o bandido com o trabalhador de baixa renda e o 'cidadão de bem' com a classe média", afirma.

Segundo ele, esse tipo de problema só pode ser evitado quando governantes e legisladores entenderem que cabe a eles garantir o bem comum. "É responsabilidade deles garantir uma vida digna para todos, uma convivência respeitável, que a dignidade de cada um seja respeitada", acrescenta.

Para Ignácio Cano, a presença do Estado evita que existam as condições que "dão lugar a esse tipo de fenômeno", em curto prazo. "Em longo prazo, é preciso trabalhar com a educação para conscientizar a sociedade [sobre civilidade]", conclui.


Fonte: Jornal UOL Notícias

703 PMs são indiciados no ES. E suas mulheres serão responsabilizadas pelo Estado


A Polícia Militar do Espírito Santo indiciou 703 policiais militares (PMs) pelo crime de revolta. Se condenados, a pena é de 8 a 20 anos de detenção em presídio militar e a expulsão da corporação. Esses policiais tiveram o ponto cortado desde sábado (4) e não vão receber salário. O secretário de Segurança Pública, André Garcia, informou que eles foram indiciados pelo crime militar de revolta por estarem armados e aquartelados nos batalhões.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, disse que o número de indiciamentos "com certeza" irá aumentar muito. Segundo ele, o Comando da Polícia Militar identificou que os homens que estão participando do movimento grevista são os que têm menos tempo de serviço na corporação.
"Esse movimento é realizado pelos praças [soldado, cabo, sargento e subtenente]. Não é um movimento dos oficiais", afirmou o comandante-geral, em entrevista à imprensa na sede da Secretaria de Segurança Pública. "Nossa tropa escolheu a forma errada [de negociação]. Não se negocia com a arma na cabeça."

O secretário de Segurança também afirmou que o governo está identificando, por meio de imagens, as mulheres e os parentes dos policiais que estão participando das manifestações e bloqueiam a entrada dos quartéis para evitar a saída das viaturas. O objetivo é responsabilizar civilmente essas pessoas. A relação dos parentes que estão à frente do movimento será encaminhada para o Ministério Público Federal.
"Essas pessoas vão pagar os custos da mobilização das tropas federais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O recado está dado para os familiares. Não vão sair isentos desse processo."

O secretário de Segurança Pública disse que as tropas das Forças Armadas e da Força Nacional não serão mobilizadas em um primeiro momento para retirar as mulheres que bloqueiam a entrada dos batalhões, mas não descartou essa possibilidade.

A cúpula da segurança pública anunciou as ações que serão tomadas após reunião de negociação com o movimento grevista da Polícia Militar. O encontro entre os secretários do governo do Espírito Santo e representantes das mulheres e das associações de classe dos policiais militares terminou sem acordo no início da madrugada desta quarta-feira após dez horas de reunião.

Desde segunda-feira (6), o patrulhamento no estado tem sido feito pelas Forças Armadas e pela Força Nacional. O Ministério da Defesa anunciou na quinta-feira (9) o reforço na segurança em todo o estado. O comandante da força-tarefa da Operação Capixaba, general Adilson Katibe, disse que, até o fim de semana, o número total de militares deve chegar a 3 mil homens. A força-tarefa conta atualmente com 1.783 homens, sendo 1 mil do Exército, 373 da Marinha, 110 da Força Aérea e 300 da Força Nacional.


Fonte: Jornal Huffpost Brasil - The Huffington Post (EUA)

Está na hora de mudar a estrutura da polícia brasileira?

Polícia do Espírito Santo completou sete dias em greve


Enquanto alguns defendem a desmilitarização, alegando que a herança militar torna a PM mais violenta, menos "humana" e pouco eficaz, outros discordam e defendem que é justamente a estética e a conduta militar que trazem a disciplina que os policiais precisam para proteger o cidadão no dia a dia. Apesar das divergências, há um ponto em comum entre os dois lados: ambos concordam que o sistema atual é ineficiente e precisa ser rediscutido.

"Não tem a solução pronta, mas algumas coisas são evidentes que não têm funcionado", afirmou Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Nacional de Segurança Pública, à BBC Brasil.


Solução e investigação de crimes

O que "não está funcionando", segundo a diretora, é justamente a divisão característica da polícia no Brasil, que coloca a civil e a militar para atuarem no mesmo crime - só que em etapas diferentes.

Atualmente, a dinâmica de proteção do cidadão funciona da seguinte forma: quando um crime acontece, a polícia militar é acionada para o local, onde faz a primeira perícia e conduz as vítimas à delegacia de polícia civil, que é onde o boletim de ocorrência é feito. É de lá que a investigação seguirá.

"Se esses profissionais não estão integrados, eles não necessariamente vão passar todas as informações", explicou Bueno.

"As primeiras informações do local do crime são fundamentais para solucioná-lo. E aí quando não há essa integração, você tem uma taxa de esclarecimento de homicídios, por exemplo, que é baixíssima no Brasil: dos 60 mil que acontecem por ano, só 8% são solucionados."

Dessa forma, as duas polícias - que têm formação e orientação completamente diferentes - trabalham no mesmo crime. Segundo especialistas, essa prática gera ineficiência na solução das ações criminosas, tanto por parte da PM, como da polícia civil.

"Nada impede de ter mais de uma polícia, só que todas deveriam ser de ciclo completo. Essa interrupção no ciclo do crime onde uma faz uma parte, e outra faz outra, se mostrou ineficiente. Um vai por a culpa no outro sobre o não esclarecimento de um caso. Quando tem uma polícia só fazendo o ciclo completo, não tem em quem jogar a culpa", disse à BBC o coronel Alvaro Batista Camilo, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e deputado estadual.

Na lógica da estrutura atual de polícia vigente no Brasil, policiais civis - que têm formação de bacharéis em Direito - e militares - que são formados nas Academias Militares ou no Curso de Formação de Soldados - atuam no mesmo território e têm seus trabalhos complementados um pelo outro.

A polícia militar é a que anda de farda e é chamada "ostensiva e preventiva". Já a civil é a que tem como principal objetivo investigar os crimes e encaminhá-los ao Judiciário. Mas, para se ter eficiência no combate ao crime, as duas precisam uma da outra - e essa dependência nem sempre é fácil, já que, segundo alguns especialistas, as duas muitas vezes se veem como "rivais".

"Os nossos índices de criminalidade mostram como é ineficiente o sistema. As polícias não trabalham juntas, não gostam de trabalhar juntas e não querem trabalhar juntas. Elas competem entre si", observou a diretora do Fórum de Segurança Pública.

"A verdade é que cada um está muito preocupado com a defesa dos próprios corporativismos e acabam esquecendo que eles precisam trabalhar de maneira integrada pela população."


Desmilitarização?

Pelo código disciplinar que a rege, a polícia militar não tem permissão para fazer greve e pode ser punida por paralisações. Por isso, a estratégia adotada no Espírito Santo foi a de os familiares impedirem os policiais de saírem dos quartéis. Com o agravamento da situação no estado, uma questão que vem e vai conforme as crises da polícia no país voltou à tona: a solução seria desmilitarizar?

As principais críticas dos que são favoráveis à desmilitarização dizem respeito à formação dos soldados, ao Tribunal de Justiça Militar e ao regimento disciplinar rígido aos quais os PMs estão submetidos.

"A formação do policial militar faz com que ele se veja como 'diferente'. Porque ele faz parte de uma organização toda certinha, enquanto a sociedade é toda desorganizada", afirmou Guaracy Mingardi, pesquisador em segurança pública e ex-secretário de segurança de Guarulhos.

"A formação leva a isso, principalmente do oficial. Ela transforma o sujeito e muda a cabeça dele, e esse é um dos problemas da polícia militar."

A disciplina rígida que rege os militares - e que, para eles, é essencial para a execução do trabalho - também é criticada por Mingardi. "O sistema está rachando. O que vem acontecendo nos últimos anos é que ser militar não impede mais coisas como as greves. Nos últimos anos, têm acontecido muitas. Eles dizem que essa disciplina militar é boa para 'segurar' o soldado, mas não segura mais. Olha o que está acontecendo no Espírito Santo!"


Código disciplinar e tribunal próprio

Uma característica que diferencia a polícia militar é o fato de ela ter um código disciplinar próprio, que inclui punições que alguns especialistas julgam "retrógradas e sem sentido".

"O código disciplinar na maioria das vezes é da época da ditadura e contém punições de situações como 'porque não fez a barba', 'porque não cedeu banco do ônibus para um oficial superior'... Faz sentido isso? É muito baseado no Exército", questionou Samira Bueno.

Por outro lado, coronéis garantem que é exatamente esse código de conduta o responsável por garantir a ordem e a eficiência dos militares.

"As pessoas têm que entender que militarismo não é ditadura. É só a estética militar, sinais de respeito, disciplina e hierarquia forte, baseado na militar", disse coronel Camilo.

"A sociedade dá a ela a condição de matar alguém, então é uma instituição que precisa ser controlada, com muita disciplina e hierarquia, para ele saber a missão que tem."

Além do código disciplinar próprio, os militares também têm um tribunal exclusivo para julgar crimes cometidos por membros da corporação - a chamada Justiça Militar. Apenas crimes de homicídio cometidos por eles vão para a Justiça comum.

Para Mingardi, isso reforça ainda mais a ideia de que os militares "não fazem parte da sociedade" e favorece um abrandamento nas condenações. "Tem que acabar com a Justiça Militar. Não tem que ter um tribunal específico para eles, crimes precisam ser julgados da mesma maneira pra todos. Tem que tirar o foco de que eles são diferentes do resto. Condenar oficial é muito difícil."

No entanto, há quem sustente que o tribunal militar é mais rigoroso do que qualquer vara comum da Justiça. "A partir do momento que homicídio passou a ser julgado pra Justiça comum, condenou-se bem menos. Isso é um ranço ideológico que existe. A Justiça comum é mais benevolente que a militar", disse coronel Camilo.


Solução?

Apesar de não haver unanimidade sobre qual seria o melhor sistema de policiamento para o país, os especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que é imprescindível levar o debate sobre segurança pública ao Congresso - especialmente diante da situação atual.

Qualquer mudança na estrutura da polícia teria que passar pelo Congresso, já que as definições de polícia civil e militar são determinadas pela Constituição.

"Os governadores não vão conseguir fazer essas mudanças, porque elas incomodam. E eles são reféns, então tem que ser no âmbito nacional", afirmou Bueno.

"Lá (no Espírito Santo) deixaram chegar numa situação insustentável. Se não há policial, não há ordem, e sem ordem não há democracia. E o que aconteceu lá pode servir de mau exemplo para outros Estados", afirmou Camilo. "O governo tem que olhar pra segurança pública com o mesmo carinho que olha para as questões econômicas."


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Mitos e verdades sobre a vacina contra a febre amarela


Desde o início do surto de febre amarela em cidades do interior do Espírito Santo, a procura pela vacina em postos de saúde este ano vem aumentando. Com a confirmação de casos da doença em pelo menos três estados, a corrida em busca da imunização tem provocado filas em diversos municípios. É importante destacar, entretanto, que nem todas as pessoas precisam receber uma nova dose – grávidas e idosos, por exemplo, estão entre os grupos onde há contraindicação.

Desde o início do ano, o ministério tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que registram casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 9,9 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (4,5 milhões), Espírito Santo (2,5 milhões), São Paulo (1,2 milhão), Bahia (900 mil) e Rio de Janeiro (850 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados.

Até a última sexta-feira (10), foram confirmados 230, casos de febre amarela. Dos 1.170 casos registrados como suspeitos, 847 permanecem em investigação e 93 foram descartados. Entre os 186 óbitos notificados, 79 foram confirmados, 104 são investigados e três foram descartados. Os estados de Minas Gerais, do Espírito Santo, de São Paulo, da Bahia e do Tocantins continuam com casos investigados e/ou confirmados.

Atualmente, a vacinação de rotina é ofertada em 19 estados onde há recomendação para imunização. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida. Também precisam se vacinar, neste momento, pessoas que vão viajar ou vivem nas regiões que estão registrando casos da doença: leste de Minas Gerais, oeste do Espírito Santo, noroeste do Rio de Janeiro e oeste da Bahia. Não há necessidade de corrida aos postos de saúde, já que há doses suficientes para atender as regiões com recomendação de vacinação.

Confira abaixo mitos e verdades sobre a vacina contra a febre amarela, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde:


Preciso tomar a vacina a cada dez anos.

MITO. O esquema vacinal da febre amarela é duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber as vacinas aos 9 meses e aos 4 anos. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira.


Grávidas e mulheres que estão amamentando não devem se vacinar.

VERDADE. De uma forma geral, não se recomenda a vacinação de grávidas e mulheres que amamentam. Em algumas situações, entretanto, o médico pode indicar a imunização – como em casos de surto no município. Nesse tipo de situação, lactentes que receberem a dose devem suspender a amamentação por um período de 30 dias.


Mesmo tendo tomado as duas doses, tenho risco de pegar febre amarela.

MITO. As duas doses da vacina são suficientes para proteger durante toda a vida contra a doença.


Quanto mais doses eu tomar, mais imunizado eu fico.

MITO. O esquema vacinal da febre amarela é de duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. Elas são suficientes para proteger durante toda a vida. Uma terceira dose não vai criar nenhuma proteção adicional.


Se não moro em área onde há recomendação de vacina, não preciso receber a dose.

VERDADE. No Brasil, a vacinação é recomendada a partir de 9 meses de vida para pessoas que residem ou se deslocam para municípios que compõem a chamada Área Com Recomendação de Vacina. Locais com matas e rios, onde o vírus e seus hospedeiros e vetores ocorrem naturalmente, são identificados como áreas de risco. Se você não mora em área onde há recomendação de vacina, não é necessário tomar a dose.

Veja a lista completa de municípios com recomendação de imunização.


Fonte: Portal Agência Brasil

Como bilhete deixado no banheiro de avião por aeromoça salvou menina vítima de tráfico humano

Shelia Fedrick divulgou o caso ocorrido em 2011


Uma comissária de bordo americana salvou uma menina vítima de tráfico humano após desconfiar do modo como o acompanhante dela a tratava durante o voo e deixar um bilhete para a garota no banheiro.

Shelia Fedrick, de 49 anos, viu uma adolescente com aparência desgrenhada sentada ao lado de um homem mais velho e bem vestido no avião em que estava trabalhando - o contraste entre ele e a garota, que parecia ter entre 14 e 15 anos, chamou sua atenção.

A menina "parecia que tinha vivido um inferno", contou a comissária à rede americana NBC. Para completar a situação, o homem não permitia que Fedrick conversasse com a adolescente.

Desconfiada, ela conseguiu se comunicar discretamente com a jovem, sussurrando para que fosse ao banheiro, onde deixou um bilhete.

A menina então escreveu uma resposta: "preciso de ajuda".

A adolescente era, na verdade, vítima de tráfico humano. Os instintos de Fedrick ajudaram a salvá-la: com o pedido de socorro em mãos, a comissária conseguiu mobilizar o piloto, que informou a polícia.

Quando o avião pousou, os policiais já estavam esperando no terminal.

O incidente ocorreu em 2011, em um voo da Alaska Airlines entre Seattle e San Francisco, mas foi divulgado pela imprensa americana nesta semana - a organização de caridade Airline Ambassadors está tentando treinar funcionários de companhias aéreas para perceber situações como essa e ajudar a combater o tráfico humano.

De acordo com a organização National Human Trafficking Hotline, que recebe denúncias do crime por telefone nos EUA, 7.572 casos foram relatados no país em 2016.

Medo e nervosismo

O site da Airline Ambassadors enumera alguns sinais de que uma pessoa possa estar sendo vítima de tráfico humano.

Por exemplo: a vítima pode aparentar ter medo de seguranças uniformizados, não ter certeza de qual é seu destino e aparentar nervosismo.

Além disso, também pode responder a perguntas de uma forma ensaiada e estar usando roupas que não combinam com o clima do lugar para onde está indo.

Já os traficantes, de acordo com a Airline Ambassadors, podem tentar responder a questões no lugar da vítima, observar cada movimento dela atentamente e não saber seu nome ou dados pessoais.

"Dizemos para as pessoas não tentarem resgatá-las, pois você pode colocar a vítima e você mesmo em perigo", explicou à NBC Nancy Rivard, fundadora da organização.

A Airline Ambassadors orienta os comissários e comissárias a não enfrentar ninguém ou demonstrar abertamente preocupação ou inquietação.

Eles devem, a exemplo do que fez Fedrick no caso da Alaska Airlines, pedir ao piloto informe o aeroporto onde o voo vai pousar.

A jovem salva pela comissária hoje frequenta a universidade - e ainda mantém contato com ela.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

UNFPA e governo discutem parcerias para combater violência contra jovens negros


Nesta semana (8), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) se reuniu com o secretário nacional de Juventude, Assis Filho, para discutir futuras parcerias em prol dos direitos da população jovem no Brasil. Representantes da agência da ONU e do governo destacaram a importância de recuperar o Plano Juventude Viva, projeto para reduzir a vulnerabilidade de jovens negros à violência física e simbólica.

“Precisamos reconhecer os problemas e buscar parceria para solucioná-los. O combate à violência e a promoção da autonomia da juventude negra é uma parte fundamental destes esforços”, disse Assis Filho. O secretário afirmou ainda que a sociedade brasileira tem uma dívida histórica com a população negra que precisa ser saldada.

De acordo com o UNFPA, os temas discutidos na reunião vão ao encontro dos que serão abordados pelo Mapa da Violência de 2016. O relatório, com previsão de lançamento para 15 de fevereiro, tem como foco os homicídios por armas de fogo no Brasil, que afetam principalmente os homens negros jovens — mas que também têm aumentado entre as mulheres jovens.

Em 2015, as Nações Unidas declararam a Década Internacional de Afrodescendentes, período que vigorará até 2024. Ao longo dos dez anos previstos pela iniciativa, Estados-membros são incentivados a fortalecer ações contra a discriminação racial e em favor dos direitos da população negra. Nos próximos meses, a ONU lançará, no âmbito da Década, uma nova campanha de combate à violência contra jovens negros.

O UNFPA e a Secretaria Nacional coordenam o Grupo Assessor Interagencial sobre Juventude, que busca estabelecer um espaço de diálogo entre governo, sociedade civil e as Nações Unidas no Brasil.

A responsável do UNFPA pela área de adolescências e juventudes, Anna Cunha, ressaltou a importância da participação de jovens nas tomadas de decisões em espaços multilaterais. A especialista citou a recente realização do Fórum da Juventude de 2017 na sede da ONU, em Nova York.

Segundo o representante da agência da ONU no Brasil, Jaime Nadal, as políticas de juventude do país são exemplos que devem ser levados para outras nações. “As experiências brasileiras permitem nortear temas relacionados à juventude no sul global”, afirmou durante a reunião.

Também participaram do encontro o representante adjunto do UNFPA, Yves Sassenrath, a representante auxiliar do organismo, Fernanda Lopes, e o chefe de gabinete e coordenador de assuntos internacionais da Secretaria, Rafael Braga.


Fonte: Portal da ONU

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